{"id":2706,"date":"2007-03-20T15:39:41","date_gmt":"2007-03-20T15:39:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2706"},"modified":"2007-03-20T15:39:41","modified_gmt":"2007-03-20T15:39:41","slug":"colombia-lucro-e-perigo-que-vem-do-carvao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/03\/america-latina\/colombia-lucro-e-perigo-que-vem-do-carvao\/","title":{"rendered":"Col\u00f4mbia: Lucro e perigo que v\u00eam do carv\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Ubat\u00e9, Col\u00f4mbia, 20\/03\/2007 &ndash; A Col\u00f4mbia recebeu em 2006 mais de US$ 1,3 bilh\u00e3o com a venda de carv\u00e3o. Mas os trabalhadores do setor t\u00eam empregos tempor\u00e1rios, insuficiente prote\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria e muito pouca seguran\u00e7a trabalhista. <!--more--> Segundo o Minist\u00e9rio de Minas e Energia, em 2004 foram atendidos 17 acidentes nas minas de carv\u00e3o; em 2005 foram 40 e no ano passado 44. Em fevereiro passado, 40 pessoas morreram em duas explos\u00f5es, uma em Sardinata, no departamento Norte de Santander, no nordeste, e outra em G\u00e1meza, Boyac\u00e1, no centro-leste do pa\u00eds. O n\u00famero de acidentes pode superar as estat\u00edsticas do minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u201cCalcula-se dois acidentes di\u00e1rios, a maioria n\u00e3o informada por medo da suspens\u00e3o dos trabalhos nas minas e conseq\u00fcente aus\u00eancia de recursos econ\u00f4micos\u201d, sobretudo \u201cno caso dos mineiros de pequena escala\u201d, disse \u00e0 IPS Tatiana Roa, diretora da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Censat-\u00c1gua Viva. \u201cNos mesmos dias dos acidentes em Santander e Boyac\u00e1 ocorreram outros dois que n\u00e3o conseguiram repercuss\u00e3o na imprensa\u201d, disse \u00e0 IPS o advogado Francisco Ram\u00edrez, secret\u00e1rio-geral do Sindicato de Trabalhadores Mineiros, da Energia, Metal\u00fargicos, Qu\u00edmicos e de Ind\u00fastrias Similares.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es das explos\u00f5es em Sardinata e G\u00e1meza seguem sob investiga\u00e7\u00e3o do estatal Instituto Colombiano de Geologia e Minera\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 determinou a ilegalidade do sistema de t\u00faneis boyacense. Em igual condi\u00e7\u00e3o se encontra uma quantidade indeterminada de minas de carv\u00e3o, admitiu o ministro do setor, Hern\u00e1n Martinez, perante o conselho comunal de 24 de fevereiro no munic\u00edpio mineiro de Ubat\u00e9, 112 quil\u00f4metros a nordeste de Bogot\u00e1, em Cundinamarca. A aus\u00eancia de estat\u00edsticas confi\u00e1veis impede saber quantas pessoas trabalham nas minas, incluindo menores de 18 anos.<\/p>\n<p>\u201cA tradi\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o carbon\u00edfera de pequena escala no centro do pa\u00eds, o crescimento do pre\u00e7o internacional do mineral e a necessidade de renda dos mineiros pobres motivam a explora\u00e7\u00e3o ilegal com participa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e jovens nos t\u00faneis, pois a pouca largura das minas muitas vezes impede a entrada de adultos\u201d, explicou Roa. As mulheres, seguindo cren\u00e7as ancestrais, n\u00e3o entram. \u201cAfirma-se que elas trazem maus aug\u00farios, por isso cuidam da alimenta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, do servi\u00e7o domestico e cuidam das hortas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho o escrit\u00f3rio na Col\u00f4mbia do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia desenvolveram jornadas educativas sobre o perigo que correm as crian\u00e7as que trabalham nas minas, espcialmente em Boyac\u00e1, onde \u00e9 mais forte a tradi\u00e7\u00e3o mineira por meio de t\u00fanel. \u201cIsto foi mudando com o tempo de maneira favor\u00e1vel. Onde h\u00e1 escolas, as crian\u00e7as freq\u00fcentam as aulas em um per\u00edodo e trabalham na mina no outro\u201d, disse Ram\u00edrez. \u201cVou \u00e0 escola pela manh\u00e3 e vou \u00e0 mina quando n\u00e3o tenho tarefa&#8230; e quando me pagam\u201d, disse \u00e0 IPS Roberto Morales, de 11 anos, no per\u00edmetro urbano de Ubat\u00e9. \u201cEu ajudo meus pa\u00eds nos fins de semana\u201d, acrescenta seu irm\u00e3o, Miguel, de 9 anos.