{"id":284,"date":"2005-02-04T00:00:00","date_gmt":"2005-02-04T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=284"},"modified":"2005-02-04T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-04T00:00:00","slug":"direitos-humanos-a-onu-colocou-o-dedo-na-ferida-em-darfur","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/direitos-humanos-a-onu-colocou-o-dedo-na-ferida-em-darfur\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: A ONU colocou o dedo na ferida em Darfur"},"content":{"rendered":"<p>Bruxelas, 04\/02\/2005 &ndash; A recomenda&ccedil;&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas de que o Tribunal Penal Internacional cuide de investigar os crimes cometidos na zona sudanesa de Darfur ressuscitou duras disputas entre a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e os Estados Unidos. Uma comiss&atilde;o especial da ONU concluiu, na segunda-feira, que o massacre de mais de 400 mil pessoas em Darfur constitui &quot;uma grave viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos e da lei internacional&quot;. Entretanto, n&atilde;o a qualificou de &quot;genoc&iacute;dio&quot;, o que teria obrigado a comunidade internacional a intervir. De todo modo, recomendou &quot;especialmente&quot; que o Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas remeta o caso ao TPI.<br \/> <!--more--> <br \/> Esse tribunal, criado para investigar e processar casos de crimes de guerra e contra a humanidade, genoc&iacute;dio e outras atrocidades, foi instalado na cidade holandesa de Haia h&aacute; dois anos, no contexto de Estatuto de Roma, conven&ccedil;&atilde;o internacional aprovada em 1998. Este documento j&aacute; foi assinado por 139 pa&iacute;ses e ratificado por 97, inclu&iacute;dos todos os membros da UE e os aliados de Washington na Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan), menos a Turquia. O tratado havia sido assinado pelos Estados Unidos, quando seu presidente era Bill Clinton (1993-2001), mas o governo de George W. Bush, em uma atitude sem precedente, retirou sua assinatura argumentando que o tribunal poderia ser usado com fins pol&iacute;ticos contra seus soldados.<\/p>\n<p> Ao mesmo tempo, Washington lan&ccedil;ou uma ofensiva diplom&aacute;tica par que os pa&iacute;ses que aderiram ao Estatuto de Roma assinassem &quot;acordos bilaterais de imunidade&quot;, que afastariam da jurisdi&ccedil;&atilde;o do TPI os cidad&atilde;os norte-americanos ou estrangeiros a servi&ccedil;o dos Estados Unidos. O governo Bush tamb&eacute;m conseguiu que o Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU isentasse do tribunal os soldados e funcion&aacute;rios de pa&iacute;ses n&atilde;o signat&aacute;rios do Estatuto de Roma a servi&ccedil;o de miss&otilde;es internacionais de manuten&ccedil;&atilde;o da paz criados pela Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Mas, diante do esc&acirc;ndalo mundial pelas torturas cometidas por soldados norte-americanos na pris&atilde;o iraquiana de Abu Ghraib, o Conselho negou-se a ampliar o per&iacute;odo de exce&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> A atitude de Washington em rela&ccedil;&atilde;o ao TPI em mais de uma oportunidade irritou a UE, e a recomenda&ccedil;&atilde;o da ONU de segunda-feira colocou o dedo na ferida. O chefe de Pol&iacute;tica Externa e Seguran&ccedil;a da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, Javier Solana, disse esta semana a jornalistas que os respons&aacute;veis pelos crimes de Darfur deveriam comparecer perante o tribunal. &quot;Apesar de o Sud&atilde;o n&atilde;o ter assinado o Estatuto de Roma, a ONU deveria trabalhar nessa dire&ccedil;&atilde;o se h&aacute; pessoas acusadas de crimes contra a humanidade&quot;, afirmou. A guerra civil em Darfur estourou em fevereiro de 2003, quando a comunidade ind&iacute;gena negra respondeu com viol&ecirc;ncia &agrave;s cont&iacute;nuas hostilidades das mil&iacute;cias &aacute;rabes Janjaweed, com as quais disputava terras de pastagem.