{"id":279,"date":"2005-02-03T00:00:00","date_gmt":"2005-02-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=279"},"modified":"2005-02-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-03T00:00:00","slug":"direitos-humanos-onu-nega-se-a-reconhecer-genocdio-em-darfur","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/direitos-humanos-onu-nega-se-a-reconhecer-genocdio-em-darfur\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: ONU nega-se a reconhecer genoc&iacute;dio em Darfur"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 03\/02\/2005 &ndash; Organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias internacionais criticaram a comiss&atilde;o especial da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas que se negou a qualificar de genoc&iacute;dio o massacre de 400 mil pessoas na regi&atilde;o sudanesa de Darfur. &quot;Os crimes de guerra e contra a humanidade no Sud&atilde;o n&atilde;o podem ser considerados menos do que um genoc&iacute;dio&quot;, afirmou Cl&aacute;udio Cordone, da Anistia Internacional, em resposta ao relat&oacute;rio de 177 p&aacute;ginas divulgado segunda-feira pela ONU. Por sua vez, a organiza&ccedil;&atilde;o africana Africa Action, com sede em Washington, rejeitou as conclus&otilde;es da Comiss&atilde;o de Investiga&ccedil;&atilde;o para Darfur e afirmou que a comunidade internacional &quot;procura p&ecirc;lo em ovo&quot; enquanto um massacre &eacute; cometido. &quot;Falta lideran&ccedil;a para deter o genoc&iacute;dio que j&aacute; matou 400 mil sudaneses e que continua a matar&quot;, ressaltou o grupo em um comunicado.<br \/> <!--more--> <br \/> O presidente do Comit&ecirc; de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da C&acirc;mara de Representantes dos Estados Unidos, Henry J. Hyde, do Partido Republicano (no poder), tamb&eacute;m discordou das conclus&otilde;es do relat&oacute;rio. &quot;Estou profundamente decepcionado pela decis&atilde;o de comiss&atilde;o de apegar-se &agrave; sem&acirc;ntica e deixar de lado sua responsabilidade perante a popula&ccedil;&atilde;o sudanesa&quot;, afirmou. Os problemas em Darfur, reino independente anexado pelo Sud&atilde;o em 1917, come&ccedil;aram nos anos 70 como uma disputa pelas terras de pastagens entre n&ocirc;mades &aacute;rabes e agricultores ind&iacute;genas negros. As duas comunidades &eacute;tnicas praticam a f&eacute; isl&acirc;mica. Por&eacute;m, a tens&atilde;o evoluiu para uma guerra civil em fevereiro de 2003, quando guerrilheiros negros responderam com viol&ecirc;ncia &agrave;s hostilidades das mil&iacute;cias Janjaweed. <\/p>\n<p> Estima-se que cerca de 400 mil pessoas morreram e 1,6 milh&atilde;o se tornaram refugiados. Os Janjaweed s&atilde;o acusados de realizar uma campanha de limpeza &eacute;tnica contra tr&ecirc;s tribos negras que ap&oacute;iam as organiza&ccedil;&otilde;es guerrilheiras Ex&eacute;rcito para a Liberta&ccedil;&atilde;o do Sud&atilde;o e Movimento pela Justi&ccedil;a e a Igualdade.<\/p>\n<p> Suspeita-se que as mil&iacute;cias &aacute;rabes t&ecirc;m apoio de Cartum ou que o governo sudan&ecirc;s fa&ccedil;a vista grossa diante de seus crimes. Mais de 200 mil habitantes de Darfur fugiram para acampamentos criados para refugiados na fronteira com o Chade, mas ainda s&atilde;o vulner&aacute;veis aos ataques. A comiss&atilde;o da ONU, encabe&ccedil;ada pelo italiano Antonio Cassese, ex-presidente do Tribunal Especial para a ex-Iugosl&aacute;via, concluiu que o governo do Sud&atilde;o n&atilde;o &eacute; culpado de genoc&iacute;dio, embora o seja de &quot;s&eacute;rias viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos e da lei humanit&aacute;ria internacional&quot;. A classifica&ccedil;&atilde;o da crise como &quot;genoc&iacute;dio&quot; obrigaria a comunidade internacional a intervir.<\/p>\n<p> A comiss&atilde;o recomendou &quot;especialmente&quot; que os 15 pa&iacute;ses-membros do Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas solicitem ao Tribunal Penal Internacional que investigue a fundo a situa&ccedil;&atilde;o em Darfur. Entretanto isto depender&aacute; dos cinco membros do Conselho com poder de veto, China, Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha e R&uacute;ssia, que em mais de uma oportunidade mostraram-se reticentes em reconhecer a crise no Sud&atilde;o como um genoc&iacute;dio. Washington, que se op&ocirc;s &agrave; cria&ccedil;&atilde;o do TPI, prefere instalar um tribunal especial na Tanz&acirc;nia para julgar os acusados de crimes de guerra, mas o secret&aacute;rio-geral da ONU, Kofi Annan, e a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia preferem que o julgamento aconte&ccedil;a em Haia.