{"id":2572,"date":"2007-02-05T15:58:07","date_gmt":"2007-02-05T15:58:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2572"},"modified":"2007-02-05T15:58:07","modified_gmt":"2007-02-05T15:58:07","slug":"brasil-em-busca-do-negocio-da-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/02\/america-latina\/brasil-em-busca-do-negocio-da-biodiversidade\/","title":{"rendered":"Brasil: Em busca do neg\u00f3cio da biodiversidade"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 05\/02\/2007 &ndash; Santo de casa n\u00e3o faz milagre, diz um prov\u00e9rbio que pode ser aplicado \u00e0 biodiversidade, quase sempre mais produtiva fora do pa\u00eds de origem. Agora, o Brasil tenta subverter a regra, promovendo grandes neg\u00f3cios com suas esp\u00e9cies nativas de grande potencial econ\u00f4mico. <!--more--> O Pa\u00eds possui a maior diversidade biol\u00f3gica do mundo, mas at\u00e9 agora, conseguiu pouco proveito com essa riqueza natural. S\u00e3o ex\u00f3ticos (de origem externa) os produtos agr\u00edcolas dos quais \u00e9 principal produtor ou exportador mundial, como caf\u00e9, a\u00e7\u00facar, soja, suco de laranja e carne bovina. Poucas de suas esp\u00e9cies nativas, nem todas exclusivas do Pa\u00eds, conquistaram destaque nos mercados nacional e internacional, como o amendoim, a mandioca, o cacau e o caju.<\/p>\n<p>Algumas tiveram melhor desenvolvimento fora. \u00c9 o caso da seringueira (Hevea brasiliensis), fonte de borracha natural cujo produtivo cultivo na Mal\u00e1sia p\u00f4s fim ao ciclo de prosperidade na Amaz\u00f4nia brasileira no come\u00e7o do s\u00e9culo XX com o arranque da ind\u00fastria automobil\u00edstica. Uma nova tentativa objetiva promover economicamente parte da biodiversidade brasileira. Por iniciativa do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, grupos de pesquisadores identificaram 775 esp\u00e9cies vegetais conhecidas e, em muitos casos, j\u00e1 exploradas localmente ou em pequena escala, para fomentar sua produ\u00e7\u00e3o e coloca\u00e7\u00e3o em grandes mercados.<\/p>\n<p>Dados acumulados sobre essas \u201cplantas do futuro\u201d ser\u00e3o publicados este ano em cinco livros, cada um dedicado a uma das cinco regi\u00f5es brasileiras. Semin\u00e1rios com empres\u00e1rios tamb\u00e9m divulgar\u00e3o os potenciais desses vegetais ornamentais ou produtores de alimentos, bebidas, medicamentos, \u00f3leos e aromas variados. A pupunha (Bactris gasipaes) \u00e9 um exemplo que entusiasma L\u00eddio Coradini, um dos respons\u00e1veis pelo projeto com coordenador de Recursos Gen\u00e9ticos do minist\u00e9rio. Trata-se de uma palmeira amaz\u00f4nica, tamb\u00e9m presente na Am\u00e9rica Central e semeada em outras regi\u00f5es do Brasil para produzir palmito. Apresenta grande vantagem em produtividade, porque de seu tronco nascem novos brotos, gerando numerosos palmitos, e n\u00e3o apenas um como outras palmeiras.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, seu fruto, de aproximadamente cinco cent\u00edmetros de di\u00e2metro, \u00e9 rico em prote\u00edna e pode ser usado em v\u00e1rios tipos de alimentos, al\u00e9m de atender \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo, com um potencial que supera em muito a produtividade da palma africana e da soja, principais fontes atuais de \u00f3leos vegetais no mundo, garantiu Coradini \u00e0 IPS. Charles Clements, que participou da sele\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies nativas como especialista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa), compartilha do entusiasmo pela pupunha, mas para a elabora\u00e7\u00e3o de sucos de \u201csabor agrad\u00e1vel\u201d e, com sua fermenta\u00e7\u00e3o, de uma bebida que poderia competir com a cerveja.