{"id":2848,"date":"2007-05-02T18:38:25","date_gmt":"2007-05-02T18:38:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2848"},"modified":"2007-05-02T18:38:25","modified_gmt":"2007-05-02T18:38:25","slug":"america-latina-mulheres-e-indigenas-reclamam-reconhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/05\/america-latina\/america-latina-mulheres-e-indigenas-reclamam-reconhecimento\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina: Mulheres e ind\u00edgenas reclamam reconhecimento"},"content":{"rendered":"<p>Havana, 02\/05\/2007 &ndash; Ativistas de organiza\u00e7\u00f5es de mulheres e ind\u00edgenas reunidos em Havana reclamaram seu lugar nos movimentos sociais da Am\u00e9rica Latina, contra conceitos discriminat\u00f3rios que subsistem. <!--more--> O machismo predominante, inclusive dentro de grupos considerados progressistas e de esquerda, coloca a popula\u00e7\u00e3o feminina em uma posi\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 dos povos origin\u00e1rios, cuja singularidade se menospreza, afirmaram os ativistas. Ambos aparecem \u00e0 margem de propostas qualificadas de alternativas, mas que perpetuam velhos c\u00e2nones de domina\u00e7\u00e3o, afirmaram.<\/p>\n<p>Para a argentina Diana Maff\u00eda, as feministas se comprometem \u201ccom outras emancipa\u00e7\u00f5es sociais, mesmo quando n\u00e3o s\u00e3o aquelas que v\u00e3o causar impacto direto em nossos corpos e em nossas vidas, porque o far\u00e3o no tipo de sociedade na qual queremos nos incluir, sem subordinados e dominantes\u201d. Maff\u00eda \u00e9 ativista da organiza\u00e7\u00e3o Feministas Inconvenientes, que em seu \u201cmanifesto\u201d de funda\u00e7\u00e3o adota o feminismo como \u201ccr\u00edtica radical a um sistema capitalista e patriarcal\u201d, afirma que um mundo em que \u201ca maioria das mulheres e outras minorias, oprimidas por sua op\u00e7\u00e3o sexual ou identidade de g\u00eanero, por sua cultura ou cren\u00e7as diferentes da hegem\u00f4nica\u201d, sofrem impactos em sua autonomia e seus direitos.<\/p>\n<p>\u201cQueremos que as utopias do feminismo tamb\u00e9m sejam apropriadas como utopias de luta pessoal por outros movimentos sociais\u201d, disse Maff\u00eda \u00e0 IPS. A seu ver, os que lutam pelo meio ambiente, contra o trabalho escravo, a exclus\u00e3o das diversidades sexuais e dos imigrantes devem incorporar \u201cqual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o de g\u00eanero no mundo. Cremos que se n\u00e3o se incorporar esse tipo de opress\u00e3o \u00e0s lutas pela liberta\u00e7\u00e3o, nossas vidas permanecer\u00e3o iguais e teremos passado ao longo de outra revolu\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Doutora em filosofia da Universidade de Buenos Aires, Maff\u00eda disse que em suas palavras confluem as vozes de outros setores oprimidos. \u201cSe eu n\u00e3o possa portar todas essas vozes, fica muito dif\u00edcil meu discurso, mesmo sendo emancipador, conseguir inserir-se em uma mudan\u00e7a seletiva\u201d, acrescenta. Em uma confer\u00eancia durante o VII Encontro Internacional sobre Modelos Emancipat\u00f3rios, que terminou segunda-feira na capital cubana, Maff\u00eda afirmou que o maior desafio \u00e9tico para os movimentos sociais \u00e9 \u201crecuperar a polifonia das vozes\u201d, com base na \u201cescuta sens\u00edvel da diversidade\u201d.<\/p>\n<p>A ativista destacou a exclus\u00e3o das mulheres, que t\u00eam apenas 3% dos meios de produ\u00e7\u00e3o, apesar de trabalharem, em m\u00e9dia, seis horas a mais do que os homens e n\u00e3o receberem remunera\u00e7\u00e3o pelo trabalho dom\u00e9stico. Do encontro participaram mais de 500 pessoas, a maioria de Cuba, e cerca de 200 representantes de organiza\u00e7\u00f5es sociais, institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, ecum\u00eanicas e religiosas, intelectuais e especialistas em teologia de outros 26 pa\u00edses, convocados pelo grupo Am\u00e9rica Latina: Filosofia Social e Axiologia, do Instituto de Filos\u00f3fica de Cuba, e pelo n\u00e3o-governamental Centro Memorial Dr. Martin Luther King Jr.<\/p>\n<p>O encontro incluiu depoimentos e debates em plen\u00e1rio e em v\u00e1rios espa\u00e7os, para a reflex\u00e3o coletiva sobre patriarcado e capitalismo, os movimentos sociais e a integra\u00e7\u00e3o latino-americana, a civiliza\u00e7\u00e3o produtivista e depredadora do capital e as alternativas diante da cultura e da comunica\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nicas. Embora a chegada da esquerda latino-americana ao poder pol\u00edtico em v\u00e1rios pa\u00edses tenha renovado as esperan\u00e7as dos povos ind\u00edgenas de sair do esquecimento em que est\u00e3o desde tempos da col\u00f4nia espanhola, o respeito \u00e0 sua identidade como na\u00e7\u00f5es constitui uma reclama\u00e7\u00e3o ainda incompreendida, disseram participantes do encontro.