{"id":2793,"date":"2007-04-16T17:22:23","date_gmt":"2007-04-16T17:22:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2793"},"modified":"2007-04-16T17:22:23","modified_gmt":"2007-04-16T17:22:23","slug":"ambiente-transportes-muito-melhor-do-que-o-etanol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/04\/america-latina\/ambiente-transportes-muito-melhor-do-que-o-etanol\/","title":{"rendered":"Ambiente-transportes: Muito melhor do que o etanol"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 16\/04\/2007 &ndash; Os ve\u00edculos h\u00edbridos el\u00e9tricos (VHE) s\u00e3o a melhor solu\u00e7\u00e3o para reduzir drasticamente a emiss\u00e3o de gases causadores do efeito estufa pelo transporte, inclusive mais do que os biocombust\u00edveis, enquanto n\u00e3o for vi\u00e1vel o uso de hidrog\u00eanio. <!--more--> Essa alternativa ganha for\u00e7a diante dos mais recentes informes do Grupo Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que reclamam medidas urgentes para conter o aquecimento da Terra, afirmam especialistas brasileiros.<\/p>\n<p>O VHE pode reduzir em at\u00e9 80% a contamina\u00e7\u00e3o causada por ve\u00edculos que utilizam derivados de petr\u00f3leo, \u201cem alguns casos, at\u00e9 90%\u201d, disse \u00e0 IPS Marcelo Massarani, professor de engenharia automotora da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo. Um VHE ainda custa entre 10% e 20% mais caro do que um convencional, mas nas condi\u00e7\u00f5es de S\u00e3o Paulo a substitui\u00e7\u00e3o representaria uma economia m\u00e9dia de R$ 18 mil durante a vida \u00fatil de cada ve\u00edculo, afirma a especialista Juliana de Queiroz em sua tese de mestrado, orientada por Massarani.<\/p>\n<p>Em resumo, compreende menor consumo de combust\u00edvel, redu\u00e7\u00e3o de gastos m\u00e9dicos por doen\u00e7as causadas pela contamina\u00e7\u00e3o e cr\u00e9ditos no mercado de carbono criado pelo Protocolo de Kyoto, que fixa metas de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases que causam o efeito estufa at\u00e9 2012. Os benef\u00edcios do VHE s\u00e3o reconhecidos, mas \u201cfalta vontade pol\u00edtica\u201d para adotar medidas que impulsionem sua produ\u00e7\u00e3o, afirmou Massarani. No Brasil, um estimulo evidente \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o de impostos, que chegam a 33,3%, o dobro do cobrado na Europa, acrescentou.<\/p>\n<p>O professor falou de sua inten\u00e7\u00e3o de reunir este ano em sua universidades governantes, representantes da ind\u00fastria automobil\u00edstica, outros pesquisadores e ambientalistas para discutir, em um semin\u00e1rio, estrat\u00e9gias para incentivar os novos ve\u00edculos e remover os obst\u00e1culos \u00e0 sua implementa\u00e7\u00e3o. O VHE usa motor el\u00e9trico abastecido por baterias e um gerador que converte o combust\u00edvel em eletricidade. Isto \u00e9, n\u00e3o deixa de usar gasolina diesel ou \u00e1lcool, mas em quantidades menores.<\/p>\n<p>\u201cO motor el\u00e9trico \u00e9 muito mais eficiente\u201d, em especial na partida, n\u00e3o consome energia quando est\u00e1 parado, e quando se freia \u201cseu motor se converte em gerador de eletricidade\u201d, explicou \u00e0 IPS Jayme Buarque de Hollanda, diretor do Instituto Nacional de Efici\u00eancia Energ\u00e9tica (INEE). A energia perdida por ve\u00edculos convencionais quando det\u00eam sua marcha e o motor fica funcionando, nos Estados Unidos, \u00e9 calculada em 17%. J\u00e1 um ve\u00edculo hibrido consome nada nesses momentos, ressaltou.<\/p>\n<p>O motor \u00e0 gasolina ou diesel \u201caproveita apenas um ter\u00e7o da energia consumida\u201d, e o desperd\u00edcio se nota no calor que produz e no cano de escapamento, acrescentou Antonio Nunes Junior, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ve\u00edculos El\u00e9tricos (ABVE). O VHE n\u00e3o representa \u201cum salto tecnol\u00f3gico\u201d, mas aproveita as tecnologias existentes, por\u00e9m, \u201cem uma nova arquitetura que rompe modelos\u201d, definiu Hollanda. \u00c9 uma solu\u00e7\u00e3o \u201cmais eficiente, menos contaminante e mais barata\u201d, mas sua entrada no mercado \u201c\u00e9 um processo lento\u201d, pois toda cadeia de produ\u00e7\u00e3o deve ser adaptada, com altos investimentos e certeza de retorno, explicou.