{"id":2728,"date":"2007-03-26T19:08:39","date_gmt":"2007-03-26T19:08:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2728"},"modified":"2007-03-26T19:08:39","modified_gmt":"2007-03-26T19:08:39","slug":"clima-meteorologia-para-o-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/03\/mundo\/clima-meteorologia-para-o-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"Clima: Meteorologia para o desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<p>Bogot\u00e1, 26\/03\/2007 &ndash; Fen\u00f4menos clim\u00e1ticos como El Ni\u00f1o e o atual aquecimento global incidem de maneira desproporcional sobre as regi\u00f5es pobres. Por isso, s\u00e3o cruciais as contribui\u00e7\u00f5es da meteorologia \u00e0 luta contra a pobreza, afirmam cientistas. <!--more--> \u201cOnde h\u00e1 menos infra-estrutura, h\u00e1 mais vulnerabilidade e mais popula\u00e7\u00e3o pobre\u201d, explicou \u00e0 IPS Yesid Carvajal, especialista da Rede de Universidades do Pac\u00edfico Sul (Rupsur). Muitas perdas poderiam ser evitadas se envolvessem a ci\u00eancia nas decis\u00f5es, acrescentou Carvajal, doutor em hidrologia e at\u00e9 2006 secret\u00e1rio-executivo da Rupsur. \u201cSempre os pobres s\u00e3o os vulner\u00e1veis e os que est\u00e3o mais expostos a perdas, tanto econ\u00f4micas quanto em vidas humanas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>H\u00e1 10 anos, os cientistas trabalham duramente para que \u201cos tomadores de decis\u00e3o se conscientizem de que \u00e9 preciso e urgente envolver o tema do clima no planejamento dos recursos naturais\u201d. A propor\u00e7\u00e3o entre os custos de atender um desastre e investir em pesquisas e infra-estrutura para diminuir a vulnerabilidade \u00e9 de nove a um, segundo Rupsur. A rede de universidades da Argentina, Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Chile, Equador, Peru, Paraguai e Venezuela foi criada em 1998. Com vistas a chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do clima, no \u00faltimo dia 23, Dia Meteorol\u00f3gico Mundial, foi dedicado \u00e0 meteorologia dos p\u00f3los, vinculada \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o do Ano Polar Internacional (2007-2009).<\/p>\n<p>Segundo especialistas da Rupsur, a Am\u00e9rica Latina \u00e9 muito vulner\u00e1vel \u00e0 \u201cvaria\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d e a fen\u00f4menos peri\u00f3dicos como El Ni\u00f1o, que est\u00e1 terminando. Em raz\u00e3o do El Ni\u00f1o, a Bol\u00edvia viveu entre dezembro e este m\u00eas uma onda inusitada de chuvas, transbordamentos de rios e ventos de furac\u00e3o no nordeste, e secas, granizo e geadas no ocidente. Mais de 50 pessoas morreram e quase 800 fam\u00edlias foram afetadas em todo o pa\u00eds. Tamb\u00e9m houve danos no Equador, Peru e na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>El Ni\u00f1o, fase quente da Oscila\u00e7\u00e3o do Sul (ENOS), ocorre quanto a temperatura da \u00e1gua do oceano Pac\u00edfico esfria no sudeste asi\u00e1tico e aquece perto da costa sul-americana. As repercuss\u00f5es clim\u00e1ticas do processo t\u00eam escala planet\u00e1ria. Sua contraparte, La Ni\u00f1a, fase fria do ENOS e menos estudada, j\u00e1 come\u00e7ou. Costuma durar 12 meses, segundo Max Henr\u00edquez, subdiretor de meteorologia do estatal Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Assuntos Ambientais da Col\u00f4mbia (Ideam). Devido \u00e0 La Ni\u00f1a, s\u00e3o esperados mais furac\u00f5es no Caribe nesta temporada, e mais fortes do que de costume.<\/p>\n<p>Neste momento de transi\u00e7\u00e3o entre as duas fases, come\u00e7a a chover onde houve seca, e ali onde houve inunda\u00e7\u00f5es, seca pouco a pouco. Na Col\u00f4mbia, por exemplo, foram extintos mais de 370 inc\u00eandios que arrasaram mais de 40 mil hectares de florestas e plan\u00edcies em 187 munic\u00edpios durante a passagem do El Ni\u00f1o, e os rios, muito lentamente, voltam ao seu leito. Carvajal alertou que a chegada de La Ni\u00f1a \u201cse traduz, devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es topogr\u00e1ficas da Col\u00f4mbia, em deslizamentos, inunda\u00e7\u00f5es perda de infra-estrutura, que tornam necess\u00e1rio tomar medidas preventivas para tentar minimizar os efeitos desta fase fria\u201d.