{"id":2643,"date":"2007-03-02T16:33:12","date_gmt":"2007-03-02T16:33:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2643"},"modified":"2007-03-02T16:33:12","modified_gmt":"2007-03-02T16:33:12","slug":"energia-uma-opep-do-biocombustivel-na-america","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/03\/america-latina\/energia-uma-opep-do-biocombustivel-na-america\/","title":{"rendered":"Energia: Uma Opep do biocombust\u00edvel na Am\u00e9rica?"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, 02\/03\/2007 &ndash; A viagem do presidente George W. Bush pela Am\u00e9rica Latina em mar\u00e7o pretende impulsionar uma alian\u00e7a estrat\u00e9gica com o Brasil para desenvolver biocombust\u00edveis, o que fez levantar a guarda do principal exportador de petr\u00f3leo da regi\u00e3o, a Venezuela. <!--more--> Bush visitar\u00e1, entre 8 e 14 deste m\u00eas, Brasil, Uruguai, Col\u00f4mbia, Guatemala e M\u00e9xico, e seu encontro com o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva ser\u00e1 \u201cuma enorme oportunidade\u201d para incentivar a produ\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio de etanol, ou \u00e1lcool combust\u00edvel, segundo Gregory Manuel, conselheiro especial para assuntos energ\u00e9ticos do Departamento de Estado norte-americano.             O jornal O Estado de S. Paulo, adiantou que os dois presidentes defender\u00e3o \u201cuma esp\u00e9cie de Opep do etanol\u201d, isto \u00e9, \u201cum mercado hemisf\u00e9rico que garanta o fornecimento de biocombust\u00edveis, com produ\u00e7\u00e3o diversificada por toda a regi\u00e3o\u201d. O Brasil \u00e9 o maior produtor mundial de etanol obtido da cana-de-a\u00e7\u00facar e tamb\u00e9m desenvolveu a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel a partir de oleaginosas para misturar, ou substituir, ao combust\u00edvel f\u00f3ssil dos motores a diesel.<\/p>\n<p>\u201cUma Opep do etanol \u00e9 imposs\u00edvel, porque esse combust\u00edvel nunca poder\u00e1 ser substituto do petr\u00f3leo\u201d, disse \u00e0 IPS o especialista venezuelano Alfredo Michelena. \u201cMas, por outro lado, pode substituir uma pequena porcentagem do consumo norte-americano de combust\u00edvel, equivalente ao fornecimento de petr\u00f3leo que recebe da Venezuela\u201d, acrescentou. A Opep (Organiza\u00e7\u00e3o de Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo), integrada por Angola, Ar\u00e1bia Saudita, Arg\u00e9lia, Emirados \u00c1rabes Unidos, Indon\u00e9sia, Ir\u00e3, Iraque, Kuwait, L\u00edbia, Nig\u00e9ria, Qatar e Venezuela, produz cerca de 40% dos 85 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios de \u00f3leo que o mundo consome e s\u00e3o seus quase dois em cada tr\u00eas barris (de 159 litros) comercializados internacionalmente.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos devoram um em cada quatro barris de petr\u00f3leo produzido no mundo, e um em cada dois de gasolina. Seus principais fornecedores externos s\u00e3o Canad\u00e1, M\u00e9xico, Ar\u00e1bia Saudita e Venezuela, que lhe vendem diariamente 1,4 milh\u00e3o de barris, cerca de 6% do consumo total norte-americano. Essa demanda aumenta como auge da economia norte-americana \u2013 que cresceu 3,3% em 2006, segundo o Departamento de Com\u00e9rcio -, levando Washington, \u201cjunto com ponderar os riscos associados \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Oriente M\u00e9dio, a ter uma clara inten\u00e7\u00e3o de reduzir sua depend\u00eancia do petr\u00f3leo venezuelano\u201d, disse Michelena.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas anos, Washington e Caracas mant\u00eam um duro confronto pol\u00edtico e diplom\u00e1tico, a ponto de o Comando Sul (uma das sete divis\u00f5es territoriais das for\u00e7as armadas dos EUA no planeta, cuja \u00e1rea inclui a Am\u00e9rica Latina e o Caribe) considerar a Venezuela \u201camea\u00e7a hemisf\u00e9rica\u201d por seu \u201cpopulismo radical\u201d. Mas, apesar disso, o fluxo de petr\u00f3leo se mant\u00e9m sem interrup\u00e7\u00e3o. A Venezuela, cujo \u201csal\u00e1rio nacional\u201d depende de suas exporta\u00e7\u00f5es de 2,5 milh\u00f5es de barris por dia, busca, por sua vez, outros mercados, como os da China e \u00cdndia e os vizinhos latino-americanos e caribenhos desprovidos de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Os volumes que a Venezuela exporta os Estados Unidos podem substitu\u00ed-los com maior uso de biocombust\u00edveis e a entrada do petr\u00f3leo do Alasca, segundo Michelena, e por isso procura conquistar o Brasil, \u201cque n\u00e3o tem um pacto petrol\u00edfero com Caracas, embora ambos sejam s\u00f3cios no Mercosul\u201d, recordou a especialista. A seu ver, os norte-americanos \u201cvendem a id\u00e9ia de que os pa\u00edses latino-americanos poderiam incorporar-se \u00e0 produ\u00e7\u00e3o desse produto para abastecer o Norte, com a vantagem de que chegar\u00e3o investimentos e tecnologia para impulsionar a agricultura e milh\u00f5es de pessoas poder\u00e3o sair da pobreza\u201d.