{"id":2740,"date":"2007-03-28T17:09:52","date_gmt":"2007-03-28T17:09:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2740"},"modified":"2007-03-28T17:09:52","modified_gmt":"2007-03-28T17:09:52","slug":"energia-biocombustiveis-proprios-sao-a-chave-para-a-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/03\/africa\/energia-biocombustiveis-proprios-sao-a-chave-para-a-africa\/","title":{"rendered":"Energia: Biocombust\u00edveis pr\u00f3prios s\u00e3o a chave para a \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p>Nair\u00f3bi, 28\/03\/2007 &ndash; Biocombust\u00edveis e outras fontes renov\u00e1veis podem ser a chave para resolver a crise energ\u00e9tica da \u00c1frica. Se as autoridades n\u00e3o agirem logo, a situa\u00e7\u00e3o se agravar\u00e1, alertaram especialistas internacionais e funcion\u00e1rios governamentais. <!--more--> Cidades da \u00c1frica subsaariana como Lusaka, capital de Z\u00e2mbia, Harare (Zimb\u00e1bue), Gaborone (Botswana) e Dar-Es-Salaam (Tanz\u00e2nia) ser\u00e3o afetadas pela crise. \u201cO continente tem muitos recursos renov\u00e1veis que poderiam beneficiar a maioria da popula\u00e7\u00e3o em poucos anos\u201d, afirmou o diretor-adjunto do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, na \u00faltima sexta-feira.<\/p>\n<p>Steiner fez estas declara\u00e7\u00f5es ao encerrar em Nair\u00f3bi a Confer\u00eancia Internacional de T\u00f3quio sobre o Desenvolvimento da \u00c1frica (Ticad), iniciativa criada pelo Jap\u00e3o em 1993 para enfrentar as amea\u00e7as ambientais no continente. Desde a cria\u00e7\u00e3o da Ticad, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, a Coaliz\u00e3o Global para a \u00c1frica, o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o Banco Mundial aderiram ao empreendimento. Steiner alertou que a \u00c1frica corre o risco de ficar presa a um padr\u00e3o de desenvolvimento que a deixar\u00e1 em atraso com rela\u00e7\u00e3o ao resto do mundo. As na\u00e7\u00f5es africanas deveriam recorrer aos seus pr\u00f3prios recursos para criar suas estrat\u00e9gias de desenvolvimento, acrescentou.<\/p>\n<p>Se as grades pot\u00eancias n\u00e3o levarem a s\u00e9rio os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio estabelecidas pela comunidade internacional em 2000, ter\u00e3o que voltar a considerar como o mundo extrai e usa a energia, afirmou o diretor do Pnuma. Al\u00e9m disso, Steiner aplaudiu a Nova Associa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento da \u00c1frica (Nepad), um plano de reestrutura\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para o continente, mas acrescentou que algumas de suas propostas em mat\u00e9ria de energia somente favorecer\u00e3o os mais pobres dentro de 20 ou 30 anos. Para se beneficiar da energia hidrel\u00e9trica, como prop\u00f5e a Nepad, \u00e9 preciso construir represas cuja instala\u00e7\u00e3o causaria o deslocamento de milhares de pessoas e danos ao meio ambiente, afirmou.<\/p>\n<p>Mais de 80% da popula\u00e7\u00e3o africana vivem sem eletricidade. No continente existe, inclusive, muitas escolas, hospitais, empresas e redes de inform\u00e1tica que carecem por completo de energia el\u00e9trica. Mais de 97% dos 60 milh\u00f5es de moradores que a cada ano se somar\u00e3o o mundo at\u00e9 2030, quando a popula\u00e7\u00e3o mundial chegar\u00e1 a oito bilh\u00f5es, corresponder\u00e3o ao Sul em desenvolvimento, segundo o informe do Banco Mundial \u201cPerspectivas econ\u00f4micas mundiais: Administrando a pr\u00f3xima onda da globaliza\u00e7\u00e3o 2007\u201d. A aritm\u00e9tica \u00e9 simples: haver\u00e1 mais seres humanos demandando energia. Boa parte desse crescimento ser\u00e1 nas cidades, cujos moradores exercem uma demanda energ\u00e9tica muito maior do que os da \u00e1rea rural.<\/p>\n<p>O Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Assentamentos Humanos (Habitat) j\u00e1 alertava em 1999 que, embora a maior parte da popula\u00e7\u00e3o africana vivesse nessa \u00e9poca no campo, a taxa de urbaniza\u00e7\u00e3o era alarmante. V\u00e1rias cidades j\u00e1 dominavam a economia continental. Al\u00e9m das populosas capitais dos pa\u00edses da \u00c1frica do Sul, brilhavam em vermelho nos mapas Cairo, Lagos, Nair\u00f3bi e Kampala. Mas este ano, pela primeira vez, a maioria da popula\u00e7\u00e3o mundial residir\u00e1 em \u00e1reas urbanas, disse na confer\u00eancia a diretora-executiva do Habitat, Anna Tibaijuka. Setenta e cinco por cento da energia gasta correspondem a povoados e cidades, o que requer investimento adicional para sua gera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o em zonas urbanas, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cNenhum pa\u00eds jamais reduziu a pobreza sem investimentos substanciais em energia, que \u00e9 a chave para todos os objetivos de desenvolvimento humano. N\u00e3o se pode fornecer \u00e1gua, educa\u00e7\u00e3o ou sa\u00fade sem energia\u201d, afirmou Tibajijuka. Na \u00c1frica, devido \u00e0 falta de eletricidade, milh\u00f5es de pessoas destroem as selvas em sua permanente busca por lenha para cozinhar, processo que prejudica esses ecossistemas. A destrui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o pode levar \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o de zonas que carecem de \u00e1gua sofre as conseq\u00fc\u00eancias, como a morte do gado e a escassez de cultivos. A quest\u00e3o \u00e9 se as na\u00e7\u00f5es africanas podem empreender o desenvolvimento de seus pr\u00f3prios recursos.<\/p>\n<p>\u201cA \u00c1frica n\u00e3o \u00e9 pobre: os africanos s\u00e3o\u201d, resumiu a pr\u00eamio Nobel da Paz 2004 e ministra-adjunta de Meio Ambiente e Recursos Naturais do Qu\u00eania, Wangari Maathai. A popula\u00e7\u00e3o do continente carece da \u201cforma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para utilizar seus abundantes recursos\u201d e n\u00e3o haver\u00e1 \u201cdesenvolvimento na \u00c1frica se as pessoas n\u00e3o usarem seus recursos de forma efetiva\u201d, afirmou. Steiner citou como exemplo de uma forma barata e efetiva de utilizar \u00e1gua da chuva implementada no Qu\u00eania. Entre US$ 100 e US$ 150 bastam para que uma fam\u00edlia de oito pessoas conte em pouco tempo com esse recurso de forma constante. O diretor do Pnuma exortou as na\u00e7\u00f5es africanas a fixarem com valentia sua pr\u00f3pria agenda estabelecendo um contexto para que cada pa\u00eds invista em seu futuro, sem depender de os pa\u00edses ricos pautarem seu caminho para o desenvolvimento. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nair\u00f3bi, 28\/03\/2007 &ndash; Biocombust\u00edveis e outras fontes renov\u00e1veis podem ser a chave para resolver a crise energ\u00e9tica da \u00c1frica. 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