<\/p>\n<p>A pupunha tem potenciais variados, agora seria conveniente aproveitar o melhoramento gen\u00e9tico que j\u00e1 lhe proporcionaram os ind\u00edgenas para produzir bebidas, porque desenvolver sua voca\u00e7\u00e3o para \u00f3leo exigiria refazer \u201cum longo trabalho\u201d, disse Clements. S\u00e3o muitas as frutas amaz\u00f4nicas \u00e0 espera de empres\u00e1rios para ganhar o mercado, destacou, dando como exemplo a bacaba, outra palmeira que produz um \u201cbom suco\u201d, com \u201cmelhor sabor e t\u00e3o energ\u00e9tico\u201d quanto o a\u00e7a\u00ed, cuja popularidade na Amaz\u00f4nia se estende por todo o Brasil. A bacaba oferece a vantagem de ter um tamanho menor e frutificar rapidamente. No entanto, deve ser plantada, porque a extra\u00e7\u00e3o natural n\u00e3o seria suficiente para alimentar um neg\u00f3cio, como ocorreu com outras frutas amaz\u00f4nicas.<\/p>\n<p>A necessidade de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola desde o in\u00edcio torna mais complexo o neg\u00f3cio, pois exige mais empres\u00e1rios, reconheceu Clements. Mas em sua opini\u00e3o, o \u201cX da quest\u00e3o\u201d no processo de concretizar o potencial econ\u00f4mico de algumas esp\u00e9cies \u00e9 a falta de recursos dos institutos de pesquisa e desenvolvimento para encontrar \u201crespostas \u00e1geis\u201d \u00e0s necessidades dos que est\u00e3o dispostos a empreender neg\u00f3cios. O Minist\u00e9rio da Agricultura, por exemplo, n\u00e3o participa desse esfor\u00e7o que n\u00e3o \u00e9 apenas ambiental, lamentou Clements. Entre as 775 esp\u00e9cies selecionadas em todas as regi\u00f5es brasileiras, a maioria \u00e9 de plantas ornamentais e medicinais, em geral j\u00e1 usadas pela popula\u00e7\u00e3o, mas sem estruturas formais, empresariais. Grande parte delas est\u00e1 \u201cem acelerado processo de domestica\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Coradini.<\/p>\n<p>A iniciativa de sistematizar e divulgar informa\u00e7\u00f5es sobre as \u201cplantas do futuro\u201d responde \u00e0 necessidade de \u201cpromover um uso sustent\u00e1vel\u201d da biodiversidade nacional, al\u00e9m de \u201cconserv\u00e1-la e conhec\u00ea-la\u201d, acrescentou Coradini. \u00c9 importante para a economia e tamb\u00e9m para a seguran\u00e7a alimentar a ambiental, pois diversifica a agricultura que a humanidade reduziu a poucas esp\u00e9cies nos \u00faltimos s\u00e9culos. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de nacionalismo. Hoje, \u201cnenhum pa\u00eds sobrevive sem aporte gen\u00e9tico\u201d de outros, pois o intercambio de plantas e outros recursos gen\u00e9ticos \u00e9 indispens\u00e1vel, lembrou Coradini. Mas o Brasil, como na\u00e7\u00e3o megadiversa, \u201ctem de dar o exemplo\u201d de conservar a diversidade biol\u00f3gica, \u201cmostrar a import\u00e2ncia de suas esp\u00e9cies e agregar-lhe valor\u201d, ressaltou o especialista.<\/p>\n<p>O exemplo mais novo mencionado por Coradini, de uma esp\u00e9cie nativa melhor aproveitada como oportunidade econ\u00f4mica no exterior, \u00e9 a goiaba serrana, um fruto do sul do Brasil. Introduzida na Nova Zel\u00e2ndia, serve nesse pa\u00eds de mat\u00e9ria-prima para \u201cmais de 20 produtos, inclusive champanhe\u201d, al\u00e9m de doces, sucos e \u00f3leos. Entretanto, a goiaba serrana est\u00e1 apenas come\u00e7ando a ser vendida como fruta natural no sul do Pa\u00eds. O Brasil tem uma variedade imensa de sabores, aromas, cosm\u00e9ticos e alimentos naturais para diversificar e enriquecer sua economia. Seu aproveitamento \u201cfar\u00e1 com que a sociedade compreenda mais facilmente a import\u00e2ncia de proteger a biodiversidade\u201d, disse Coradini. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 05\/02\/2007 &ndash; Santo de casa n\u00e3o faz milagre, diz um prov\u00e9rbio que pode ser aplicado \u00e0 biodiversidade, quase sempre mais produtiva fora do pa\u00eds de origem. 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