{"id":2463,"date":"2006-12-28T14:11:08","date_gmt":"2006-12-28T14:11:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2463"},"modified":"2006-12-28T14:11:08","modified_gmt":"2006-12-28T14:11:08","slug":"desafios-2006-2007-america-latina-a-bonanca-nao-convence","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/america-latina\/desafios-2006-2007-america-latina-a-bonanca-nao-convence\/","title":{"rendered":"Desafios 2006-2007: Am\u00e9rica Latina, a bonan\u00e7a n\u00e3o convence"},"content":{"rendered":"<p>M\u00e9xico, 28\/12\/2006 &ndash; A economia latino-americana vai de vento em popa h\u00e1 quatro anos, per\u00edodo no qual tamb\u00e9m foi registrada uma hist\u00f3rica redu\u00e7\u00e3o da pobreza.  Mas alguns especialistas e dirigentes de esquerda questionam o modelo econ\u00f4mico e ao futuro positivo previsto pela Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal). <!--more--> A pobreza caiu na regi\u00e3o quatro pontos percentuais entre 2002 e 2006, enquanto o produto interno bruto cresceu, nesses anos, \u00e0 raz\u00e3o de 4%, em m\u00e9dia, e assim continuar\u00e1 em 2007. Entretanto, esses n\u00fameros n\u00e3o convencem totalmente setores pol\u00edticos, analistas, grupos populacionais e ativistas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 compreens\u00edvel que em pa\u00edses com altas taxas de pobreza e desigualdade haja grandes setores da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o v\u00eaem os benef\u00edcios das pol\u00edticas aplicadas\u201d, mas a situa\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 positiva e a regi\u00e3o est\u00e1 melhor preparada do que no passado para dar-lhe continuidade, disse \u00e0 IPS J\u00fcrgen Weller, oficial de Assuntos Econ\u00f4micos da Cepal.<\/p>\n<p>De acordo com esta ag\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, as correias de transmiss\u00e3o da bonan\u00e7a regional s\u00e3o, entre outras, os altos pre\u00e7os mundiais de produtos prim\u00e1rios nos quais parte da regi\u00e3o se especializa; a disciplina fiscal mantida pelos governos, independente do perfil ideol\u00f3gico, e o aumento das remessas de dinheiro enviadas por imigrantes aos seus pa\u00edses de origem. A Cepal tamb\u00e9m assinala a queda da infla\u00e7\u00e3o, o aumento da demanda interna, baixa dos juros da d\u00edvida p\u00fablica e sua convers\u00e3o, em parte, de d\u00f3lares para moedas nacionais.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a regi\u00e3o cresce e consegue reduzir sua pobreza. Mas ainda permanecem nesta situa\u00e7\u00e3o 205 milh\u00f5es de pessoas, equivalentes a 38,5% da popula\u00e7\u00e3o total, enquanto os indigentes somam 78 milh\u00f5es, ou 17,7% dos habitantes. \u201cFalar com otimismo do suposto crescimento \u00e9 um insulto para os milh\u00f5es que pensamos que com este sistema neoliberal, aplicado tanto nos pa\u00edses com governos de centro ou esquerda quanto de direita, jamais haver\u00e1 justi\u00e7a social verdadeira\u201d, disse \u00e0 IPS Jos\u00e9 Valdez, ativista mexicano de esquerda.<\/p>\n<p>\u201cO que vivemos agora \u00e9 uma ilus\u00e3o de n\u00fameros, nada mais\u201d, acrescentou Valdez, que participa da chamada \u201cOutra Campanha\u201d, um movimento social contestat\u00f3rio de militantes de esquerda que n\u00e3o participam de elei\u00e7\u00f5es no at\u00edpico grupo insurgente Ex\u00e9rcito Zapatista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional, com centro no Estado de Chiapas. Diante desta cr\u00edtica, Weller, admite que \u201cn\u00e3o se pode negar os problemas que a popula\u00e7\u00e3o ainda sofre\u201d, mas entende que \u201co manejo macroecon\u00f4mico atual, que aproveita as oportunidades da economia mundial, mant\u00e9m disciplina fiscal, refor\u00e7a o aparelho produtivo para torn\u00e1-lo mais competitivo e desenvolve programas sociais\u201d est\u00e1 dando resultados.<\/p>\n<p>Entretanto, \u00e9 preciso manter \u201cum otimismo cauteloso\u201d, pois, embora os dados mostrem uma tend\u00eancia favor\u00e1vel, a regi\u00e3o ainda deve trabalhar muito em mat\u00e9ria de desenvolvimento produtivo, onde as mat\u00e9rias-primas de exporta\u00e7\u00e3o se complementem com \u00e1reas de maior inova\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m falta investir mais em educa\u00e7\u00e3o e tecnologia, e tamb\u00e9m aprofundar os programas sociais, afirmou Weller. \u201cEm compara\u00e7\u00e3o com os anos 90, agora o crescimento tem bases mais s\u00f3lidas, o que nos d\u00e1 a esperan\u00e7a de que no futuro a situa\u00e7\u00e3o mude. Mas, obviamente, ainda h\u00e1 muito a ser feito\u201d, ressaltou o especialista da Cepal.<\/p>\n<p>Germ\u00e1n de la Reza, especialista em economia e temas de integra\u00e7\u00e3o, questiona a perspectiva da Cepal. Ele considera apressado tirar conclus\u00f5es considerando os \u00faltimos quatro anos de desempenho da regi\u00e3o, pois entende que se trata de um per\u00edodo que n\u00e3o permite projetar uma tend\u00eancia sustentada. \u201cQue tal se em lugar dos \u00faltimos quatro anos peg\u00e1ssemos a \u00faltima d\u00e9cada? Nesse per\u00edodo a taxa anual de varia\u00e7\u00e3o do PIB n\u00e3o mostra um crescimento, mas uma curva em U com \u00edndices superiores a 5% nos dois extremos e com um centro quase inferior a 1%\u201d, explicou este professor da Universidade de Paris-Sorbonne e da Universidade Aut\u00f4noma Metropolitana.