{"id":2820,"date":"2007-04-24T15:51:05","date_gmt":"2007-04-24T15:51:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2820"},"modified":"2007-04-24T15:51:05","modified_gmt":"2007-04-24T15:51:05","slug":"desenvolvimento-o-bom-sabor-do-comercio-justo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/04\/mundo\/desenvolvimento-o-bom-sabor-do-comercio-justo\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento: O bom sabor do com\u00e9rcio justo"},"content":{"rendered":"<p>Bruxelas, 24\/04\/2007 &ndash; Quando as crian\u00e7as da It\u00e1lia comem na escola uma banana ou uma barra de chocolate fazem uma diferen\u00e7a real em beneficio de pa\u00edses pobres. <!--more--> A It\u00e1lia lidera uma campanha europ\u00e9ia para convencer as autoridades a adotarem uma pol\u00edtica de compra de mercadorias produzidas de uma maneira social e ambientalmente respons\u00e1vel. No ano passado, o governo italiano determinou \u00e0s autoridades de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, atrav\u00e9s de uma regulamenta\u00e7\u00e3o, considerar o desenvolvimento sustent\u00e1vel m suas licita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Esse decreto regulamenta as vendas nas cantinas escolares. Desse modo, no per\u00edodo 2007-2012 ser\u00e3o vendidos 300 mil bananas e quase 300 mil pacotes de biscoitos produzidos, comercializados e distribu\u00eddos de maneira justa. Paolo Agostini, respons\u00e1vel pelas compras p\u00fablicas na municipalidade de Roma, disse que o com\u00e9rcio justo pode ser uma ferramenta educativa e de promo\u00e7\u00e3o da toler\u00e2ncia. As crian\u00e7as s\u00e3o regularmente alimentadas com pratos preparados com ingredientes procedentes dos pa\u00edses de origem de imigrantes na It\u00e1lia, como parte dos esfor\u00e7os anti-racistas.<\/p>\n<p>A promo\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio justo, disse Agostini, \u00e9 um componente de uma estrat\u00e9gia geral de car\u00e1ter \u00e9tico para as escolas, o que tamb\u00e9m incentiva a cozinhar os alimentos org\u00e2nicos e aos poucos eliminar as subst\u00e2ncias ambientalmente destrutivas. \u201cN\u00e3o se deve ter um sistema onde o caem com\u00e9rcio justo esteja na moda hoje e os produtos org\u00e2nicos amanha\u201d, disse \u00e0 IPS. As vendas globais de bens comercializados de modo justo superaram US$ 1,4 bilh\u00e3o em 205, o \u00faltimo ano sobre o qual h\u00e1 dados dispon\u00edveis. A um concentram mais de 60% desse intercambio.<\/p>\n<p>O mercado europeu para o com\u00e9rcio justo cresceu cerca de 20% ao ano desde 2000, e mais ainda em alguns pa\u00edses individualmente. A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional pela Rotulagem de Com\u00e9rcio Justo, rede com sede na cidade alem\u00e3 de Bonn, constatou aumento de 73% na Finl\u00e2ndia, 69% na Su\u00e9cia, 62% na \u00c1ustria e 57% na Fran\u00e7a, no per\u00edodo 2004-2005. Ativistas contra a pobreza acreditam que o Estado tem um papel fundamento no est\u00edmulo do com\u00e9rcio justo, atrav\u00e9s de prefer\u00eancias nas licita\u00e7\u00f5es para produtos comercializados dessa maneira.<\/p>\n<p>Centenas de milhares de organismos de toda a Europa gastam cerca de US$ 2 bilh\u00f5es ao ano em compras p\u00fablicas. Assim, o ganho potencial para o com\u00e9rcio justo a partir de um uso maior de uma pol\u00edtica de compras \u00e9ticas \u00e9 enorme. \u201c\u00c9 muito importante que as autoridades p\u00fablicas d\u00eaem um bom exemplo em promover a redu\u00e7\u00e3o da pobreza e o desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d, disse Anja Osterhaus, coordenadora do Escrit\u00f3rio de Defesa do Com\u00e9rcio Justo em Bruxelas. \u201cSe as autoridades p\u00fablicas contribu\u00edrem para escravizar m\u00e3o-de-obra comprando as coisas mais baratas sem pensar, ent\u00e3o isso n\u00e3o ser\u00e1 um bom exemplo\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Osterhaus afirmou que a presen\u00e7a de produtos procedentes do com\u00e9rcio justo nas escolas pode gerar um efeito multiplicador. \u201cO fato de as crian\u00e7as consumirem produtos comercializados de maneira justa nas escolas de Roma as leva a passar a mensagem aos pais\u201d, acrescentou. Mas, algumas autoridades p\u00fablicas s\u00e3o reticentes em favorecer o com\u00e9rcio justo, pois temem que isso provoque a Ir\u00e3 da Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia, bra\u00e7o executivo da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, que costuma rejeitar regulamenta\u00e7\u00f5es que incluam restri\u00e7\u00f5es ao interc\u00e2mbio internacional.