{"id":2598,"date":"2007-02-14T16:51:37","date_gmt":"2007-02-14T16:51:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2598"},"modified":"2007-02-14T16:51:37","modified_gmt":"2007-02-14T16:51:37","slug":"eua-darfur-agora-nao-e-genocidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/02\/africa\/eua-darfur-agora-nao-e-genocidio\/","title":{"rendered":"EUA-Darfur: Agora n\u00e3o \u00e9 genoc\u00eddio"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 14\/02\/2007 &ndash; Ativistas expressaram frustra\u00e7\u00e3o pela falta de a\u00e7\u00e3o do governo do presidente George W. Bush diante da grave crise humanit\u00e1ria na regi\u00e3o sudanesa de Darfur. <!--more--> O mal-estar agravou-se quando o enviado especial dos Estados Unidos ao Sud\u00e3o, Andrew Natsios, disse na semana passada, na Universidade de Georgetown, que as a\u00e7\u00f5es do governo sudan\u00eas em Darfur j\u00e1 n\u00e3o podem ser consideradas um genoc\u00eddio, como havia definido o pr\u00f3prio Bush. \u201cO termo genoc\u00eddio \u00e9 contr\u00e1rio ao que est\u00e1 ocorrendo agora\u201d, afirmou Natsios, embora expressando desilus\u00e3o pelo fato de o presidente da China, Hu Jintao, n\u00e3o ter pressionado mais seu colega sudan\u00eas, Omar Al Bashir, para que aceite o envio de uma for\u00e7a internacional de paz em Darfur, durante sua \u00faltima visita a Cartum, na semana passada.<\/p>\n<p>\u201cA afirma\u00e7\u00e3o de Natsios, de que em Darfur j\u00e1 n\u00e3o ocorre um genoc\u00eddio, nega a realidade dos fatos e as numerosas declara\u00e7\u00f5es da Casa Branca e do Departamento de Estado dos \u00faltimos dois anos\u201d, disse o diretor-executivo da organiza\u00e7\u00e3o Africa Action, Nii Akuetteh. \u201c\u00c9, mais do que nada, uma mudan\u00e7a sem\u00e2ntica. As afirma\u00e7\u00f5es de Natsios representam uma tentativa calculada de redefinir a crise, minimizar sua urg\u00eancia e tornar \u00f3bvia a necessidade de uma a\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rios do Departamento de Estado disseram \u00e0 IPS na segunda-feira que a pol\u00edtica norte-americana sobre Darfur n\u00e3o mudou. Mas as declara\u00e7\u00f5es do enviado especial norte-americano causaram frustra\u00e7\u00e3o entre os ativistas. Estes lamentaram principalmente que o governo Bush n\u00e3o tenha adotado medidas severas e aplicado o Plano B que prometeu no ano passado, com san\u00e7\u00f5es internacionais, caso Cartum n\u00e3o permitisse o envio de uma for\u00e7a de paz. \u201cCreio que as pessoas se sentem muito frustradas\u201d, disse o ativista Eric Reeves, do Smith College, de Massachusetts.<\/p>\n<p>\u201cO fato \u00e9 que a comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, simplesmente nega-se a fazer o necess\u00e1rio para obrigar Cartum a aceitar uma for\u00e7a de paz autorizada pelo Conselho de Seguran\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas\u201d, acrescentou Reeves. O ativista afirmou que, mesmo se o Plano B de Washington fosse aplicado, n\u00e3o causaria mais do que \u201cinconvenientes de curto ou m\u00e9dio prazo\u201d para o regime do Sud\u00e3o. O Conselho de Seguran\u00e7a aprovou uma resolu\u00e7\u00e3o no dia 31 de agosto que autoriza uma opera\u00e7\u00e3o de paz da ONU com mais de 22.500 soldados e policiais em Darfur, zona com \u00e1rea semelhante \u00e0 da Fran\u00e7a e onde morreram entre 200 mil e 500 mil pessoas nos \u00faltimos quase quatro anos, em sua maioria membros de tr\u00eas grupos ind\u00edgenas africanos.