{"id":2485,"date":"2007-01-08T18:36:38","date_gmt":"2007-01-08T18:36:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2485"},"modified":"2007-01-08T18:36:38","modified_gmt":"2007-01-08T18:36:38","slug":"ambiente-o-petroleo-ameaca-o-fragil-rio-mekong","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/01\/ambiente\/ambiente-o-petroleo-ameaca-o-fragil-rio-mekong\/","title":{"rendered":"Ambiente: O petr\u00f3leo amea\u00e7a o fr\u00e1gil rio Mekong"},"content":{"rendered":"<p>Bangcoc, 08\/01\/2007 &ndash; A China, sempre sedenta de energia, decidiu converter o fr\u00e1gil rio Mekong em uma rota de transporte de petr\u00f3leo. Ambientalistas do sudeste da \u00c1sia temem que os vazamentos destruam o sustento de milh\u00f5es de ribeirinhos. <!--more--> Os ativistas manifestaram sua preocupa\u00e7\u00e3o depois de uma primeira travessia de dois petroleiros pelo rio, que colocou em evid\u00eancia a determina\u00e7\u00e3o de Pequim em encontrar rotas alternativas e mais baratas para importar petr\u00f3leo. Os dois navios chegaram no dia 29 de dezembro a um porto da prov\u00edncia chinesa de Yun\u00e1n, com um total de 300 toneladas de petr\u00f3leo refinado procedente de um porto da prov\u00edncia tailandesa de Chiang Rai, informou a Xinhua, ag\u00eancia de not\u00edcias estatal chinesa.<\/p>\n<p>A travessia do rio marcou \u201co lan\u00e7amento de teste do programa chin\u00eas de transporte de petr\u00f3leo com seus s\u00f3cios do sudeste asi\u00e1tico\u201d, destacou a ag\u00eancia, acrescentando que, \u201csegundo especialistas, o Mekong servir\u00e1 de alternativa ao estreito de M\u00e1laca como rota de transporte de petr\u00f3leo e assegurar\u00e1 o abastecimento para Yun\u00e1n e o sudeste da China em geral\u201d. Os ambientalistas j\u00e1 haviam dado o alarme quando foram revelados os planos da nova rota em 2004, mas, se indignaram quando em meados do ano passado soube-se que Pequim havia conseguido aumentar a cota de petr\u00f3leo que espera transportar pelo rio no futuro.<\/p>\n<p>O acordo inicial, assinado em mar\u00e7o passado por Birm\u00e2nia, Laos, Tail\u00e2ndia e China permitia uma cota mensal de transporte de 1.200 toneladas de petr\u00f3leo refinado. Mas, agora, Pequim espera transportar \u201c70 mil toneladas anuais de petr\u00f3leo refinado desde a Tail\u00e2ndia, somente pelo rio Mekong\u201d, disse Qioa Xinmin, chefe do escrit\u00f3rio de assuntos mar\u00edtimos provinciais, citado pela Xinhua. \u201cTudo foi feito em segredo, sem informar ao p\u00fablico nem pedir opini\u00e3o aos envolvidos, principalmente os que vivem junto ao rio\u201d, queixou-se Premrudee Daoroung, co-diretora da organiza\u00e7\u00e3o ambientalista Towards Ecological Recovery and Regiona Alliance (Terra), com sede em Bangcoc. \u201cIsto confirma quem controla o Mekong\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O mesmo ocorreu quando Pequim convenceu os pa\u00edses situados ao sul de Yun\u00e1n a dragarem o rio mediante explos\u00f5es para permitir a navega\u00e7\u00e3o de grandes embarca\u00e7\u00f5es, segundo Premrudee. \u201c China dirigiu esse esfor\u00e7o e foi a primeira a colocar dinheiro, porque seria a principal benefici\u00e1ria\u201d, afirmou a ambientalista. Os temores de um possivel vazamento de petr\u00f3leo foram alimentados pelo que os ambientalistas observam desde que alguns barcos come\u00e7aram a fazer a rota Chiang Rai-Yun\u00e1n, transportando produtos agr\u00edcolas como alho e ma\u00e7\u00e3s.<\/p>\n<p>\u201cEstes cargueiros contaminam o rio, e isto afasta as pessoas que vivem \u00e0 sua margem\u201d, disse Pianporn Deetes, ativista da Rede pelos Rios do Sudeste da \u00c1sia, com sede na cidade tailandesa de Chiang Mai. \u201cAs pessoas foram totalmente exclu\u00eddas deste plano\u201d, embora \u201cum vazamento destrua o ecossistema do rio\u201d, lamentou. O Mekong \u00e9 o maior rio do sudeste asi\u00e1tico, com 4.880 quil\u00f4metros de comprimento. Come\u00e7a sua viagem na meseta tibetana, atravessa Yun\u00e1n, corre ao longo das fronteiras da Birm\u00e2nia, Tail\u00e2ndia e Laos e, finalmente, serpenteia pelo Camboja e Vietn\u00e3, para desembocar no mar da China meridional.<\/p>\n<p>Estima-se que 60 milh\u00f5es de moradores ribeirinhos do Mekong, desde a Birm\u00e2nia at\u00e9 o sul, dependem do rio para conseguir alimento, \u00e1gua e transporte. A pesca anual no trecho inferior do Mekong representa 2% \u201cdo total da captura mundial e 20% de toda a pesca mundial em cursos de \u00e1gua internos\u201d, destacou a Comiss\u00e3o do Rio Mekong, organismo intergovernamental integrado por Tail\u00e2ndia, Laos, Vietn\u00e3 e Comboja, com sede em Vientiane, capital do Laos.<\/p>\n<p>A China decidiu recorrer ao Mekong como nova rota do petr\u00f3leo num momento em que sua demanda por energia aumenta. A importa\u00e7\u00e3o anual de petr\u00f3leo \u00e9 estimada em 140 milh\u00f5es de toneladas ano, e tende a crescer, segundo informes. Quase 70% dessa importa\u00e7\u00e3o s\u00e3o transportadas pelo estreito de M\u00e1laca. A rota do Mekong \u00e9 um de dois planos da China para evitar o estreito. Em abril de 2006, Pequim assinou um acordo com o governo birman\u00eas para construir um oleoduto entre o porto profundo de Sittwe e Kunming, capital de Yun\u00e1n.<\/p>\n<p>Essa id\u00e9ia alarmou grupos ambientalistas e de direitos humanos da Birm\u00e2nia por v\u00e1rios motivos: a repentina aflu\u00eancia de renda que ajudar\u00e1 o tir\u00e2nico regime militar de Rang\u00fan, o dano ambiental que o oleoduto causar\u00e1 e as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos que deixar\u00e1 em seu caminho.<\/p>\n<p>\u201cEste oleoduto passar\u00e1 pelo centro da Birm\u00e2nia. Haver\u00e1 muitos reassentamentos e trabalhos for\u00e7ados, porque a rota passa por zonas densamente povoadas\u201d, alertou Wong Aung, porta-voz do Movimento Shwe do Gas, um grupo que luta pelos direitos da comunidade arakan na Birm\u00e2nia. \u201cMuitas \u00e1rvores ser\u00e3o cortadas nas florestas que cobrem as terras dos arakam yoma\u201d, acrescentou. Mas, \u201cpara os chineses n\u00e3o importa a destrui\u00e7\u00e3o ambiental nem as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos, se precisam de petr\u00f3leo\u201d, disse \u00e0 IPS. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bangcoc, 08\/01\/2007 &ndash; A China, sempre sedenta de energia, decidiu converter o fr\u00e1gil rio Mekong em uma rota de transporte de petr\u00f3leo. 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