{"id":2663,"date":"2007-03-08T18:03:03","date_gmt":"2007-03-08T18:03:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2663"},"modified":"2007-03-08T18:03:03","modified_gmt":"2007-03-08T18:03:03","slug":"mulher-europa-e-o-mercado-da-prostituicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/03\/economia\/mulher-europa-e-o-mercado-da-prostituicao\/","title":{"rendered":"Mulher: Europa \u00e9 o mercado da prostitui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 08\/03\/2007 &ndash; Apesar das conquistas do s\u00e9culo XX e o do que vai do atual, as mulheres da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia ainda est\u00e3o longe de chegar \u00e0 igualdade com os homens, como se afirma inequivocadamente na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos. <!--more--> A esta evidente conclus\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel chegar ap\u00f3s um detalhado estudo da situa\u00e7\u00e3o da mulher na Europa por ocasi\u00e3o do Dia Internacional da Mulher, destaca a ativista portuguesa Manuela G\u00f3is, pesquisadora dos direitos do g\u00eanero no continente.<\/p>\n<p>A rica UE, que em seu conjunto \u00e9 a primeira pot\u00eancia econ\u00f4mica mundial, nos \u00faltimos 15 anos se converteu gradualmente tamb\u00e9m em um espa\u00e7o para o florescente neg\u00f3cio s\u00f3rdido do tr\u00e1fico de mulheres, as novas escravas das redes da prostitui\u00e7\u00e3o clandestina, que se alimenta da impunidade diante das den\u00fancias daquelas que foram tratadas como mercadoria humana. Dados do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA) estimam que no mundo todo quatro milh\u00f5es de mulheres j\u00e1 ca\u00edram nas rotas internacionais do tr\u00e1fico de pessoas, quase todas para a explora\u00e7\u00e3o sexual, \u00e0s quais se somam 500 mil a cada ano, um ter\u00e7o delas procedentes dos ex-pa\u00edses socialistas da Europa.<\/p>\n<p>Esta \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o da carne humana\u201d vale entre US$ 9 bilh\u00f5es e US$ 15,5 bilh\u00f5es e \u00e9 o terceiro neg\u00f3cio il\u00edcito mais rent\u00e1vel do mundo, depois da droga e das armas, segundo c\u00e1lculos de uma ampla pesquisa divulgada na semana passada em Lisboa, feita pelos jornalistas Isabel Marques de Silva e Henrique Botequilha, do seman\u00e1rio Vis\u00e3o. O perfil cl\u00e1ssico da v\u00edtima, na maioria dos casos destinada a bord\u00e9is da Alemanha, Fran\u00e7a, Espanha, Holanda, It\u00e1lia Gr\u00e9cia e Portugal, \u00e9 o de uma imigrante sem documentos que vive sob a angustia de ser expulsa do pa\u00eds e aterrorizada pelos proxenetas das redes de tr\u00e1fico humano.<\/p>\n<p>Quando escapam das redes ou pagam o pre\u00e7o da liberdade, estipulado em US$ 7.700 pelos \u201cempres\u00e1rios da noite\u201d, muitas vezes as mulheres sofrem o que os m\u00e9dicos descrevem como estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, semelhante a uma v\u00edtima de seq\u00fcestro. Segndo Elisabete Brasil, presidente da Uni\u00e3o das Mulheres Alternativas e Resposta (UMAR), as v\u00edtimas \u201ct\u00eam a no\u00e7\u00e3o de que foram torturadas como prisioneiras de guerra ou pessoas internadas em campos de concentra\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O neg\u00f3cio \u00e9 transnacional e transoce\u00e2nico. Os propriet\u00e1rios de clubes noturnos espanh\u00f3is chegaram a abrir um imenso bordel em Buenos Aires, um autentico \u201centreposto\u201d comercial, onde jovens latino-americanas permaneceriam nove meses e depois fariam uma \u201ccomiss\u00e3o de servi\u00e7os\u201d de tr\u00eas meses na Europa, a dura\u00e7\u00e3o de um visto de turista, segundo Botequilha e Marques de Silva. Menos arrepiantes, mas discriminat\u00f3rios, s\u00e3o os casos de desprezo com as mulheres registrados na UE e que afetam as cidad\u00e3s desse bloco, afirmou em entrevista \u00e0 IPS a professora G\u00f3is, do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Feminista Elina Guimar\u00e3es (CDFEG).<\/p>\n<p>A ativista desmistifica a suposta igualdade de g\u00eaneros na UE, onde persistem \u201csociedades patriarcais e o dom\u00ednio masculino continua sem limites, ant\u00e3o na esfera p\u00fablica quanto na privada\u201d, porque \u201cn\u00e3o basta que Angela Merkel tenha assumido como chefe de governo da Alemanha, o pa\u00eds mais poderoso da Europa, para se deduzir que existe igualdade\u201d. G\u00f3is recha\u00e7a os recorrentes argumentos de que h\u00e1 igualdade no exerc\u00edcio do poder pol\u00edtico na UE, dando-se como exemplos Merkel, Segol\u00e8ne Royale, candidata \u00e0 presid\u00eancia da Fran\u00e7a; a vice-primeira-ministra da Espanha, Maria Teresa Fern\u00e1ndez de la Veja, e as presidentes Mary McAleese, da irlanda, Vaira Vike-Freiberga, da Let\u00f4nia, e Tarja Halonen, da Finl\u00e2ndia.