{"id":247,"date":"2005-01-25T00:00:00","date_gmt":"2005-01-25T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=247"},"modified":"2005-01-25T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-25T00:00:00","slug":"mundo-a-grande-iluso-financeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/mundo-a-grande-iluso-financeira\/","title":{"rendered":"Mundo: A grande ilus&atilde;o financeira"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 25\/01\/2005 &ndash; O fluxo de capital privado destinado ao mundo em desenvolvimento duplicou nos &uacute;ltimos dois anos, na medida em que os investidores abandonaram o debilitado d&oacute;lar em pastagens mais verdes na China e na R&uacute;ssia, segundo o Instituto de Finan&ccedil;as Internacionais (IIF). Mas economistas advertem que tal fluxo n&atilde;o ter&aacute; efeito positivo, pois &eacute; de natureza especulativa e n&atilde;o melhora a produtividade, o acesso &agrave; tecnologia ou aos mercados estrangeiros. Alguns recordam que estes capitais deram origem &agrave; crise econ&ocirc;mica mundial de 1997. Um especialista sugeriu, inclusive, que o dinheiro destinado &agrave; R&uacute;ssia tem como destino fundamental os setores de petr&oacute;leo e energia.<br \/> <!--more--> Segundo o &uacute;ltimo informe do Instituto de Finan&ccedil;as Internacionais (IIF), que representa 340 bancos de todo o mundo, o fluxo l&iacute;quido de capitais privados para os chamados mercados emergentes chegou, em 2004, a cerca de US$ 279 bilh&otilde;es. Trata-se de um grande aumento desde os US$ 211 bilh&otilde;es de 2003 e os US$ 125 bilh&otilde;es de 2002. O IIF observou que estas cifras tamb&eacute;m s&atilde;o as maiores desde a crise econ&ocirc;mica mundial iniciada em 1997 no sudeste asi&aacute;tico, quando os investidores fugiram em massa dos mercados emergentes. Em contraste, grande parte dos investimentos colocados no ano passado nos mercados emergentes se dirigiu a pap&eacute;is asi&aacute;ticos.<br \/> O IIF analisa periodicamente as perspectivas econ&ocirc;micas em 29 &quot;mercados emergentes&quot;, termo cunhado pelo Banco Mundial como meio para incentivar os investidores a radicar capitais em locais considerados &quot;em desenvolvimento&quot; ou &quot;terceiro-mundistas&quot;, qualifica&ccedil;&otilde;es que denotam alto risco. O fluxo de capital privado, impulsionado pela liberaliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e a desregulamenta&ccedil;&atilde;o de certas ind&uacute;strias, contribui para o processo de globaliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica que, segundo seus cr&iacute;ticos, beneficia principalmente grandes empresas do Norte industrial &agrave;s custas dos pobres no Sul em desenvolvimento.<br \/> Institui&ccedil;&otilde;es multilaterais como o Banco Mundial e o Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI), bem como v&aacute;rios organismos regionais, recomendam &agrave;s na&ccedil;&otilde;es pobres pol&iacute;ticas que incentivem o fluxo de investimentos estrangeiros. Mas organiza&ccedil;&otilde;es em favor do desenvolvimento e cr&iacute;ticos do processo de globaliza&ccedil;&atilde;o afirmam que o investimento estrangeiro deve contribuir para favorecer o crescimento econ&ocirc;mico das na&ccedil;&otilde;es pobres a longo prazo.<br \/> &quot;O capital privado n&atilde;o necessariamente faz algum bem a menos que realmente eleve a capacidade produtiva de um pa&iacute;s. E na maioria dos casos, o capital do qual falamos n&atilde;o far&aacute; isso&quot;, disse Mark Weisbrot, co-diretor do Centro para a Pesquisa Econ&ocirc;mica e Pol&iacute;tica, institui&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica com sede em Washington. &quot;Uma parte do capital &eacute; usado em investimentos produtivos, mas uma grande parte &eacute; apenas especulativa&quot;, assegurou Weisbrot.<br \/> O IIF previu que a &Aacute;sia continuar&aacute; sendo o principal receptor desse fluxo, ao concentrar 46% do total dirigido aos mercados emergentes, embora menos que os 52% de 2004. Os investimentos de pap&eacute;is, parte substancial do fluxo l&iacute;quido de capital privado, em 2001 atingiu seu recorde em 11 anos, de quase US$ 36 bilh&otilde;es, mas prev&ecirc;-se que caia moderadamente, ainda que os pa&iacute;ses emergentes da &Aacute;sia estejam concentrando a parte do le&atilde;o.<br \/> Alguns especialistas consideram preocupante esta tend&ecirc;ncia, pois esse tipo de investimento especulativo foi o que desatou, em 1997, a crise asi&aacute;tica e tamb&eacute;m acreditam que a simples presen&ccedil;a do dinheiro n&atilde;o &eacute; essencial para o desenvolvimento. &quot;A maioria dos pa&iacute;ses asi&aacute;ticos tem uma taxa de poupan&ccedil;a bastante elevada, e realmente n&atilde;o necessitam do capital externo&quot;, segundo Weisbrot. &quot;Se fosse investimento direto, poderia se considerar que traz consigo tecnologia e acesso a mercados externos, entre outras vantagens, mas a maioria dos investimentos de pap&eacute;is n&atilde;o vem necessariamente com nada disso&quot;.<br \/> O IIF, que representa bancos, empresas de seguros, administradoras de fundos de capital e outras institui&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;os financeiros, considera que o aumento do fluxo de capital demonstra maior confian&ccedil;a no rendimento de v&aacute;rios mercados emergentes importantes, como Brasil, R&uacute;ssia e Turquia. No Oriente M&eacute;dio e na &Aacute;frica setentrional, os principais receptores de capital foram Egito, Arg&eacute;lia e Marrocos. Na &Aacute;sia do Pac&iacute;fico, foram China, &Iacute;ndia, Indon&eacute;sia e Mal&aacute;sia os que tiveram maior fluxo de investimentos externos. Brasil, Argentina e Chile figuram entre os grandes mercados emergentes latino-americanos, enquanto Bulg&aacute;ria, Hungria e Pol&ocirc;nia encabe&ccedil;aram a rela&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia.<br \/> No total do investimento privado l&iacute;quido em a&ccedil;&otilde;es, incluindo pap&eacute;is, aumentou no ano passado de US$ 165 bilh&otilde;es para US$ 122 bilh&otilde;es. Para este ano se prev&ecirc; novo aumento, para US$ 177 bilh&otilde;es. O investimento direto implica a aquisi&ccedil;&atilde;o de bens nacionais &#8211; como f&aacute;bricas ou hot&eacute;is &#8211; por parte de investidores estrangeiros, enquanto o fluxo de a&ccedil;&otilde;es implica radicar capitais atrav&eacute;s de fundos m&uacute;tuos e outros mecanismos da bolsa de valores.<br \/> Os empr&eacute;stimos banc&aacute;rios comerciais duplicaram no ano passado nos mercados emergentes, de US$ 26 bilh&otilde;es em 2003 para US$ 49 bilh&otilde;es em 2004. O IIF previu que em 2005 esse valor ultrapassar&aacute; os US$ 42 bilh&otilde;es. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 25\/01\/2005 &ndash; O fluxo de capital privado destinado ao mundo em desenvolvimento duplicou nos &uacute;ltimos dois anos, na medida em que os investidores abandonaram o debilitado d&oacute;lar em pastagens mais verdes na China e na R&uacute;ssia, segundo o Instituto de Finan&ccedil;as Internacionais (IIF). 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