{"id":2438,"date":"2006-12-18T15:23:23","date_gmt":"2006-12-18T15:23:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2438"},"modified":"2006-12-18T15:23:23","modified_gmt":"2006-12-18T15:23:23","slug":"ambiente-argentinos-reforcam-o-front-da-guerra-do-papel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/america-latina\/ambiente-argentinos-reforcam-o-front-da-guerra-do-papel\/","title":{"rendered":"Ambiente: Argentinos refor\u00e7am o front da guerra do papel"},"content":{"rendered":"<p>Arroyo Verde, Argentina, 18\/12\/2006 &ndash; Com um pres\u00e9pio e uma grande \u00e1rvore de Natal na estrada que leva \u00e0 ponte binacional, moradores da cidade argentina de Gualeguaych\u00fa pretendem manter o bloqueio no caminho para o Uruguai at\u00e9 que desapare\u00e7a a f\u00e1brica de celulose que est\u00e1 sendo constru\u00edda do outro lado do rio lim\u00edtrofe.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_2438\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/papeleras.JPG\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2438\" class=\"size-medium wp-image-2438\" title=\" - \" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/papeleras.JPG\" alt=\" - \" width=\"200\" height=\"148\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2438\" class=\"wp-caption-text\"> - <\/p><\/div>  \u201cN\u00e3o nos agrada, mas \u00e9 nossa \u00fanica sa\u00edda\u201d, disse um dos ativistas da Assembl\u00e9ia Ambiental Cidad\u00e3 de Gualeguaych\u00fa ao interromper o tr\u00e2nsito de uma fam\u00edlia argentina que regressava do Uruguai.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 outra forma de impor nossa vontade. Se deixarmos livre a estrada para o Uruguai o conflito acaba\u201d, disse outro membro dessa assembl\u00e9ia no acampamento improvisado em Arroyo Verde. \u201cO bloqueio ser\u00e1 levantado quando a planta partir\u201d, afirmou, numa refer\u00eancia \u00e0 f\u00e1brica de celulose que \u00e9 constru\u00edda pela firma finlandesa Botnia. Moradores desta cidade, a leste da prov\u00edncia de Entre R\u00edos e cerca de 270 quil\u00f4metros ao norte de Buenos Aires, h\u00e1 25 dias mant\u00eam interrompido o tr\u00e1fego de ve\u00edculos no quil\u00f4metro 28 da estrada 136, a \u00fanica via de acesso \u00e0 ponte que cruza o Rio Uruguai at\u00e9 as proximidades da cidade uruguaia de Fray Bentos.<\/p>\n<p>S\u00f3 \u00e9 permitida a passagem de autom\u00f3veis e caminh\u00f5es procedentes de estabelecimentos rurais pr\u00f3ximos ao bloqueio. Os manifestantes tamb\u00e9m deixam cruzar a ponte muitos uruguaios que costumam fazer compras do lado argentino, mas somente a p\u00e9. Estes deixam seus carros junto ao bloqueio, cruzam a p\u00e9 e tomam um t\u00e1xi. Mais tarde voltar\u00e3o com sacolas carregadas e recipientes cheios de combust\u00edvel, em geral mais baratos do que em seu pa\u00eds devido \u00e0 diferen\u00e7a de c\u00e2mbio. \u201cPode ver que n\u00e3o somos t\u00e3o malvados como dizem. Passam o tempo todo caminhando entre n\u00f3s com suas sacolas sem que ningu\u00e9m lhes diga nada nem encoste em seus carros\u201d, disse \u00e0 IPS Miguel Leme, se referindo \u00e0s cr\u00edticas recebidas pelos manifestantes.