{"id":2600,"date":"2007-02-14T16:56:55","date_gmt":"2007-02-14T16:56:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2600"},"modified":"2007-02-14T16:56:55","modified_gmt":"2007-02-14T16:56:55","slug":"saude-oceanos-a-ultima-fronteira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/02\/saude\/saude-oceanos-a-ultima-fronteira\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade: Oceanos, a \u00faltima fronteira"},"content":{"rendered":"<p>San Diego, EUA, 14\/02\/2007 &ndash; Os oceanos podem ser a chave da luta contra as doen\u00e7as infecciosas, e inclusive contra o c\u00e2ncer. <!--more--> Cientistas do Instituto Scripps de Oceanografia, na Universidade da Calif\u00f3rnia, buscam a receita nos abismos. Desde seu escrit\u00f3rio com vista para o oceano Pac\u00edfico, William Fenical, diretor do Centro Scripps de Biotecnologia Marinha, dirige investiga\u00e7\u00f5es capazes de descobrir mais tr\u00eas microorganismos em uma colher de ch\u00e1 cheia de \u00e1gua colhida em \u00e1rvores em uma floresta. Fenical acredita que o trabalho de sua equipe pode salvar milh\u00f5es de vidas.<\/p>\n<p>A maioria das pessoas n\u00e3o consegue em associar avan\u00e7os na medicina com os carac\u00f3is venenosos dos quais se extrai anest\u00e9sicos ou de espinhosos caranguejos de ferradura de onde vem a insulina. Mas durante milhares de anos, a medicina convencional reconhece o poder de cura de subst\u00e2ncias que aparecem nos ambientes naturais. A descoberta da penicilina no mofo pelo bacteriologista escoc\u00eas Alexander Fleming, em 1928, abriu uma revolu\u00e7\u00e3o na medicina, com o desenvolvimento dos modernos antibi\u00f3ticos, que salvara centenas de milh\u00f5es de vidas. A metade dos novos medicamentos n\u00e3o \u00e9 desenvolvida de maneira sint\u00e9tica nos laborat\u00f3rios, mas \u00e9 derivada de compostos qu\u00edmicos descobertos na natureza.<\/p>\n<p>Hoje existem no mercado cerca de 120 rem\u00e9dios criados dessa maneira. E \u00e9 nesse plano que surge o problema: durante d\u00e9cadas, os cientistas estudaram uma estreita faixa de vida terrestre, mas deixaram de lado tr\u00eas quartos da superf\u00edcie do planeta Terra, cobertos de \u00e1gua. A a\u00e7\u00e3o humana ocasiona perda de habitat oce\u00e2nicos e tamb\u00e9m a perda de oportunidades de descobrir novos medicamentos. Cientistas da Scripps agora recorrerem ao mar em busca de compostos. \u201cO oceano representa uma importante fronteira para a pesquisa biom\u00e9dica. A grande quantidade de organismos geneticamente diversos encontrados no mar propiciam um potencial quase ilimitado para a descoberta de novos rem\u00e9dios\u201d, disse Fenical \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Das 37 variedades de formas de vida, apenas 17 aparecem na terra. \u00c9 no oceano onde existe a maior biodiversidade. Calcula-se que cerca de 10 milh\u00f5es de organismos \u00fanicos \u2013 animais, plantas e bact\u00e9rias \u2013 vivem no mar, e pode haver, inclusive, mil esp\u00e9cies vegetais e animais ocupando quase um metro c\u00fabico de \u00e1gua. Nos \u00faltimos 20 anos, aproximadamente 12 mil novos compostos foram isolados de organismos marinhos para uma variedade de aplica\u00e7\u00f5es comerciais, desde pigmentos at\u00e9 cosm\u00e9ticos.<\/p>\n<p>A diversidade dos compostos bioativos encontrados nos oceanos se deve, em parte, \u00e0s elaboradas defesas e \u00e0 extrema competi\u00e7\u00e3o que se produzem entre os organismos pelo espa\u00e7o e os recursos. Em anos recentes, Fenical e sua equipe de cientistas exploraram o solo oce\u00e2nico em busca de compostos bioativos em \u00e1guas territoriais norte-americanas e e investigaram recurso naturais que at\u00e9 agora ningu\u00e9m reclamou. Equipados com uma esp\u00e9cie de colheres gigantes extraem do fundo do oceano lodo rico em nutrientes para identificar organismos microsc\u00f3picos que contenham compostos qu\u00edmicos sobre os quais se possa basear a pesquisa em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Dez anos de pesquisas come\u00e7am a dar resultados. Ap\u00f3s acumular um escondido tesouro de micr\u00f3bios, os cientistas do Stripps identificaram dois compostos contra o c\u00e2ncer que est\u00e3o em v\u00e1rias fases de experi\u00eancias clinicas. Desde 2006, 30 molculas semelhantes derivadas de fontes marinhas est\u00e3o em desenvolvimento clinico. At\u00e9 agora, estas descobertas n\u00e3o dispararam uma febre do ouro liquido. Encontrar tratamento para uma doen\u00e7a entre milh\u00f5es de organismos equivale a extrair uma pepita de ouro de uma montanha de escombros. Milhares de horas de trabalho de laborat\u00f3rio poderiam propiciar um composto qu\u00edmico com propriedades medicinais.