{"id":273,"date":"2005-02-01T00:00:00","date_gmt":"2005-02-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=273"},"modified":"2005-02-01T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-01T00:00:00","slug":"direitos-humanos-julgamentos-em-guantnamo-so-inconstitucionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/direitos-humanos-julgamentos-em-guantnamo-so-inconstitucionais\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Julgamentos em Guant&acirc;namo s&atilde;o inconstitucionais"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 01\/02\/2005 &ndash; A ju&iacute;za Joyce Hens Green, de Washington, determinou que as corte marciais criadas para estabelecer a condi&ccedil;&atilde;o de terroristas dos prisioneiros da base naval norte-americana de Guant&acirc;namo, em Cuba, s&atilde;o inconstitucionais. Esses tribunais militares n&atilde;o atendem aos princ&iacute;pios do devido processo requeridos para casos desse tipo, afirmou a ju&iacute;za na segunda-feira, em uma senten&ccedil;a que deixou em situa&ccedil;&atilde;o ruim o Departamento da Defesa e todo o governo do presidente George W. Bush. A senten&ccedil;a, que seguramente ser&aacute; alvo de uma apela&ccedil;&atilde;o governamental, questiona a amplitude das compet&ecirc;ncias reivindicadas pelo Poder Executivo para conduzir sua &quot;guerra contra o terrorismo&quot;.<br \/> <!--more--> &quot;Estamos respeitosamente em desacordo com a decis&atilde;o judicial&quot;, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Scott MacClellan. Ele recordou que outro juiz federal, Richard Leon, no dia 19 de janeiro considerou que os detidos em Guant&acirc;namo carecem de mecanismos legais que lhes permitam questionar sua situa&ccedil;&atilde;o perante um tribunal norte-americano. Centenas de supostos combatentes isl&acirc;micos presos pelas for&ccedil;as norte-americanas no Afeganist&atilde;o e Paquist&atilde;o em 2001 permanecem nessa base naval sem explica&ccedil;&otilde;es nem acesso a advogados nem aos seus familiares.<br \/> As condi&ccedil;&otilde;es de deten&ccedil;&atilde;o e as t&eacute;cnicas de interrogat&oacute;rio aplicadas por funcion&aacute;rios do Pent&aacute;gono em Guant&acirc;namo, bem como em prisioneiros mantidos no Afeganist&atilde;o e Iraque, s&atilde;o questionadas inclusive por membros do governo norte-americano. A organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Anistia Internacional assegurou no ano passado que os presos permanecem fechados durante todo o dia em celas min&uacute;sculas, sem o reconhecimento do status de prisioneiros de guerra, apesar de terem sido detidos na guerra contra o Afeganist&atilde;o. Washington encabe&ccedil;ou nessa oportunidade uma coaliz&atilde;o militar com amplo apoio internacional para atacar esse pa&iacute;s em resposta aos atentados terroristas que deixaram tr&ecirc;s mil mortos em Nova York e Washington, no dia 11 de setembro de 2001.<br \/> De acordo com as Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra, os prisioneiros de guerra podem invocar essa condi&ccedil;&atilde;o perante um tribunal independente. Mas o governo Bush decidiu no in&iacute;cio de 2002 que os preso de Guant&acirc;namo n&atilde;o s&atilde;o prisioneiros de guerra. Em diversos n&iacute;veis judiciais, o governo tamb&eacute;m argumentou que os tribunais federais norte-americanos n&atilde;o t&ecirc;m jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre a base naval porque n&atilde;o se encontra em territ&oacute;rio dos Estados Unidos. A senten&ccedil;a da ju&iacute;za Green, segundo o advogado de um dos presos, &quot;envia ao mundo uma esperan&ccedil;osa mensagem&quot;, segundo a qual &quot;as institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas funcionam para garantir a preserva&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a&quot;, apesar &quot;da cont&iacute;nua negativa do governo em admitir a ilegalidade de seu comportamento&quot;.