{"id":2454,"date":"2006-12-22T14:52:44","date_gmt":"2006-12-22T14:52:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2454"},"modified":"2006-12-22T14:52:44","modified_gmt":"2006-12-22T14:52:44","slug":"israel-palestina-a-estreita-linha-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/politica\/israel-palestina-a-estreita-linha-verde\/","title":{"rendered":"Israel-Palestina: A estreita linha verde"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal\u00e9m, 22\/12\/2006 &ndash; Ao determinar que todos os mapas das novas edi\u00e7\u00f5es de livros escolares de Israel incluam a \u201clinha verde\u201d que separa este pa\u00eds da Cisjord\u00e2nia desde a guerra de 1967, a ministra da Educa\u00e7\u00e3o, Yuli Tamir, desatou uma tempestade pol\u00edtica. Pol\u00edticos de direita e l\u00edderes religiosos amea\u00e7am boicotar esses manuais caso sejam publicados. <!--more--> Mas \u201cn\u00e3o se pode esperar que as crian\u00e7as compreendam a hist\u00f3ria se partes dela s\u00e3o eliminadas dos livros\u201d, disse Tamir. A ministra foi uma das fundadoras do Paz Agora, movimento extra-parlamentar que se op\u00f4s com for\u00e7a \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de assentamentos judeus na Cisjord\u00e2nia e que ap\u00f3ia a cria\u00e7\u00e3o de um Estado palestino independente nesse territ\u00f3rio e em Gaza.<\/p>\n<p>Legisladores de direita que s\u00e3o contra abandonar estas \u00e1reas por motivos religiosos ou de seguran\u00e7a acusaram Tamir de tentar \u201cpolitizar\u201d o sistema educacional e introduzir a \u201cagenda do Paz Agora\u201d no programa escolar. A decis\u00e3o toca o cora\u00e7\u00e3o da disputa entre esquerda e direita na sociedade israelense: o futuro dos assentamentos e da Cisjord\u00e2nia. Muitos israelenses da direita religiosa e a comunidades de colonos atribuem a Israel o direito divino \u00e0 posse da Cisjord\u00e2nia. Chamam essa zona por seu nome b\u00edblico \u2013 Jud\u00e9ia e Sam\u00e1ria \u2013 e consideram inaceit\u00e1vel renunciar a ela.<\/p>\n<p>Muitos israelenses, ao contr\u00e1rio dos colonos, est\u00e3o dispostos a ceder a Cisjord\u00e2nia, mas a maioria, al\u00e9m disso, acredita que retroceder \u00e0s fronteiras exatas de 1967 colocaria em risco sua seguran\u00e7a. Para muitos palestinos, a fronteira de 1967 com a Jord\u00e2nia de ent\u00e3o formam a base de sua demanda de um Estado independente na Cisjord\u00e2nia e em Gaza. Mas nem mesmo do lado \u00e1rabe h\u00e1 consenso: o Movimento de Resist\u00eancia Isl\u00e3mica (Hamas) afirma que o Estado judeu deveria ser desmantelado e que toda a Palestina hist\u00f3rica, inclu\u00eddo o atual territ\u00f3rio israelense, deveria ser entregue aos palestinos.<\/p>\n<p>Nos mapas que figuram dos livros palestinos tampouco aparece a linha verde, nem sinal algum de Israel. Toda a \u00e1rea geogr\u00e1fica compreendida entre o rio Jord\u00e3o e o mar Mediterr\u00e3neo \u00e9 apresentada como Palestina. A decis\u00e3o de Tamir se guia por estudos acad\u00eamicos segundo os quais a linha verde desapareceu dos livros did\u00e1ticos, os quais, por outro lado, se referem \u00e0 Cisjord\u00e2nia como Jud\u00e9ia e Sam\u00e1ria, ao uso dos judeus religiosos comprometidos em colonizar a \u00e1reas no contexto do processo messi\u00e2nico.<\/p>\n<p>A chamada \u201clinha verde\u201d foi tra\u00e7ada com essa cor no mapa pelos negociadores que estabeleceram o armist\u00edcio de 1949, ao fim da guerra entre Israel e seus vizinhos Egito, S\u00edria e Jord\u00e2nia. Desde a Guerra dos Seis Dias (1967), quando Israel capturou Cisjord\u00e2nia e Gaza, a f\u00f3rmula serve como refer\u00eancia \u00e0 fronteira oficial que separa Israel destas \u00e1reas palestinas. At\u00e9 1967, a Cisjord\u00e2nia pertencia \u00e0 Jord\u00e2nia, e Gaza ao Egito. Agora, est\u00e1 controlada em parte pelo ex\u00e9rcito israelense e em parte pela Autoridade Nacional Palestina.