<\/p>\n<p>O auge dos biocombust\u00edveis obedece aos principais problemas que atingem o petr\u00f3leo: seu elevado pre\u00e7o, sua responsabilidade no aquecimento global e seu car\u00e1ter de fonte de energia n\u00e3o-renov\u00e1vel. \u201cO que Washington pretende \u00e9 imposs\u00edvel\u201d, afirmou em uma de suas falas pelo r\u00e1dio e pela televis\u00e3o o presidente venezuelano, Hugo Ch\u00e1vez. \u201cPara sustentar com etanol seu estilo de vida, onde 70 em cada 100 pessoas t\u00eam carro, seria preciso plantar com milho cinco ou seis vezes a superf\u00edcie da Terra\u201d, afirmou Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos obt\u00eam etanol a partir do milho, enquanto Brasil, Col\u00f4mbia e, em menor medida, Cuba e Venezuela, o extraem da cana-de-a\u00e7\u00facar. A capacidade de produ\u00e7\u00e3o norte-americana \u00e9 de 300 mil barris di\u00e1rios, mas somente 600 de seus 200 mil postos de servi\u00e7os oferecem a mistura E85, carburante com 85% de etanol. O Brasil, primeiro produtor mundial de etanol (com 600 mil barris\/dia), tamb\u00e9m \u00e9 o maior consumidor, com mais de 80% de seus ve\u00edculos equipados com motor flex, e n\u00e3o esconde seu interesse por ampliar seu horizonte de mercados, o que pode levar a um novo entendimento Lula-Bush.<\/p>\n<p>Ch\u00e1vez mant\u00e9m uma forte alian\u00e7a pol\u00edtica com o Presidente Lula, enquanto seus governos levam adiante a constru\u00e7\u00e3o de um gasoduto que cruzar\u00e1 o Brasil desde as jazidas no Caribe at\u00e9 mercados no Rio da Prata. O mandat\u00e1rio venezuelano fez um disparo para o alto por um acordo Washington-Bras\u00edlia em mat\u00e9ria de etanol. O presidente apelou para raz\u00f5es \u00e9ticas, como a fome no mundo. \u201cPara produzir um milh\u00e3o de barris de etanol seria preciso plantar 20 milh\u00f5es de hectares de milho. \u00c9 justo fazer isso se h\u00e1 800 milh\u00f5es de famintos no planeta? Quantas pessoas comeriam com essa produ\u00e7\u00e3o?\u201d, perguntou Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p>\u201cPara encher o tanque de combust\u00edvel de 95 litros de um ve\u00edculo seria necess\u00e1ria a quantidade de gr\u00e3os suficientes para alimentar uma pessoa durante um ano\u201d, segundo c\u00e1lculo de Ch\u00e1vez, um argumento j\u00e1 utilizado por organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas. O presidente invocou informes segundo os quais a agricultura j\u00e1 compromete 70% da \u00e1gua doce do mundo, e disse que \u201ca expans\u00e3o dos cultivos comprometer\u00e1 mais esse recurso necess\u00e1rio para as pessoas, sem falar do impacto sobre o solo pelo maior uso de agroqu\u00edmicos e a tend\u00eancia ao monocultivo para alimentar as usinas de etanol\u201d.<\/p>\n<p>Lester Brown, presidente da institui\u00e7\u00e3o ecologista dos Estados Unidos Earth Policy Institute, alertou que s\u00e3o os autom\u00f3veis, n\u00e3o as pessoas, os respons\u00e1veis pelo fato de aumentar nesse pa\u00eds o consumo de cereais, enquanto para os dois milh\u00f5es de pessoas mais pobres do mundo o aumento no pre\u00e7o dos gr\u00e3os \u00e9 uma amea\u00e7a. Ch\u00e1vez disse que \u201cvimos no M\u00e9xico gente protestando pela alta no pre\u00e7o das tortillas (feitas com milho). Por que? Porque na medida em que os Estados Unidos instalam usinas de biocombust\u00edveis levar\u00e3o para l\u00e1 o milho mexicano, e essa \u00e9 uma das causas dos aumentos\u201d.<\/p>\n<p>A Venezuela, entretanto, se mant\u00e9m desafiante a respeito do fornecimento de petr\u00f3leo aos Estados Unidos. \u201cSe n\u00e3o o quiserem, n\u00e3o comprem\u201d, afirmou o chanceler Nicolas Maduro, em resposta \u00e0s freq\u00fcentes advert\u00eancias sobre essa rela\u00e7\u00e3o que parte do Departamento de Estado ou do Congresso norte-americano.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a febre do etanol percorre o mundo, desde pequenas produ\u00e7\u00f5es, como as da Nicar\u00e1gua ou Panam\u00e1, at\u00e9 grandes projetos, como o do Jap\u00e3o, que espera produzir dentro de duas d\u00e9cadas pelo menos cem mil barris di\u00e1rios desse combust\u00edvel renov\u00e1vel. Tamb\u00e9m a Venezuela, que importa etanol brasileiro para suas misturas de gasolina (por ser mneos contaminante do que o aditivo Metil-Terbutil-Eter \u2013 MBTE \u2013 que agrega octanagem) projeta semear 276 mil hectares de cana destinada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, uma vez extra\u00eddo o a\u00e7\u00facar, de, aproximadamente, 25 mil barris de \u00e1lcool combust\u00edvel por dia. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, 02\/03\/2007 &ndash; A viagem do presidente George W. Bush pela Am\u00e9rica Latina em mar\u00e7o pretende impulsionar uma alian\u00e7a estrat\u00e9gica com o Brasil para desenvolver biocombust\u00edveis, o que fez levantar a guarda do principal exportador de petr\u00f3leo da regi\u00e3o, a Venezuela. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/03\/america-latina\/energia-uma-opep-do-biocombustivel-na-america\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":90,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,5,10],"tags":[14],"class_list":["post-2643","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-economia","category-energia","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/90"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2643"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2643\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}