<\/p>\n<p>Colocados em pratos de Petri (pequenos pratos esterilizados usados para analisar as amostras), os esp\u00e9cimes s\u00e3o misturados com quantidades diminutas de agentes biol\u00f3gicos causadores de doen\u00e7as. A rea\u00e7\u00e3o \u00e9 controlada e analisada, e os resultados tabulados por cientistas. O sistema rapidamente elimina falhas, o que permite aos pesquisadores concentrar sua aten\u00e7\u00e3o em compostos quimicamente ativos, com uma interven\u00e7\u00e3o humana m\u00ednima. Est\u00e1 vers\u00e3o farmacol\u00f3gica do movimento de \u201cregresso \u00e0 natureza\u201d indica uma mudan\u00e7a de enfoque em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s correntes cient\u00edficas predominantes.<\/p>\n<p>Nos anos 80, muitos pesquisadores pensavam que a principal usina de novos rem\u00e9dios seriam os laborat\u00f3rios biotecnol\u00f3gicos e de engenharia molecular. Mas at\u00e9 hoje os esfor\u00e7os para criar ou sintetizar geneticamente \u201cmedicamentos-maravilha\u201d n\u00e3o tiveram os resultados previstos. \u201cAs companhias que fabricam medicamentos abandonaram a tentativa de fazer novas descobertas para desenvolver rem\u00e9dios\u201d, afirmou Fenical. Este cientista busca micr\u00f3bios em \u00e1guas territoriais dos Estados Unidos. Por outro lado, outros pesquisadores do Norte rico procuram explorar os recursos naturais de pa\u00edses em desenvolvimento, sem que estas na\u00e7\u00f5es recebam algum benef\u00edcio econ\u00f4mico significativo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, existe um debate legal sobre a extra\u00e7\u00e3o de organismos do leito do mar em regi\u00f5es fora de jurisdi\u00e7\u00f5es nacionais. Numerosos cientistas e ativistas consideram que o material gen\u00e9tico das profundezas do mar deveria ser considerado \u201cpatrim\u00f4nio comum da humanidade\u201d e, portanto, estar sujeito a um programa de ganhos compartilhados. Essa \u00e9, por exemplo, a postura da Uni\u00e3o Mundial para a Natureza (UICN), organiza\u00e7\u00e3o que re\u00fane as atividades de 111 ag\u00eancias governamentais, mais de 800 organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais e cerca de 10 mil cientistas e especialistas de 181 pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cGostar\u00edamos de chegar a uma solu\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica que incentivasse a pesquisa e a inova\u00e7\u00e3o, mas reconhecemos que devem reger os princ\u00edpios eq\u00fcitativos. Dever\u00e1 haver alguma forma de compartilhar os ganhos\u201d, disse Kristina Gjerde, especialista em pol\u00edticas de alto mar da UICN. Fenical rebate o argumento de que Scripps se beneficia diretamente de sua pesquisa farmacol\u00f3gica. \u201cGanho US$ 90 mil por ano\u201d, disse o cientista. Trata-se de um sal\u00e1rio reduzido para profissionais dos Estados Unidos. Seu centro de estudos \u00e9 t\u00e3o austero que \u00e9 preciso resgatar pe\u00e7as de computador do lixo para manter o equipamento em condi\u00e7\u00f5es de uso, afirmou.<\/p>\n<p>O Instituto Scripps foi fundado em 1902 como um laborat\u00f3rio independente de pesquisas biol\u00f3gicas, e integrou-se \u00e0 Universidade da Calif\u00f3rnia em1912. desenvolve 200 programas de pesquisa com 1.600 pessoas, e desde sua cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o cresceu muito de tamanho. Sem considerar que se beneficia, Fenical acredita que existe um vasto potencial m\u00e9dico para os micr\u00f3bios marinhos e avista novas oportunidades para a explora\u00e7\u00e3o da diversidade da vida marinha mediante a an\u00e1lise de seq\u00fc\u00eancias de ADN (\u00e1cido desoxirribonucl\u00e9ico). Essas pesquisas poderiam levar, assegurou, a novos rem\u00e9dios contra o c\u00e2ncer. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>San Diego, EUA, 14\/02\/2007 &ndash; Os oceanos podem ser a chave da luta contra as doen\u00e7as infecciosas, e inclusive contra o c\u00e2ncer. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/02\/saude\/saude-oceanos-a-ultima-fronteira\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":67,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[14],"class_list":["post-2600","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-saude","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2600","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/67"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2600"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2600\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2600"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}