{"id":281,"date":"2005-02-03T00:00:00","date_gmt":"2005-02-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=281"},"modified":"2005-02-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-03T00:00:00","slug":"mundo-eua-reaquece-conflito-nuclear-ir-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/mundo-eua-reaquece-conflito-nuclear-ir-israel\/","title":{"rendered":"Mundo: EUA reaquece conflito nuclear Ir&atilde;-Israel"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, 03\/02\/2005 &ndash; Quando Israel enviou seus avi&otilde;es F-16 para bombardear o reator nuclear iraquiano de Osirak, h&aacute; 24 anos, os pilotos tinham um alvo para mirar. No caso do Ir&atilde; atual, a situa&ccedil;&atilde;o seria muito diferente. Se os Estados Unidos ou Israel tomarem uma decis&atilde;o semelhante para neutralizar a capacidade nuclear iraniana, dever&atilde;o localizar numerosas instala&ccedil;&otilde;es espalhadas por todo o pa&iacute;s e nenhuma delas &eacute; um grande reator claramente identific&aacute;vel. No entanto, o vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, n&atilde;o descartou, na semana passada, uma a&ccedil;&atilde;o militar contra instala&ccedil;&otilde;es nucleares iranianas a cargo de Israel.<br \/> <!--more--> <br \/> Segundo Cheney, se Israel acredita que o Ir&atilde; &quot;tem capacidade nuclear&quot;, e como a &quot;destrui&ccedil;&atilde;o&quot; do Estado judeu &eacute; pol&iacute;tica oficial de Teer&atilde;, o governo de Ariel Sharon poderia &quot;decidir agir primeiro e deixar que o resto do mundo depois se preocupe em limpar o caos diplom&aacute;tico&quot;. Pol&iacute;ticos israelenses, embora preocupados diante da perspectiva de um Ir&atilde; nuclear, se mostram menos inclinados a essa possibilidade. Se Israel agir sozinho, &quot;permanecer&aacute; sozinho&quot;, disse o vice-primeiro-ministro, Shimon Peres. &quot;Todos conhecem nosso potencial, mas tamb&eacute;m devemos conhecer nossos limites. Enquanto existir a possibilidade de o mundo lutar contra a op&ccedil;&atilde;o nuclear iraniana, deixemos que o mundo se organize&quot;, afirmou Peres, tradicional advers&aacute;rio do direitista Sharon.<\/p>\n<p> Com a Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica (AIEA) considerando a situa&ccedil;&atilde;o do Ir&atilde;, a ret&oacute;rica se tornou cada vez mais aguda. L&iacute;deres israelenses expressaram durante muito tempo sua preocupa&ccedil;&atilde;o pelo que consideram um perigo para toda a regi&atilde;o, e confiam em que os Estados Unidos impe&ccedil;am o Ir&atilde; de desenvolver sua bomba at&ocirc;mica. O chefe da AIEA, Mohammed El Baradei, disse no domingo, ao jornal The Washington Post, que n&atilde;o v&ecirc; &quot;como uma solu&ccedil;&atilde;o militar poderia resolver o problema iraniano. Do meu ponto de vista, o Ir&atilde; se ocultar&aacute; no caso de ter desenvolvido quase sua auto-sufici&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Em caso de ataque a instala&ccedil;&otilde;es nucleares iranianas, &quot;se poderia atrasar a fabrica&ccedil;&atilde;o de armas nucleares, mas o pa&iacute;s reconstruiria a infra-estrutura com o objetivo de ter uma arma&quot;, afirmou Baradei. O chefe da intelig&ecirc;ncia israelense, general Ahar&oacute;n Ze&acute;evi, estimou que o Ir&atilde; poderia produzir ur&acirc;nio enriquecido no prazo de seis meses e fabricar armas nucleares em dois anos. Teer&atilde; n&atilde;o pode enriquecer ur&acirc;nio, mas &quot;est&aacute; a apenas meio ano de atingir esse objetivo se o Ocidente n&atilde;o agir&quot;, advertiu Ze&acute;evi. Funcion&aacute;rios israelenses tamb&eacute;m acusam o Ir&atilde; de tentar enganar a comunidade internacional e que procurar&aacute; evitar a amea&ccedil;a de san&ccedil;&otilde;es perseguindo em segredo seu objetivo de alcan&ccedil;ar a capacidade de fabricar armas nucleares.<\/p>\n<p> Baradei admitiu que o Ir&atilde; &quot;enganou&quot; no passado a comunidade internacional a respeito de seu programa nuclear, mas assegurou que agora est&aacute; &quot;cooperando&quot;. A AIEA determinou em novembro que o governo iraniano cumpra um acordo que o obriga a interromper seu programa de enriquecimento de ur&acirc;nio. Por sua vez, o regime isl&acirc;mico insiste em que seu programa objetiva como finalidade exclusiva a produ&ccedil;&atilde;o de eletricidade. A Uni&atilde;o Europ&eacute;ia exortou Teer&atilde; a abandonar completamente seu programa para demonstrar que n&atilde;o tem o objetivo de produzir armas nucleares, e apresenta como incentivo um acordo comercial.