<\/p>\n<p>Leme afirma que n\u00e3o \u00e9 verdade que existam rea\u00e7\u00f5es xen\u00f3fobas, como indicam observadores de um ou outro pa\u00eds, embora admita que est\u00e3o descontentes com os uruguaios, uns mais do que outros. \u201cImagine, todos temos parentes l\u00e1\u201d, afirma outro interlocutor da IPS apontando para o Uruguai, cuja margem do rio que d\u00e1 nome ao pa\u00eds se observa ao longe. \u201cMeus av\u00f3s vieram da Europa para o Uruguai, minha m\u00e3e se instalou, em seguida, em Gualeguaych\u00fa, onde nascemos\u201d, conta Hugo Franco. Em seguida, todos querem contar o caso de um primo, de um irm\u00e3o ou um av\u00f4 residente ou procedente do outro lado do rio.<\/p>\n<p>A causa do desencontro \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o perto de Fray Bentos, capital do departamento uruguaio de Rio Negro, de uma f\u00e1brica que produzir\u00e1 um milh\u00e3o de toneladas anuais de pasta de celulose, que inclui uma chamin\u00e9 de 120 metros de altura e um porto. Gualeguaych\u00fa fica a pouco mais de 20 quil\u00f4metros da obra. Do lado argentino temem que a \u00e1gua e o ar sejam contaminados pelo processo de obten\u00e7\u00e3o da celulose a partir da madeira, para o qual s\u00e3o necess\u00e1rias grandes quantidades de \u00e1gua e di\u00f3xido de cloro, produto que gera dioxinas, muito t\u00f3xico, persistente e com capacidade de se acumular em organismos animais.<\/p>\n<p>Soda c\u00e1ustica, oxig\u00eanio ou per\u00f3xido de oxig\u00eanio e hipoclorito de s\u00f3dio s\u00e3o outros compostos que podem intervir na obten\u00e7\u00e3o da pasta para fabricar o papel, e que tampouco s\u00e3o in\u00f3cuos. A Botnia afirma que usar\u00e1 a tecnologia mais avan\u00e7ada para reduzir os riscos de danos ambientais, mas a Argentina exige estudos independentes e insiste que n\u00e3o recebeu toda a informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria do Uruguai. O governo de N\u00e9stor Kirchner se apresentou este ano no Tribunal Internacional de Justi\u00e7a, na cidade holandesa de Haia, como reclamava a Assembl\u00e9ia, acusando Montevid\u00e9u de violar o Estatuto do Rio Uruguai, assinado pelos dois pa\u00edses em 1975 e que estabelece a aprova\u00e7\u00e3o conjunta de qualquer investimento que se fa\u00e7a \u00e0s margens desse rio.<\/p>\n<p>O Uruguai se defendeu, afirmando que Buenos Aires havia aceito a instala\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica. A senten\u00e7a, no entanto, dever\u00e1 demorar dois ou tr\u00eas anos, e a empresa promete come\u00e7ar a produzir no segundo semestre de 2007. \u201cAlgumas vezes creio que a f\u00e1brica ser\u00e1 inaugurada e n\u00f3s continuaremos aqui\u201d, confessa um morador c\u00e9tico. Ao come\u00e7ar a sess\u00e3o da Assembl\u00e9ia Ambiental na estrada, na sexta-feira, j\u00e1 era noite e havia pouco mais de uma centena de pessoas. \u201cAlgumas vezes somos milhares, mas hoje, somos poucos, j\u00e1 que \u00e9 dif\u00edcil para as pessoas chegarem\u201d, disse \u00e0 IPS uma moradora sentada em sua cadeira de praia.<\/p>\n<p>A primeira proposta \u00e9 organizar uma col\u00f4nia de ver\u00e3o em Arroyo Verde para entreter os filhos dos moradores que participarem do bloqueio em janeiro e fevereiro. Algumas mulheres n\u00e3o consideram a id\u00e9ia boa por causa do forte sol de ver\u00e3o e pela falta de \u00e1rvores, e os homens acreditam que n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel financiar o transporte. Outra sugest\u00e3o \u00e9 para autorizar o bispo de Gualeguaych\u00fa, Jorge Lozano a atravessar a estrada. Esta foi aprovada. Tamb\u00e9m h\u00e1 um pedido de material para uma biblioteca no bloqueio. Outra sugest\u00e3o fala em organizar uma ceia de natal no local, e tamb\u00e9m s\u00e3o analisados pedidos de autoriza\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito de pessoas com problemas de sa\u00fade, que quase sempre chegam do lado uruguaio.