<\/p>\n<p>Neste pa\u00eds, mais de dois milh\u00f5es de pessoas vivem em zonas de alto risco de inunda\u00e7\u00e3o, ao lado de rios que de tempos em tempos transbordam, algo \u201cque est\u00e1 relacionado com o modelo de desenvolvimento que implementamos neste pa\u00eds\u201d, disse \u00e0 IPS Henr\u00edquez, que n\u00e3o v\u00ea solu\u00e7\u00e3o para isso. Entretanto, reconhece progressos \u201cmuito positivos\u201d, como a assinatura, ap\u00f3s quatro anos de insist\u00eancia, de um conv\u00eanio de coopera\u00e7\u00e3o entre o Minist\u00e9rio da Agricultura e Desenvolvimento Rural e o Idam. A raz\u00e3o, segundo Henr\u00edquez, \u00e9 que \u201cagora sim\u201d o conhecimento sobre o clima ganha import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u00c9 que os alertas, feitos meses atr\u00e1s pelo Ideam, sobre o impacto do El Ni\u00f1o foram, em geral, precisos, embora em novembro e dezembro tenham ca\u00eddo fortes chuvas, quando se esperava seca, efeito que aconteceu entre janeiro e metade de mar\u00e7o. O acordo \u201cvai servir para criarmos capacidades em n\u00edvel institucional no Ideam para poder responder melhor as necessidades do setor agropecu\u00e1rio\u201d, disse. As perdas globais da Col\u00f4mbia por causa do El Ni\u00f1o, que devem incluir a redu\u00e7\u00e3o da navegabilidade dos rios, ainda devem ser quantificados, mas o Minist\u00e9rio da Agricultura estima que as fortes geadas custaram cerca de US$ 55 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>As repentinas temperaturas abaixo de zero nas madrugadas queimaram em nove dos 32 departamentos cerca de 15 mil hectares de cultivos de batata, flores, hortali\u00e7as, frutas, leguminosas, milho e arom\u00e1ticas, bem como pastagem para o gado. Al\u00e9m do conv\u00eanio, tamb\u00e9m foram aprovados recursos do Estado para um projeto que havia sido proposto sem sucesso no ano passado, pelo qual Henr\u00edquez e sua equipe esperam fazer, nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos, uma atualiza\u00e7\u00e3o do modelo usado pela institui\u00e7\u00e3o para avaliar os efeitos do El Ni\u00f1o e estudar as condi\u00e7\u00f5es oce\u00e2nicas em rela\u00e7\u00e3o ao clima.<\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o estar\u00e1 voltada para o mar do Caribe, para estudar os v\u00ednculos do El Ni\u00f1o com a chamada Oscila\u00e7\u00e3o do Atl\u00e2ntico Norte (NAO, sigla em ingl\u00eas), um sistema de bombeamento de press\u00e3o na atmosfera \u201cque nos indica se a \u00e1gua fria ou quente se move para a costa do nordeste dos Estados Unidos ou em sentido contr\u00e1rio\u201d, explicou Henr\u00edquez. At\u00e9 agora, o Ideam n\u00e3o havia envolvido a NAO em suas an\u00e1lises sobre El Ni\u00f1o. \u201cAcredit\u00e1vamos que n\u00e3o era t\u00e3o determinante em nosso clima, ou, pelo menos, n\u00e3o havia sido no passado. Mas neste \u00faltimo ano vimos que tem um peso maior. De todo modo, temos de entend\u00ea-lo, pesquis\u00e1-lo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O impacto da Oscila\u00e7\u00e3o do Sul \u201crecai de forma desproporcional sobre os pa\u00edses em desenvolvimento, especialmente sobre os setores mais pobres, pondo em risco o \u00eaxito dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM) ao incrementar as desigualdades na sa\u00fade, no acesso a uma alimenta\u00e7\u00e3o adequada, \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e a outros recursos\u201d, afirma Rupsur. O principal dos oito ODM (compromissos assumidos em 2000 por todas os pa\u00edses da ONU) \u00e9 reduzir pela metade a propor\u00e7\u00e3o de indig\u00eancia e fome com base nos dados de 1990, com prazo at\u00e9 2015. Por isso Rupsur dedicou seu quarto encontro, realizado em novembro a analisar os impactos s\u00f3cio-econ\u00f4micos e ambientais do El Ni\u00f1o, bem como a explorar as tend\u00eancias e os desafios referentes aos ODM, para definir a\u00e7\u00f5es. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bogot\u00e1, 26\/03\/2007 &ndash; Fen\u00f4menos clim\u00e1ticos como El Ni\u00f1o e o atual aquecimento global incidem de maneira desproporcional sobre as regi\u00f5es pobres. 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