{"id":28,"date":"2005-01-20T00:00:00","date_gmt":"2005-01-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=28"},"modified":"2005-01-20T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-20T00:00:00","slug":"o-segredo-do-modelo-nrdico-superpotncia-da-bioenergia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/o-segredo-do-modelo-nrdico-superpotncia-da-bioenergia\/","title":{"rendered":"O segredo do modelo n&oacute;rdico: Superpot&ecirc;ncia da bioenergia"},"content":{"rendered":"<p>Arcada, 20\/01\/2005 &ndash; de-a&ccedil;&uacute;car totalizar&atilde;o US$ 2 bilh&otilde;es em 2004, quase tr&ecirc;s vezes mais do que no ano passado.<br \/> <!--more--> <br \/> RIO DE JANEIRO.- A alta do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo e a iminente entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, gra&ccedil;as &agrave; ratifica&ccedil;&atilde;o por parte da R&uacute;ssia, aceleram um processo que leva o Brasil a se afirmar como uma pot&ecirc;ncia da bioenergia. As exporta&ccedil;&otilde;es de &aacute;lcool produzido a partir da cana-de-a&ccedil;&uacute;car devem passar de 800 milh&otilde;es de litros, no ano passado, para dois milh&otilde;es este ano, e a expans&atilde;o tende a se manter com independ&ecirc;ncia dos pre&ccedil;os do petr&oacute;leo. S&atilde;o muitos os pa&iacute;ses que, como o Jap&atilde;o, se preparam para adicionar etanol &agrave; sua gasolina ou aumentar a quantidade desse &aacute;lcool no combust&iacute;vel, para reduzir a polui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Espera-se que as fontes renov&aacute;veis tenham um decisivo impulso global com a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto (1997), que controla a emiss&atilde;o de gases causadores do efeito estufa, respons&aacute;veis pela mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. O Senado da R&uacute;ssia anunciou, no dia 27 de outubro, a ratifica&ccedil;&atilde;o do tratado. Uma vez promulgado pelo Executivo, o Protocolo entrar&aacute; em vigor, pois estar&aacute; completado o n&uacute;mero de pa&iacute;ses necess&aacute;rios: aqueles que emitem 55% dos gases que provocam o efeito estufa. <\/p>\n<p> No Brasil, o combust&iacute;vel de fonte renov&aacute;vel recupera a popularidade que teve nos anos 80, e n&atilde;o apenas pelo seu pre&ccedil;o menor. Cresce rapidamente a procura por autom&oacute;veis bicombust&iacute;veis, que podem utilizar gasolina, &aacute;lcool ou qualquer mistura de ambos, que foram lan&ccedil;ados no ano passado. Em 1985 e 1986, os ve&iacute;culos movidos a &aacute;lcool atingiram a fant&aacute;stica propor&ccedil;&atilde;o de 76% do total produzido no Brasil. Mas problemas de abastecimento e pre&ccedil;os afetaram a credibilidade do programa Pro&aacute;lcool, de substitui&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;veis, iniciado depois da crise do petr&oacute;leo de 1973. <\/p>\n<p> A produ&ccedil;&atilde;o de autom&oacute;veis a &aacute;lcool atingiu o fundo do po&ccedil;o em 1997, quando foi de 0,06% do total, segundo dados da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Fabricantes de Ve&iacute;culos Automotores (Anfavea). Desde ent&atilde;o, registrou uma lenta recupera&ccedil;&atilde;o, acentuada desde o ano passado, quando 84.173 autom&oacute;veis que usam &aacute;lcool combust&iacute;vel, incluindo bicombust&iacute;veis, representaram 4,6% do total produzido. Este ano, essa quantidade deve crescer cinco vezes, j&aacute; que a produ&ccedil;&atilde;o de janeiro a setembro somou 253.817 unidades, sendo que em setembro foram 32% do total do m&ecirc;s.