{"id":2765,"date":"2007-04-05T17:33:43","date_gmt":"2007-04-05T17:33:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2765"},"modified":"2007-04-05T17:33:43","modified_gmt":"2007-04-05T17:33:43","slug":"tabaco-o-lucro-que-vem-da-fumaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/04\/africa\/tabaco-o-lucro-que-vem-da-fumaca\/","title":{"rendered":"Tabaco: O lucro que vem da fuma\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Blantyre, Malawi, 05\/04\/2007 &ndash; Os pre\u00e7os do tabaco e a produ\u00e7\u00e3o do Malawi caem, em meio \u00e0 press\u00e3o de ativistas que lutam contra o h\u00e1bito de fumar e \u00e0 d\u00e9b\u00e2cle agr\u00edcola generalizada. <!--more--> O pa\u00eds ainda n\u00e3o avan\u00e7ou na promo\u00e7\u00e3o de cultivos que substituam seu principal produto de exporta\u00e7\u00e3o, chamado de \u201couro verde\u201d por seus habitantes. Historicamente, a folha de fumo \u00e9 considerada a t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o da economia neste pa\u00eds africano sem riquezas minerais. At\u00e9 70% das divisas estrangeiras que entrem no Malawi procedem desse cultivo, enquanto 80% dos trabalhadores s\u00e3o empregados pela ind\u00fastria do tabaco.<\/p>\n<p>Esta na\u00e7\u00e3o da \u00c1frica austral concentra 2% da produ\u00e7\u00e3o (e 20% da variedade burley), bem como 5% das vendas mundiais, segundo o Banco Mundial. A Associa\u00e7\u00e3o de Tabaco de Malawi (Tama), que promove e protege os interesses dos plantadores, diz que este produto tamb\u00e9m representa 13% do produto interno bruto do pa\u00eds e 23% da base de impostos. A origem desses cultivos no pa\u00eds remonta a 1889, quando foram introduzidos por imigrantes procedentes do Estado norte-americano de Virginia.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a ind\u00fastria do tabaco luta por sua sobreviv\u00eancia, amea\u00e7ada pela campanha contra o v\u00edcio de fumar empreendida por ativistas liderados pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade. Outros desafios para os produtores do Malawi s\u00e3o a escassez de compradores e os baixos pre\u00e7os dos leiloes, negocia\u00e7\u00f5es habitualmente diretas entre comprador e vendedor em torno das condi\u00e7\u00f5es de transa\u00e7\u00e3o. Os pequenos agricultores ficam presos em uma armadilha. Um deles \u00e9 Dongo Msiska, que dedicou a esta atividade a maior parte de seus 55 anos.<\/p>\n<p>Aos 24 anos, assumiu os 50 hectares que eram de seu pai. A vida de sua fam\u00edlia e as de seus 33 empregados dependem do tabaco. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, a renda de Msiska caiu em queda livre devido \u00e0 baixa dos pre\u00e7os b\u00e1sicos dos leil\u00f5es. Desde ent\u00e3o, foi obrigado a reduzir a produ\u00e7\u00e3o pela metade. \u201cN\u00e3o podia comprar insumos suficientes para a produ\u00e7\u00e3o com o dinheiro conseguido no ano passado. Tive de diminuir a produ\u00e7\u00e3o e demitir alguns trabalhadores\u201d, disse. Seus problemas foram conseq\u00fc\u00eancia da catastr\u00f3fica queda das vendas, que chegou a 15% no ano passado, passando de US$ 162 milh\u00f5es para US$ 137 milh\u00f5es entre 2005 e 2006, segundo a Comiss\u00e3o de Control do Tabaco (TCC).<\/p>\n<p>O presidente do Malawi, Bingu wa Mutharika, ele mesmo um produtor, admitiu que a ind\u00fastria do tabaco perdeu viabilidade. O mandat\u00e1rio, junto com os minist\u00e9rios da Agricultura e do Com\u00e9rcio, pediu que os agricultores de tabaco considerem com urg\u00eancia alternativas como algod\u00e3o, mandioca, soja, produtos l\u00e1cteos e arroz, entre outras possibilidades. Cerca de 40 mil plantadores seguiram esses conselhos nos \u00faltimos seis anos, segundo a TCC.mas, as propostas de diversifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o impediram Mutharika de continuar lutando pela sobreviv\u00eancia da ind\u00fastria do tabaco.