<\/p>\n<p>\u201cO que os n\u00fameros sugerem \u00e9 que estamos diante de um efeito que n\u00e3o significa uma tend\u00eancia sustentada de crescimento\u201d, acrescentou De la Reza ao ser consultado pela IPS. Para ele, a Argentina \u00e9 o exemplo mais claro disso, ao apresentar indicadores negativos entre 1999 e 2002, para, em seguida, dar lugar a uma taxa positiva no quadri\u00eanio seguinte. Esse desempenho \u2013 acrescentou &#8211; em diferente medida tamb\u00e9m pode ser observado no Chile, M\u00e9xico, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela. No caso venezuelano, a taxa de crescimento est\u00e1 entre as mais baixas entre 1999 e 2003 e entre as mais altas de 2004 a 2006.<\/p>\n<p>No positivo desempenho m\u00e9dio da regi\u00e3o h\u00e1 uma acentuada heterogeneidade. Venezuela, Uruguai e Argentina cresceram em 2006 a taxas entre 7,3% e 10%, e, embora se espera uma leve baixa, as economias desses pa\u00edses continuar\u00e3o em 2007 com um desempenho de 6%. Crescimentos extraordin\u00e1rios apresentaram Antigua e Barbuda e Trinidad e Tobago, com mais de 11% de seu PIB em 2006. Na outra ponta, os de menor crescimento no ano que termina foram Haiti e Guiana com menos de 2,5%.<\/p>\n<p>Para 2007, espera-se uma ligeira desacelera\u00e7\u00e3o da economia regional e projeta-se um aumento m\u00e9dio da ordem de 4,7%, que permitiria um crescimento do produto por habitante acumulado em torno dos 15% no per\u00edodo 2003-2007, o que equivale a uma m\u00e9dia anual de 2,8%, segundo a Cepal.<\/p>\n<p>Weller afirmou que \u201co crescimento econ\u00f4mico \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para gerar renda e n\u00edveis de bem-estar social, mas tamb\u00e9m acreditamos que isso n\u00e3o \u00e9 suficiente\u201d. Alertou que a economia latino-americana e caribenha tem uma depend\u00eancia excessiva de suas exporta\u00e7\u00f5es de produtos prim\u00e1rios como os do setor agropecu\u00e1rio, petr\u00f3leo, cobre, ouro e outros, o que traz s\u00e9rios perigos, pois n\u00e3o se pode esperar que seus atuais pre\u00e7os continuem sempre em alta.<\/p>\n<p>Por sua vez, De la Reza disse que, embora os pa\u00edses agora mostrem um desempenho positivo, h\u00e1 nuvens negras no ar. \u201cEmbora o aumento do pre\u00e7o das exporta\u00e7\u00f5es seja um fato positivo em si, n\u00e3o \u00e9 menor o que se deve a fatores conjunturais (grande demanda da China e da \u00cdndia) e que s\u00e3o acompanhados por persistentes dificuldades de acesso aos mercados de pa\u00edses mais desenvolvidos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>No manejo respons\u00e1vel das finan\u00e7as p\u00fablicas, que segundo a Cepal \u00e9 um fator central no crescimento da regi\u00e3o, De la Reza n\u00e3o v\u00ea nenhum fato relevante. \u201c\u00c9 certo que os pa\u00edses trabalham com ortodoxia nesse campo, mas n\u00e3o creio que isto seja irrevers\u00edvel. Se h\u00e1 circunst\u00e2ncias distintas, pode mudar, e isso n\u00e3o \u00e9 necessariamente negativo\u201d, afirmou. \u201c\u00c9 que o crescimento n\u00e3o pode ser reduzido ao tema do manejo macroecon\u00f4mico. Um governo em crise, do que ningu\u00e9m est\u00e1 livre, tende a ser indisciplinado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ortodoxia, e j\u00e1 vimos isso na Argentina. Depois do colapso (no final de 2001) se revelou perante os bancos estrangeiros (de modo obrigat\u00f3rio) e o fez funcionar\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Mas a Cepal insiste em que, pelo menos a m\u00e9dio prazo, a regi\u00e3o seguir\u00e1 por um caminho de relativa tranq\u00fcilidade e crescimento. Esta ag\u00eancia da ONU afirma que, diante do \u201cposs\u00edvel esfriamento mais ou menos acentuado do crescimento global\u201d no pr\u00f3ximo ano, a Am\u00e9rica Latina e o Caribe poder\u00e3o sentir o impacto. Entretanto, insiste em que a regi\u00e3o est\u00e1 melhor preparada do que no passado para enfrentar um cen\u00e1rio desse tipo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9xico, 28\/12\/2006 &ndash; A economia latino-americana vai de vento em popa h\u00e1 quatro anos, per\u00edodo no qual tamb\u00e9m foi registrada uma hist\u00f3rica redu\u00e7\u00e3o da pobreza.  Mas alguns especialistas e dirigentes de esquerda questionam o modelo econ\u00f4mico e ao futuro positivo previsto pela Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal). <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/12\/america-latina\/desafios-2006-2007-america-latina-a-bonanca-nao-convence\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":437,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11],"tags":[21],"class_list":["post-2463","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2463","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/437"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2463"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2463\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2463"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2463"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}