{"id":2819,"date":"2007-04-24T15:47:22","date_gmt":"2007-04-24T15:47:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2819"},"modified":"2007-04-24T15:47:22","modified_gmt":"2007-04-24T15:47:22","slug":"darfur-china-exerce-pressao-diplomatica-sobre-cartum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/04\/africa\/darfur-china-exerce-pressao-diplomatica-sobre-cartum\/","title":{"rendered":"Darfur: China exerce press\u00e3o diplom\u00e1tica sobre Cartum"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, 24\/04\/2007 &ndash; A China convence o governo do Sud\u00e3o a aceitar a presen\u00e7a de uma for\u00e7a internacional de paz em seu territ\u00f3rio para deter as matan\u00e7as na regi\u00e3o de Darfur. O objetivo de Pequim \u00e9 impedir mais san\u00e7\u00f5es contra esse pa\u00eds africano onde tem grandes investimentos. <!--more--> O ministro-assistente de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da China, Zhain Jun, disse \u00e0 imprensa na semana passada, ap\u00f3s uma miss\u00e3o especial ao Sud\u00e3o, que gra\u00e7as aos esfor\u00e7os de Pequim Cartum come\u00e7ava a ceder perante a press\u00e3o internacional e considerava o plano de paz proposta pelo ex-secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Kofi Annan. \u201cN\u00e3o estamos a favor de aumentar ou expandir as san\u00e7\u00f5es, porque h\u00e1 muitas esperan\u00e7as de resolver este assunto\u201d, disse Zhain.<\/p>\n<p>At\u00e9 a viagem de Zhain ao Sud\u00e3o, quando se reuniu com o presidente Omar Hassan al Bashir e percorreu acampamentos de refugiados, Cartum se negava reiteradamente a permitir a interven\u00e7\u00e3o da ONU em Darfur. Bashir havia afirmado que isso colocaria em risco a soberania do seu pa\u00eds, e descreveu as for\u00e7as de paz da ONU como \u201cneocoloniais\u201d. Pequim mant\u00e9m sua postura apesar da nova evid\u00eancia de que o governo sudan\u00eas est\u00e1 diretamente envolvido na crise humanit\u00e1ria. Um informe das Na\u00e7\u00f5es Unidas que chegou aos jornalistas revela que Cartum camuflou avi\u00f5es militares para ficarem parecidos aos da ONU e os usou para bombardear aldeias em Darfur.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, Bashir garantiu que seu governo n\u00e3o estava envolvido na guerra civil, na qual morreram entre 200 mil e 450 mil pessoas e fez 2,5 milh\u00f5es de refugiados, segundo organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias. Os problemas de Darfur, reino independente anexado pelo Sud\u00e3o em 1917, come\u00e7aram nos anos 70 como uma disputa por terras de pastoreio entre n\u00f4mades \u00e1rabes e agricultores ind\u00edgenas negros. As duas comunidades s\u00e3o mu\u00e7ulmanas. Mas a tens\u00e3o se transformou em guerra civil em fevereiro de 2003, quando guerrilheiros negros responderam com viol\u00eancia a hostilidade das mil\u00edcias Janjawed (homens \u00e0 cavalo, em \u00e1rabe), acusadas de destruir centenas de aldeias, assassinar seus habitantes e violentar as mulheres.<\/p>\n<p>Os janjaweed s\u00e3o acusados de realizar, com o apoio de Cartum, uma campanha de limpeza \u00e9tnica contra tr\u00eas tribos negras que ap\u00f3iam os dois grupos guerrilheiros. A nova evid\u00eancia do papel da Cartum nas atrocidades ficou exposta em um informe confidencial de um painel da ONU, que vazou para a imprensa na semana passada. Apoiado por fotografias, o documento diz que o governo do Sud\u00e3o teria pintado avi\u00f5es militares de branco (cor habitualmente reservada aos da ONU) usando-os para levar armas aos janjaweed, bem como para realizar v\u00f4os de reconhecimento e miss\u00f5es de bombardeio em Darfur. Mas, a China preferiu centrar-se no que chamou de \u201cuma medida positiva para a paz\u201d, conseguida na semana passada.