<\/p>\n<p>Quanto a Gaza, em agosto de 2005 Israel se retirou completamente e desmantelou todos os assentamentos judeus nesse territ\u00f3rio. Mas a retirada foi unilateral, sem nenhum acordo com a Palestina, motivo pelo qual tampouco se determinou, ent\u00e3o, uma fronteira definitiva reconhecida internacionalmente. Svi Hendel, um legislador religioso contr\u00e1rio ao desmantelamento dos assentamentos e \u00e0 retirada dos colonos da Cisjord\u00e2nia, disse \u00e0 IPS que a ministra Tamir tenta promover nas aulas suas opini\u00f5es pol\u00edticas pessoais. \u201cSe sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que as crian\u00e7as aprendam hist\u00f3ria, onde estavam as fronteiras em 1967, isso \u00e9 leg\u00edtimo. Mas ela est\u00e1 fazendo um jogo pol\u00edtico, querendo promover a agenda da Paz Agora\u201d, disse Hendel.<\/p>\n<p>A linha verde foi a fronteira \u201capenas durante 19 anos\u201d, entre 1948 e 1967, afirmou o legislador. \u201cNos \u00faltimos 40 anos n\u00e3o foi. Sua id\u00e9ia merece desd\u00e9m. N\u00e3o creio que a levar\u00e1 adiante\u201d, acrescentou Hendel. Outro parlamentar religioso de linha dura, Yitzhak Levy, acusou Tamir de tentar \u201cditar um futuro acordo de paz\u201d e, tamb\u00e9m, de tentar fazer com que os alunos \u201cdeixem de lado o compromisso de seus cora\u00e7\u00f5es e suas almas com a Jud\u00e9ia e a Sam\u00e1ria\u201d. Levy, ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o, disse que enquanto o sistema educacional estava \u201c\u00e0 beira do colapso\u201d, Tamir \u201cse intrometia na pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>Um grupo de rabinos proibiu suas congrega\u00e7\u00f5es e os alunos dos centros de ensino sob suas responsabilidades de usar os novos livros, caso cheguem a ser editados. \u201cA ministra da Educa\u00e7\u00e3o declarou uma guerra aberta contra o Sant\u00edssimo, bendito seja, e contra a Terra de Israel\u201d, afirmaram os rabinos. \u201cA ministra se uniu aos inimigos que lutaram contra o povo de Israel durante gera\u00e7\u00f5es\u201d. Ao criticar Yuli Tamir, alguns legisladores recordaram a descri\u00e7\u00e3o do falecido chanceler israelense Abba Eban: os limites de 1967 s\u00e3o com \u201cas fronteiras de Auschwitz\u201d. Segundo dizia Eban, regressar a esses limites tornaria Israel indefens\u00e1vel, com os principais centros povoados acess\u00edveis ao inimigo.<\/p>\n<p>O primeiro-ministro, Ehud Olmert, l\u00edder do centrista partido Kadima, apoiou Tamir. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nada de errado em marcar a linha verde. Mas, existe uma obriga\u00e7\u00e3o de enfatizar que o governo e o consenso p\u00fablico descartam retornar \u00e0s fronteiras de 1967\u201d, afirmou. O plano de Olmert para outra retirada unilateral, que foi adiada desde a guerra do L\u00edbano em julho e agosto, implica a evacua\u00e7\u00e3o de muitos assentamentos judeus na Cisjord\u00e2nia, mas, tamb\u00e9m a manuten\u00e7\u00e3o dos maiores, a maioria deles perto da linha verde, embora dentro da Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>Por outro lado, parlamentares de esquerda que postulam concess\u00f5es territoriais como base para um acordo de paz com os palestinos, apoiaram Tamir. Avshalom Vilan, membro do esquerdista partido Meretz, disse que a linha verde nunca foi apagada e que indic\u00e1-la \u00e9 essencial com vistas \u00e0 paz com a Palestina. Yosi Sarid, ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o e veterano ativista pela paz, disse que \u201cos estudantes em Israel deveriam saber que as fronteiras oriental e setentrional de Israel n\u00e3o s\u00e3o definitivas e que um dia ser\u00e3o estabelecidas atrav\u00e9s de negocia\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Tamir insiste em que sua decis\u00e3o \u00e9 \u201ceducacional\u201d. Por exemplo, \u201censinamos a Resolu\u00e7\u00e3o 242 da ONU, mas n\u00e3o mostramos aos estudantes a linha verde\u201d, disse. Essa resolu\u00e7\u00e3o, aprovada pelo Conselho de Seguran\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas no dia 22 de novembro de 1967, exige a retirada das for\u00e7as armadas israelenses dos territ\u00f3rios ocupados durante a Guerra dos Seis Dias. \u201cN\u00e3o podemos negar que havia uma fronteira que ainda hoje \u00e9 debatida\u201d, concluiu. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal\u00e9m, 22\/12\/2006 &ndash; Ao determinar que todos os mapas das novas edi\u00e7\u00f5es de livros escolares de Israel incluam a \u201clinha verde\u201d que separa este pa\u00eds da Cisjord\u00e2nia desde a guerra de 1967, a ministra da Educa\u00e7\u00e3o, Yuli Tamir, desatou uma tempestade pol\u00edtica. 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