{"id":2860,"date":"2007-05-07T18:54:09","date_gmt":"2007-05-07T18:54:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2860"},"modified":"2007-05-07T18:54:09","modified_gmt":"2007-05-07T18:54:09","slug":"clima-bolivia-entra-no-mercado-de-creditos-de-carbono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/05\/america-latina\/clima-bolivia-entra-no-mercado-de-creditos-de-carbono\/","title":{"rendered":"Clima: Bol\u00edvia entra no mercado de Cr\u00e9ditos de Carbono"},"content":{"rendered":"<p>Col\u00f4nia, Alemanha, 07\/05\/2007 &ndash; A cooperativa boliviana de saneamento Saguapac reduzir\u00e1 em 20 mil toneladas suas emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono at\u00e9 2015, gra\u00e7as a um acordo que assinou com o Fundo de Desenvolvimento Comunit\u00e1rio de Carbono do Banco Mundial. <!--more--> O acordo, alcan\u00e7ado na Expo Carbono, na cidade alem\u00e3 de Col\u00f4nia, se inclui no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), criado pelo Protocolo de Kyoto para reduzir a emiss\u00e3o de gases causadores do efeito estufa no mundo em desenvolvimento e ajudar a deter o aquecimento do planeta.<\/p>\n<p>\u201cEste projeto reduzir\u00e1 as emiss\u00f5es de metano, um poderoso g\u00e1s que provoca o efeito estufa, do tratamento de esgoto urbano administrado pela Saguapac\u201d, explicou Warren Evans, diretor do Departamento de Meio Ambiente do Banco Mundial. O metano se converter\u00e1 \u201cem di\u00f3xido de carbono atrav\u00e9s da combust\u00e3o, o que reduzir\u00e1 o impacto no clima\u201d, acrescentou. A contribui\u00e7\u00e3o do metano para o aquecimento global \u00e9, segundo especialistas, 21 vezes maior, tonelada por tonelada, do que a do di\u00f3xido de carbono.<\/p>\n<p>O Protocolo de Kyoto, tratado internacional em vigor desde 2005, fixa limites obrigat\u00f3rios para a emiss\u00e3o por parte dos pa\u00edses industriais, identifica seis gases que provocam o efeito estufa e mede seu efeito sobre o clima em unidades denominadas \u201cequivalente di\u00f3xido de carbono\u201d. O acordo entre o Grupo do Banco Mundial e a cooperativa boliviana \u00e9 uma t\u00edpica transa\u00e7\u00e3o de MDL prevista pelo Protocolo de Kyoto. O MDL permite que os pa\u00edses industriais invistam em projetos que reduzam as emiss\u00f5es em na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, como alternativa para redu\u00e7\u00f5es mais caras em seus pr\u00f3prios territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>As 20 mil toneladas de \u201cequivalente di\u00f3xido de carbono\u201d de metano compradas pelo Banco ser\u00e3o transferidas como direitos de contamina\u00e7\u00e3o para empresas de pa\u00edses do Norte, que os usar\u00e3o para compensar a diferen\u00e7a entre o que realmente emitem e os limites impostos pelos governos. O MDL e outros dois programas de comercializa\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es criados pelo Protocolo de Kyoto (a Implementa\u00e7\u00e3o Conjunta e o Mercado de Emiss\u00f5es) ajudar\u00e3o a desenvolver um mercado mundial de carbono, no qual foram realizadas no ano passado transa\u00e7\u00f5es no valor de US$ 30 bilh\u00f5es, informou na semana passada o Banco Mundial, em Col\u00f4nia.<\/p>\n<p>Essa quantia levou analistas ambientais e financeiros a considerarem um grande sucesso o mercado de emiss\u00f5es de carbono. Yvo de Boer, secret\u00e1rio-executivo das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica \u2013 da qual o Protocolo de Kyoto \u00e9 um anexo \u2013 disse em col\u00f4nia que \u201co MDL estimula os investimentos em pa\u00edses em desenvolvimento, reduzindo miss\u00f5es e dando \u00e0s na\u00e7\u00f5es que integram o conv\u00eanio alguma flexibilidade no cumprimento de seus objetivos de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es\u201d. Dirk Forrister, diretor administrativo do Natsource Europe, fundo financeiro que opera com este tipo de transa\u00e7\u00e3o, disse na Expo Carbono que \u201co mercado de direitos de emiss\u00f5es de carbono ainda \u00e9 jovem, mas j\u00e1 \u00e9 um sucesso\u201d.<\/p>\n<p>Forrister tamb\u00e9m disse que o mercado atraiu grandes somas de institui\u00e7\u00f5es privadas e estatais a serem investidas na prote\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas ambientais. Mas outros acreditam que o programa de comercializa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de carbono se tornou uma mina de ouro para corpora\u00e7\u00f5es privadas sem ajudar realmente a reduzir as emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa. Para eles, o do carbono se transformou em mais um mercado financeiro, no qual se negocia uma mat\u00e9ria-prima virtual, aparentemente desconectada do mundo real.