<\/p>\n<p>A maior parte da viol\u00eancia foi cometida por for\u00e7as do governo ou pelas mil\u00edcias \u00e1rabes janjaweed, apoiadas por Cartum, embora no \u00faltimo ano uma coaliz\u00e3o rebelde armada em parte pelos vizinhos Chade e Eritr\u00e9ia tenham ficado mais agressivas, particularmente no norte de Darfur. Desde o final de 2004, a Uni\u00e3o Africana tem em Darfur uma pequena for\u00e7a de paz enviada para supervisionar um cessar-fogo que rapidamente foi violado. Este contingente, escassamente armado e com menos de sete mil soldados, nunca conseguiu conter a viol\u00eancia na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a interrup\u00e7\u00e3o no \u00faltimo ver\u00e3o de um acordo de paz patrocinado pelos Estados Unidos e pela ONU entre o governo sudan\u00eas e uma fac\u00e7\u00e3o rebelde, a administra\u00e7\u00e3o Bush e outras na\u00e7\u00f5es ocidentais propuseram uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a para criar uma for\u00e7a \u201ch\u00edbrida\u201d entre a Uni\u00e3o Africana e as Na\u00e7\u00f5es Unidas com mais de 21.500 soldados e um mandato mais forte para proteger a popula\u00e7\u00e3o civil. Enquanto as miss\u00f5es de alto n\u00edvel da ONU e de v\u00e1rios governos ocidentais obtiveram promessas de coopera\u00e7\u00e3o por parte de Bashir e outros funcion\u00e1rios sudaneses, Cartum at\u00e9 agora se nega a autorizar o envio de uma nova for\u00e7a, mesmo com as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a em Darfur continuarem se deteriorando e a viol\u00eancia ter se estendido ao Chade, onde h\u00e1 mais de 200 mil sudaneses refugiados.<\/p>\n<p>No final de novembro, Natsios, ex-chefe da Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) e designado para o cargo de enviado especial para Darfur pela press\u00e3o de grupos ativistas, anunciou que Washington estava pronto para impor san\u00e7\u00f5es adicionais como parte de um n\u00e3o especificado Plano B se Cartum n\u00e3o aceitasse o envio de uma for\u00e7a de paz no dia 1\u00ba de janeiro \u00faltimo. \u201cO dia 1\u00ba passou, ou vemos uma mudan\u00e7a ou vamos ao Plano B\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O governo Bush nunca disse oficialmente quais eram as medidas previstas nesse plano, embora, em dezembro o primeiro-ministro brit\u00e2nico, Tony Blair, cujo governo trabalhou estreitamente com Washington na quest\u00e3o referente a Darfur, tenha dado a entender que poderia incluir a cria\u00e7\u00e3o de zonas de exclus\u00e3o a\u00e9rea em diferentes partes de Darfur para impedir que avi\u00f5es atacassem povoados, bem como san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas multilaterais. O dia 1\u00ba de janeiro passou sem nenhum an\u00fancio oficial. Entretanto, funcion\u00e1rios norte-americanos revelaram que foi implementada uma parte do Plano B, como o envio no m\u00eas passado de quatro coron\u00e9is do Ex\u00e9rcito com suas tropas para a fronteira com o Chade, em sinal de discord\u00e2ncia com as incurs\u00f5es da Janjaweed a esse pa\u00eds vizinho.<\/p>\n<p>O jornal The Washington Post revelou na semana passada que Bush havia aprovado outra parte do plano. Se Cartum continuar contra \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a, o Departamento do Tesouro poder\u00e1 bloquear as transfer\u00eancias por meio de bancos comerciais norte-americanos dos pagamentos por petr\u00f3leo ao governo do Sud\u00e3o, disse o jornal. Washington j\u00e1 aplicou san\u00e7\u00f5es semelhantes com algum sucesso contra bancos de terceiros pa\u00edses que faziam neg\u00f3cios com a Cor\u00e9ia do Norte e o Ir\u00e3. Entretanto, agora que passou o ultimato do dia 1\u00ba de janeiro, n\u00e3o est\u00e1 claro se estas ou outras san\u00e7\u00f5es ser\u00e3o efetivamente aplicadas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 14\/02\/2007 &ndash; Ativistas expressaram frustra\u00e7\u00e3o pela falta de a\u00e7\u00e3o do governo do presidente George W. 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