<\/p>\n<p>\u201cA paridade do poder pol\u00edtico na UE ainda \u00e9 uma ilus\u00e3o\u201d, acusou a ativista do CDFEG, que tamb\u00e9m integra a UMAR. Acrescentou que as composi\u00e7\u00f5es dos poderes executivos dos pa\u00edses n\u00f3rdicos e espanhol \u201cainda s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es no cinzento panorama pol\u00edtico europeu\u201d. Estes casos de mulheres que ocupam cargos de poder s\u00e3o muito destacados, enquanto \u201ca viol\u00eancia domestica \u00e9 comum em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa e nas na\u00e7\u00f5es do sul do continente e que at\u00e9 h\u00e1 poucos anos era silenciada, al\u00e9m de o assedio sexual e o sexismo serem pouco denunciados\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 economia, na Europa \u201co poder continua exercido fundamentalmente pelos homens, enquanto as desigualdades salariais s\u00e3o muito acentuadas\u201d, observou G\u00f3is, reconhecendo uma situa\u00e7\u00e3o melhor na Su\u00ed\u00e7a e nos pa\u00edses n\u00f3rdicos, bem como no centro e leste do continente, que constituiu o desaparecido campo socialista e \u201conde as diferen\u00e7as s\u00e3o menores\u201d. Ao contr\u00e1rio, a especialista apontou seu dedo acusador para Luxemburgo onde, apesar de ser o pa\u00eds com maior renda por habitante da UE, \u201cas mulheres recebem, em m\u00e9dia, US$ 55 mil anuais a menos do que os homens\u201d.<\/p>\n<p>Outros aspectos tamb\u00e9m merecem cr\u00edticas da pesquisadora. Ela insiste que \u201cos maiores \u00edndices de desemprego na Europa se verificam entre as mulheres e a pobreza tamb\u00e9m \u00e9 majoritariamente feminina\u201d. De fato, o \u00edndice de desemprego feminino m\u00e9dio neste bloco de 27 pa\u00edses \u00e9 de 8,5%, quase dois pontos percentuais mais alto do que os homens, segundo dados divulgados esta semana pelo Gabinete de Estat\u00edstica das Comunidades Europ\u00e9ias (Eurostat).<\/p>\n<p>G\u00f3is destacou que tamb\u00e9m a op\u00e7\u00e3o de decis\u00e3o sobre seu pr\u00f3prio corpo \u201c\u00e9 limitado \u00e0s mulheres pelo poder patriarcal, seja atrav\u00e9s da fam\u00edlia quanto do Estado. Na Pol\u00f4nia, Irlanda e Malta as mulheres n\u00e3o t\u00eam direito de abortar, enquanto em Portugal essa conquista \u00e9 muito recente\u201d e somente ser\u00e1 colocada em pr\u00e1tica dentro de tr\u00eas meses, com a aprova\u00e7\u00e3o de uma nova lei. Na UE, \u201cas mulheres imigrantes sofrem m\u00faltiplas discrimina\u00e7\u00f5es. A mutila\u00e7\u00e3o genital feminina \u00e9 praticada clandestinamente em Portugal e na Espanha. O uso do v\u00e9u e os casamentos for\u00e7ados s\u00e3o significativos nestas comunidades na Alemanha, Espanha e Fran\u00e7a\u201d, acusou a dirigente da UMAR.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres ocupam a maior parte dos novos postos de trabalho, mas, continua havendo discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, diz o informe que ser\u00e1 apresentado hoje e amanh\u00e3 pela Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia, \u00f3rg\u00e3o executivo da UE, ao Conselho Europeu de Primavera e cujo extrato foi distribu\u00eddo por seus respons\u00e1veis nesta quarta-feira, em Bruxelas. Tr\u00eas quartos dos novos lugares t\u00eam rosto feminino, mas persistem \u201csignificativas diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o aos homens no dom\u00ednio do emprego e, apesar de elas, em m\u00e9dia, conseguirem melhor desempenho nos estudos, continuam sendo menos solicitadas pelos empregadores e pior remuneradas do que os homens\u201d.<\/p>\n<p>Em outro documento, divulgado segunda-feira em todas as capitais europ\u00e9ias pelo gabinete da Eurostat de Bruxelas e que correspondem a 2005, a m\u00e9dia de vida das europ\u00e9ias \u00e9 estimada em 81,5 anos, contra 75,8 dos homens. A Rom\u00eania \u00e9 o pa\u00eds com menor expectativa de vida para as mulheres, de 75,4 anos, e a Espanha ocupa o primeiro lugar, com 83,9 anos. O elenco masculino \u00e9 liderado pela Su\u00e9cia, com 78,4 anos, e fechado pela Litu\u00e2nia, onde o homem n\u00e3o deve esperar viver mais do que 65,4 anos, em m\u00e9dia.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es para 2050 realizadas pela Eurostat indicam que o quadro ser\u00e1 modificado e a esperan\u00e7a de vida para as mulheres ser\u00e1 de 80 anos em todos os pa\u00edses-membros, com a Fran\u00e7a ocupando o primeiro lugar com 89,1 anos. A estat\u00edstica da UE tamb\u00e9m apresenta n\u00fameros sobre o grau de educa\u00e7\u00e3o, com a Finl\u00e2ndia ocupando o primeiro lugar, com 41,8% cento das mulheres com cursos universit\u00e1rios, e a Rom\u00eania o \u00faltimo, com 11,9% de mulheres universit\u00e1rias, no contexto de uma m\u00e9dia do bloco de 23,8%. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 08\/03\/2007 &ndash; Apesar das conquistas do s\u00e9culo XX e o do que vai do atual, as mulheres da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia ainda est\u00e3o longe de chegar \u00e0 igualdade com os homens, como se afirma inequivocadamente na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/03\/economia\/mulher-europa-e-o-mercado-da-prostituicao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,5,11],"tags":[18,21],"class_list":["post-2663","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-economia","category-politica","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2663","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2663"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2663\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2663"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2663"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2663"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}