{"id":253,"date":"2005-01-27T00:00:00","date_gmt":"2005-01-27T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=253"},"modified":"2005-01-27T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-27T00:00:00","slug":"direitos-humanos-a-melhor-estratgia-para-combater-a-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-a-melhor-estratgia-para-combater-a-pobreza\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: A melhor estrat&eacute;gia para combater a pobreza"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 27\/01\/2005 &ndash; Ser&aacute; 2005 um ano de avan&ccedil;os que nos aproximem de tornar realidade a convic&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum Social Mundial de que &quot;outro mundo &eacute; poss&iacute;vel&quot;? Ou ser&aacute; outro ano em que continuar&atilde;o aumentando as divis&otilde;es em nosso mundo? A resposta, naturalmente, depende das op&ccedil;&otilde;es que fa&ccedil;amos e dos valores que sustentarmos. O ano que temos pela frente proporciona aos dirigentes oportunidades importantes para colocar em pr&aacute;tica pol&iacute;ticas de princ&iacute;pios em alguns dos desafios mundiais mais agudos. Da C&uacute;pula do G-8 &agrave; Reuni&atilde;o Ministerial da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC), em Hong Kong, os l&iacute;deres governamentais tomaram decis&otilde;es sobre normas comerciais, ajuda e a insustent&aacute;vel d&iacute;vida dos pa&iacute;ses em desenvolvimento, que s&atilde;o cr&iacute;ticas para o futuro de milh&otilde;es de pessoas em todo o planeta.<br \/> <!--more--> <br \/> Como sempre, a sociedade civil global pode contribuir para assegurar que essas decis&otilde;es sejam adequadas para ajudar os que t&ecirc;m mais necessidades. As organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil t&ecirc;m um papel fundamental quanto a garantir que os governos cumpram os compromissos que assumiram. Os compromissos adotados pelos governos no in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI constituem o n&uacute;cleo das decis&otilde;es a serem tomadas neste 2005. Cinco anos depois de a maior reuni&atilde;o de chefes de Estado e de governo jamais realizada prometer solenemente na Declara&ccedil;&atilde;o do Mil&ecirc;nio da ONU de 2000 &quot;n&atilde;o poupar esfor&ccedil;os para libertar nossos semelhantes &#8211; homens, mulheres e crian&ccedil;as &#8211; das abjetas e desumanas condi&ccedil;&otilde;es de extrema pobreza em que se encontram&quot;, fica claro que muitos pa&iacute;ses est&atilde;o ficando desesperadamente longe dos progressos necess&aacute;rios para atingir as Metas de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio (MDM) at&eacute; 2015.<\/p>\n<p> At&eacute; agora, amplos setores da sociedade civil n&atilde;o se envolveram na promo&ccedil;&atilde;o das MDM nem na mobiliza&ccedil;&atilde;o para pressionar seus governos para que empreendam a&ccedil;&otilde;es efetivas. Alguns expressaram sua preocupal&ccedil;&atilde;o de que as Metas do Mil&ecirc;nio evitam as quest&otilde;es mais angustiantes ou ignoram compromissos anteriores, tais como a plataforma dos direitos da mulher dos anos 90, que inclui os problemas da viol&ecirc;ncia contra as mulheres e os referentes aos direitos reprodutivos. Outra cr&iacute;tica &eacute; que o processo das MDM foi articulado de cima para baixo, j&aacute; que a sociedade civil n&atilde;o foi envolvida na formula&ccedil;&atilde;o de tais metas. <br \/> Mesmo reconhecendo que essas s&atilde;o preocupa&ccedil;&otilde;es leg&iacute;timas, n&atilde;o dever&iacute;amos esquecer que as MDM foram situadas dentro de um contexto de compromissos que os governos reafirmaram na Declara&ccedil;&atilde;o do Mil&ecirc;nio para promover os direitos humanos, a democracia e o bom governo. Esses compromissos s&atilde;o: <\/p>\n<p> &#8211; Respeitar e sustentar totalmente a Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos, <br \/> &#8211; Fortalecer a capacidade de todos os pa&iacute;ses para colocar em pr&aacute;tica o exerc&iacute;cio da democracia e dos direitos humanos, <br \/> &#8211; Aplicar a Conven&ccedil;&atilde;o para a Elimina&ccedil;&atilde;o da Discrimina&ccedil;&atilde;o Contra as Mulheres, <br \/> &#8211; Assegurar o respeito e a prote&ccedil;&atilde;o dos direitos dos trabalhadores imigrantes e de suas fam&iacute;lias, <br \/> &#8211; Trabalhar coletivamente por um processo mais inclusivo, que permita uma participa&ccedil;&atilde;o genu&iacute;na de todos os cidad&atilde;os em todos os pa&iacute;ses e assegurar a liberdade de imprensa e o acesso p&uacute;blico &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, o que &eacute; fundamental para alcan&ccedil;ar as MDM, motivo pelo qual deveria ser-lhe dada maior import&acirc;ncia.