<br \/> Se a senten&ccedil;a for confirmada na apela&ccedil;&atilde;o prevista, a decis&atilde;o de Green ser&aacute; um golpe mortal para os &oacute;rg&atilde;os jurisdicionais institu&iacute;dos pelo Pent&aacute;gono, denominados Tribunais para a Revis&atilde;o do Status de Combatentes (CSRT, sigla em ingl&ecirc;s). Estas cortes marciais, que realizaram audi&ecirc;ncias para determinar a situa&ccedil;&atilde;o de aproximadamente 550 prisioneiros, foram criadas depois que a Suprema Corte de Justi&ccedil;a determinou em junho que os &quot;combatentes inimigos&quot; teriam direito de questionar tal condi&ccedil;&atilde;o perante um tribunal independente. A senten&ccedil;a n&atilde;o estabelecia explicitamente se os presos tinham a apresentar uma apela&ccedil;&atilde;o nos tribunais federais. Portanto, o Pent&aacute;gono se apressou em criar por conta pr&oacute;pria seus pr&oacute;prios tribunais a fim de revisar essa situa&ccedil;&atilde;o, pretendendo dessa maneira cumprir a senten&ccedil;a da Suprema Corte.<br \/> O juiz Leon, nomeado por Bush sem eu primeiro mandato (2001-2005), concordou com o Departamento da Defesa de que o tribunal independente mencionado na senten&ccedil;a da Suprema corte n&atilde;o tinha motivo para ser necessariamente um tribunal federal civil. Em um caso de h&aacute;beas corpus apresentado em nome de sete presos, Leon argumentou que, embora estes tenham direito de apresentar tal pedido, &quot;nenhuma teoria jur&iacute;dica vi&aacute;vel&quot; os beneficiava. Segundo o magistrado, os tribunais carecem de poder para revisar a decis&atilde;o executiva de deter &quot;estrangeiros n&atilde;o residentes, fora dos Estados Unidos, durante um conflito armado&quot;.<br \/> No entanto, Green, veterana ju&iacute;za designada pelo ex-presidente Jimmy Carter (1977-1981), rejeitou essa interpreta&ccedil;&atilde;o. Sua senten&ccedil;a seguramente ser&aacute; revisada pelo Tribunal de Apela&ccedil;&otilde;es do Distrito de Columbia ou pela Suprema Corte de Justi&ccedil;a. &quot;Seria muito mais f&aacute;cil para o governo atuar na guerra contra o terrorismo se pudesse deter em Guant&acirc;namo todos os suspeitos de serem &quot;combatentes inimigos&quot; sem reconhecer nem respeitar os direitos constitucionais dos prisioneiros&quot;, escreveu a ju&iacute;za em sua senten&ccedil;a. &quot;Embora esta na&ccedil;&atilde;o deva, sem d&uacute;vidas, adotar a&ccedil;&otilde;es fortes sob a lideran&ccedil;a do comandante em chefe para se proteger de amea&ccedil;as enormes e sem precedentes, isso n&atilde;o pode negar direitos fundamentais b&aacute;sicos pelos quais o povo deste pa&iacute;s lutou e morreu durante mais de 200 anos&quot;, afirmou Green.<br \/> A ju&iacute;za considerou que os CSRT n&atilde;o cumprem &quot;os requisitos constitucionais do devido processo em v&aacute;rios aspectos&quot;, e recordou nesse sentido que n&atilde;o facilitavam aos prisioneiros pe&ccedil;as de evid&ecirc;ncia que, segundo o governo, deveriam permanecer em segredo. Em muitos casos, de acordo com os pr&oacute;prios registros dos tribunais impugnados, essas evid&ecirc;ncias inclu&iacute;am declara&ccedil;&otilde;es de outros supostos terroristas. Tal circunst&acirc;ncia, advertiu Green, negava aos presos &quot;a possibilidade justa de rebater&quot; sua condi&ccedil;&atilde;o de combatentes inimigos. A ju&iacute;za sugeriu que os &quot;representantes pessoais&quot; &#8211; funcion&aacute;rios sem forma&ccedil;&atilde;o em Direito escolhidos por esses tribunais para &quot;representar&quot; os prisioneiros nos CSRT &#8211; tampouco cumprem as normas do devido processo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 01\/02\/2005 &ndash; A ju&iacute;za Joyce Hens Green, de Washington, determinou que as corte marciais criadas para estabelecer a condi&ccedil;&atilde;o de terroristas dos prisioneiros da base naval norte-americana de Guant&acirc;namo, em Cuba, s&atilde;o inconstitucionais. Esses tribunais militares n&atilde;o atendem aos princ&iacute;pios do devido processo requeridos para casos desse tipo, afirmou a ju&iacute;za na segunda-feira, em uma senten&ccedil;a que deixou em situa&ccedil;&atilde;o ruim o Departamento da Defesa e todo o governo do presidente George W. Bush. A senten&ccedil;a, que seguramente ser&aacute; alvo de uma apela&ccedil;&atilde;o governamental, questiona a amplitude das compet&ecirc;ncias reivindicadas pelo Poder Executivo para conduzir sua &quot;guerra contra o terrorismo&quot;.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/direitos-humanos-julgamentos-em-guantnamo-so-inconstitucionais\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-273","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}