<\/p>\n<p> O chanceler alem&atilde;o, Gerhard Schroeder, que tenta pressionar o Ir&atilde; junto com seus colegas europeus, disse na semana passada, durante o F&oacute;rum Econ&ocirc;mico Mundial realizado na localidade su&iacute;&ccedil;a de Davos, que s&atilde;o necess&aacute;rios meios &quot;diplom&aacute;ticos e pol&iacute;ticos&quot;, n&atilde;o a for&ccedil;a. Por outro lado, os Estados Unidos assumiram uma pol&iacute;tica de m&atilde;o dura. No in&iacute;cio de janeiro, o presidente George W. Bush amea&ccedil;ou uma poss&iacute;vel a&ccedil;&atilde;o militar contra o Ir&atilde;. Bush disse confiar em que o assunto possa ser resolvido pela via diplom&aacute;tica, mas advertiu que n&atilde;o retiraria &quot;nenhuma op&ccedil;&atilde;o da mesa&quot;.<\/p>\n<p> Funcion&aacute;rios israelenses interpretaram a advert&ecirc;ncia de Cheney como uma mensagem aos governos europeus, para que assumam uma posi&ccedil;&atilde;o mais dura em rela&ccedil;&atilde;o ao Ir&atilde;. Segundo um alto funcion&aacute;rio do governo de Sharon, a mensagem foi: &quot;Se voc&ecirc;s n&atilde;o assumirem um papel mais relevante na implementa&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o tentarem deter vigorosamente o programa nuclear iraniano, n&atilde;o seremos respons&aacute;veis pelo que Israel fizer&quot;. Ze&acute;evi advertiu que &quot;os iranianos podem atingir Portugal com suas armas nucleares&quot;, mas &quot;isso n&atilde;o preocupa os europeus. Eles me disseram que durante o regime sovi&eacute;tico tamb&eacute;m viveram sob a amea&ccedil;a nuclear, e eu tentei explicar-lhes que com o Ir&atilde; a hist&oacute;ria &eacute; diferente&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Observadores em Israel consideram que a amea&ccedil;a nuclear iraniana n&atilde;o afeta tanto este pa&iacute;s, mas a outros do Oriente M&eacute;dio. Nesse sentido, mencionam informes segundo os quais Israel conta com capacidade de resposta com armas nucleares instaladas em submarinos. Pa&iacute;ses &aacute;rabes acusam Israel de ser o &uacute;nico pa&iacute;s da regi&atilde;o que discretamente possui armas nucleares. O governo radicado em Jerusal&eacute;m n&atilde;o confirma nem nega, uma pol&iacute;tica denominada &quot;ambig&uuml;idade nuclear&quot;. De acordo com essas vers&otilde;es, o Estado judeu possui entre 100 e 200 ogivas nucleares.<\/p>\n<p> A capacidade nuclear secreta israelense foi revelada h&aacute; quase 20 anos por Mordechai Vanunu, um t&eacute;cnico da central nuclear de Dimona, no sul do pa&iacute;s. Vanunu foi libertado no ano passado, ap&oacute;s 18 anos presos por trai&ccedil;&atilde;o, por ter informado sobre o assunto ao jornal brit&acirc;nico The Sunday Times. O t&eacute;cnico foi seq&uuml;estrado em Roma por agentes israelenses e levado ao seu pa&iacute;s, onde foi julgado. As possibilidades de a&ccedil;&atilde;o por parte de Israel s&atilde;o escassas, segundo o especialista Shmuel Bar, do acad&ecirc;mico Centro Interdisciplinar Herzliya. &quot;Se agirmos unilateralmente, seremos acusados, os iranianos reagir&atilde;o e n&atilde;o teremos o apoio dos Estados Unidos&quot;, disse Bar &agrave; IPS.<\/p>\n<p> Israel n&atilde;o deve converter a capacidade nuclear iraniana em um problema israelense, porque &quot;&eacute;, fundamentalmente, um problema norte-americano&quot;, em especial pela influ&ecirc;ncia de Teer&atilde; no Iraque, alertou. A a&ccedil;&atilde;o unilateral prevista pelo especialista &eacute; &quot;um embargo petroleiro ao Ir&atilde;, com a Sexta Frota bloqueando a passagem&quot; do petr&oacute;leo iraniano pelo Golfo. Especialistas consideram que a op&ccedil;&atilde;o militar &eacute; invi&aacute;vel, porque Teer&atilde; espalhou suas instala&ccedil;&otilde;es nucleares por todo o territ&oacute;rio nacional. N&atilde;o as concentrou em um &uacute;nico lugar, como havia feito o Iraque. O regime isl&acirc;mico tamb&eacute;m teria constru&iacute;do instala&ccedil;&otilde;es falsas.<br \/> Dessa maneira, somente uma opera&ccedil;&atilde;o a&eacute;rea seria insuficiente para deter o programa nuclear iraniano. E o que &eacute; pior, Israel sabe que Teer&atilde; responderia, talvez com m&iacute;sseis de longo alcance. Isso explica porque alguns funcion&aacute;rios norte-americanos preferem a op&ccedil;&atilde;o da &quot;mudan&ccedil;a de regime&quot; &agrave; a&ccedil;&atilde;o militar. No entanto, Shmuel Bar n&atilde;o descarta essa possibilidade. &quot;Bush &eacute; um presidente ideol&oacute;gico e n&atilde;o poder&aacute; se candidatar para uma segunda reelei&ccedil;&atilde;o&quot;, afirmou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, 03\/02\/2005 &ndash; Quando Israel enviou seus avi&otilde;es F-16 para bombardear o reator nuclear iraquiano de Osirak, h&aacute; 24 anos, os pilotos tinham um alvo para mirar. No caso do Ir&atilde; atual, a situa&ccedil;&atilde;o seria muito diferente. Se os Estados Unidos ou Israel tomarem uma decis&atilde;o semelhante para neutralizar a capacidade nuclear iraniana, dever&atilde;o localizar numerosas instala&ccedil;&otilde;es espalhadas por todo o pa&iacute;s e nenhuma delas &eacute; um grande reator claramente identific&aacute;vel. 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