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s meses de frustrados esfor\u00e7os diplom\u00e1ticos, o Sud\u00e3o finalmente concordou, no \u00faltimo dia 16, com uma ajuda em grande escala por parte da ONU que consistir\u00e1 no envio de tr\u00eas mil soldados da policia militar, junto com seis helic\u00f3pteros de ataque e outra avia\u00e7\u00e3o em Darfur. Isso faz parte da proposta de Annan, cuja id\u00e9ia era criar uma for\u00e7a conjunta da Uni\u00e3o \u00c1frica e das Na\u00e7\u00f5es Unidas com 21 mil homens para substituir a for\u00e7a de sete mil militares do bloco africano atualmente instalada em Darfur.<\/p>\n<p>A chancelaria chinesa disse acreditar que este n\u00e3o \u00e9 o \u201cmomento adequado\u201d para discutir san\u00e7\u00f5es, e afirmou que as pot\u00eancias mundiais deveriam aproveitar a oportunidade diplom\u00e1tica e se concentrar na instala\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a da ONU em Darfur. \u201c\u00c9 hora de adotar medidas construtivas para implementar o acordo, em lugar de falar sobre novas san\u00e7\u00f5es\u201d, disse o porta-voz do Minist\u00e9rio, Liu Jianchao, em entrevista coletiva na \u00faltima quinta-feira em Pequim. Apesar de Cartum demonstrar vontade de compromisso, Estados Unidos e Gr\u00e3-Bretanha amea\u00e7aram com san\u00e7\u00f5es mais duras se o Sud\u00e3o n\u00e3o agir de maneira r\u00e1pida e decidida para frear a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cO tempo de promessas acabou. O presidente Bashir deve agir. Se n\u00e3o cumprir suas obriga\u00e7\u00f5es, os Estados Unidos agir\u00e3o\u201d, disse o presidente George W. Bush no \u00faltimo dia 18. As medidas consideradas incluem san\u00e7\u00f5es contra empresas que negociarem com o Sud\u00e3o, congelamento de suas contas banc\u00e1rias, embargo de armas e cria\u00e7\u00e3o de zonas de exclus\u00e3o a\u00e9rea. A China advertiu que novas san\u00e7\u00f5es somente v\u00e3o piorar a crise humanit\u00e1ria em Darfur. \u201c\u00c9 melhor n\u00e3o seguir nessa dire\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou o embaixador-adjunto da China na ONU, Liu Zhenmim. \u201cEm poucas semanas, ou em poucos meses, o processo pol\u00edtico produzir\u00e1 alguns resultados\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O governo chin\u00eas preocupa o fato de as san\u00e7\u00f5es mais duras possam prejudicar um processo pol\u00edtico pelo qual seus diplomatas trabalharam duramente pelo qual Pequim est\u00e1 levando os cr\u00e9ditos. A China, membro permanente do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU com direito a veto, investiu milhares de milhos de d\u00f3lares no desenvolvimento dos po\u00e7os de petr\u00f3leo do Sud\u00e3o, e \u00e9 um dos principais s\u00f3cios comerciais desse pa\u00eds. Durante muito tempo, o governo Bush pediu urg\u00eancia \u00e0 China para que pressionasse mais Cartum a cooperar com as Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Pequim, entretanto, preferiu ver o Sud\u00e3o como uma importante fonte de energia para sua economia em auge, negado-se a tomar posi\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica interna desse pa\u00eds. Nos \u00faltimos meses, a pol\u00edtica chinesa de n\u00e3o-interven\u00e7\u00e3o no Sud\u00e3o foi duramente criticada por organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais e ativistas pelos direitos humanos, para os quais, ao deixar de agir, o governo chin\u00eas avaliza as atrocidades em Darfur. A atriz norte-americana Mia Farrow, embaixadora da boa vontade da ONU, aproveita os preparativos dos Jogos Ol\u00edmpicos 2008 em Pequim para chamar a aten\u00e7\u00e3o para a crise em Darfur. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequim, 24\/04\/2007 &ndash; A China convence o governo do Sud\u00e3o a aceitar a presen\u00e7a de uma for\u00e7a internacional de paz em seu territ\u00f3rio para deter as matan\u00e7as na regi\u00e3o de Darfur. 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