{"id":2795,"date":"2007-04-17T13:02:22","date_gmt":"2007-04-17T13:02:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2795"},"modified":"2007-04-17T13:02:22","modified_gmt":"2007-04-17T13:02:22","slug":"ambiente-malaui-os-desgastes-humanos-em-vez-de-adubos-quimicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/04\/africa\/ambiente-malaui-os-desgastes-humanos-em-vez-de-adubos-quimicos\/","title":{"rendered":"AMBIENTE-MALAU\u00cd:: Os Desgastes Humanos em Vez de Adubos Qu\u00edmicos"},"content":{"rendered":"<p>BLANTYRE, 17\/04\/2007 &ndash; Em muitas partes do Malau\u00ed, n\u00e3o se fala sobre os excrementos humanos. \u00c9 proibido. A mera men\u00e7\u00e3o da palavra fezes em qualquer uma das 10 l\u00ednguas oficiais do pa\u00eds causa muito embara\u00e7o. M\u00e1s o excremento humano pode estar pronto a ganhar a respeitabilidade <!--more--> Nos \u00faltimos anos viu se os agricultores a come\u00e7ar a usar os desgastes humanos como adubo: as fezes e a urina, misturado com as cinzas de lenha e a terra, est\u00e3o a tomar o lugar dos adubos qu\u00edmicos. Esta pr\u00e1tica foi introduzida quando os agricultores que n\u00e3o podiam comprar os adubos qu\u00edmicos buscavam os m\u00e9todos alternativos de aumentar a colheita deles. <\/p>\n<p>Os adubos qu\u00edmicos podem custar at\u00e9 11 d\u00f3lares para um saco de 50 quilogramas \u2013 uma grande despesa no Malu\u00ed,onde mais de 65 porcento da popula\u00e7\u00e3o vive por debaixo da linha de pobreza de um d\u00f3lar por dia, segundo o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). <\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional de Trabalho (OIT) indica que os agricultores e os dependentes deles constituem 85 porcento da popula\u00e7\u00e3o de Malau\u00ed de12 milh\u00f5es de pessoas. <\/p>\n<p>&#8220;Eu e a minha fam\u00edlia usamos aquele tipo de latrina naqual se pode deitar as cinzas nos excrementos cada vez que se vai a casa de banho. Isto acaba por acelerar o processo da decomposi\u00e7\u00e3o. O produto decomposto \u00e9 misturado com a terra depois de cerca de seis meses, tornando a mistura num adubuo bem eficaz,&#8221; diz o Patrick Moyo, um agricultor no distrito setentrional de Mzimba. <\/p>\n<p>O Moyo disse a IPS que ele j\u00e1 n\u00e3o gasta dinheiro comprando os adubos qu\u00edmicos, e que a colheita anual do seu milho e fruta tem dobrada desde que come\u00e7ou a usar o adubo produzido dos excrementos humanos. As comunidades em seis dos 27 distritos de Malau\u00ed j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o a usar os adubos qu\u00edmicos. <\/p>\n<p>O S\u00ednodo de Livingstonia da Igreja Presbiteriana da \u00c1frica Central, uma das igrejas protestantes principais de Malau\u00ed, est\u00e1 a trabalhar com uma organiza\u00e7\u00e3o internacional n\u00e3o governamental &#8212; WaterAid \u2013 na promo\u00e7\u00e3o da reciclagem de fezes. <\/p>\n<p>O Sangster Nkhandwe, o direitor do departamento do desenvolvimento do s\u00ednodo, disse que a transforma\u00e7\u00e3o dos desgastes humanos num adubo chama se &#8220;o saneamento ecol\u00f3gica &#8220;, e n\u00e3o constitui uma grande amea\u00e7a a transmiss\u00e3o de do\u00ean\u00e7as atrav\u00e9s dos excrementos. <\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 fizemos alguns estudos cient\u00edficos sobre esta tecnologia e descobrimos que n\u00e3o amea\u00e7a a sa\u00fade humana de maneira nenhuma \u2026porque os micro-organismos s\u00e3o tratados imediatamente que se p\u00f5e as cinzas nos excrementos humanos,&#8221; disse ele a IPS. <\/p>\n<p>&#8220;Os excrementos humanos t\u00eam os nutritivos importantes para o uso agr\u00edcolo, m\u00e1s se perde muito destes quando as latrinas tradicionais de fossa ficam cheias e s\u00e3o abandonadas. \u00c9 por isso que se usa as eco-latrinas para corrigir a situa\u00e7\u00e3o.