{"id":2669,"date":"2007-03-09T15:23:35","date_gmt":"2007-03-09T15:23:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2669"},"modified":"2007-03-09T15:23:35","modified_gmt":"2007-03-09T15:23:35","slug":"america-latina-jorge-w-quem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/03\/america-latina\/america-latina-jorge-w-quem\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina: Jorge W&#8230; quem?"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 09\/03\/2007 &ndash; Muito pouco, muito tarde. Esse parece ser o consenso entre os especialistas dos Estados Unidos em assuntos latino-americanos sobre a viagem de seis dias que o presidente George W. Bush realiza pela Am\u00e9rica Latina desde ontem. <!--more--> Al\u00e9m do Brasil, Uruguai, Col\u00f4mbia, Guatemala e M\u00e9xico fazem parte dessa viagem, que a Casa Branca considera uma oportunidade de demonstrar que o presidente se preocupa de fato com seus vizinhos do sul, apesar dos cinco anos e meio de \u00eanfase na \u201cguerra contra o terrorismo\u201d e no Iraque.<\/p>\n<p>Posto na defensiva diante das perguntas da imprensa, o conselheiro de Seguran\u00e7a Nacional da Casa Branca, Stephen Hadley, declarou est\u00e1 semana que Bush \u201cesteve envolvido e comprometido com a Am\u00e9rica Latina ao longo de toda sua presid\u00eancia\u201d. Por\u00e9m, esta regi\u00e3o \u201cn\u00e3o teve a aten\u00e7\u00e3o que merece, e essa \u00e9 uma das raz\u00f5es desta viagem\u201d, acrescentou. O presidente se encarregou de destacar que a agenda da viagem inclua quest\u00f5es como o alivio da pobreza, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, e n\u00e3o as preocupa\u00e7\u00f5es mais not\u00f3rias de seu governo, como terrorismo, narcotr\u00e1fico e com\u00e9rcio, mat\u00e9rias nas quais costuma exibir posi\u00e7\u00f5es que o deixam mal-visto pelos vizinhos do Sul.<\/p>\n<p>As perspectivas de sucesso em seus objetivos s\u00e3o muito discut\u00edveis, segundo especialistas de Washington, que ao serem consultados n\u00e3o vacilam em usar a palavra \u201cneglig\u00eancia\u201d para qualificar a atitude de Bush para uma regi\u00e3o que considerava priorit\u00e1ria em 2000, na campanha eleitoral que lhe deu o primeiro mandato. \u201cO melhor que pode acontecer \u00e9 que ocorram algumas poucas mudan\u00e7as marginais. Talvez, possa come\u00e7ar a reparar rela\u00e7\u00f5es que se caracterizaram um n\u00edvel muito baixo de confian\u00e7a do lado latino-americano\u201d, disse Michael Shifter, vice-presidente do Di\u00e1logo Interamericano, um importante centro especializado com sede em Washington.<\/p>\n<p>Desde a \u00faltima viagem de Bush a Am\u00e9rica do Sul em 2005, quando participou da C\u00fapula das Am\u00e9ricas, em Buenos Aires, foram realizados protestos e pesquisas que sugerem uma esmagadora rejei\u00e7\u00e3o \u00e0s suas pol\u00edticas, tanto entre a popula\u00e7\u00e3o quanto entre as elites da regi\u00e3o. Em uma pesquisa feita no final do ano passado pela rede BBC de r\u00e1dio e televis\u00e3o de Londres, no Brasil, Chile, Argentina e M\u00e9xico, entre 51% e 64% dos entrevistados expressaram uma opini\u00e3o \u201cmajoritariamente negativa\u201d sobre a influencia dos Estados Unidos no mundo.