<\/p>\n<p>Federica Leonarduzzi, da organiza\u00e7\u00e3o espanhola Ideas, disse que entre as autoridades de seu pa\u00eds h\u00e1 \u201cd\u00favidas sobre a viabilidade legal\u201d de incentivar a compra em grande volume de mercadorias comercializadas de modo justo. \u201cA preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que possam n\u00e3o respeitar a pol\u00edtica de competi\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia\u201d, afirmou. Mas uma diretriz da UE de 2004 sobre contratos do setor p\u00fablico sugere que o meio ambiente e as quest\u00f5es sociais possam ser consideradas em uma compra. Por\u00e9m, ativistas pelo com\u00e9rcio justo reclamam da Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia que emende essa determina\u00e7\u00e3o, para que seja dada prefer\u00eancia a esse pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Eles se queixam de que, tr\u00eas anos ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o dessa diretriz, a Comiss\u00e3o ainda n\u00e3o apresentou as pautas prometidas sobre considera\u00e7\u00f5es sociais nas compras p\u00fablicas. \u201cA Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia deve propor uma orienta\u00e7\u00e3o mais clara para permitir ao mercado estar aberto a mais mercadorias comercializadas de maneira justa\u201d, disse \u00e0 IPS Moctar Fall, da Interface, uma rede de empresas africanas do setor aliment\u00edcio com sede no Snegal. \u201cTal como est\u00e3o as coisas, a diretriz permite \u00e0s autoridades mais conservadoras interpret\u00e1-la de um modo que as impe\u00e7a de comprar bens procedentes do com\u00e9rcio justo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os ativistas tamb\u00e9m argumentaram que a UE deveria adotar uma regulamenta\u00e7\u00e3o para verificar se os produtos atendem aos crit\u00e9rios de com\u00e9rcio justo, isto \u00e9, que geram lucro e sal\u00e1rio dignos para produtores e trabalhadores e que respeitam o meio ambiente. Acreditam que isto \u00e9 necess\u00e1rio, j\u00e1 que os consumidores est\u00e3o confusos pela prolifera\u00e7\u00e3o de produtos nos supermercados com r\u00f3tulos criados para atrair cientes com consci\u00eancia social. Tais produtos incluem bananas supostamente amig\u00e1veis com o meio ambiente da multinacional Chiquita.<\/p>\n<p>Mas o Parlamento Europeu recomendou evitar regulamenta\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter obrigat\u00f3rio, as quais, assegura, poderiam deter o crescimento do com\u00e9rcio justo. Tamb\u00e9m se usca regras de alcance nacional em alguns pa\u00edses da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia. O movimento pelo com\u00e9rcio justo da It\u00e1lia exige uma lei que reconhe\u00e7a as organiza\u00e7\u00f5es do setor como \u201cempresas\u201d que funcionam de maneira diferente das mais ortodoxas. Na B\u00e9lgica, as administra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de suas duas principais regi\u00f5es, Flandes e Valonia, adotaram uma pol\u00edtica de consumir ch\u00e1 e caf\u00e9 comercializados de maneira justa. O mesmo fizeram os governos das principais cidades do pa\u00eds: Bruxelas e Antu\u00e9rpia no norte, Charleroi no centro-oeste, e Gent no norte.<\/p>\n<p>Ativistas dizem que seus esfor\u00e7os para conseguir que as autoridades p\u00fablicas ap\u00f3iem o com\u00e9rcio justo foram ajudados por recomenda\u00e7\u00f5es ministeriais no sentido de as autoridades darem prefer\u00eancia a estes produtos. \u201cSe existir vontade pol\u00edtica, legalmente \u00e9 muito poss\u00edvel optar a favor do com\u00e9rcio justo\u201d, disse Samuel Poos, do Centro Belga de Com\u00e9rcio Justo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruxelas, 24\/04\/2007 &ndash; Quando as crian\u00e7as da It\u00e1lia comem na escola uma banana ou uma barra de chocolate fazem uma diferen\u00e7a real em beneficio de pa\u00edses pobres. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/04\/mundo\/desenvolvimento-o-bom-sabor-do-comercio-justo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":438,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,4],"tags":[18,21],"class_list":["post-2820","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2820","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/438"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2820"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2820\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2820"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2820"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2820"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}