<\/p>\n<p>No ano passado, o presidente acusou os compradores de tabaco residentes no pa\u00eds de forma\u00e7\u00e3o de cartel, e os advertiu que, se n\u00e3o melhorassem os pre\u00e7os b\u00e1sicos nos leil\u00f5es, deveriam abandonar o Malawi. Mutharika imp\u00f4s um pre\u00e7o m\u00ednimo de 110 centavos por quilo para as folhas de qualidade padr\u00e3o e de 170 centavos para as de qualidade superior. Mas os compradores realizaram um boicote e obrigaram o governo a admitir a derrota. Desde ent\u00e3o o presidente qualifica os compradores que desafiaram os pre\u00e7os b\u00e1sicos de \u201cladr\u00f5es\u201d e \u201cexploradores\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, o Malawi negocia com outros pa\u00edses africanos produtores de tabaco \u2013 Mo\u00e7ambique, Tanz\u00e2nia, Z\u00e2mbia e Zimb\u00e1bue \u2013 um conv\u00eanio de coopera\u00e7\u00e3o em mercadotecnia e para agregar maior valor \u00e0 folha. Apesar da press\u00e3o sobre o setor, a maioria dos agricultores do Malawi, atrav\u00e9s da Tama, se mostrou reticente quanto \u00e0 estrat\u00e9gia de diversifica\u00e7\u00e3o, porque o tabaco ainda \u00e9 o cultivo de maior valor comercial. O secret\u00e1rio-executivo da Tama, F\u00e9lix Mkumba, alega que o mercado da folha est\u00e1 garantido, pois toda a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 vencida, embora a pre\u00e7os baixos. \u201cAceitar a diversifica\u00e7\u00e3o total ser\u00e1 suic\u00eddio\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Por sua vez, David Mkwambisi, da Faculdade de Agricultura Bunda, da Universidade de Malawi, considera que o tabaco j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a coluna vertebral da economia nacional. Este especialista isso ao fato de governo e setor privado n\u00e3o terem adotado medidas para potencializar a produ\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, os produtores foram castigados com impostos que n\u00e3o foram reinvestidos no setor. Mkwambisi afirma que os problemas da ind\u00fastria mundial do tabaco n\u00e3o constituem a principal preocupa\u00e7\u00e3o. Para ele, a maioria das dificuldades tem sua origem dentro do Malawi.<\/p>\n<p>Mkwambisi tamb\u00e9m tem d\u00favidas sobre a pol\u00edtica oficial de diversifica\u00e7\u00e3o. \u201cO algod\u00e3o foi identificado como o cultivo para substituir o fumo, mas nada foi feito para promov\u00ea-lo\u201d, disse. \u201cPor que o presidente se apressou a anunciar a diversifica\u00e7\u00e3o? Por acaso temos mercados para o algod\u00e3o, a mandioca, a soja? Por que dever\u00edamos ampliar a agricultura para esses produtos se ainda n\u00e3o encontramos os mercados?\u201d, perguntou o especialista.<\/p>\n<p>Mkwambisi tamb\u00e9m destacou que, mesmo sem considerar as campanhas mundiais de sa\u00fade contra o fumo, depender de um \u00fanico cultivo para o crescimento econ\u00f4mico sup\u00f5e um planejamento extremamente ruim. \u201cAo depender somente do tabaco, como pa\u00eds caminhamos economicamente sobre uma linha muito fina\u201d, alertou. Enquanto isso, a produ\u00e7\u00e3o de fumo no Malawi desmorona. A TCC assinalou que o rendimento do tabaco diminuiu 18 milh\u00f5es de quilo este ano, chegando a 140 milh\u00f5es de quilos. Os compradores internacionais demandam 170 milh\u00f5es de quilos, o que significa que o Malawi tem d\u00e9ficit de 30 milh\u00f5es de quilos. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Blantyre, Malawi, 05\/04\/2007 &ndash; Os pre\u00e7os do tabaco e a produ\u00e7\u00e3o do Malawi caem, em meio \u00e0 press\u00e3o de ativistas que lutam contra o h\u00e1bito de fumar e \u00e0 d\u00e9b\u00e2cle agr\u00edcola generalizada. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/04\/africa\/tabaco-o-lucro-que-vem-da-fumaca\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":213,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-2765","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/213"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2765"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2765\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}