<\/p>\n<p> &quot;Meu apoio ao TPI &eacute; bem conhecido, no entanto a decis&atilde;o depende do Conselho de Seguran&ccedil;a, n&atilde;o de mim. O que &eacute; vital &eacute; que estas pessoas sejam julgadas. Os crimes n&atilde;o podem ficar impunes&quot;, afirmou Annan a jornalistas, na ter&ccedil;a-feira. Por sua vez, Cordone afirmou que &quot;Estados Unidos, China e R&uacute;ssia, em particular, deveriam deixar de lado suas reservas sobre o TPI e fazer justi&ccedil;a ao povo do Sud&atilde;o&quot;. A Anistia Internacional exige que o Conselho de Seguran&ccedil;a reconhe&ccedil;a a jurisdi&ccedil;&atilde;o do TPI na crise e ap&oacute;ie uma estrat&eacute;gia completa e a longo prazo para levar a justi&ccedil;a a todos os respons&aacute;veis. Por&eacute;m as discuss&otilde;es sobre a situa&ccedil;&atilde;o do Sud&atilde;o no Conselho de Seguran&ccedil;a foram bloqueadas por membros-chave que tentam proteger seus interesses pol&iacute;ticos, econ&ocirc;micos e militares nesse pa&iacute;s do leste da &Aacute;frica.<\/p>\n<p> A diretora de An&aacute;lise Pol&iacute;tica e Comunica&ccedil;&otilde;es da &Aacute;frica Action afirmou que h&aacute; duas raz&otilde;es pelas quais o Conselho de Seguran&ccedil;a se nega a atuar em Darfur.&quot;Em primeiro lugar, parece que sempre existe falta de vontade pol&iacute;tica quando se trata de tomar decis&otilde;es contra um genoc&iacute;dio na &Aacute;frica, como ocorreu h&aacute; uma d&eacute;cada em Ruanda&quot;, disse &agrave; IPS. Em segundo lugar, v&aacute;rios membros permanentes do Conselho t&ecirc;m &quot;interesses criados&quot; que os impede de tomar uma atitude contr&aacute;ria a Cartum, acrescentou. &quot;A China &eacute; o maior investidor na ind&uacute;stria do petr&oacute;leo do Sud&atilde;o, e a R&uacute;ssia &eacute; o maior fornecedor de armas para Cartum&quot;, explicou Colgan. Esses dois pa&iacute;ses se op&otilde;em a punir o governo sudan&ecirc;s.<\/p>\n<p> No ano passado, o Departamento de Estado norte-americano indicou que via com &quot;grande preocupa&ccedil;&atilde;o&quot; a venda de 12 avi&otilde;es russos MIG-29 Fulcrum para Cartum. A chancelaria russa confirmou a opera&ccedil;&atilde;o, mas esclareceu que n&atilde;o tinha &quot;nenhuma rela&ccedil;&atilde;o com a situa&ccedil;&atilde;o em Darfur&quot;. A Anistia Internacional tamb&eacute;m exigiu de Pequim e Moscou que &quot;deixem de armar os assassinos e permitam que o atual embargo de armas sobre Darfur se estenda a todo o Sud&atilde;o&quot;. Os Estados Unidos s&atilde;o o &uacute;nico pa&iacute;s que reconheceu a crise de Darfur como um genoc&iacute;dio. Entretanto, a Casa Branca n&atilde;o est&aacute; disposta a investir capital pol&iacute;tico para fazer com que o Conselho de Seguran&ccedil;a aja. Existe uma indigna falta de vontade para assumir a lideran&ccedil;a e enfrentar outro genoc&iacute;dio na &Aacute;frica&quot;, afirmou Colgan. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 03\/02\/2005 &ndash; Organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias internacionais criticaram a comiss&atilde;o especial da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas que se negou a qualificar de genoc&iacute;dio o massacre de 400 mil pessoas na regi&atilde;o sudanesa de Darfur. &quot;Os crimes de guerra e contra a humanidade no Sud&atilde;o n&atilde;o podem ser considerados menos do que um genoc&iacute;dio&quot;, afirmou Cl&aacute;udio Cordone, da Anistia Internacional, em resposta ao relat&oacute;rio de 177 p&aacute;ginas divulgado segunda-feira pela ONU. Por sua vez, a organiza&ccedil;&atilde;o africana Africa Action, com sede em Washington, rejeitou as conclus&otilde;es da Comiss&atilde;o de Investiga&ccedil;&atilde;o para Darfur e afirmou que a comunidade internacional &quot;procura p&ecirc;lo em ovo&quot; enquanto um massacre &eacute; cometido. &quot;Falta lideran&ccedil;a para deter o genoc&iacute;dio que j&aacute; matou 400 mil sudaneses e que continua a matar&quot;, ressaltou o grupo em um comunicado.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/direitos-humanos-onu-nega-se-a-reconhecer-genocdio-em-darfur\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-279","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=279"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}