{"id":251,"date":"2005-01-26T00:00:00","date_gmt":"2005-01-26T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=251"},"modified":"2005-01-26T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-26T00:00:00","slug":"mundo-adeus-dlar-bem-vindo-euro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/mundo-adeus-dlar-bem-vindo-euro\/","title":{"rendered":"Mundo: Adeus d&oacute;lar, bem-vindo euro"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 26\/01\/2005 &ndash; Bancos centrais de todo o mundo se livram de seus d&oacute;lares e compram euros, numa tentativa de evitar novas perdas pela deprecia&ccedil;&atilde;o da divisa norte-americana, segundo especialistas brit&acirc;nicos. Mais de dois ter&ccedil;os dos bancos centrais do mundo aumentaram sua exposi&ccedil;&atilde;o ao euro nos &uacute;ltimos dois anos, principalmente &agrave;s custas do d&oacute;lar, segundo o relat&oacute;rio Management Trends 2005, divulgado pela empresa Central Banking Publications, com sede em Londres. Para a pesquisa, patrocinada pelo Banco Central da Esc&oacute;cia, entre setembro e dezembro foram consultados altos funcion&aacute;rios de 65 bancos centrais que controlam um tesouro de US$ 1,7 trilh&otilde;es.<br \/> <!--more--> O relat&oacute;rio, conhecido esta semana, tamb&eacute;m constatou que mais da metade dos bancos centrais agora v&ecirc;m o dinheiro e o mercado de d&iacute;vida da eurozona como mais atraentes para o investimento do que os norte-americanos. O valor do euro, moeda vigente em 12 dos 25 pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia &#8211; conhecidos como a eurozona &#8211; aumentou de US$ 1,3022 na sexta-feira para US$ 1,3086 na segunda-feira no mercado de Nova York. O d&oacute;lar atingiu quase todas as semanas desde o in&iacute;cio de novembro m&iacute;nimos hist&oacute;ricos em rela&ccedil;&atilde;o ao euro, com breve lapso de tranq&uuml;ilidade em dezembro.<br \/> Mas a cota&ccedil;&atilde;o da moeda norte-americana agora situa-se em seu pior momento em 10 anos em compara&ccedil;&atilde;o com outras divisas mundiais como a libra esterlina, o iene japon&ecirc;s, o franco su&iacute;&ccedil;o, os d&oacute;lares australiano e canadense e as coroas suecas e dinamarquesas. Quando foi instaurada a eurozona, em junho de 2002, o euro era cotado a apenas US$ 0,84. Em setembro, chegava a US$ 1,21. A queda da moeda norte-americana se deve principalmente ao atual d&eacute;ficit em conta corrente dos Estados Unidos e constitui, segundo especialistas, um sinal negativo da imagem que aos olhos do resto do mundo tem a pol&iacute;tica externa de George W. Bush. O presidente dos Estados Unidos converteu o enorme d&eacute;ficit fiscal que herdou de seu antecessor, Bill Clinton, de US$ 236,4 bilh&otilde;es em um d&eacute;ficit de US$ 413 bilh&otilde;es.<br \/> Alguns economistas previram um estouro do d&oacute;lar frente ao euro, o que afetaria o papel da moeda norte-americana como divisa de reserva predominante no mundo h&aacute; 60 anos, durante os quais os bancos centrais acumularam as verdinhas quase ininterruptamente. O relat&oacute;rio do Central Banking Publications &eacute; a primeira evid&ecirc;ncia concreta de que os grandes bancos centrais est&atilde;o mudando de rumo. &quot;Mudar os ativos em d&oacute;lares, e n&atilde;o apenas ao euro, &eacute; uma medida inteligente. Bem como comprar ienes, ouro ou combina&ccedil;&otilde;es de bens para evadir do d&oacute;lar, que est&aacute; supervalorizado. No fim, haver&aacute; uma queda. A pergunta &eacute; quando&quot;, disse Mark Weisbrot, co-diretor do Centro para Pesquisa Econ&ocirc;mica e Pol&iacute;tica de Washington.