{"id":2604,"date":"2007-02-15T14:00:03","date_gmt":"2007-02-15T14:00:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2604"},"modified":"2007-02-15T14:00:03","modified_gmt":"2007-02-15T14:00:03","slug":"argentina-moradores-na-justica-contra-mineradora-meridian-gold","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/02\/america-latina\/argentina-moradores-na-justica-contra-mineradora-meridian-gold\/","title":{"rendered":"Argentina: Moradores na Justi\u00e7a contra mineradora Meridian Gold"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 15\/02\/2007 &ndash; Moradores da cidade de Esquel, no sul da Argentina, que h\u00e1 cinco anos recha\u00e7am a explora\u00e7\u00e3o de ouro a c\u00e9u aberto est\u00e3o sendo questionados pela companhia respons\u00e1vel pelo projeto porque divulgaram sua estrat\u00e9gia para manipular a vontade da comunidade. <!--more--> \u201cO que querem \u00e9 nos perseguir, hostilizar e desestimular nossa resist\u00eancia, mas vamos continuar\u201d, disse \u00e0 IPS Gustavo Macayo, um dos seis moradores de Esquel, na austral prov\u00edncia de Chubut, processoados pela companhia de minera\u00e7\u00e3o El Desquite, subsidiaria na Argentina da empresa de capital canadense Meridian Gold, que tem sede nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A queixa foi apresentada h\u00e1 dois anos nos tribunais de Buenos Aires, que na ter\u00e7a-feira passada citaram as partes para uma falida audi\u00eancia de reconcilia\u00e7\u00e3o. \u201cJ\u00e1 que a concilia\u00e7\u00e3o fracassou, hoje apresentamos ao juiz um pedido para que convoque uma audi\u00eancia de julgamento. Veremos o que responder\u00e1\u201d, disse na quarta-feira \u00e0 IPS o advogado da empresa, Miguel Sarrabayrousse. \u201cO juiz manifestou simpatia pela causa ambiental, assim, n\u00e3o sabemos se convocar\u00e1 o julgamento ou insistir\u00e1 em que n\u00e3o houve delito\u201d, como havia expressado em uma inst\u00e2ncia anterior, disse. \u201cTer acesso de maneira ileg\u00edtima \u00e0 informa\u00e7\u00e3o ou a documentos privados viola a lei de confidencialidade\u201d, alegou Sarrabayrouse.<\/p>\n<p>A audi\u00eancia n\u00e3o teve muito sentido, acrescentou o advogado. \u201cO pr\u00e9-julgamento j\u00e1 est\u00e1 feito, n\u00e3o vejo possibilidade de conciliar nada, o juiz falou insolitamente de evitar o lit\u00edgio, evitar um conflito no qual todos perdem, mas, para mim, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de concilia\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou. Macayo, advogado e \u00fanico morador presente na audi\u00eancia, considerou que \u201ca inst\u00e2ncia foi boa, em geral, porque nos permitiu mostrar nossa posi\u00e7\u00e3o e que um juiz nos ouvisse\u201d. A concess\u00e3o do projeto de explora\u00e7\u00e3o de ouro foi concedida pelo governo de Chubut a El Desquite em 2002. O min\u00e9rio seria extra\u00eddo a c\u00e9u aberto a apenas seis quil\u00f4metros de Esquel, de 40 mil habitantes, e utilizando cianureto para desprender o metal da rocha.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, a comunidade criou a Assembl\u00e9ia de Moradores Autoconvocados de Esquel, que organizou marchas na cidade, conseguindo que a prefeitura convocasse uma consulta popular n\u00e3o vinculante no dia 23 de mar\u00e7o de 2003, em que 81% dos votantes disseram \u201cn\u00e3o\u201d \u00e0 mina. As obras foram suspensa, mas a empresa nunca abandonou o projeto. Em 2006, a justi\u00e7a aceitou um recurso de amparo interposto por uma moradora, o que impediu a empresa de continuar com as obras at\u00e9 fazer o correspondente estudo de impacto ambiental e posterior audi\u00eancia p\u00fablica. Por\u00e9m, a concess\u00e3o n\u00e3o foi revogada, e El Desquite mant\u00e9m seus dep\u00f3sitos e escrit\u00f3rios em Esquel. Al\u00e9m disso, o lit\u00edgio indica que persistir\u00e1 em seu empenho.