{"id":2849,"date":"2007-05-03T07:54:45","date_gmt":"2007-05-03T07:54:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2849"},"modified":"2007-05-03T07:54:45","modified_gmt":"2007-05-03T07:54:45","slug":"dia1-de-maio-quenia-zonas-de-exportacao-nao-acrescentam-ao-valor-economico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/05\/africa\/dia1-de-maio-quenia-zonas-de-exportacao-nao-acrescentam-ao-valor-economico\/","title":{"rendered":"DIA1 DE MAIO-QU\u00caNIA:: Zonas de Exporta\u00e7\u00e3o N\u00e3o Acrescentam ao Valor Econ\u00f3mico"},"content":{"rendered":"<p>NAIROBI, 03\/05\/2007 &ndash; \u2013 No dia 1 de maio o foco do mundo ser\u00e1 nas condi\u00e7\u00f5es laborais. A Emily Mugo tem contas a regrar sobre o lugar onde trabalha \u2013 uma das Zonas de Exporta\u00e7\u00e3o (EPZs) da Qu\u00eania. <!--more--> &#8220;Deve se desmaiar de uma do\u00ean\u00e7a antes de ser permitido a buscar o tratamento m\u00e9dico. N\u00e3o importa a gravidade da do\u00ean\u00e7a n\u00e3o se pode faltar ao trabalho sem ser despedido,&#8221; disse ela da f\u00e1brica de t\u00eaxteis situada nos arredores do capital, Nairobi. <\/p>\n<p>&#8220;Para os dirigentes a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 mais importante de que a sa\u00fade do pessoal. Para al\u00e9m disso temos que ficar a p\u00e9 durante muitas horas, at\u00e9 as mulheres gr\u00e1vidas. &#8221; <\/p>\n<p>A Mugo disse que uma das colegas dela pediu trabalhar sentada porque era gr\u00e1vida, depois do m\u00e9dico dela dizer lhe que podia perder o b\u00e9b\u00e9 se continuasse a trabalhar a p\u00e9. M\u00e1s, &#8220;Ela foi obrigada a terminar os servi\u00e7os dela ao trabalho porque o chefe insistiu que ela ficasse a p\u00e9 como os outros trabalhadores no departamento.&#8221; <\/p>\n<p>A Mugo que tem que inspetar a roupa no fim do processo de coser, tamb\u00e9m se queixa de sal\u00e1rios baixos.. &#8220;O nosso sal\u00e1rio, incluindo um subs\u00eddio para o alojamento, \u00e9 de cerca de 90 dol\u00e1res por m\u00eas. Eu n\u00e3o vejo porqu\u00ea \u00e9 que devo trabalhar para 13 horas de cada dia e n\u00e3o ser paga para as horas extraordin\u00e1rias para suplementar o meu rendimento. Eu n\u00e3o tenho um marido e tenho uma crian\u00e7a. Eu nem posso satisfazer todas as minhas necessidades com 90 d\u00f3lares,&#8221; disse ela a IPS. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que as empresas neste pa\u00eds da \u00c1frica Oriental est\u00e3o a ser criticados.<\/p>\n<p>Em 2004, a Comiss\u00e3o dos Direitos Humanos de Qu\u00eania (KHRC) publicou um livro &#39;The Manufacture of Poverty: The Untold Story of EPZs in Kenya&#39; que detalhou as pobres condi\u00e7\u00f5es laborais nas EPZs. Estas zonas foram estabelecidas em 1990 para atrair os investimentos na exporta\u00e7\u00e3o que poderiam aumentar os ganhos da divisa estrangeira e criar o emprego. As empresas que t\u00eam as lojas nas EPZs recebem incentivos como a isen\u00e7ao de certos impostos. <\/p>\n<p>Duas investiga\u00e7\u00f5es subsequentes realisadas pela IPS mostram que h\u00e1 certas reformas nas zonas tamb\u00e9m como algumas preocupa\u00e7\u00f5es sobre os abusos alegados dos trabalhadores. Mais de que tr\u00eas anos mais tarde, sempre se v\u00ea a inquietude sobre as EPZs. <\/p>\n<p>&#8220;As condi\u00e7\u00f5es de trabalho nas EPZs continuam a ser deplor\u00e1veis. Tudo indica que os empregadores continuam a abusar os direitos dos trabalhadores,&#8221; disse a IPS o Subdireitor Executivo de KHRC o Steve Ouma, referindo se a um caso de uma demiss\u00e3o injusta naqual os trabalhadores de uma empresa numa EPZ foram demitidos por que se manifestaram contra o atraso no pagamento de sal\u00e1rios e contra o uso de linguagem abusiva pela dire\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Central dos Sindicatos (The Central Organisation of Trade Unions -COTU) diz que se tem feito progresso para com os direitos dos trabalhadores a ter sindicatos. &#8220;Devido a press\u00e3o de COTU, os trabalhadores nas EPZs podem ser membros dos sindicatos, que est\u00e3o a lutar para as melhores condi\u00e7\u00f5es laborais para os membros deles. Isto foi impossivel h\u00e1 poucos anos,&#8221; disse o Adams Barasa de COTU. <\/p>\n<p>M\u00e1s o Ouma diz que as investiga\u00e7\u00f5es das EPZs mostram que ainda h\u00e1 obst\u00e1culos a superar para os trabalhadores que querem associar se aos sindicatos. A Mugo est\u00e1 de acordo: &#8220;A dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o quer que os trabalhadores associam se a estes org\u00e3os. Se descobrem que um trabalhador \u00e9 um membro, criam acusa\u00e7\u00f5es falsas e depois demitem lhe.&#8221; <\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o Ouma acrscenta que as EPZs n\u00e3o est\u00e3o a dar valor a economia de Qu\u00eania: &#8220;N\u00e3o est\u00e3o a estimular o desenvolvimento e a industrializa\u00e7\u00e3o na Qu\u00eania \u2026Sim criaram emprego, m\u00e1s n\u00e3o est\u00e3o a pagar os sal\u00e1rios de pobreza.&#8221; <\/p>\n<p>A Autoridade EPZ, um org\u00e3o governamental que dirige estas zonas, nega todas estas alega\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>&#8220;Os soldos s\u00e3o pagos segundo as linhas diretrizes dadas pelo governo queniano que se aplicam a todo o pa\u00eds, para isolar a EPZ como um empregador injusto. Ao contr\u00e1rio, os soldos das EPZs s\u00e3o 20 a 25 porcento mais de que os do territ\u00f3rio dom\u00e9stico,&#8221; disse a IPS o Jonathan Chifallu o portavoz da Autoridade. <\/p>\n<p>Segundo a p\u00e1gina web da autoridade , as zonas agora empregam cerca de 40,000 quenianos e contribuem 10.7 porcento das exporta\u00e7\u00f5es nacionais. As empresas de t\u00eaxteis dominam as EPZs.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NAIROBI, 03\/05\/2007 &ndash; \u2013 No dia 1 de maio o foco do mundo ser\u00e1 nas condi\u00e7\u00f5es laborais. 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