{"id":2445,"date":"2006-12-20T15:52:10","date_gmt":"2006-12-20T15:52:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2445"},"modified":"2006-12-20T15:52:10","modified_gmt":"2006-12-20T15:52:10","slug":"forum-social-mundial-correndo-pelo-direito-de-morar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/africa\/forum-social-mundial-correndo-pelo-direito-de-morar\/","title":{"rendered":"F\u00f3rum Social Mundial: Correndo pelo direito de morar"},"content":{"rendered":"<p>Nair\u00f3bi, 20\/12\/2006 &ndash; Milhares de moradores de assentamentos irregulares de todo o planeta participar\u00e3o no Qu\u00eania, no pr\u00f3ximo m\u00eas, da \u201cMaratona por Direitos B\u00e1sicos: outro mundo \u00e9 poss\u00edvel, mesmo nas favelas\u201d, no contexto do F\u00f3rum Social Mundial. <!--more--> A pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o do FSM acontecer\u00e1 entre 20 e 25 de janeiro em Nair\u00f3bi. Os organizadores prev\u00eaem que cerca de 10 mil moradores de v\u00e1rias favelas do Qu\u00eania correr\u00e3o junto a muitos mais de outros pa\u00edses para pressionar os governos por melhorias em suas condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>O Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Assentamentos Humanos calcula que cerca de um bilh\u00e3o de pessoas vivem em assentamentos irregulares em todo o mundo, a maioria na \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina e \u00c1sia. A maratona de 14 quil\u00f4metros come\u00e7ar\u00e1 em Korogocho, um assentamento da zona leste de Nair\u00f3bi, passar\u00e1 pelas ruas da capital queniana e terminar\u00e1 no parque Uhuru. Na linha de largada tamb\u00e9m estar\u00e3o os corredores quenianos profissionais Tegla Lorupe e Paul Tergat. \u201cQueremos transmitir uma mensagem de esperan\u00e7a: que outro mundo, livre e justo, \u00e9 poss\u00edvel para os moradores dos assentamentos\u201d, disse \u00e0 IPS a ativista Denielle Moschetti, que participa da organiza\u00e7\u00e3o da corrida.<\/p>\n<p>\u201cA maratona \u00e9 para n\u00e3o deixar os governos esquecerem dos assuntos pendentes, para que n\u00e3o voltem as costas ao problema enquanto a situa\u00e7\u00e3o continua se deteriorando. As pessoas est\u00e3o cansadas de palavras. Reclamam a\u00e7\u00f5es\u201d, acrescentou Moschetti. A ativista pertence \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica de Korogocho, integrante da Exodus Kutoka, uma rede de 15 par\u00f3quias que trabalham em diferentes assentamentos de Nair\u00f3bi. Essa rede organiza a maratona junto com a n\u00e3o-governamental Coaliz\u00e3o por Moradias e Terras do Qu\u00eania.<\/p>\n<p>Os 199 assentamentos irregulares de Nair\u00f3bi est\u00e3o densamente habitados e sofrem graves car\u00eancias de servi\u00e7os b\u00e1sicos. Korogocho, que significa \u201cconfus\u00e3o\u201d na l\u00edngua dos kikuyu, a maior etnia do Qu\u00eania, \u00e9 um bom exemplo. Cerca de 120 mil pessoas, das mais de dois milh\u00f5es que habitam essa cidade, vivem espremidas em 1,5 quil\u00f4metro quadrado do assentamento. Como na maioria das favelas, as casas s\u00e3o de barro e chapas e separadas por estreitas passagens que tamb\u00e9m servem de latrina e para jogar o esgoto.<\/p>\n<p>Os assentamentos s\u00e3o virtualmente intransit\u00e1veis na esta\u00e7\u00e3o da chuva, quando o transbordamento do esgoto coloca em risco a sa\u00fade dos moradores, j\u00e1 em perigo por causa das montanhas de lixo e pela escassez de \u00e1gua. Organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos acusam as autoridades de n\u00e3o demonstrarem a rapidez necess\u00e1ria para melhorar a situa\u00e7\u00e3o. \u201cO governo parece n\u00e3o ter claro como abordar a situa\u00e7\u00e3o. Planejam de cima para baixo sem manter contato com a realidade\u201d, disse Boaz Waruku, diretora de programa da Shelter F\u00f3rum, coaliz\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es dedicadas ao tema da moradia.