<\/p>\n<p>\u201cOs Estados Unidos nunca estiveram t\u00e3o isolado da Am\u00e9rica Latina\u201d, disse Larry Birns, presidente do Conselho de Assuntos Hemif\u00e9ricos (COHA), institui\u00e7\u00e3o que estuda os v\u00ednculos interamericanos desde o governo de John F. Kennedy no come\u00e7o da d\u00e9cada de 60. \u201cCom Bush, Washington alcan\u00e7ou nada em termos de coopera\u00e7\u00e3o com seus vizinhos latino-americanos\u201d, afirmou Birns. Est\u00e1 sensa\u00e7\u00e3o de distanciamento se deve n\u00e3o somente \u00e0s pol\u00edticas de seguran\u00e7a de Bush, mas, tamb\u00e9m ao evidente fracasso do Consenso de Washington, as pol\u00edticas econ\u00f4micas e comerciais recomendadas pelos Estados Unidos nos anos 80 e 90 atrav\u00e9s das institui\u00e7\u00f5es multilaterais de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Estas pol\u00edticas \u201cn\u00e3o solucionaram nenhum dos s\u00e9rios problemas da Am\u00e9rica Latina\u201d, disse um especialista. Isso n\u00e3o s\u00f3 reduziu a influ\u00eancia norte-americana, mas tamb\u00e9m incentivou o surgimento e a consolida\u00e7\u00e3o de movimentos populistas e de esquerda, sendo o mais destacado o do presidente venezuelano, Hugo Ch\u00e1vez. No s\u00e1bado, Ch\u00e1vez estar\u00e1 em Buenos Aires, convidado pelo presidente argentino, N\u00e9stor Kirchner. Ali participar\u00e1 de um ato \u201cantiimperialista\u201d, a apenas 60 quil\u00f4metros \u2013 com o Rio da Prata no meio \u2013 da costa uruguaia, onde Bush se reunir\u00e1 nesse mesmo dia com o presidente Tabar\u00e9 V\u00e1zquez.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Ch\u00e1vez fornece pacotes de assist\u00eancia econ\u00f4mica e social aos governos que lhe s\u00e3o amistosos muito mais generosos do que os estabelecidos pelo governo Bush. A inten\u00e7\u00e3o de contrapor-se \u00e0 influ\u00eancia de Ch\u00e1vez \u00e9, segundo especialista, uma das principais inspira\u00e7\u00f5es desta viagem. \u201cCh\u00e1vez \u00e9 a raz\u00e3o de ser desta viagem\u201d, afirmou Birns. \u201cAp\u00f3s anos de neglig\u00eancia, o governo Bush finalmente se deu conta de que tem um inimigo bastante perdur\u00e1vel em Ch\u00e1vez e, assim, come\u00e7ou a atender mais a regi\u00e3o. Por\u00e9m, \u00e9 muito tarde\u201d. \u201cO mais \u00fatil que fez Ch\u00e1vez neste plano foi incentivar os Estados Unidos a encontrar mecanismos \u00fateis de ajuda em termos de desenvolvimento e de alivio da pobreza\u201d, disse Thale as IPS.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o especialista observou que em seu discurso de segunda-feira na C\u00e2mara Hisp\u00e2nica de Com\u00e9rcio em Washington, Bush se referiu quase exclusivamente a programas de assist\u00eancia para a Am\u00e9rica Latina. Entre outras medidas, disse que enviar\u00e1 um navio-hospital de sua Marinha de Guerra \u00e0s Am\u00e9ricas Central e do Sul para tratar de aproximadamente 85 mil pacientes e que enviar\u00e1 US$ 75 milh\u00f5es em tr\u00eas anos para incentivar o ensino do idioma ingl\u00eas na regi\u00e3o. Al\u00e9m disso, prometeu US$ 385 milh\u00f5es adicionais ao seu programa de casas para pobres do Brasil, M\u00e9xico, Chile e Am\u00e9rica Central.<\/p>\n<p>A Casa Branca cuidou de assegurar que duplicou a assist\u00eancia \u00e0 Am\u00e9rica Latina desde 2001, at\u00e9 chegar a US$ 1,6 bilh\u00e3o. Por\u00e9m, os US$ 870 milh\u00f5es de 2001 n\u00e3o inclu\u00edam a ajuda na repress\u00e3o \u00e0s drogas na Col\u00f4mbia, que hoje chega a US$ 400 milh\u00f5es. Ativistas pelos direitos humanos e pelo desenvolvimento calculam que a ajuda dos Estados Unidos \u00e0 Am\u00e9rica Latina aumentou cerca de um ter\u00e7o no governo Bush, e que est\u00e1 muito abaixo da generosidade demonstrada por Ch\u00e1vez. \u201cSe o senhor Bush se perguntar por que n\u00e3o \u00e9 recebido com bra\u00e7os abertos na Am\u00e9rica Latina, deve olhar para seu pr\u00f3prio or\u00e7amento de assist\u00eancia\u201d, disse Lisa Haugaard, diretora do Grupo de Trabalho Latino-americano em Washington. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 09\/03\/2007 &ndash; Muito pouco, muito tarde. Esse parece ser o consenso entre os especialistas dos Estados Unidos em assuntos latino-americanos sobre a viagem de seis dias que o presidente George W. 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