{"id":2796,"date":"2007-04-17T13:06:28","date_gmt":"2007-04-17T13:06:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2796"},"modified":"2007-04-17T13:06:28","modified_gmt":"2007-04-17T13:06:28","slug":"desenvolvimento-africa-austral-sobrevivendo-o-trabalho-informal-e-a-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/04\/africa\/desenvolvimento-africa-austral-sobrevivendo-o-trabalho-informal-e-a-politica\/","title":{"rendered":"DESENVOLVIMENTO-\u00c1FRICA AUSTRAL:: Sobrevivendo o Trabalho Informal e a Pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>O CABO, 17\/04\/2007 &ndash; Embora seja inseguro e n\u00e3o paga bem, o trabalho informal \u00e9 agora a fonte prim\u00e1ria dos habitantes da \u00c1frica Austral ganharem a vida. Sem este trablho as poucas possibilidades de sobreviv\u00eancia ficam cada vez mais reduzidas, como foi indicado por alguns estudos recentes <!--more--> A situa\u00e7\u00e3o em Kinshasa, o capital da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo(RDC), \u00e9 um exemplo de um tal caso. <\/p>\n<p>O fracasso do mercado de copre tornou esta cidade num centro de atividade comercial na RDC. A cidade cresceu dramaticamente e agora tem sete milh\u00f5es de habitantes. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, uma alta porcentagem de habitantes de Kinshasa foram for\u00e7adas a ganhar a vida no sector informal.<\/p>\n<p>Os niveis de pobreza e da desiguldade em Kinshasa foram analisados pelo Tom de Herdt e o Wim Marivoet do Instituto do Desenvolimento e da Gest\u00e3o de Pol\u00edticas na Universidade de Antwerp na B\u00e9lgica. Estes homens compararam duas an\u00e1lises de rendimentoas e duas an\u00e1lises de despesas realizadas em 1975 e 2004. <\/p>\n<p>O Bruto Produto Nacional por capita da RDC atualmente est\u00e1 a um quinto do que era em 1974 devido aos problemas econ\u00f3micos sucedidos e a guerra civ\u00edl. Tudo isto tamb\u00e9m significativamente mudou entre 1975 e 2004. <\/p>\n<p>Em 1975 uma fam\u00edlia m\u00e9dia gastava 0.8 porcento do seu or\u00e7amento na educa\u00e7\u00e3o. Esta porcentagem tinha subida a 5.6 porcento em 2004, refletindo a comercializa\u00e7\u00e3o de facto das escolas durante os anos 1990s. O De Herdt e Marivoet dizem que agora as escolas s\u00e3o lugares nos quais o governo exige \u201cimpostos para financiar o departamento de educa\u00e7\u00e3o&#8221;. <\/p>\n<p>Da mesma maneira, a retirada do estado da provis\u00e3o de habita\u00e7\u00e3o e transporte conduziu ao sector privado aumentar as suas despesas nestes servi\u00e7os. Como resultado, as fam\u00edlias gastam menos para a comida: de 62.8 porcento em 1975 a 57.8 porcento do or\u00e7amento m\u00e9dio de cada fam\u00edlia em 2004. <\/p>\n<p>Uma compara\u00e7\u00e3o da consoma\u00e7\u00e3o de calorias mostra uma redu\u00e7\u00e3o de cinco porcento na alimenta\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias durante a mesma altura. O De Herdt e o Marivoet atribuem isto a mudan\u00e7a para se comer alimentos mais nutritivos. A mandioca foi substituida pelo milho e a arroz, que s\u00e3o mais baratos e t\u00eam mais valor nutritivo.<\/p>\n<p>Numa compara\u00e7\u00e3o da coefic\u00eancia Gini de 1975 e a de 2004, o De Herdt e o Marivoet tamb\u00e9m notaram uma pequena redu\u00e7\u00e3o nos niveis de desigualdade. Esta \u00edndice da desigualdade econ\u00f3mica mudou de 0.43 a 0.41, com o zero sendo a igualdade absoluta e um sendo a desigualdade absoluta. Para al\u00e9m disso, a porcentagem dos pobres aumentou um pouco de 60.7 a 60.8 porcento. <\/p>\n<p>A porcentagem de pessoas afluentes aumentou de 16.7 porcento em 1975 \u00e1 19.8 em 2004, disseram o De Herdt e o Marivoet. Este crescimento na aflu\u00eancia \u00e9 devido a diminui\u00e7\u00e3o do grupo de rendimentos m\u00e9dios. <\/p>\n<p>Estas mudan\u00e7as ocorreram num contexto de n\u00fameros aumentandos de congoleses trabalhando no sector informal. Apenas 12 porcento das fam\u00edlias em Kinshasa ganham a vida dos empregos no sector formal.