{"id":2491,"date":"2007-01-10T14:15:48","date_gmt":"2007-01-10T14:15:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2491"},"modified":"2007-01-10T14:15:48","modified_gmt":"2007-01-10T14:15:48","slug":"direitos-humanos-ajuda-humanitaria-foge-da-violencia-em-darfur","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/01\/africa\/direitos-humanos-ajuda-humanitaria-foge-da-violencia-em-darfur\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Ajuda humanit\u00e1ria foge da viol\u00eancia em Darfur"},"content":{"rendered":"<p>Cartum, 10\/01\/2007 &ndash; A viol\u00eancia voltou a explodir na regi\u00e3o sudanesa de Darfur, for\u00e7ando uma retirada em grande escala de trabalhadores humanit\u00e1rios, in\u00e9dita desde que come\u00e7aram as opera\u00e7\u00f5es de ajuda nessa zona devastada pela guerra. <!--more--> Cerca de 400 membros do pessoal da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas e de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais foram evacuados das \u00e1reas de conflito nas \u00faltimas semanas, devido \u00e0 crescente inseguran\u00e7a. Entre eles havia empregados da organiza\u00e7\u00e3o irlandesa de assist\u00eancia Goal.<\/p>\n<p>\u201cDurante tr\u00eas anos pedimos \u00e0 comunidade internacional que enviasse uma for\u00e7a internacional de paz para proteger os civis inocentes e manter abertos os canais de assist\u00eancia\u201d, recordou o fundador da Goal, John O\u2019Shea, em uma declara\u00e7\u00e3o de imprensa ap\u00f3s a retirada. \u201cEst\u00e1 claro que a comunidade internacional n\u00e3o considera as vidas de quatro milh\u00f5es de pessoas na regi\u00e3o, que precisam desesperadamente de prote\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou. Foram retirados trabalhadores internacionais e sudaneses de fora de Darfur. \u201cAlgu\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel: se foi recrutado algu\u00e9m do Sud\u00e3o, deve ser devolvido ao lugar que pertence\u201d, disse \u00e0 IPS Mark Blackett, diretor da filial sudanesa da Goal.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, v\u00e1rios socorristas locais que ficaram para tr\u00e1s ainda est\u00e3o em Darfur, fazendo o poss\u00edvel para manter os escrit\u00f3rios em funcionamento. \u201cSoa terr\u00edvel dizer que isso \u00e9 muito perigoso para o pessoal internacional e pretender deixar somente os trabalhadores locais\u201d, disse Alun McDonald, porta-voz da n\u00e3o-governamental Oxfam. \u201cN\u00e3o \u00e9 o caso. Eles t\u00eam mulher e filhos. N\u00e3o podemos evacuar a fam\u00edlia estendida de todos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A maioria dos sudaneses que ficou n\u00e3o quer dar declara\u00e7\u00f5es sobre sua decis\u00e3o de continuar trabalhando depois da retirada de outra equipe, citando pol\u00edticas de ONGs que requerem que as perguntas sejam feitas somente a porta-vozes das ag\u00eancias. Funcion\u00e1rios de assist\u00eancia asseguraram que estas pol\u00edticas s\u00e3o implementadas para impedir ataques contra pessoal local. Entretanto, alguns deles disseram \u00e0 IPS que continuar com os trabalhos assistenciais em Darfur foi tanto uma responsabilidade com sua regi\u00e3o quanto uma oportunidade para realizar tarefas mais bem pagas do que as que teriam conseguido de outra maneira.<\/p>\n<p>Abdallah, natural da cidade de Nyala, ao sul de Darfur, que pediu para n\u00e3o ter divulgado seu nome completo, perdeu seu trabalho no Conselho Noruegu\u00eas de Refugiados depois que essa ONG foi expulsa dessa parte da conflitiva regi\u00e3o sudanesa. Isso aconteceu em novembro, depois de uma suspens\u00e3o de dois meses de suas atividades pelo governo do Sud\u00e3o, que acusou a ag\u00eancia de divulgar informa\u00e7\u00e3o err\u00f4nea.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um grande problema ter perdido meu trabalho. Tenho seis filhos. Agora procuro emprego. Fiquei porque este \u00e9 meu lar e quero ajudar os outros habitantes de Darfur\u201d, disse Abdallah. Em Gereida, onde fica o maior acampamento de refugiados de Darfur, pessoal da Oxfam que ainda trabalha no local distribui combust\u00edvel para as bombas de \u00e1gua para sua retirada dos po\u00e7os. Mas, a porta-voz da ag\u00eancia, Caroline Nursey, disse \u00e0 IPS que a opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode continuar funcionando por muito tempo se n\u00e3o contar com todo o pessoal.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia expressaram crescente frustra\u00e7\u00e3o pelo aumento da viol\u00eancia em Darfur, o que coloca em risco a maior opera\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria do mundo, que agora inclui cerca de quatro milh\u00f5es de pessoas. A Oxfam suspendeu suas opera\u00e7\u00f5es em Gereida no final de dezembro, depois que cinco de seis dos seus ve\u00edculos foram roubados por homens armados, que tamb\u00e9m levaram equipamentos e dinheiro.<\/p>\n<p>\u201cDesde que estamos na linha de fogo estamos presos a isso\u201d, disse Nursey. \u201cMas, chega um ponto em que devemos priorizar a seguran\u00e7a do pessoal. Penso que at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo havia respeito pelos socorristas, e n\u00e3o eram considerados alvos. Mas, nos \u00faltimos dois meses houve uma s\u00e9ria deteriora\u00e7\u00e3o, e mais viol\u00eancia\u201d, acrescentou. Treze trabalhadores humanit\u00e1rios, todos sudaneses, foram assassinados desde a assinatura de um acordo de paz em Darfur, em maio.