<br \/> A China, dona da segunda maior reserva de d&oacute;lares do mundo, depois do Jap&atilde;o, anunciou que n&atilde;o os sacar&aacute; na alta. Mas representantes de bancos centrais de muitas outras na&ccedil;&otilde;es exibiram na entrevista um maior apetite pelo euro. Ministros das finan&ccedil;as do Golfo decidiram no final do ano passado mudar para o euro e no in&iacute;cio deste m&ecirc;s o Banco Central da Ar&aacute;bia Saudita previu que a divisa europ&eacute;ia ter&aacute; num futuro pr&oacute;ximo maior participa&ccedil;&atilde;o nas reservas mundiais. O relat&oacute;rio menciona a debilidade do d&oacute;lar com a principal raz&atilde;o pela qual muda a composi&ccedil;&atilde;o das reservas dos bancos centrais de todo o mundo.<br \/> &quot;Isto implicaria que alguns bancos centrais surgissem como vendedores de d&oacute;lares. Esta constata&ccedil;&atilde;o marca uma mudan&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao estudo anterior, de novembro de 2002, quando a composi&ccedil;&atilde;o em divisas (das reservas) parecia est&aacute;vel&quot;, diz o documento. Em certa medida, os bancos centrais continuar&atilde;o financiando o atual d&eacute;ficit fiscal norte-americano comprando b&ocirc;nus do Tesouro, mas Washington n&atilde;o pode contar com essa fonte de dinheiro como no passado, segundo o estudo do Central Banking Publications. &quot;A diversifica&ccedil;&atilde;o de bens em d&oacute;lares em bens baseados no euro parece desenvolver-se com maior rapidez do que se previa h&aacute; dois anos&quot;, afirmaram os especialistas.<br \/> Ao que parece, a tend&ecirc;ncia continuar&aacute;. Alguns economistas argumentam que o d&oacute;lar deve cair entre 15% e 20% a mais para que o d&eacute;ficit norte-americano chegue a um n&iacute;vel razo&aacute;vel. A maior parte destas corre&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o compras de divisas asi&aacute;ticas, o que obrigar&aacute; a China a valorizar o yuan em 20% em rela&ccedil;&atilde;o ao d&oacute;lar, segundo C. Fred. Bergsten, diretor do Instituto de Economia Internacional (IIE) com sede em Washington. &quot;N&atilde;o me surpreende que ao menos alguns bancos centrais estejam alarmados por sua alta exposi&ccedil;&atilde;o ao d&oacute;lar&quot;, disse Steve H. Hanke, professor de Economia Aplicada da Universidade John Hopkins e pesquisador do liberal Instituto Cato.<br \/> &quot;A expectativa era a de que quando o euro surgisse se registrasse alguma diversifica&ccedil;&atilde;o nos pap&eacute;is dos bancos centrais, independente das tend&ecirc;ncias quanto &agrave; sua cota&ccedil;&atilde;o frente ao d&oacute;lar e coisas como essas&quot;, afirmou Hanke. Mas a desvaloriza&ccedil;&atilde;o pode se transformar em uma grande queda se aumentar o p&acirc;nico entre os investidores privados e isso contagiar os bancos centrais, alertam economistas. Se, por exemplo, a China e o Jap&atilde;o decidirem vender uma parte de suas imensas reservas de d&oacute;lares, a divisa entraria em colapso, muito mais do que o m&aacute;ximo previsto de 20%.<br \/> &quot;A seq&uuml;&ecirc;ncia de alguma medida dr&aacute;stica por parte de grandes jogadores &eacute; muito dif&iacute;cil de prever&quot;, advertiu Weisbrot. &quot;China e Jap&atilde;o, ou qualquer dos dois em separado, poderiam causar um colapso total do d&oacute;lar vendendo apenas uma pequena parte de suas reservas. De fato, provavelmente n&atilde;o ter&atilde;o de faz&ecirc;-lo, mas apenas deixar de acumular ou reduzir suas compras para que o d&oacute;lar caia&quot;, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 26\/01\/2005 &ndash; Bancos centrais de todo o mundo se livram de seus d&oacute;lares e compram euros, numa tentativa de evitar novas perdas pela deprecia&ccedil;&atilde;o da divisa norte-americana, segundo especialistas brit&acirc;nicos. 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