{"id":2563,"date":"2007-02-01T13:55:16","date_gmt":"2007-02-01T13:55:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2563"},"modified":"2007-02-01T13:55:16","modified_gmt":"2007-02-01T13:55:16","slug":"forum-social-mundial-o-risco-dos-extremos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/02\/africa\/forum-social-mundial-o-risco-dos-extremos\/","title":{"rendered":"F\u00f3rum Social Mundial: O risco dos extremos"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 01\/02\/2007 &ndash; N\u00e3o faltam previs\u00f5es de morte, ou, pelo menos, de crise, do F\u00f3rum Social Mundial, realimentados pelos informes sobre problemas organizacionais e a grande queda no n\u00famero de participantes em sua s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o, realizada em janeiro em Nair\u00f3bi, capital do Qu\u00eania. <!--more--> Os defensores do FSM, \u00e0s vezes, tamb\u00e9m caem no exagero do contr\u00e1rio, atribuindo triunfos, como uma decisiva contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 chegada da esquerda ou centro-esquerda ao governo de oitos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e \u00e0 presen\u00e7a dos temas sociais na agenda internacional.<\/p>\n<p>Mas este encontro da sociedade civil, nascido em janeiro de 2001 no sul do Brasil, n\u00e3o pode ter a influ\u00eancia que lhe d\u00e3o sobre essa corrente pol\u00edtica agora vencedora na regi\u00e3o, pois, em geral, \u00e9 produto de processos de d\u00e9cadas anteriores, nas quais proliferaram experi\u00eancias populares e movimentos sociais que fizeram aumentar o eleitorado de esquerda. Tamb\u00e9m essa primeira edi\u00e7\u00e3o do FSM, em Porto Alegre, foi posterior \u00e0s grandes confer\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre meio ambiente, direitos humanos, desenvolvimento social, popula\u00e7\u00e3o, mulheres, habitat e at\u00e9 da que aprovou os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio, que mobilizaram dezenas de milhares de governantes, diplomatas e especialistas entre 1992 e 2000, incorporando pela primeira vez de maneira maci\u00e7a nas discuss\u00f5es delegados da sociedade civil.<\/p>\n<p>Os costumeiros cr\u00edticos do FSM, por sua vez, esquecem essa hist\u00f3ria \u00faltima de diversifica\u00e7\u00e3o ou fragmenta\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais e pol\u00edticos, que tiraram do sindicalismo a luta de classes e dos partidos pol\u00edticos o monop\u00f3lio do combate contra as injusti\u00e7as do capitalismo, agregando as variadas discrimina\u00e7\u00f5es e desigualdades como alvos.<\/p>\n<p>O FSM responde \u00e0 necessidade de superar a dispers\u00e3o, de articular internacionalmente essa diversidade de iniciativas e for\u00e7as que representam a sociedade, embora sem cumprir os mecanismos tradicionais de representatividade por via eleitoral ou sindical, e v\u00e3o fortalecendo novas formas de fazer pol\u00edtica, em favor de uma democracia mais participativa. Por essa raz\u00e3o, o encontro social poder\u00e1 mudar seus m\u00e9todos, a organiza\u00e7\u00e3o de seus encontros e, inclusive, seu nome e id\u00e9ias centrais, mas, a sociedade civil mundial j\u00e1 n\u00e3o poder\u00e1 privar-se de um f\u00f3rum para articular e dinamizar suas lutas, trocar experi\u00eancias e refletir de maneira conjunta entre representantes de todo o mundo.<\/p>\n<p>Trata-se de um novo ator no cen\u00e1rio mundial, de organiza\u00e7\u00e3o difusa, que em determinados momentos pode conseguir consensos que causem mobiliza\u00e7\u00e3o, como nas manifesta\u00e7\u00f5es de 2003 contra a guerra o Iraque. Veio para ficar e exercer um papel democratizante. E busca identificar os melhores meios para proporcionar-lhes poder e manifestar-se.<\/p>\n<p>O encontro, que surgiu como contrapartida ao F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, provou responder a essa necessidade ao conseguir ades\u00f5es maci\u00e7as, promover amplos debates e o surgimento de novas redes e campanhas internacionais, al\u00e9m de reuni\u00f5es locais, nacionais e regionais. Entretanto, nada assegura a perenidade de sua forma atual e, menos ainda, que ser\u00e1 \u00fanico. H\u00e1 press\u00f5es para convert\u00ea-lo em um instrumento pol\u00edtico que adote resolu\u00e7\u00f5es e programas.<\/p>\n<p>Decis\u00f5es e a\u00e7\u00f5es, reclamam muitos ativistas e, inclusive, membros do pr\u00f3prio Conselho Internacional do FSM, argumentando que a f\u00f3rmula atual imobiliza. No FSM de 2005, em Porto Alegre, um grupo de 19 conhecidos intelectuais tentou um golpe divulgando um manifesto como pretendido \u201cConsenso\u201d. Mas, caiu no vazio.