{"id":259,"date":"2005-01-27T00:00:00","date_gmt":"2005-01-27T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=259"},"modified":"2005-01-27T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-27T00:00:00","slug":"mundo-mudar-o-futuro-o-trabalho-dos-empresrios-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/mundo-mudar-o-futuro-o-trabalho-dos-empresrios-sociais\/","title":{"rendered":"Mundo: Mudar o futuro, o trabalho dos empres&aacute;rios sociais"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, 27\/01\/2005 &ndash; O F&oacute;rum Econ&ocirc;mico Mundial (FEM) e o F&oacute;rum Social Mundial (FSM) se re&uacute;nem, respectivamente, em Davos e Porto Alegre, no momento em que predominam a sensa&ccedil;&atilde;o e o pressentimento de que for&ccedil;as profundas apenas discern&iacute;veis est&atilde;o remodelando o mundo e de que as institui&ccedil;&otilde;es nacionais e globais com as quais sempre contamos agora s&atilde;o inadequadas. Entretanto, somos otimistas, porque nos &uacute;ltimos quatro anos trabalhamos estreitamente com l&iacute;deres mundiais do empresariado social, cujo inspirado pragmatismo faz com que o pessimismo se desfa&ccedil;a. Necessitamos de empres&aacute;rios sociais como nunca antes, j&aacute; que agora &eacute; preciso repensar os modelos econ&ocirc;micos mundiais. <br \/> <!--more--> <br \/> Durante os &uacute;ltimos 20 anos, o sistema econ&ocirc;mico prim&aacute;rio global foi guiado por tr&ecirc;s processos interrelacionados: o crescimento da produ&ccedil;&atilde;o industrial e o consumo de massa, o capitalismo de mercado dentro de um contexto de regulamenta&ccedil;&otilde;es governamentais e de pautas m&iacute;nimas, e os progressos tecnol&oacute;gicos. Isso beneficiou enormemente algumas pessoas e outras um pouco menos. Contudo, dois bilh&otilde;es n&atilde;o t&ecirc;m participa&ccedil;&atilde;o nem benef&iacute;cios na ordem econ&ocirc;mica mundial atual. Tanto o FEM quanto o FSM reconheceram que a brecha entre ricos e pobres &eacute; a principal desafio que se apresenta. <\/p>\n<p> Embora n&atilde;o possamos reformular nossos sistemas institucionais da noite para o dia, estamos convencidos de que podemos faz&ecirc;-lo num prazo mais longo porque somos testemunhas do trabalho atual de empres&aacute;rios sociais que est&atilde;o criando diferentes tipos de institui&ccedil;&otilde;es, que combinam enfoques dos setores p&uacute;blico e privado para conseguir transforma&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e sociais. Nossas solu&ccedil;&otilde;es se baseiam em ajudar empres&aacute;rios sociais de sucesso para que possam adquirir peso na sociedade, pois n&atilde;o podemos esperar que os sistemas que criaram os problemas que hoje enfrentamos apare&ccedil;am com solu&ccedil;&otilde;es para esses problemas. <\/p>\n<p> Necessitamos de novas alian&ccedil;as, de um novo modo de pensar. Os governos e os organismos de ajuda j&aacute; n&atilde;o podem ser os &uacute;nicos atores na luta para enfrentar a injusti&ccedil;a e a iniq&uuml;idade. O setor privado n&atilde;o pode continuar vendo a si mesmo simplesmente no neg&oacute;cio de fazer neg&oacute;cio. E n&atilde;o se pode esperar que o setor filantr&oacute;pico por si s&oacute; acabe com a dist&acirc;ncia entre ricos e pobres. Necessitamos de uma organiza&ccedil;&atilde;o h&iacute;brida que fa&ccedil;a todas estas coisas imprescind&iacute;veis para solucionar os problemas atuais. A seguir, damos dois exemplos.<\/p>\n<p> Farouk Jiwa fundou a Honey Care e introduziu uma nova tecnologia ap&iacute;cola no Qu&ecirc;nia. A Honey Care fornece colm&eacute;ias aos apicultores e os treina no novo m&eacute;todo. Em seguida, Jiwa age como comprador do mel produzido nas comunidades. Al&eacute;m disso, a Honey Care, em sociedade com organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais, proporciona microfinanciamentos e treinamento aos apicultores. Em cinco anos, a Honey Care conseguiu 27% do mercado dom&eacute;stico de mel no Qu&ecirc;nia, pa&iacute;s que era um grande importador de mel, e estabeleceu uma rede de 2,5 mil apicultores residentes em comunidades rurais extremamente pobres e com produ&ccedil;&atilde;o de subsist&ecirc;ncia no oeste do pa&iacute;s. Como resultado dessa iniciativa, esses camponeses est&atilde;o ganhando entre US$ 200 e US$ 250 anuais, o dobro da sua renda anterior. A opera&ccedil;&atilde;o de Jiwa tem objetivos de lucro, mas, em lugar de se concentrar em gerar riqueza para acionistas, a Honey Care est&aacute; usando o mercado para conseguir uma transforma&ccedil;&atilde;o social. E est&aacute; conseguindo.