{"id":2670,"date":"2007-03-09T15:26:17","date_gmt":"2007-03-09T15:26:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2670"},"modified":"2007-03-09T15:26:17","modified_gmt":"2007-03-09T15:26:17","slug":"biocombustivel-uma-vitoria-da-diplomacia-do-etanol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/03\/america-latina\/biocombustivel-uma-vitoria-da-diplomacia-do-etanol\/","title":{"rendered":"Biocombust\u00edvel: Uma vit\u00f3ria da diplomacia do etanol"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 09\/03\/2007 &ndash; A diplomacia do \u00e1lcool, que o Brasil desenvolve h\u00e1 anos em v\u00e1rios continentes, colhe seu primeiro grande triunfo onde menos esperava. A visita do presidente norte-americano, George W. Bush, abre uma perspectiva t\u00e3o grande que provoca tanto euforia quanto temores. <!--more--> A meta anunciada por Bush em janeiro, de reduzir em 20% o consumo de gasolina nos Estados Unidos no prazo de 10 anos, se for aprovada pelo Congresso abrir\u00e1 um mercado de 132 milh\u00f5es de litros anuais de etanol, 2,6 vezes a atual produ\u00e7\u00e3o mundial e oito vezes a brasileira. Cedo ou tarde, boa parte desse mercado ser\u00e1 ocupada por exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, as mais competitivas do planeta.<\/p>\n<p>No momento, uma taxa de US$ 0,54 por gal\u00e3o (3,78 litros) limita o acesso brasileiro a esse mercado, por\u00e9m, especialistas estimam que a produ\u00e7\u00e3o de etanol a partir do milho nos Estados Unidos dificilmente ir\u00e1 superar os 50 bilh\u00f5es de litros por ano. Al\u00e9m disso, \u00e9 insustent\u00e1vel. O fato de os EUA destinarem 20% do milho colhido para alimentar a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edvel fez duplicar o pre\u00e7o desse gr\u00e3o no ano passado, desequilibrando o mercado internacional, pois esse pa\u00eds responde por dois ter\u00e7os do com\u00e9rcio mundial do milho.<\/p>\n<p>A cana-de-a\u00e7\u00facar, mat\u00e9ria-prima usada pelo Brasil, \u00e9 muito mais produtiva e eficiente na gera\u00e7\u00e3o de energia, apresentando, por isso, custos muito menores. O protecionismo norte-americano n\u00e3o impediu que em 2006 o Brasil vendesse aos Estados Unidos 1,6 bilh\u00e3o de litros de \u00e1lcool, seis vezes mais do que no ano anterior. Mas isso se deveu a um desequil\u00edbrio conjuntural entre oferta e demanda, que causou uma alta de pre\u00e7os excepcional que n\u00e3o se manter\u00e1 este ano. Segundo a Uni\u00e3o da Ind\u00fastria da Cana de S\u00e3o Paulo (Unica), que re\u00fane os maiores produtores brasileiros.<\/p>\n<p>Por isso, a principal reclama\u00e7\u00e3o da Unica, e prov\u00e1vel pedido do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva a Bush na reuni\u00e3o que mant\u00eam hoje em S\u00e3o Paulo, \u00e9 que Washington elimine essa prote\u00e7\u00e3o, recentemente prorrogada por dois anos. Cotas de importa\u00e7\u00e3o isentas de taxas ou redu\u00e7\u00e3o das mesmas s\u00e3o as alternativas de uma transi\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 um tema que n\u00e3o poder\u00e1 ser resolvido nesta visita de trabalho de Bush.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, muitos fatores jogam a favor do Brasil, que conta com aliados importantes dentro dos Estados Unidos, como o pr\u00f3prio irm\u00e3o do presidente, Jeb Bush, ex-governador da Fl\u00f3rida que co-preside a Comiss\u00e3o Interamericana de Etanol, criada em dezembro por empres\u00e1rios dos dois pa\u00edses mais o Banco Interamericano de Desenvolvimento. O acordo discutido entre Lula e Bush trata de promover um mercado internacional de etanol, com regras e normas t\u00e9cnicas, e estabelecer uma coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento de tecnologias de sua produ\u00e7\u00e3o a partir de celulose e para incrementar a produ\u00e7\u00e3o em outros pa\u00edses, especialmente centro-americanos e caribenhos.