<\/p>\n<p> As mil&iacute;cias, aparentemente apoiadas por Cartum, foram acusadas de levar adiante uma campanha de limpeza &eacute;tnica contra as tribos negras. Estima-se que cerca de 400 mil pessoas morrera e 1,6 milh&atilde;o se tornaram refugiados. Os Estados Unidos qualificaram de genoc&iacute;dio o massacre de Darfur e pediu ao Conselho de Seguran&ccedil;a que impusesse san&ccedil;&otilde;es contra o governo sudan&ecirc;s. Tamb&eacute;m prop&ocirc;s a cria&ccedil;&atilde;o de um tribunal especial em Arusha, na Tanz&acirc;nia, para julgar os respons&aacute;veis. &quot;Nossa discord&acirc;ncia com a recomenda&ccedil;&atilde;o de que o TPI intervenha n&atilde;o deve ser nenhuma surpresa. Nossas obje&ccedil;&otilde;es a esse tribunal s&atilde;o bem conhecidas&quot;, disse &agrave; IPS um diplomata norte-americano em Bruxelas. <\/p>\n<p> &quot;O informe da ONU deixa clara a necessidade de o Conselho de Seguran&ccedil;a agir, e isso &eacute; o melhor para todos, especialmente para o povo de Darfur, pois, assim, se evitar&aacute; um debate sobre o TPI&quot;, acrescentou o diplomata. Washington explicou que o proposto tribunal na Tanz&acirc;nia seria organizado por pa&iacute;ses africanos, em concord&acirc;ncia com a lideran&ccedil;a assumida pela Uni&atilde;o Africana para acabar com a crise em Darfur. A id&eacute;ia &quot;tamb&eacute;m tem a vantagem pr&aacute;tica de ser poss&iacute;vel utilizar a infra-estrutura existente do Tribunal Penal Internacional de Ruanda&quot;, instalado para julgar os respons&aacute;veis pelo genoc&iacute;dio nesse pa&iacute;s em 1994, explicou. O vice-secret&aacute;rio principal adjunto de Estado para Assuntos de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho dos Estados Unidos, Michael Kozak, viajou esta semana para Bruxelas a fim de discutir a proposta.<\/p>\n<p> O desacordo sobre Darfur e o TPI ser&aacute; a nova pedra nas rela&ccedil;&otilde;es transatl&acirc;nticas, depois das discord&acirc;ncias sobre a invas&atilde;o norte-americana no Iraque, afirmou o analista Daniel Keohane, do independente Centro para a Reforma Europ&eacute;ia, com sede em Londres. &quot;Esta disputa ocorre em um momento terr&iacute;vel para as duas partes. Apesar de o governo Bush garantir que trabalha para reconstruir as rela&ccedil;&otilde;es transatl&acirc;nticas, este desacordo se soma a uma longa lista de atritos&quot;, disse &agrave; IPS. Keohane tamb&eacute;m assinalou que &quot;esta pol&ecirc;mica tem um grande potencial explosivo&quot;. O analista afirma concordar que os crimes cometidos em Darfur sejam investigados pelo tribunal de Haia, embora tenha prognosticado que Washington ganhar&aacute; a disputa. &quot;Creio que os Estados Unidos usar&atilde;o seu poder de veto no Conselho de Seguran&ccedil;a&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> &quot;O caso do Sud&atilde;o &eacute; um exemplo do que o TPI deve investigar. Mas, definitivamente, o mais importante n&atilde;o &eacute; o lugar, mas o direito das pessoas de levar &agrave; Justi&ccedil;a os respons&aacute;veis pelos crimes&quot;, afirmou. &quot;N&atilde;o dever&iacute;amos estar falando de pol&iacute;tica. Dever&iacute;amos estar falando do que ocorre no Sud&atilde;o&quot;, acrescentou. A pol&ecirc;mica tamb&eacute;m ocorre &agrave;s v&eacute;speras da visita que o presidente Bush far&aacute; a Bruxelas no pr&oacute;ximo dia 22. Tamb&eacute;m a nova secret&aacute;ria de Estado, Condeleezza Rice, far&aacute; uma viagem por v&aacute;rias capitais europ&eacute;ias nos pr&oacute;ximos dias. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruxelas, 04\/02\/2005 &ndash; A recomenda&ccedil;&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas de que o Tribunal Penal Internacional cuide de investigar os crimes cometidos na zona sudanesa de Darfur ressuscitou duras disputas entre a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e os Estados Unidos. Uma comiss&atilde;o especial da ONU concluiu, na segunda-feira, que o massacre de mais de 400 mil pessoas em Darfur constitui &quot;uma grave viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos e da lei internacional&quot;. Entretanto, n&atilde;o a qualificou de &quot;genoc&iacute;dio&quot;, o que teria obrigado a comunidade internacional a intervir. De todo modo, recomendou &quot;especialmente&quot; que o Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas remeta o caso ao TPI.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/direitos-humanos-a-onu-colocou-o-dedo-na-ferida-em-darfur\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-284","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/284","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=284"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/284\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}