<\/p>\n<p> A possibilidade de usar um ou outro combust&iacute;vel contribui, junto com o pre&ccedil;o, para resgatar a confian&ccedil;a no &aacute;lcool, uma vez que elimina o risco de desabastecimento ou s&uacute;bito aumento de pre&ccedil;os. Al&eacute;m disso, toda gasolina no Brasil cont&eacute;m de 20% a 24% de &aacute;lcool anidro, reduzindo o consumo de petr&oacute;leo e a polui&ccedil;&atilde;o. E j&aacute; se come&ccedil;a a produzir avi&otilde;es para fumiga&ccedil;&atilde;o movidos a etanol. O subsidiado desenvolvimento do Pro&aacute;lcool custou cerca de US$ 40 bilh&otilde;es, mas o pa&iacute;s &quot;j&aacute; recuperou esses gastos&quot; e agora colhe os frutos, inclusive pela tecnologia desenvolvida, disse ao Terram&eacute;rica o pesquisador Osvaldo Stella Martins, do Centro Nacional de Refer&ecirc;ncia em Biomassa. <\/p>\n<p> A cana necess&aacute;ria para fazer do Brasil o maior produtor mundial de a&ccedil;&uacute;car e &aacute;lcool gera grande quantidade de baga&ccedil;o, fonte de calor e eletricidade, que serve o mercado energ&eacute;tico, al&eacute;m de alimentar as pr&oacute;prias centrais a&ccedil;ucareiras e destilarias. Agora, o novo programa de biodiesel entusiasma pesquisadores e empres&aacute;rios. O governo anunciou que autorizar&aacute;, em novembro deste ano, sua adi&ccedil;&atilde;o ao diesel, na propor&ccedil;&atilde;o de 2%, que chegar&aacute; a 5% dentro de alguns anos. Al&eacute;m de reduzir importa&ccedil;&otilde;es e melhorar o meio ambiente, esse programa ser&aacute; de inclus&atilde;o social, ao gerar centenas de milhares de empregos e favorecer a agricultura familiar em &aacute;reas pobres, segundo o ministro da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Eduardo Campos. <\/p>\n<p> Por essa raz&atilde;o se pensa em priorizar a produ&ccedil;&atilde;o a partir da mamona (Ricinus communis) no nordeste, a regi&atilde;o mais pobre do pa&iacute;s, mas o biodiesel de mamona dever&aacute; ser fortemente subsidiado, j&aacute; que custa o triplo do petrol&iacute;fero, disse Martins, engenheiro mec&acirc;nico com doutorado em Ecologia e Recursos Naturais. O &oacute;leo de mamona, mat&eacute;ria-prima de centenas de produtos qu&iacute;micos, medicinais e cosm&eacute;ticos, tem grande demanda mundial n&atilde;o atendida, e seria mais l&oacute;gico promover sua produ&ccedil;&atilde;o como insumo industrial, em lugar de utiliz&aacute;-lo para biodiesel e carregar a sociedade com o custo dos subs&iacute;dios para &quot;resolver um problema&quot; da Petrobr&aacute;s, acrescentou o especialista. O problema &eacute; que a Petrobr&aacute;s deve produzir diesel sem enxofre, por motivos ambientais, e lhe conv&eacute;m substituir esse aditivo lubrificante por biodiesel, transferindo custos &agrave; sociedade, explicou Martins. <\/p>\n<p> De todo modo, tamb&eacute;m se pesquisa no sentido de produzir biodiesel a partir de v&aacute;rios outros vegetais, e inclusive a partir de res&iacute;duos org&acirc;nicos urbanos. A alternativa que mais entusiasma o especialista, bem como a La&eacute;rcio Couto, engenheiro florestal e presidente da Rede Nacional de Biomassa para Energia, &eacute; a utiliza&ccedil;&atilde;o de dejetos de madeira e agr&iacute;colas. A produ&ccedil;&atilde;o de madeira aproveita apenas 45% da &aacute;rvore, e deixa uma &quot;fant&aacute;stica&quot; riqueza em biomassa, disse Couto ao Terram&eacute;rica. Os res&iacute;duos compactados em esferas ou cilindros, para reduzir volume e umidade, al&eacute;m de facilitar o transporte, come&ccedil;am a ser exportados para a Europa. No ano passado foram vendidas 40 mil toneladas, enquanto a demanda &eacute; de dois milh&otilde;es de toneladas, ressaltou. <\/p>\n<p> O Brasil, com sua disponibilidade de terras, sol e &aacute;gua, &eacute; um grande produtor de biomassa, e a fotoss&iacute;ntese faz do pa&iacute;s uma pot&ecirc;ncia energ&eacute;tica, segundo Jos&eacute; Batista Vidal, o &quot;pai&quot; do Pro&aacute;lcool. Entretanto, as longas dist&acirc;ncias e a insuficiente infra-estrutura que encarecem o transporte ainda travam o neg&oacute;cio energ&eacute;tico bem al&eacute;m do aproveitamento local, lembrou Couto.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n<p> Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arcada, 20\/01\/2005 &ndash; de-a&ccedil;&uacute;car totalizar&atilde;o US$ 2 bilh&otilde;es em 2004, quase tr&ecirc;s vezes mais do que no ano passado.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/o-segredo-do-modelo-nrdico-superpotncia-da-bioenergia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-28","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}