<\/p>\n<p>Em 2005, os moradores organizados de Esquel divulgaram em uma entrevista coletiva nessa cidade grava\u00e7\u00f5es que reproduziam o que fora dito em uma reuni\u00e3o de executivos e assessores de El Desquite, realizada em Buenos Aires seis meses depois da consulta popular, em setembro de 2003. Nesse encontro a portas fechadas em um hotel no centro da capital argentina, representantes da empresa e assessores em comunica\u00e7\u00e3o contratados discutiam uma estrat\u00e9gia para reverter a opini\u00e3o p\u00fablica favor\u00e1vel \u00e0 mina atrav\u00e9s da coopta\u00e7\u00e3o de moradores \u201crespeitados\u201d que seriam contratados como \u201cabre alas\u201d diante dos mais duros.<\/p>\n<p>Ali foi avaliada a concess\u00e3o de \u201cbenef\u00edcios sociais\u201d aos moradores e a realiza\u00e7\u00e3o de reuni\u00f5es, entrevistas e informes destinados a dirigentes pol\u00edticos nacionais e locais dos quais se desejasse seu apoio p\u00fablico ao projeto. Para ganhar os moradores, os assessores de El Desquite sugeriram envolver organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais \u201cde prestigio\u201d, como Funda\u00e7\u00e3o Vida Silvestre, Poder Cidad\u00e3o e Funda\u00e7\u00e3o Ambiente e Recursos Naturais (FARN) para \u201ccontrabalan\u00e7ar\u201d o discurso de outras entidades contr\u00e1rias, \u201ccomo o Greenpeace\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSeria importante para o desenvolvimento de nossa estrat\u00e9gia contrata-las para certas atividades\u2019, prop\u00f4s um assessor que julgou conveniente contatar a FARN, dirigida por \u201cum homem de prestigio como o constitucionalista Daniel Sabsay\u201d, segundo o registro da reuni\u00e3o divulgado pelos moradores e n\u00e3o desmentido atrav\u00e9s da imprensa. \u201cNunca fui contatado\u201d, disse Sabsay \u00e0 IPS, lembrando que a FARN \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 mina. \u201cEstive em Esquel e fui muito cr\u00edtico ao apontar a inexist\u00eancia de estudos de impacto ambiental, o manejo secreto da informa\u00e7\u00e3o e as t\u00e9cnicas tremendamente destrutivas que utilizariam\u201d, afirmou. Em 2005, a FARN apresentou-se como \u201camicus curiae\u201d (amigo do tribunal) no processo iniciado para deter o projeto.<\/p>\n<p>Esta figura se refere a terceiros, de fora de um lit\u00edgio, que oferecem sua colabora\u00e7\u00e3o na resolu\u00e7\u00e3o de um caso. Nessa interven\u00e7\u00e3o a organiza\u00e7\u00e3o alertou que o projeto n\u00e3o cumpria normas vigentes sobre estudo de impacto ambiental e mecanismos de participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil. Sabsay justificou a divulga\u00e7\u00e3o da grava\u00e7\u00e3o pelos moradores. \u201cDefendem-se como podem de uma estrat\u00e9gia de compra de vontades\u201d, afirmou. \u201cA comunidade de Esquel agiu de forma determinante em rela\u00e7\u00e3o a este tema e, apesar de todas as amea\u00e7as e de demonstrar que est\u00e1 coesa, me parece muito pouco feliz que a empresa continue nesta estrat\u00e9gia de enfrentamento\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o gravada, os assessores aconselharam a contrata\u00e7\u00e3o da empresa Catterberg e Associados, que faz pesquisas pr\u00e9-eleitorais, para saber a opini\u00e3o de Esquel sobre a mina. \u201cNa pesquisa buscaremos onde est\u00e1 o racha entre aquele que se interessa pela ecologia embora morra de fome e aquele que se importa com o dinheiro e o beneficio econ\u00f4mico e n\u00e3o tanto pela quest\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d, dizia um dos encarregados de apresentar a estrat\u00e9gia \u00e0 empresa. Ent\u00e3o, outro dos presentes perguntou se o governador de Chubut (na \u00e9poca, Carlos Maestro) n\u00e3o deveria estar prevenido de que a pesquisa simularia ser uma consulta encomendada por sua administra\u00e7\u00e3o, mas, paga pela mineradora. A resposta foi que a empresa de pesquisa n\u00e3o objetava colocar Maestro a par do assunto.