<\/p>\n<p>Como \u201cespa\u00e7o aberto\u201d da sociedade civil, sem hierarquias e com total respeito \u00e0 diversidade, como defendem seus fundadores brasileiros, o FSM absorve dimens\u00f5es, manifesta\u00e7\u00f5es e propostas de todo tipo. Os movimentos e organiza\u00e7\u00f5es participantes s\u00e3o livres e estimulados a se unirem e se mobilizarem em torno das propostas comuns.<\/p>\n<p>Francisco Whitaker, um dos fundadores, defende essa metodologia em seu livro \u201cDesafio do F\u00f3rum Social Mundial: um modo ver\u201d, ao justificar a Carta de Princ\u00edpios que desde 2001 o define como um \u201cespa\u00e7o de encontro\u201d, n\u00e3o-representativo nem deliberativo, contr\u00e1rio ao uso da viol\u00eancia e \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal. Mas as ambi\u00e7\u00f5es contidas no FSM, de articular e movimentar a sociedade civil na constru\u00e7\u00e3o de \u201coutro mundo poss\u00edvel\u201d, implicam enormes desafios. A repercuss\u00e3o de seus megaencontros na imprensa caiu muito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 novidade inicial, revelando a necessidade de uma outra forma de comunica\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o de Nair\u00f3bi, entre 20 e 25 de janeiro, teve menos de 50 mil participantes, apenas a metade da meta e da quantidade registrada em cada uma das quatro edi\u00e7\u00f5es anteriores. O alto pre\u00e7o da taxa de inscri\u00e7\u00e3o limitou a presen\u00e7a dos delegados pobres do Qu\u00eania, agravando as cr\u00edticas ao \u201celitismo\u201d interno, um dos moinhos de vento com que lutam os \u201caltermundistas\u201d, pretendendo popularizar a concorr\u00eancia para n\u00e3o continuar reproduzindo desigualdades da sociedade.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, pesquisas comprovaram que tr\u00eas quartos dos participantes desses encontros realizados no in\u00edcio de ano s\u00e3o estudantes, graduados ou p\u00f3s-graduados em universidades, indicando que se trata de uma elite econ\u00f4mica. Essa \u00e9 uma realidade conseq\u00fcente das caras viagens e de tratar-se principalmente do chamado terceiro setor. O Conselho Internacional do FSM decidiu adiar para 2009 a pr\u00f3xima reuni\u00e3o mundial, diante de dificuldade de autofinanciar encontros anuais, outro fator que alimenta epit\u00e1fios.<\/p>\n<p>Por outro lado, em janeiro de 2008 ser\u00e3o promovidas jornadas de protesto em todas as cidades, durante a reuni\u00e3o do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, o encontro anual da elite financeira e governante do planeta na localidade su\u00ed\u00e7a de Davos, com o desafio de mobilizar muitos milh\u00f5es de manifestantes. Um desafio maior do FSM \u00e9 superar a diversidade ainda ca\u00f3tica de seus temas. Em Nair\u00f3bi aconteceram 1.200 semin\u00e1rios, pain\u00e9is, di\u00e1logos e atos. \u00c9 muito, mesmo sendo a metade dos registrados nos f\u00f3runs anteriores, o que indica uma insuficiente articula\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es e programas.<\/p>\n<p>O ideal seria cerca de 500 encontros, afirma C\u00e2ndido Grzybowski, outro coordenador brasileiro do processo. Apesar dessa variedade, faltam vis\u00f5es sist\u00eamicas e v\u00e1rias lutas seguem caminhos paralelos. Os ambientalistas, por exemplo, sentem-se \u201cperif\u00e9ricos\u201d no processo do FSM, apesar da urg\u00eancia de seus temas, e desenvolvem suas pr\u00f3prias vias de articula\u00e7\u00e3o internacional. Tamb\u00e9m h\u00e1 pouca preocupa\u00e7\u00e3o com a viabilidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica das numerosas propostas e bandeiras, embora o lema do FSM seja \u201coutro mundo \u00e9 poss\u00edvel\u201d. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 01\/02\/2007 &ndash; N\u00e3o faltam previs\u00f5es de morte, ou, pelo menos, de crise, do F\u00f3rum Social Mundial, realimentados pelos informes sobre problemas organizacionais e a grande queda no n\u00famero de participantes em sua s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o, realizada em janeiro em Nair\u00f3bi, capital do Qu\u00eania. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/02\/africa\/forum-social-mundial-o-risco-dos-extremos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[21],"class_list":["post-2563","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2563"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2563\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}