<\/p>\n<p>Somente depois disso surgem id\u00e9ias sobre a medida de for\u00e7a. Andr\u00e9s Rivas sugere que o bloqueio seja uma moeda de troca para que se desmantele as f\u00e1brica de celulose. Todos votam e aplaudem. Jorge Fritzler prop\u00f5e instalar uma sirene para ser acionada todas as noites em frente ao rio e atrapalhar a f\u00e1brica. Ningu\u00e9m fala da gest\u00e3o da Espanha para tentar uma solu\u00e7\u00e3o ao conflito, nem dos problemas que o bloqueio da estrada provoca, principalmente na temporada de ver\u00e3o, que est\u00e1 come\u00e7ando, quando dezenas de milhares de argentinos viajam para o Uruguai de f\u00e9rias, muitos usando esta e as duas \u00fanicas pontes binacionais existentes.<\/p>\n<p>Tampouco a amea\u00e7a do Uruguai de n\u00e3o participar em janeiro da c\u00fapula do Mercosul, que os dois pa\u00edses integram junto com Brasil, Paraguai e Venezuela, por se sentir prejudicado com os bloqueios, afirmando que violam acordos do bloco. Nessa mesma hora, em Bras\u00edlia, a quest\u00e3o provocava uma dura discuss\u00e3o no Conselho do Mercosul. Entre os moradores de Gualeguaych\u00fa h\u00e1 apenas uma certeza, de seguir com o protesto at\u00e9 a desativa\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica. Quando consultado se pensaram em outros caminhos para atingir esse objetivo, Mart\u00edn Alazard, um dos integrantes da Assembl\u00e9ia, responde que sim: \u201cbloquear tamb\u00e9m as outras duas pontes\u201d, que ficam mais ao norte.<\/p>\n<p>A Assembl\u00e9ia nasceu em 2002 pela preocupa\u00e7\u00e3o com o projeto de instala\u00e7\u00e2o em Fray Bentos de, na oportunidade, duas f\u00e1bricas de celulose. A outra, da companhia espanhola Ence, finalmente ser\u00e1 constru\u00edda, possivelmente no departamento de Colonia, no Rio da Prata. Desde ent\u00e3o foi somando apoio de ambientalistas e ativistas de outras prov\u00edncias argentinas contr\u00e1rios ao investimento de ind\u00fastrias consideradas contaminadoras. Na medida em que fracassaram as solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sua forma de protesto se radicalizou.<\/p>\n<p>Gustavo Rivollier, moderador na reuni\u00e3o de Arroyo Verde, explicou \u00e0 IPS que a Assembl\u00e9ia \u00e9 financiada com doa\u00e7\u00f5es de empresas, com\u00e9rcios e cidad\u00e3os de Gualeguaych\u00fa, bem como com a venda de gorros e bottons onde se l\u00ea \u201cN\u00e3o \u00e0s papeleras\u201d, Mas tamb\u00e9m h\u00e1 outras contribui\u00e7\u00f5es e at\u00e9 subs\u00eddios estatais. No come\u00e7o do ano, duas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais norte-americanas, as quais Rivollier n\u00e3o p\u00f4de identificar, cederam alguns fundos. O mesmo fez o governo de Entre R\u00edos, que diz estar contra os bloqueios, com subs\u00eddio de 20 mil pesos (US$ 6.500) para transporte.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o foi para o bloqueio, mas para os \u00f4nibus que nos levaram a uma marcha na Pra\u00e7a de Maio, em Buenos Aires\u201d, realizada na ter\u00e7a-feira passada, disse Rivollier, admitindo, entretanto, que a Assembl\u00e9ia \u201ctem muitas contradi\u00e7\u00f5es\u201d. As pessoas \u201ccriticam o governo, mas aceitam o subs\u00eddio\u201d, disse. As organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas nacionais ap\u00f3iam suas reclama\u00e7\u00f5es, mas se distanciam da pr\u00e1tica de bloquear estradas. \u201c\u00c9 \u00f3bvio que o morador afetado tem direito de