<\/p>\n<p> Uma iniciativa na qual estou envolvida atualmente, o Processo de Helsinque sobre Globaliza&ccedil;&atilde;o e Democracia, objetiva juntar todos os interessados do Norte e do Sul para modelar uma vis&atilde;o alternativa da globaliza&ccedil;&atilde;o que possa influir coletivamente nos governos e no p&uacute;blico mais amplo. Um plano de a&ccedil;&atilde;o ser&aacute; apresentado na Confer&ecirc;ncia de Helsinque que acontecer&aacute;, em setembro deste ano. Eu gostaria de incentivar os participantes do F&oacute;rum Social Mundial a se envolverem no Processo de Helsinque durante 2005 e nos pr&oacute;ximos anos.<\/p>\n<p> Qualquer agenda de reformas deve incluir n&atilde;o s&oacute; um grande aumento da ajuda destinada ao desenvolvimento por parte das na&ccedil;&otilde;es mais ricas, como tamb&eacute;m um compromisso a favor de uma maior eq&uuml;idade global. As regras do caminho da globaliza&ccedil;&atilde;o, incluindo as do com&eacute;rcio, dos investimentos e das finan&ccedil;as internacionasis, devem ser justas e refletir as necessidades dos pa&iacute;ses pobres. Ao mesmo tempo, os pa&iacute;ses em desenvolvimento devem redobrar seus esfor&ccedil;os para construir formas de governo mais democr&aacute;ticas, combater a corrup&ccedil;&atilde;o e grantir que a ajuda ao desenvolvimento seja adequadamente utilizada. Em nossa busca por uma globaliza&ccedil;&atilde;o mais &eacute;tica, &eacute; hora de voltar aos valores e aos princ&iacute;pios refletidos na Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p> A universalidade dos direitos humanos, sua aten&ccedil;&atilde;o fixada na dignidade humana e sua preocupa&ccedil;&atilde;o pela responsabilidade, os fazem singularmente apropriados para remodelar a coopera&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento, para fomentar o bom governo e para combater a discrimina&ccedil;&atilde;o, a doen&ccedil;a e a desesperan&ccedil;a. Outro mundo &eacute; poss&iacute;vel. O ano de 2005 deve ser aquele no qual o mundo se una ao redor da convic&ccedil;&atilde;o de que tornar realidade o respeito pelos direitos humanos &eacute; nossa melhor estrat&eacute;gia para acabar com a pobreza e assegurar uma vida de dignidade para todos.<\/p>\n<p> (*) Mary Robinson &eacute; ex-presidente da Irlanda, ex-Alta Comiss&aacute;ria da ONU para os Direitos Humanos e atualmente diretora do The Ethical Globalisation Initiative. <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 27\/01\/2005 &ndash; Ser&aacute; 2005 um ano de avan&ccedil;os que nos aproximem de tornar realidade a convic&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum Social Mundial de que &quot;outro mundo &eacute; poss&iacute;vel&quot;? Ou ser&aacute; outro ano em que continuar&atilde;o aumentando as divis&otilde;es em nosso mundo? A resposta, naturalmente, depende das op&ccedil;&otilde;es que fa&ccedil;amos e dos valores que sustentarmos. O ano que temos pela frente proporciona aos dirigentes oportunidades importantes para colocar em pr&aacute;tica pol&iacute;ticas de princ&iacute;pios em alguns dos desafios mundiais mais agudos. Da C&uacute;pula do G-8 &agrave; Reuni&atilde;o Ministerial da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC), em Hong Kong, os l&iacute;deres governamentais tomaram decis&otilde;es sobre normas comerciais, ajuda e a insustent&aacute;vel d&iacute;vida dos pa&iacute;ses em desenvolvimento, que s&atilde;o cr&iacute;ticas para o futuro de milh&otilde;es de pessoas em todo o planeta.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-a-melhor-estratgia-para-combater-a-pobreza\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":366,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-253","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/366"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=253"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}