<\/p>\n<p>Os residentes nos assentamentos concordam com essa perspectiva. \u201cVivemos aqui e sabemos do que precisamos. Sabemos onde o sapato aperta e n\u00e3o queremos que o governo nos imponha suas estrat\u00e9gias. Queremos ser parte dos planos do governo que nos envolvem\u201d, disse Mwangi Mwaniki, morador em Korogocho. Por\u00e9m, o governo continua afirmando que consultando os moradores de favelas e que foram registradas melhorias. Betty Tett, assessora do Minist\u00e9rio da Habita\u00e7\u00e3o, recordou nesse sentido a implementa\u00e7\u00e3o do Programa de Melhoria de Favelas do Qu\u00eania, lan\u00e7ado em 2004 com apoio do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Assentamentos Humanos.<\/p>\n<p>O programa tem por objetivo construir moradias com \u00e1gua pot\u00e1vel nos assentamentos irregulares, e come\u00e7ou a se concretizar em Kibera, a maior favela do Qu\u00eania, onde vivem mais de 700 mil pessoas. \u201c\u00c9 um programa nacional que melhorar\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es de vida, n\u00e3o somente em Kibera mas em todos os assentamentos irregulares do pa\u00eds\u201d, disse Tett \u00e0 IPS. Para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida n\u00e3o basta apenas casa e saneamento, apesar de sua vital import\u00e2ncia. \u00c9 chave criar oportunidades de trabalho para os moradores, especialmente os jovens, segundo Moschetti.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos jovens nas favelas est\u00e1 desempregada, o que cria condi\u00e7\u00f5es para a delinq\u00fc\u00eancia. Seu mal-estar cresce pela falta de oportunidades. \u00c9 uma bomba de tempo\u201d, acrescentou a ativista. Moschetti tamb\u00e9m mencionou a migra\u00e7\u00e3o para as cidades, bem como a cria\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os nas regi\u00f5es distantes. Para remediar essa situa\u00e7\u00e3o foi criado no in\u00edcio do ano o Fundo Empresarial Juvenil que, espera-se, comece a funcionar est\u00e1 semana por determina\u00e7\u00e3o presidencial.<\/p>\n<p>O Fundo ser\u00e1 usado para que jovens empres\u00e1rios iniciem seu neg\u00f3cio. Mas teme-se que o dinheiro se perca devido \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. \u201cComo saberemos que o dinheiro eu distribu\u00eddo de forma democr\u00e1tica e utilizado para o que foi previsto, dada a grande corrup\u00e7\u00e3o que existe no pa\u00eds?\u201d, perguntou Paul Angela, de 20 anos, que vive em Korogocho. Os organizadores esperam cerca de 150 mil delegados no FSM. Est\u00e1 \u00e9 a primeira vez que um pa\u00eds africano ser\u00e1 sede desse acontecimento da sociedade civil.<\/p>\n<p>O FSM foi realizado pela primeira vez em 2001em Porto Alegre, onde aconteceu at\u00e9 2004, quando teve por sede a cidade indiana de Mumbai. Em 2005, voltou \u00e0 capital do Rio Grande do Sul e este ano aconteceu como \u201cf\u00f3rum polic\u00eantrico\u201d, em tr\u00eas cidades: Bamako (19 a 23 de janeiro), Caracas (24 a 29 de janeiro) e Carachi (de 24 a 29 de mar\u00e7o). Criado como alternativa ao F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, a reuni\u00e3o anual na localidade su\u00ed\u00e7a de Davos que atrai a elite empresarial e pol\u00edtica do mundo, o FSM re\u00fane uma s\u00e9rie de grupos e indiv\u00edduos, principalmente da sociedade civil, que se op\u00f5em \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o em seu modelo atual. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nair\u00f3bi, 20\/12\/2006 &ndash; Milhares de moradores de assentamentos irregulares de todo o planeta participar\u00e3o no Qu\u00eania, no pr\u00f3ximo m\u00eas, da \u201cMaratona por Direitos B\u00e1sicos: outro mundo \u00e9 poss\u00edvel, mesmo nas favelas\u201d, no contexto do F\u00f3rum Social Mundial. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/africa\/forum-social-mundial-correndo-pelo-direito-de-morar\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":472,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,5,4],"tags":[21],"class_list":["post-2445","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2445","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/472"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2445"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2445\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2445"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2445"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2445"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}