dizer N\u00c3O a uma f\u00e1brica, mas n\u00f3s temos que dar uma vis\u00e3o mais ampla ao problema\u201d, disse \u00e0 IPS Juan Carlos Villalonga, diretor do Greepeace. &#8220;O papel \u00e9 necess\u00e1rio, mas deve-se conseguir uma forma de produ\u00e7\u00e3o mais limpa, em menor escala, e situ\u00e1-la onde n\u00e3o cause tanto impacto&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cPara n\u00f3s, a a\u00e7\u00e3o direta implica travar a entrada de materiais para a Botnia, mas, n\u00e3o deter o tr\u00e1fego por uma estrada\u201d, afirmou. De todo modo, recordou que os moradores s\u00e3o considerados se fazem bloqueios. \u201cHouve relat\u00f3rios, reuni\u00f5es e mobiliza\u00e7\u00f5es com dezenas de milhares de pessoas, mas nada move a agulha com o bloqueio da estrada\u201d, argumentou. A respeito do Centro de Direitos Humanos e Meio Ambiente, a organiza\u00e7\u00e3o que brindou advogados ao governo de Entre Rios e \u00e0 Assembl\u00e9ia para defender sua posi\u00e7\u00e3o, seu papel de desenhou uma vez que sua diretora, Romina Picolotti, foi designada secret\u00e1ria nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>O marido de Picolotti, Jorge Teillant, ficou \u00e0 frente do Centro e mant\u00e9m contatos com a Assembl\u00e9ia, mas devido a ida de sua diretora para o governo, perdeu credibilidade. \u201cA gest\u00e3o deles foi importante para tentar frear (sem sucesso) os cr\u00e9ditos (do Banco Mundial) para a Botnia, mas agora n\u00e3o temos muito contato\u201d, explicou Rivollier. O governo Kirchner n\u00e3o ap\u00f3ia diretamente a Assembl\u00e9ia, mas tampouco faz algo para impedir os bloqueios. Outras vozes ambientalistas, que preferem o anonimato, dizem que o presidente argentino se equivoca ao assumir como pr\u00f3prio o discurso dos moradores de Gualeguaych\u00fa, porque assim deixa de lado sua responsabilidade de dialogar e encontrar uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para o problema.<\/p>\n<p>\u201cO governo nunca abriu o debate a outro setor que n\u00e3o seja o dos moradores, que \u00e9 o mais radical, e por isso perde na reclama\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, usa dois pesos e duas medidas para outros investimentos contaminantes que chegam \u00e0 Argentina\u201d, disse uma fonte ambientalista. O certo \u00e9 que no bloqueio do acesso \u00e0 ponte, onde se concentram os moradores mais decididos, a vontade de permanecer \u00e9 s\u00f3lida, enquanto a constru\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica n\u00e3o for suspensa e o governo do presidente uruguaio, Tabar\u00e9 V\u00e1zquez, reitera que nada far\u00e1 que seja mudada. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arroyo Verde, Argentina, 18\/12\/2006 &ndash; Com um pres\u00e9pio e uma grande \u00e1rvore de Natal na estrada que leva \u00e0 ponte binacional, moradores da cidade argentina de Gualeguaych\u00fa pretendem manter o bloqueio no caminho para o Uruguai at\u00e9 que desapare\u00e7a a f\u00e1brica de celulose que est\u00e1 sendo constru\u00edda do outro lado do rio lim\u00edtrofe. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/america-latina\/ambiente-argentinos-reforcam-o-front-da-guerra-do-papel\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,11],"tags":[],"class_list":["post-2438","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2438","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2438"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2438\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}