{"id":282,"date":"2005-02-03T00:00:00","date_gmt":"2005-02-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=282"},"modified":"2005-02-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-03T00:00:00","slug":"mundo-governos-latino-americanos-rejeitam-flores-na-oea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/mundo-governos-latino-americanos-rejeitam-flores-na-oea\/","title":{"rendered":"Mundo: Governos latino-americanos rejeitam Flores na OEA"},"content":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 03\/02\/2005 &ndash; A candidatura do ex-presidente salvadorenho, Francisco Flores, para dirigir a Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos parece ser a melhor posicionada gra&ccedil;as ao apoio dos Estados Unidos, mas tamb&eacute;m &eacute; a que gera maior rejei&ccedil;&atilde;o entre ativistas humanit&aacute;rios e pol&iacute;ticos da Am&eacute;rica. Uma longa sombra de acusa&ccedil;&otilde;es acompanha Flores desde sua administra&ccedil;&atilde;o de El Salvador, entre 1999 e 2004, tanto em mat&eacute;ria de direitos humanos quanto de desobedi&ecirc;ncia a recomenda&ccedil;&otilde;es feitas por organismos multilaterais. Al&eacute;m disso, tem reprovada sua excessiva aproxima&ccedil;&atilde;o com Washington, expressa, entre outras coisas, por seu apoio &agrave; invas&atilde;o do Iraque, em mar&ccedil;o de 2003.<br \/> <!--more--> <br \/> Para os observadores, est&aacute; claro que se Flores chegar &agrave; secretaria da OEA n&atilde;o ser&aacute; por unanimidade, como ocorreu em tr&ecirc;s das &uacute;ltimas quatro elei&ccedil;&otilde;es anteriores para o cargo, que desde 1948 foi ocupado por ex-presidentes e diplomatas do Brasil, Chile, Uruguai, Col&ocirc;mbia, Equador, Argentina e Costa Rica. &quot;Caso a OEA chegue a ser dirigida por Flores, esse organismo afundar&aacute;, pois o ex-presidente tem uma longa fila de erros, como o de estar muito perto da direita pol&iacute;tica e totalmente alinhado com Washington&quot;, disse &agrave; IPS Salvador Arias, deputado da Frente Farabundo Mart&iacute; para a Liberta&ccedil;&atilde;o Nacional (FMLN de oposi&ccedil;&atilde;o e esquerdista).<\/p>\n<p> &quot;Nas pr&oacute;ximas semanas, n&oacute;s, deputados da FMLN, viajaremos a v&aacute;rios pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e do Caribe para desmascarar perante pol&iacute;ticos e governos este candidato que, caso ven&ccedil;a, seria um perigo para a regi&atilde;o&quot;, afirmou Arias por telefone da capital salvadorenha. A OEA, que re&uacute;ne 34 pa&iacute;ses da Am&eacute;rica, todos menos Cuba, suspensa em 1962, ficou sem secret&aacute;rio-geral em outubro, quando o ex-presidente da Costa Rica, Miguel Angel Rodr&iacute;guez teve de renunciar poucas semanas depois de assumir o cargo por supostos atos de corrup&ccedil;&atilde;o cometidos durante seu mandato, de 1998 a 2002.<\/p>\n<p> Desde o final de 2003, os candidatos est&atilde;o em campanha e cada um afirma que est&aacute; perto de conseguir os votos necess&aacute;rios para vencer. Segundo o previsto, a vota&ccedil;&atilde;o acontecer&aacute;, no m&aacute;ximo, em junho. Os Estados Unidos, cujo apoio at&eacute; agora &eacute; important&iacute;ssimo para que deseja o cargo, anunciou em janeiro que votar&aacute; em Flores, que compete com o ministro do Interior do Chile, Jos&eacute; Miguel Insulza, e com o chanceler do M&eacute;xico, Luis Ernesto Derbez. <\/p>\n<p> Para chegar &agrave; secretaria-geral da OEA s&atilde;o necess&aacute;rios, no m&iacute;nimo, 18 votos. Flores conta no momento com o apoio expresso do governo de seu pa&iacute;s, dos Estados Unidos, da Guatemala, Costa Rica, Nicar&aacute;gua e Rep&uacute;blica Dominicana.<\/p>\n<p> O apoio dos Estados Unidos aos candidatos &eacute; considerado decisivo, por seu peso como pot&ecirc;ncia, que fez com que a sede da OEA se instalasse em Washington, e porque 60,2% do or&ccedil;amento da organiza&ccedil;&atilde;o, que este ano &eacute; de US$ 76,2 milh&otilde;es, s&atilde;o cobertos por Washington. Por outro lado, a contribui&ccedil;&atilde;o de El Salvador &eacute; de apenas 0,07%, do Chile de 0,54% e do M&eacute;xico de 6,1%. &quot;Os Estados Unidos preferem ter na OEA seu candidato e amigo em lugar de outros que lhe voltaram as costas. Assim, simples e l&oacute;gico&quot;, afirmou &agrave; IPS o acad&ecirc;mico mexicano Alejandro Trueba.<\/p>\n<p> Como a maioria dos pa&iacute;ses latino-americanos e caribenhos, Chile e M&eacute;xico n&atilde;o apoiaram a invas&atilde;o norte-americana no Iraque. Al&eacute;m disso, fizeram duras cr&iacute;ticas contra essa decis&atilde;o, que depois derivou em ocupa&ccedil;&atilde;o, desde o Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, onde em 2003 eram membros n&atilde;o-permanentes. O mesmo n&atilde;o ocorreu com El Salvador, que nas m&atilde;os de Flores, ainda na presid&ecirc;ncia, deu seu apoio incondicional &agrave; invas&atilde;o dos Estados Unidos e inclusive enviou tropas ao Iraque em agosto de 2003, envio que foi sendo renovado.