<\/p>\n<p>Mais 11 porcento delas ganham rendimentos do sector formal e informal, enquanto que 76 porcento trabalham no sector informal. A maioria dos pobres (66 porcento) est\u00e3o no sector informal, comparado a 16 porcento dos affluentes. <\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise de g\u00e9neros mostra que a economia informal tocou muito nas mulheres, porque as fam\u00edlias chefiadas pelas mulheres quase dobraram de 11 a 20 porcento entre 1975 e 2004, segundo o De Herdt e o Marivoet. <\/p>\n<p>Na RDC h\u00e1 uma classe de mulheres chamadas por &#8220;mulheres livres&#8221; que historicamente tem sido muito ativa na produ\u00e7\u00e3o informal e nas redes comerciais. 40 porcento delas eram afluentes em 1975. M\u00e1s este grupo diminuiu porque as fam\u00edlias chefiadas pelas mulheres normalemente t\u00eam rendimentos mais baixos de que as chefiados pelos homens em 2004. <\/p>\n<p>As fam\u00edlias chefiadas pelas mulheres foram \u201dsobre representadas entre os pobres e sub representadas entre os afluentes &#8220;, sugerindo que sim a mudan\u00e7a ao trabalho informal trouxe mais mulheres no Mercado laboral, m\u00e1s tamb\u00e9m \u201cempurrou as \u00e1s camadas mais baixas &#8220;, indicaram o De Herdt e o Marivoet. <\/p>\n<p>Os estudos feitos mostraram que as interven\u00e7\u00f5es pol\u00edticas na economia do sector informal prejudicam a sobreviv\u00eancia das fam\u00edlias. <\/p>\n<p>Quando o governo maluiano proibiu os \u201crapazes de planos\u201d no microbus em Janeiro de 2006, muitos deles ficaram desamparados. Antes, estes rapazes ganhavam 107 d\u00f3lares por m\u00eas quando chamavam os passageiros para recrut\u00e1-los.Um professor ganha 43 d\u00f3lares por m\u00eas, segundo o Richard Tambulasi e o Happy Kayuni da Universidade de Malau\u00ed.<\/p>\n<p>Os dois pesquisadores repararam que os \u201crapazes de planos\u201d n\u00e3o s\u00e3o \u201crapazes\u201d no sentido exato da palavra por que t\u00eam fam\u00edlias e responsabilidades &#8220;. <\/p>\n<p>Um estudo realisado pelo Tambulasi e Kayuni mostrou que muitos destes rapazes acabaram a escola prim\u00e1ria, m\u00e1s n\u00e3o atinjiram um nivel superior de educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podiam conseguir emprego formal num pa\u00eds onde apenas 25 porcento dos que saiem da escola encontram o emprego na economia formal, indicou o Tambulasi e o Kayuni. <\/p>\n<p>O governo proibiu a atividade destes rapazes por que eram acusados de ser criminosos. Segundo o Tambulasi e o Kayuni, a maioria destes rapazes n\u00e3o s\u00e3o criminosos e muitas vezes eles ajudam os passageiros a chegar \u00e1s destina\u00e7\u00f5es deles. O governo ignorou os apelos a anular a proibi\u00e7\u00e3o destes rapazes.  Como resultado, muitos destes rapazes sofrem da pobreza e n\u00e3o podem encontrar outros meios de ganhar a vida. Alguns deles at\u00e9 tomaram recurso a criminalidade para sobreviver, observou o estudo do Tambulasi e Kayuni. <\/p>\n<p>Estas e outras conclus\u00f5es do estudo foram discutidas numa confer\u00eancia sobre a economia informal, realisado no fim de mar\u00e7o na cidade costal do Cabo, na \u00c1frica do Sul. <\/p>\n<p>A confer\u00eancia foi organizada pelo Programa dos Estudos Agr\u00e1rios, uma organiza\u00e7\u00e3o que faz pesquisas que faz parte da Universidade do Cabo Ocidental, e o Instituto Islanda, uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental que estuda a habita\u00e7\u00e3o. Ambas organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o baseadas no Cabo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O CABO, 17\/04\/2007 &ndash; Embora seja inseguro e n\u00e3o paga bem, o trabalho informal \u00e9 agora a fonte prim\u00e1ria dos habitantes da \u00c1frica Austral ganharem a vida. 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