<\/p>\n<p> Tamb&eacute;m temos o exemplo de Rodrigo Baggio, que teve um sonho em que viu as crian&ccedil;as mais pobres das favelas de sua cidade natal, o Rio de Janeiro, usando computadores. Hoje em dia, o Comit&ecirc; para a Democratiza&ccedil;&atilde;o da Informa&ccedil;&atilde;o (CDI), criado por Rodrigo, se estendeu para al&eacute;m do Rio de Janeiro e atua em 869 cidades em todo o Brasil e em outros dez pa&iacute;ses. Trabalhando em estreita sociedade com centros comunit&aacute;rios nas comunidades mais pobres e violentas do pa&iacute;s, bem como em pris&otilde;es, o CDI alfabetiza atrav&eacute;s do uso de computadores os que habitualmente est&atilde;o exclu&iacute;dos de seu uso e utiliza textos que servem para estimular o conhecimento dos direitos e as responsabilidades dos cidad&atilde;os. O CDI outorgou certificados de estudos em computa&ccedil;&atilde;o a mais de 80 mil alunos, 87% dos quais disseram que o que aprenderam lhes permitiu conseguir novas oportunidades de trabalho melhor remunerado e mais digno.<\/p>\n<p> Estes exemplos e muitos outros s&atilde;o extraordin&aacute;rios, pois as iniciativas foram transformadas em realidade sem um apoio financeiro substancial. A verdade &eacute; que perdemos de vista que uma pessoa pode, em pequena escala e com uma quantidade m&iacute;nima de euros ou d&oacute;lares, criar mudan&ccedil;as sociais. A trajet&oacute;ria do crescimento dos empres&aacute;rios sociais se p&otilde;e a caminho lentamente. &Agrave;s vezes, fazem falta de cinco a dez anos para que suas id&eacute;ias se convertam em solu&ccedil;&otilde;es v&aacute;veis. Nestes casos, seu enfoque deve ser continuamente modificado para responder aos obst&aacute;culos imprevistos ou &agrave;s novas din&acirc;micas que se apresentam pelo caminho. Os empres&aacute;rios sociais enfrentam desafios a cada passo de sua marcha porque est&atilde;o mudando os caminhos estabelecidos de fazer as coisas. Eles v&ecirc;em oportunidades que outros n&atilde;o apreciam, porque a maioria de n&oacute;s, sejamos governos, empresas ou ongs, n&atilde;o vemos al&eacute;m das vias estabelecidas.<\/p>\n<p> Entretanto, h&aacute; solu&ccedil;&otilde;es inovadoras para problemas sociais complexos que est&atilde;o a&iacute;, diante de nossos narizes. Mas, freq&uuml;entemente, olhamos para o lado errado. Os empres&aacute;rios sociais, trabalhando junto com s&oacute;cios de mente aberta e autocr&iacute;ticos, sejam eles governos, empresas, filantropos ou ongs, podem mudar o mundo muito mais efetivamente do que trabalhando sozinhos, como fazem at&eacute; agora. Embora possa parecer aventurado aproveitar a oportunidade aberta pelo aparente caos e confus&atilde;o atuais para investir em solu&ccedil;&otilde;es inovadoras, na realidade &eacute; perigoso aferrar-se ao passado e a inflex&iacute;veis, nada imaginativas e burocr&aacute;ticas estruturas e pr&aacute;ticas. O futuro pertence a organiza&ccedil;&otilde;ies e indiv&iacute;duos empreendedores, dispostos a desafiar a autal &quot;sabedoria&quot; e a reinventar o futuro. Tenhamos isto em mente em Davos e em Porto Alegre.<\/p>\n<p> (*) Klaus Schwab &eacute; fundador e presidente do F&oacute;rum Econ&ocirc;mico Mundial e Pamela Hartigan &eacute; diretora-executiva da Funda&ccedil;&atilde;o Schwab para o Empresariado Social<\/p>\n<p> Esta coluna &eacute; parte da s&eacute;rie sobre Globaliza&ccedil;&atilde;o e Direitos Humanos, um esfor&ccedil;o conjunto entre a Dignity International (www.dignityinternational.org) e o Servi&ccedil;o de Colunistas da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, 27\/01\/2005 &ndash; O F&oacute;rum Econ&ocirc;mico Mundial (FEM) e o F&oacute;rum Social Mundial (FSM) se re&uacute;nem, respectivamente, em Davos e Porto Alegre, no momento em que predominam a sensa&ccedil;&atilde;o e o pressentimento de que for&ccedil;as profundas apenas discern&iacute;veis est&atilde;o remodelando o mundo e de que as institui&ccedil;&otilde;es nacionais e globais com as quais sempre contamos agora s&atilde;o inadequadas. 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