<\/p>\n<p>O trabalho infantil \u201cse relaciona com a idiossincrasia da regi\u00e3o. Em Boyac\u00e1 existe um tradi\u00e7\u00e3o de unidade familiar muito forte, enquanto em Antioquia (norte), por exemplo, prevalece o desejo de obter renda\u201d, explicou Roa. Mas, em todo o pa\u00eds \u201ca minera\u00e7\u00e3o por t\u00faneis est\u00e1 desprotegida\u201d, acrescentou Ram\u00edrez. Em 2001, foi expedido o C\u00f3digo de Minas, ou Lei 685, para fomentar a atividade, e em 2004 o governo de \u00c1lvaro Uribe liquidou a estatal Empresa Nacional Mineira (Minercol) tamb\u00e9m encarregada de desenvolver as pol\u00edticas do setor.<\/p>\n<p>Estes passos \u201csuprimiram quase completamente as medidas de seguran\u00e7a dos trabalhadores e favoreceram a interven\u00e7\u00e3o internacional\u201d, continuou Ram\u00edrez. \u201cNa Minercol realiz\u00e1vamos trabalho de preven\u00e7\u00e3o. T\u00ednhamos uma unidade de resgate, zonas de treinamento e convid\u00e1vamos especialistas poloneses para treinarem nossos funcion\u00e1rios da \u00e1rea de salvamento\u201d, disse o sindicalista. A Col\u00f4mbia possui as maiores reservas carbon\u00edferas da Am\u00e9rica Latina ocupa o quinto lugar mundial em exporta\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o t\u00e9rmico, de grande pureza, pois cont\u00e9m menos de 1% de enxofre.<\/p>\n<p>Este mineral \u00e9 usado sobretudo para a gera\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica de eletricidade, competindo no mercado internacional com os combust\u00edveis refinados do petr\u00f3leo, g\u00e1s natural e lenha. No extremo norte, em La Guajira, fica o complexo mineiro a c\u00e9u aberto maior do mundo, Carbones El Cerrej\u00f3n, com 69 mil hectares e produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de 80 mil toneladas do mineral. Propriedade das multinacionais BHP Billiton, Anglo American e Glencore \u2013 de capitais brit\u00e2nicos, australianos, norte-americanos e su\u00ed\u00e7os \u2013 sua renda no ano passado foi 15% maior do que em 2005.<\/p>\n<p>Ao sul de La Guajira, o departamento do C\u00e9sar tamb\u00e9m possui grandes extens\u00f5es carbon\u00edferas exploradas pela norte-americana Drummond. Nestes departamentos se concentram 83% da riqueza carbon\u00edfera colombiana. Ali se aplica uma tecnologia que remove a camada vegetal e perfura terra e rocha at\u00e9 atingir a profundidade necess\u00e1ria. O restante das minas de carv\u00e3o est\u00e1 espalhado em grande parte do territ\u00f3rio, especialmente nas cordilheiras ocidental e oriental que cruzam o pa\u00eds de sul a norte.<\/p>\n<p>Ali a explora\u00e7\u00e3o \u00e9 feita em t\u00faneis de at\u00e9 600 metros de profundidade, na maioria sem condi\u00e7\u00f5es apropriadas de seguran\u00e7a pela falta de controles estatais e de recursos dos pequenos mineiros para investir em m\u00e1quinas e equipamentos que medem o ac\u00famulo de gases respons\u00e1veis pelas explos\u00f5es. Os trabalhadores do sistema de t\u00faneis ou a c\u00e9u aberto s\u00e3o inclinados a sofrer doen\u00e7as respirat\u00f3rias pela continua aspira\u00e7\u00e3o de gases ou p\u00f3. Outros males comuns s\u00e3o os fungos na pele e problemas na coluna devido ao esfor\u00e7o f\u00edsico, como h\u00e9rnia de disco.<\/p>\n<p>Os contratos de trabalho s\u00e3o tempor\u00e1rios. No melhor dos casos, a cobertura de sa\u00fade s\u00f3 vigora durante o per\u00edodo da contrata\u00e7\u00e3o. \u201cMuitos s\u00e3o contratados por per\u00edodos de tr\u00eas meses, e depois saem, ficando desprotegidos em mat\u00e9ria de assist\u00eancia de sa\u00fade\u201d, afirmou Ram\u00ederez. Os sal\u00e1rios nem sempre superam o m\u00ednimo legal, que n\u00e3o chega a US$ 200. Mas, novamente por falta de estat\u00edsticas, n\u00e3o se tem com saber quantos est\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ubat\u00e9, Col\u00f4mbia, 20\/03\/2007 &ndash; A Col\u00f4mbia recebeu em 2006 mais de US$ 1,3 bilh\u00e3o com a venda de carv\u00e3o. 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