<\/p>\n<p>\u201cMinha preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que seja divulgada a informa\u00e7\u00e3o de que vamos tentar enganar a comunidade\u201d, afirmou, premonit\u00f3rio, um dos executivos. Em sua apresenta\u00e7\u00e3o, os advogados de El Desquite reconheceram a exist\u00eancia desse encontro. \u201cOs fatos denunciados fazem parte de uma \u00f3bvia e agressiva campanha para prejudicar o prestigio e os interesses da empresa\u201d, alegaram. Depois do fracasso da consulta popular, a companhia decidiu \u201cmelhorar sua pol\u00edtica de comunica\u00e7\u00e3o\u201d atrav\u00e9s de consultoras que a ajudaram lidar com a \u201cfalta de informa\u00e7\u00e3o\u201d em Esquel e com a \u201cinforma\u00e7\u00e3o maliciosamente distorcida\u201d, argumentaram.<\/p>\n<p>Silvia Perez, moradora em Esquel, disse \u00e0 IPS por telefone que a grava\u00e7\u00e3o foi enviada desde Buenos Aires, mas, n\u00e3o revelou a fonte. \u201cN\u00e3o roubamos nenhuma informa\u00e7\u00e3o nem violamos nenhum segredo, apenas recebemos esses \u00e1udios e os divulgamos, porque falam de n\u00f3s\u201d, afirmou. O advogado de El Desquite admite que a grava\u00e7\u00e3o pode ter sido entregue aos moradores por algu\u00e9m da companhia que gravou a reuni\u00e3o, mas, considera que ao divulgarem seu conte\u00fado participaram do crime.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 4, mais de 400 pessoas fizeram a mobiliza\u00e7\u00e3o de n\u00famero 61 contra o projeto, disse P\u00e9rez. A estrat\u00e9gia de contra-atacar mobiliza\u00e7\u00f5es sociais nos tribunais \u201c\u00e9 uma nova forma de desestimular o protesto e os que se mobilizam\u201d, disse \u00e0 IPS a soci\u00f3loga Maristella Svampa, estudiosa destes fen\u00f4menos. \u201cLevar a julgamento quem protesta \u00e9 uma pr\u00e1tica que come\u00e7ou com o Estado e agora tamb\u00e9m \u00e9 um recurso das multinacionais\u201d, acrescentou. Na segunda-feira, uma empresa da capitais nacionais e estrangeiros, a construtora Koad, iniciou um processo por danos e preju\u00edzos contra dois moradores de um bairro de Buenos Aires que lideram uma organiza\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria a uma planejada constru\u00e7\u00e3o sem o correspondente estudo de impacto ambiental.(IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 15\/02\/2007 &ndash; Moradores da cidade de Esquel, no sul da Argentina, que h\u00e1 cinco anos recha\u00e7am a explora\u00e7\u00e3o de ouro a c\u00e9u aberto est\u00e3o sendo questionados pela companhia respons\u00e1vel pelo projeto porque divulgaram sua estrat\u00e9gia para manipular a vontade da comunidade. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/02\/america-latina\/argentina-moradores-na-justica-contra-mineradora-meridian-gold\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,5],"tags":[],"class_list":["post-2604","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2604","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2604"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2604\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2604"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2604"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2604"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}