<\/p>\n<p>Jan Mariyappan, analista financeiro radicado em Londres, disse \u00e0 IPS que \u201co mercado de carbono se tornou muito vol\u00e1til\u201d, o que significa que os pre\u00e7os dos direitos de emiss\u00f5es evolu\u00edram erraticamente, seguindo, \u00e0s vezes, os inexplic\u00e1veis caprichos de agentes, compradores e vendedores. Um dos principais componentes do mercado mundial de carbono \u00e9 o Sistema de Com\u00e9rcio de Emiss\u00f5es da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia (UE ETS) que em 2006 chegou a US$ 24,3 milh\u00f5es, 80% do volume do com\u00e9rcio global.<\/p>\n<p>O UE ETS consiste em direitos de emiss\u00f5es de carbono \u2013 em outras palavras, permiss\u00f5es para contaminar \u2013 estendidos pelos governos europeus e a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia a empresas privadas, fabricas especialmente grandes e centrais el\u00e9tricas, com base m c\u00e1lculos sobre qual deveria ser a miss\u00e3o anual de di\u00f3xido de carbono dessas companhias. Mas como os cr\u00e9ditos foram emitidos, e n\u00e3o leiloados, como exigem os especialistas, as firmas n\u00e3o pagaram por sua contamina\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, ganham dinheiro com a venda desses direitos.<\/p>\n<p>Dados oficiais da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia divulgados em abril de 2006 confirmaram os temores dos ambientalistas. Os direitos de emiss\u00f5es de carbono foram inflados artificialmente, permitindo \u00e0s empresas se beneficiarem do programa para vender todos seus cr\u00e9ditos para contaminar. O desequil\u00edbrio entre oferta e demanda, agravado pelas preocupa\u00e7\u00f5es por supostas defici\u00eancias regulat\u00f3rias da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, derivou em um colapso dos pre\u00e7os desses direitos e gerou duras cr\u00edticas por parte de institui\u00e7\u00f5es financeiras privadas.<\/p>\n<p>O Deutsche Bank informou em mar\u00e7o que \u201cmuitas na\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia ainda est\u00e3o longe de cumprirem seus compromissos do Protocolo de Kyoto de reduzir as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono\u201d. Outros cr\u00edticos disseram que o programa de comercializa\u00e7\u00e3o recompensou as empresas que contaminam de modo desproporcional, especialmente as produtoras de petr\u00f3leo, g\u00e1s natural e eletricidade. Os cr\u00e9ditos de contamina\u00e7\u00e3o que os respectivos governos deram \u00e0s companhias foram reservados como a\u00e7\u00f5es a serem cotadas pelo mercado.<\/p>\n<p>Esse foi o caso do setor el\u00e9trico na Alemanha, onde os fornecedores, segundo o Fundo Mundial para a Natureza, inflaram seus custos mediante os direitos de emiss\u00e3o e, portanto, suas tarifas, em preju\u00edzo dos consumidores e sem dar nenhum beneficio ao meio ambiente. \u201cOs lucros dos cinco fornecedores alem\u00e3es de energia poderiam disparar para mais de US$ 75 bilh\u00f5es no per\u00edodo 2005-2021\u201d, disse \u00e0 IPS Matthias Kopp, um dos autores da investiga\u00e7\u00e3o do Fundo Mundial para a Natureza. \u201cOs ganhos s\u00e3o completamente ilegais\u201d, acrescentou. Mas n\u00e3o no sentido em que o Protocolo de Kyoto concebeu os direitos de emiss\u00f5es e o programa de comercializa\u00e7\u00e3o. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Col\u00f4nia, Alemanha, 07\/05\/2007 &ndash; A cooperativa boliviana de saneamento Saguapac reduzir\u00e1 em 20 mil toneladas suas emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono at\u00e9 2015, gra\u00e7as a um acordo que assinou com o Fundo de Desenvolvimento Comunit\u00e1rio de Carbono do Banco Mundial. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/05\/america-latina\/clima-bolivia-entra-no-mercado-de-creditos-de-carbono\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,10],"tags":[21],"class_list":["post-2860","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-energia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2860","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2860"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2860\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2860"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2860"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2860"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}