<\/p>\n<p>\u201cDefendo a revolu\u00e7\u00e3o, mas em conjunto, desde a plurinacionalidade, desde a diversidade\u201d, disse \u00e0 IPS Blanca Choncoso, l\u00edder da Confedera\u00e7\u00e3o de Nacionalidades Ind\u00edgenas do Equador (Conaie). \u201cO problema \u00e9 que at\u00e9 agora toda a vivencia e, talvez, os reclamos dos povos ind\u00edgenas tenham sido considerados uma quest\u00e3o cultural, folcl\u00f3rica, e n\u00e3o como um ente pol\u00edtico que tamb\u00e9m faz contribui\u00e7\u00f5es a partir do seu conhecimento\u201d, afirmou. Chancoso lembrou que os povos ind\u00edgenas na pr\u00e1tica j\u00e1 vivem o socialismo, o comunitarismo e as economias solid\u00e1rias, \u201cum legado \u201cque desde a invas\u00e3o colonial europ\u00e9ia se procurou pisar e ir esquecendo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o estou aqui apenas para que vejam as diferen\u00e7as, mas porque tamb\u00e9m estamos contribuindo para a constru\u00e7\u00e3o de alternativas\u201d, disse a ativista de origem qu\u00e9chua, que considerou necess\u00e1rio o reconhecimento da exist\u00eancia de \u201cpovos com hist\u00f3ria, que de alguma maneira t\u00eam sua pr\u00f3pria governabilidade e suas normas\u201d. Chancoso ressaltou que \u201cn\u00e3o queremos ser vistos como os pobrezinhos, isolados, nem que nos confundam pelo n\u00famero de pessoas, mas porque somos realmente povos. Tem de ser considerada essa alternativa, pois sem n\u00f3s n\u00e3o haver\u00e1 uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Mais de um s\u00e9culo depois de consumada a independ\u00eancia da maioria das antigas col\u00f4nias europ\u00e9ias na Am\u00e9rica Latina, alguns consideram que determinadas concep\u00e7\u00f5es do sistema colonial continuam pesando, inclusive nas id\u00e9ias dos movimentos que proclamam a emancipa\u00e7\u00e3o continental. \u201cNosso pensamento est\u00e1 colonizado em muitos n\u00edveis, n\u00e3o apenas no da vida di\u00e1ria, onde reproduzimos rela\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o e exclus\u00e3o que consideramos naturais, e as l\u00f3gicas de quem coloniza o outro, mas tamb\u00e9m no \u00e2mbito do pensamento social, da filosofia\u201d, afirmou Gerardo Cerdas, coordenador na Am\u00e9rica Latina do n\u00e3o-governamental Grito dos Exclu\u00eddos.<\/p>\n<p>Essa organiza\u00e7\u00e3o promove desde 1995 uma proposta de a\u00e7\u00e3o para os movimentos sociais que d\u00ea \u00eanfase no protagonismo dos setores exclu\u00eddos na transforma\u00e7\u00e3o social, a necessidade de articula\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es populares e o reconhecimento de que todas as lutas respondem a uma mesma realidade de marginaliza\u00e7\u00e3o. Para Cerdas, \u201cas situa\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o s\u00e3o vividas pelas pessoas como sendo naturais\u201d, por isso nem sempre compreendem o v\u00ednculo entre esquemas de domina\u00e7\u00e3o historicamente constru\u00eddos e o n\u00e3o ter o que comer, onde morar ou faz\u00ea-lo de maneira prec\u00e1ria. Apesar dessa persist\u00eancia desses padr\u00f5es em todas as esferas da vida na regi\u00e3o, \u201ctamb\u00e9m estamos em busca de novos horizontes, e creio que por isso \u00e9 poss\u00edvel reverter uma situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria e exclus\u00e3o que vive o continente\u201d, garantiu Cerdas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havana, 02\/05\/2007 &ndash; Ativistas de organiza\u00e7\u00f5es de mulheres e ind\u00edgenas reunidos em Havana reclamaram seu lugar nos movimentos sociais da Am\u00e9rica Latina, contra conceitos discriminat\u00f3rios que subsistem. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/05\/america-latina\/america-latina-mulheres-e-indigenas-reclamam-reconhecimento\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,11],"tags":[],"class_list":["post-2848","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2848","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2848"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2848\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}