&#8221; <\/p>\n<p>Segundo o Amos Chigwenembe, o respons\u00e1vel para a pol\u00edtica e a advogacia para WaterAid, usa se tr\u00eas tipos de latrinas de fossa nas zonas que praticam a reciclagem de desgastes: a Arborloo, a Fossa Alterna e a Skyloo. <\/p>\n<p>Segundo ele, o Arborloo, \u00e9 a mais s\u00edmples das tr\u00eas latrinas porque exige o m\u00ednimo reajustamento pela comunidade que a usar\u00e1. Ela exige que a comunidade planta uma \u00e1rvore na latrina de fossa convencional depois desta ser cheia de excrementos.<\/p>\n<p>&#8220;A \u00e1rvore cresce e utilize o composto para produzir fruta grande e sumarenta. Depois de alguns anos do mudar a locaidade da latrina tem se um pomar que produz boa fruta a um valor econ\u00f3mico,&#8221; disse o Chigwenembe a IPS. <\/p>\n<p>Com a Fossa Alterna, cava duas fossas pouco profundas. Usa uma para defecar, e a outra para guardar os desgastes como amadurecem e criar um adubo. <\/p>\n<p>O Chigwenembe explica que uma camada escasso de terra posta em cima da fossa madurecendo \u00e9 ideal para cultivar tomates e pimentos. Regar estas colheitas ajuda o processo de decomposi\u00e7\u00e3o. A fossa est\u00e1 esvaziada para receber o conte\u00fado da fossa de defeca\u00e7\u00e3o quando este estiver cheia com os desgastes compostos sendo usados como adubos.<\/p>\n<p>A Skyloo usa o mesmo princ\u00edpio, dos recintos de tij\u00f3los \u2013 ou &#8220;bodegas&#8221;. <\/p>\n<p>&#8220;As fezes caiem atrav\u00e9s de um buraco numa bodega e amadurecem a\u00ed. As bodegas s\u00e3o rodados da mesma maneira como a Fossa Alterna. Depois do tempo suficiente de reten\u00e7\u00e3o, o conte\u00fado das bodegas vai ao jardim ou \u00e1 quintal,&#8221; disse o Chigwenembe. <\/p>\n<p>As eco-latrinas podem ser redondas com uma t\u00e1bua na forma de uma c\u00fapula a servir do assento para os que a usar\u00e3o. Isto tamb\u00e9m d\u00e1 para as comunidades de rendimentos baixos, porque a t\u00e1bua n\u00e3o tem nenhumas barras de ferro refor\u00e7adas que custam muito e se encontram apenas nas grandes cidades de Malau\u00ed. O tamanho e o peso da t\u00e1bua facilita a transporta\u00e7\u00e3o usando os meios limitados de transporte que s\u00e3o disponiveis as fam\u00edlias pobres, como as caro\u00e7as puxadas a m\u00e3o.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de ser boa para o sistema ecol\u00f3gico, estas tecnologias tamb\u00e9m conv\u00eam as mulheres. <\/p>\n<p>A Nya Kaunda lembra se da altura em que a latrina tradicional dela tornou se invend\u00e1vel depois da morte do marido dela em 2000, ela come\u00e7u a ir a casa de banho nos arbustos porque n\u00e3o conseguia cavar uma outra latrna. Cavar as latrinas \u00e9 o trabalho muito duro e dif\u00edcil, porque a fossa normalmente deve ser t\u00e3o grande que pode conter dez anos de desgastos . \u00c9 por isso que tradicionalmente esta tarefa \u00e9 a responsabilidade dos homens. <\/p>\n<p>M\u00e1s com a introdu\u00e7\u00e3o das eco-latrinas, a Kaunda est\u00e1 a cavar uma fossa depois de uma outra. <\/p>\n<p>&#8220;Cavar uma eco-latrina n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil porque a fossa \u00e9 pouco profunda. N\u00e3o importa se a latrina seja aberta ou coberta. Agora eu posso usar a minha casa de banho sem medo de qualquer mi\u00fado me ver indo a casa de,&#8221; disse ela a IPS. <\/p>\n<p>* Este artigo faz parte de uma s\u00e9rie de artigos da IPS &#8212; Inter Press Service \u2013 e da IFEJ, ( International Federation of Environmental Journalists.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BLANTYRE, 17\/04\/2007 &ndash; Em muitas partes do Malau\u00ed, n\u00e3o se fala sobre os excrementos humanos. \u00c9 proibido. 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