<\/p>\n<p> Segundo a deputada Milena Calder&oacute;n de Escal&oacute;n, correligion&aacute;ria de Flores da governante Alian&ccedil;a Republicana Nacionalista (Arena), de direita, o apoio dos Estados Unidos para o ex-presidente &quot;ajudar&aacute; a que outros tomem a decis&atilde;o de apoi&aacute;-lo&quot; para a secretaria da OEA. Muitos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e do Caribe t&ecirc;m em marcha negocia&ccedil;&otilde;es de liberaliza&ccedil;&atilde;o comercial com os Estados Unidos e v&aacute;rios concentram a maioria de seu interc&acirc;mbio com esse pa&iacute;s. &quot;O pior candidato para a OEA &eacute; Flores, mas vencer&aacute; se os Estados Unidos pressionarem, o que &eacute; lament&aacute;vel&quot;, disse &agrave; IPS o ativista de grupos humanit&aacute;rios mexicanos Daniel Vaquero.<\/p>\n<p> O governo da Venezuela se op&otilde;e &agrave; candidatura de Flores, depois que o presidente de El Salvador reconheceu o ef&ecirc;mero governo c&iacute;vico-militar que suplantou pela for&ccedil;a o presidente Hugo Ch&aacute;vez no do golpe de Estado de abril de 2002. Honduras tamb&eacute;m &eacute; contr&aacute;ria a ele, acusando-o de ter agido contra seus interesses quando foi presidente ao tentar evitar uma decis&atilde;o do Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a referente &agrave; disputa fronteiri&ccedil;a entre os dois pa&iacute;ses. Durante sua gest&atilde;o, Flores negou-se a acatar pedidos do Comit&ecirc; de Direitos Humanos da ONU e em especial da Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos, que faz parte do sistema da OEA, no sentido de revogar leis que impedem a investiga&ccedil;&atilde;o de crimes contra a humanidade cometidos por for&ccedil;as de seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p> O enfrentamento armado dos corpos de seguran&ccedil;a do Estado salvadorenho e paramilitar contra a guerrilha esquerdista nos anos 80 e in&iacute;cio da d&eacute;cada de 90 deixou 75 mil mortos e sete mil desaparecidos. A paz em El Salvador foi selada em 1992 com os acordos assinados no M&eacute;xico entre o governo da &eacute;poca e o ent&atilde;o guerrilheiros FMLN. Um ano depois, a Arena, &agrave; qual pertence Flores, criou leis de anistia que deixaram impunes todos os crimes de guerra. Informes da Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos, que Flores n&atilde;o considerou em seu governo, indicam que &quot;um Estado n&atilde;o pode amparar-se na exist&ecirc;ncia de disposi&ccedil;&otilde;es de direito interno para evitar o cumprimento de sua obriga&ccedil;&atilde;o de investigar as viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos, processar os respons&aacute;veis e evitar a impunidade&quot;.<\/p>\n<p> Outro ponto que preocupa os ativistas se refere &agrave;s pol&iacute;ticas repressivas que como presidente Flores imp&ocirc;s contra grupos de jovens, chamados &quot;maras&quot; na Am&eacute;rica Central. Trata-se de leis que permitem deter menores de 18 anos somente por sua apar&ecirc;ncia e que sejam punidos como adultos. Organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias, como a Anistia Internacional, e membros do Poder Judicial do pa&iacute;s criticaram duramente as leis &quot;antimaras&quot; impulsionadas por Flores, alegando que violavam v&aacute;rios tratados internacionais. Mas este respondeu que seus cr&iacute;ticos preferem favorecer os delinq&uuml;entes e n&atilde;o as v&iacute;timas.<\/p>\n<p> Mais al&eacute;m de seus antecedentes e como seus advers&aacute;rios na batalha pela OEA, Flores afirma que essa organiza&ccedil;&atilde;o enfrenta duros momentos e requer um plano de emerg&ecirc;ncia para conquistar a lideran&ccedil;a continental na luta contra a pobreza, o respeito aos direitos humanos e a consolida&ccedil;&atilde;o da democracia. Enquanto se define esse caminho e se elege um novo secret&aacute;rio-geral, a OEA passa por uma aguda crise financeira e, sen&atilde;o conseguir US$ 17,2 bilh&otilde;es adicionais ao seu or&ccedil;amento para este ano, n&atilde;o poder&aacute; cumprir suas tarefas, advertiu seu secret&aacute;rio interino, Luigi Einaudi. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 03\/02\/2005 &ndash; A candidatura do ex-presidente salvadorenho, Francisco Flores, para dirigir a Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos parece ser a melhor posicionada gra&ccedil;as ao apoio dos Estados Unidos, mas tamb&eacute;m &eacute; a que gera maior rejei&ccedil;&atilde;o entre ativistas humanit&aacute;rios e pol&iacute;ticos da Am&eacute;rica. Uma longa sombra de acusa&ccedil;&otilde;es acompanha Flores desde sua administra&ccedil;&atilde;o de El Salvador, entre 1999 e 2004, tanto em mat&eacute;ria de direitos humanos quanto de desobedi&ecirc;ncia a recomenda&ccedil;&otilde;es feitas por organismos multilaterais. Al&eacute;m disso, tem reprovada sua excessiva aproxima&ccedil;&atilde;o com Washington, expressa, entre outras coisas, por seu apoio &agrave; invas&atilde;o do Iraque, em mar&ccedil;o de 2003.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/mundo-governos-latino-americanos-rejeitam-flores-na-oea\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":437,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-282","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/282","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/437"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=282"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/282\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=282"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=282"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=282"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}