<\/p>\n<p>De todo modo, sua produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7ou e cresce nos grandes mercados. Mais de 320 mil autom\u00f3veis h\u00edbridos foram vendidos no ano passado, 253.636 deles nos Estados Unidos (19,2% mais do que em 2005), e cerca de 40 mil no Jap\u00e3o, destacou Nunes Junior. Na Europa, onde h\u00e1 mais de 70 mil em circula\u00e7\u00e3o, a expans\u00e3o foi de 56% ao ano. Uma barreira \u00e9 o custo inicial mais elevado, embora se compense depois de quatro a seis anos de economia de combust\u00edvel. Outra \u00e9 que ainda h\u00e1 poucos modelos de autom\u00f3veis h\u00edbridos e os compradores n\u00e3o encontram neles as caracter\u00edsticas que desejam, por falta, por exemplo, de variedade de tamanhos, afirmou.<\/p>\n<p>Mas \u201c\u00e9 consenso que o futuro do setor automotivo \u00e9 a tra\u00e7\u00e3o el\u00e9trica\u201d, seja o VHE ou o ve\u00edculo com baterias de \u00edon e l\u00edtio, em desenvolvimento, que permitir\u00e1 em um futuro pr\u00f3ximo uma grande economia, previu Nunes Junior. A ind\u00fastria japonesa \u00e9 a que mais investe no desenvolvimento de baterias, e anuncia para a pr\u00f3xima d\u00e9cada ve\u00edculos el\u00e9tricos com essa fonte de energia a pre\u00e7os competitivos. \u201c\u00c9 um processo irrevers\u00edvel, embora lento\u201d, impulsionado pelos problemas ambientais e pela alta do petr\u00f3leo, afirmou Hollanda. O desenvolvimento das baterias avan\u00e7a rapidamente em capacidade e redu\u00e7\u00e3o de custos, tanto pelo esfor\u00e7o da ind\u00fastria automobil\u00edstica quanto da inform\u00e1tica, acrescentou.<\/p>\n<p>O aquecimento da Terra tem como uma de suas principais causas os mais de 700 milh\u00f5es de autom\u00f3veis que circulam hoje no mundo. Na Europa, estima-se que os carros particulares respondam por 10% da emiss\u00e3o de gases causadores do efeito estufa. E a cada ano o mundo produz mais de 40 milh\u00f5es de novos ve\u00edculos. O IPCC diz em seu informe divulgado em fevereiro que 14% das emiss\u00f5es prov\u00eam de atividades de transporte, entre as quais predomina a rodovi\u00e1ria. O Brasil tem a vantagem de combinar o VHE com etanol, que produz a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar, um exemplo de m\u00e1xima efici\u00eancia energ\u00e9tica, pois \u00e9 muito produtivo e em seu processamento tamb\u00e9m gera eletricidade, destacou o especialista.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, como o pa\u00eds tem um mercado pequeno, com uma frota total de 24 milh\u00f5es de autom\u00f3veis e produ\u00e7\u00e3o anual de 2,1 milh\u00f5es, a produ\u00e7\u00e3o de VHE leves vai demorar para arrancar. A ind\u00fastria ir\u00e1 preferir, naturalmente, ganhar escala em grandes mercados ricos, como Estados Unidos, Europa e Jap\u00e3o. Por\u00e9m, o Brasil j\u00e1 produz e exporta \u00f4nibus el\u00e9tricos h\u00edbridos e dever\u00e1 em breve fazer o mesmo com caminh\u00f5es. Seu caminho \u00e9 come\u00e7ar por ve\u00edculos pesados at\u00e9 que a press\u00e3o do mercado, estimulado pelo aquecimento do planeta e o pre\u00e7o do petr\u00f3leo, torne vi\u00e1vel passar para a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos leves, concluiu Hollanda. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 16\/04\/2007 &ndash; Os ve\u00edculos h\u00edbridos el\u00e9tricos (VHE) s\u00e3o a melhor solu\u00e7\u00e3o para reduzir drasticamente a emiss\u00e3o de gases causadores do efeito estufa pelo transporte, inclusive mais do que os biocombust\u00edveis, enquanto n\u00e3o for vi\u00e1vel o uso de hidrog\u00eanio. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/04\/america-latina\/ambiente-transportes-muito-melhor-do-que-o-etanol\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10,4],"tags":[],"class_list":["post-2793","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2793","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2793"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2793\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}