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rios de ajuda dizem que os socorristas sudaneses s\u00e3o mais propensos a estar em perigo, por duas raz\u00f5es. A primeira \u00e9 a natureza mais perigosa dos trabalhos que realizam, incluindo os de guardas e motoristas. A segunda \u00e9 que, simplesmente, h\u00e1 mais sudaneses que trabalham nessa \u00e1rea. \u201cA maioria das pessoas assassinadas foram mortas em roubos de autom\u00f3veis\u201d, disse Nursey.<\/p>\n<p>Casos extremos de inseguran\u00e7a podem fazer com que sejam retirados inclusive trabalhadores locais. E, em \u00faltima inst\u00e2ncia, se os funcion\u00e1rios s\u00e3o internacionais ou sudaneses, o efeito de sua retirada \u00e9 o mesmo: \u201cQuando algu\u00e9m n\u00e3o pode prestar ajuda, todos se sentem frustrados, tanto os funcion\u00e1rios locais quanto os internacionais\u201d, disse Blackett. A assinatura do acordo de maio foi inicialmente elogiada como um grande avan\u00e7o para acabar com o conflito em Darfur, mas, agora esse documento \u00e9 considerado amplamente sup\u00e9rfluo, ap\u00f3s a negativa da maioria dos rebeldes em apoi\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Somente uma fac\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o do Sud\u00e3o, liderada pelo comandante Minni Minnawi, assinou o acordo. Outro grupo do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o, junto com o rebelde Movimento de Justi\u00e7a e Igualdade, disse que o acordo n\u00e3o atendia suas demandas b\u00e1sicas de compartilhar riqueza e poder. Em particular, segundo os rebeldes, foi insuficiente a oferta do governo sudan\u00eas de US$ 30 milh\u00f5es como compensa\u00e7\u00e3o para cerca de tr\u00eas milh\u00f5es de v\u00edtimas do prolongado conflito.<\/p>\n<p>Em setembro, as autoridades lan\u00e7aram um ofensiva militar contra rebeldes que se negam a aceitar o acordo em Darfur, provocando mais refugiados civis. Alguns observadores denunciam que os ataques a\u00e9reos do governo devastaram certas aldeias e que as mil\u00edcias \u00e1rabes conhecidas como janjaweed (Homens a cavalo, em \u00e1rabe) continuam matando, violentando e saqueando impunemente. H\u00e1 funcion\u00e1rios acusados de explorar as tens\u00f5es entre n\u00f4mades \u00e1rabes e agricultores de outras etnias, que por muito tempo lutaram pela terra e pelos recursos h\u00eddricos, armando os janjaweed para realizar uma guerra por meio de apoderados em nome do governo.<\/p>\n<p>Em Darfur, segundo algumas organiza\u00e7\u00f5es, morreram cerca de 400 mil pessoas desde 2003, quando rebeldes que buscam maior autonomia e desenvolvimento se levantaram contra o governo, que respondeu com bombardeios e apoio a grupos rebeldes afins. Desde ent\u00e3o, milh\u00f5es de camponeses e alde\u00f5es tiveram de abandonar suas casas. Em agosto, o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU aprovou uma proposta para enviar mais de 20 mil pacificadores \u00e0 regi\u00e3o, em apoio \u00e0s for\u00e7as da Uni\u00e3o Africana que se encontram no local. A miss\u00e3o da UA esteve repleta de problemas financeiros e um d\u00e9bil mandato que \u2013 denunciam os cr\u00edticos \u2013 impediu a prote\u00e7\u00e3o dos civis.<\/p>\n<p>Inicialmente, o Sud\u00e3o recha\u00e7ou a entrada dos soldados das Na\u00e7\u00f5es Unidas, acusando a ONU de tentar recolonizar o pa\u00eds. No m\u00eas passado, o presidente, Omar el-Bashir, parecia apoiar um enfoque em tr\u00eas fases para que uma for\u00e7a combinada da ONU e da UA come\u00e7asse a operar. Mas, informes indicam que posteriormente disse que esta for\u00e7a expandida somente incluiria efetivos africanos, que trabalhariam com apoio t\u00e9cnico das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>A ONU adverte que o conflito em Darfur, que se expandiu ao vizinho Chade e \u00e0 Rep\u00fablica Centro-Africana, amea\u00e7a atingir toda a regi\u00e3o, colocando em risco cerca de seis milh\u00f5es de pessoas. Calcula-se que mais de 200 mil foram assassinadas e aproximadamente dois milh\u00f5es tiveram de se refugiar desde que come\u00e7ou a viol\u00eancia em Darfur. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cartum, 10\/01\/2007 &ndash; A viol\u00eancia voltou a explodir na regi\u00e3o sudanesa de Darfur, for\u00e7ando uma retirada em grande escala de trabalhadores humanit\u00e1rios, in\u00e9dita desde que come\u00e7aram as opera\u00e7\u00f5es de ajuda nessa zona devastada pela guerra. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/01\/africa\/direitos-humanos-ajuda-humanitaria-foge-da-violencia-em-darfur\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1608,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,11],"tags":[],"class_list":["post-2491","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2491","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1608"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2491"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2491\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}