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos buscam, principalmente, reduzir a depend\u00eancia do petr\u00f3leo que importa de pa\u00edses com os quais mant\u00eam p\u00e9ssimas rela\u00e7\u00f5es, como Ir\u00e3 e Venezuela. Por isso, uma associa\u00e7\u00e3o alcooleira de Washington com Bras\u00edlia teria repercuss\u00f5es mais amplas, geopol\u00edticas, comerciais e agr\u00edcolas. Por outro lado, a quest\u00e3o ambiental se tornou uma mola propulsora decisiva dessas negocia\u00e7\u00f5es, diante da gravidade do quadro global refletido no informe do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, divulgado no dia 2 de fevereiro. Para o Brasil, trata-se de obter os dividendos econ\u00f4micos de ter sido pioneiro na produ\u00e7\u00e3o de uso do \u00e1lcool combust\u00edvel. Al\u00e9m dos Estados Unidos, o Jap\u00e3o tamb\u00e9m aparece como um mercado promissor.<\/p>\n<p>A Petrobras, que se autodefiniu como energ\u00e9tica, negocia com bancos e firmas japonesas projetos para garantir a produ\u00e7\u00e3o do etanol necess\u00e1rio para misturar \u00e0 gasolina e gerar eletricidade no Jap\u00e3o. Essa associa\u00e7\u00e3o j\u00e1 acertou investimento num total de US$ 6,5 bilh\u00f5es. Batizada \u2013 numa referencia \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o de Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo \u2013 de \u201cOpep do etanol\u201d, essa alian\u00e7a encabe\u00e7ada por Brasil e Estados Unidos ganhou uma inst\u00e2ncia global com o F\u00f3rum Internacional de Biocombust\u00edveis criado na semana passada por China, \u00cdndia, \u00c1frica do Sul e Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, al\u00e9m dos dois maiores pa\u00edses americanos.<\/p>\n<p>Mas trata-se de uma compara\u00e7\u00e3o enganosa. Ao contr\u00e1rio do petr\u00f3leo, os biocombust\u00edveis favorecem a paz e poder\u00e3o \u201ccontribuir para a redu\u00e7\u00e3o da tens\u00e3o internacional\u201d, disse \u00e0 IPS Oswaldo Oliva Neto, chefe do N\u00facleo de Assuntos Estrat\u00e9gicos (NAE) da Presid\u00eancia do Brasil, que realizou amplos estudos sobre agroenergia nos \u00faltimos anos. A maior parte da \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina e Oceania tem possibilidades de produzir etanol a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar, reduzindo a concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis no Oriente M\u00e9dio, \u201cregi\u00e3o de elevada tens\u00e3o e freq\u00fc\u00eancia de conflitos militares\u201d, argumentou.<\/p>\n<p>Essa descentraliza\u00e7\u00e3o oferece \u201cmaior seguran\u00e7a de fornecimento e menor depend\u00eancia\u201d, em compara\u00e7\u00e3o com o petr\u00f3leo exportado por poucos pa\u00edses, acrescentou Neto. Al\u00e9m disso, o Brasil, situado na \u201czona mais desarmada do mundo e que n\u00e3o se envolve em conflitos militares desde a Segunda Guerra Mundial\u201d, pode ser o maior produtor de etanol, capaz de substituir 5% de toda a gasolina consumida no mundo. Reduzir a demanda de petr\u00f3leo, ampliando o tempo de explora\u00e7\u00e3o das atuais reservas e, dessa forma, atenuando a alta de seu pre\u00e7o, tamb\u00e9m contribui para abrandar as tens\u00f5es, segundo Neto, que \u00e9 coronel do Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Em sua opini\u00e3o, os biocombust\u00edveis fornecem \u201cum conceito de maior harmonia a respeito do meio ambiente e maior contribui\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento social\u201d, ao oferecer seguran\u00e7a de abastecimento, redu\u00e7\u00e3o dos gases causadores do efeito estufa, \u201cabertura de novos mercados para pa\u00edses pobres\u201d e possibilidade de aumentar o crescimento econ\u00f4mico mundial em novas bases. Mas tamb\u00e9m existem temores. Ambientalistas temem que a febre dos biocombust\u00edveis fomente novas press\u00f5es para desmatar, especialmente na Amaz\u00f4nia, diante da necessidade de expandir a \u00e1rea cultivada.<\/p>\n<p>O Movimento dos Sem-Terra divulgou um manifesto condenando a expans\u00e3o da agroenergia que a alian\u00e7a Brasil-Estados Unidos busca fomentar. Trata-se de abastecer autom\u00f3veis \u201c\u00e0s custas de est\u00f4magos vazios\u201d, expandir ainda mais as monoculturas, o monop\u00f3lio das sementes geneticamente modificadas e o \u201cmodelo colonial\u201d da apropria\u00e7\u00e3o de terras, recursos naturais e for\u00e7a de trabalho por uns poucos, afirmou o MST. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 09\/03\/2007 &ndash; A diplomacia do \u00e1lcool, que o Brasil desenvolve h\u00e1 anos em v\u00e1rios continentes, colhe seu primeiro grande triunfo onde menos esperava. A visita do presidente norte-americano, George W. 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