{"id":287,"date":"2005-02-04T00:00:00","date_gmt":"2005-02-04T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=287"},"modified":"2005-02-04T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-04T00:00:00","slug":"direitos-humanos-caso-de-tortura-segredo-de-estado-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/direitos-humanos-caso-de-tortura-segredo-de-estado-nos-eua\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Caso de tortura &eacute; segredo de Estado nos EUA"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 04\/02\/2005 &ndash; O Departamento de Justi&ccedil;a norte-americano apelou para o &quot;privil&eacute;gio dos segredos de Estado&quot; para fazer com que n&atilde;o vingue um processo aberto por Maher Arar, s&iacute;rio de nascimento e cidad&atilde;o canadense, detido nos Estados Unidos em 2002 e enviado, contra sua vontade, para a S&iacute;ria, onde diz ter sido torturado at&eacute; sua liberta&ccedil;&atilde;o, em 2003. Esses privil&eacute;gios foram invocados &quot;para proteger interesses da intelig&ecirc;ncia, a pol&iacute;tica externa e a seguran&ccedil;a dos Estados Unidos&quot;, segundo o tr&acirc;mite realizado pelo promotor-geral em exerc&iacute;cio, James B. Corny, junto ao Distrito Oriental do Poder Judicial de Nova York. &quot;Litigar (&#8230;) sobre a demanda requereria revelar informa&ccedil;&atilde;o classificada&quot;, incluindo as bases para deter Arar, negar-se a deport&aacute;-lo para o Canad&aacute;, como solicitara, e envi&aacute;-lo &agrave; S&iacute;ria, sem que em momento algum fosse acusado de algum delito, alegou Corny.<br \/> <!--more--> <br \/> Arar, h&aacute; mais de um ano residente na prov&iacute;ncia canadense de Ont&aacute;rio, &eacute; representado legalmente pelo CCR, uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental com sede em Nova York. &quot;O caso de Maher Arar &eacute; muito significativo, porque envolve a tortura e a deten&ccedil;&atilde;o arbitr&aacute;ria de um homem inocente, capturado, levado e transferido com base em informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o comprovada e incorreta, e coloca &agrave; prova o compromisso deste governo com a erradica&ccedil;&atilde;o da tortura&quot;, disse sua advogada, B&aacute;rbara Olshansky. &Eacute; a terceira vez em dois anos que o Departamento de Justi&ccedil;a evoca o privil&eacute;gio dos segredos de Estado.<\/p>\n<p> Em 2003, o utilizou com &ecirc;xito em benef&iacute;cio da Ag&ecirc;ncia Central de Intelig&ecirc;ncia (CIA) para que fosse deixado de lado um processo de Jeffrey Sterling, ex-agente da organiza&ccedil;&atilde;o, que alegava ter sido v&iacute;tima de discrimina&ccedil;&atilde;o racial dentro dela. Sterling apresentou uma apela&ccedil;&atilde;o ainda em tramita&ccedil;&atilde;o. O mesmo privil&eacute;gio foi empregado em 2004 para bloquear um processo de Sibel Edmonds, especialista em idiomas do Oriente M&eacute;dio contratada pelo Escrit&oacute;rio Federal de Investiga&ccedil;&otilde;es (FBI) pouco depois dos atentados de setembro de 2001 em Nova York e Washington, e demitida em 2002 ap&oacute;s apresentar reiterados informes sobre problemas graves de seguran&ccedil;a e m&aacute; condutas no programa de tradu&ccedil;&otilde;es desse &oacute;rg&atilde;o.<\/p>\n<p> Edmonds impugnou sua demiss&atilde;o e o tribunal arquivou o processo em julho, depois que o ent&atilde;o promotor-geral, John Ashcroft, evocou o privil&eacute;gio de segredos de Estado. A Inspetoria Geral do Departamento de Justi&ccedil;a realizou investiga&ccedil;&otilde;es reservadas sobre o assunto, e chegou &agrave; conclus&atilde;o de que as den&uacute;ncias de Edmonds foram, &quot;pelo menos, um fator que contribuiu para que o FBI prescindisse de seus servi&ccedil;os&quot;. A Uni&atilde;o Norte-americana pelas Liberdades Civis (Aclu), uma ONG com sede em Washington que assumiu a defesa da tradutora, afirmou que o tribunal distrital &quot;confiou na suposta evid&ecirc;ncia secreta do governo, mas, negou a Edmonds a oportunidade de provar seu caso com base em evid&ecirc;ncia n&atilde;o sens&iacute;vel&quot;. Isso &quot;transformou o processo em uma trapa&ccedil;a e privou Edmonds de seu direito constitucional de ir perante a corte&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> A Aclu afirma que &quot;o governo se valeu do privil&eacute;gio dos segredos de Estado para encobrir sua pr&oacute;pria neglig&ecirc;ncia&quot;, e cita um caso de 1948 na Suprema Corte no qual o Poder Executivo argumentou &quot;que revelar o informe sobre um acidente a&eacute;reo militar poria em perigo o car&aacute;ter secreto do equipamento militar e prejudicaria a seguran&ccedil;a nacional&quot;. Entretanto, quase 50 anos depois se conheceu o informe, ficou claro que n&atilde;o havia sido oculto por raz&otilde;es de seguran&ccedil;a, mas porque provava que a causa do acidente havia sido um defeito de manuten&ccedil;&atilde;o. Arar, nascido em 1970, passou a residir no Canad&aacute; em 1987. Ap&oacute;s fazer mestrado em engenharia de sistemas, trabalhou na cidade de Ottawa com engenheiro em telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p> Em setembro de 2002, fez uma escala em Nova York quando regressava ao Canad&aacute; depois de passar f&eacute;rias e Tunis, sendo detido por funcion&aacute;rios norte-americanos por supostos v&iacute;nculos com a organiza&ccedil;&atilde;o terrorista Al Qaeda (A Base), que Washington considera respons&aacute;vel pelos atentados de setembro de 2001. Depois, foi deportado para a S&iacute;ria, embora tivesse passaporte canadense e pedido para voltar ao seu pa&iacute;s. Arar retornou ao Canad&aacute; mais de um ano depois, afirmando ter sido torturado enquanto esteve preso na S&iacute;ria, e acusou funcion&aacute;rios norte-americanos de envi&aacute;-lo ao seu pa&iacute;s de nascimento mesmo sabendo que ali o torturariam.<\/p>\n<p> As autoridades dos Estados Unidos informaram que &quot;o nome de Arar estava em uma lista de terroristas procurados, devido a informa&ccedil;&atilde;o procedente do Canad&aacute;&quot;, e que a decis&atilde;o de envi&aacute;-lo para a S&iacute;ria &quot;foi tomada por funcion&aacute;rios do governo dos EUA com base em nossa pr&oacute;pria avalia&ccedil;&atilde;o da amea&ccedil;a &agrave; seguran&ccedil;a&quot; que representava. No Canad&aacute;, o caso foi objeto de uma ampla cobertura informativa, e o governo terminou por autorizar, sem muito entusiasmo, que fosse investigado pelo Poder Judici&aacute;rio, com apoio do Servi&ccedil;o de Intelig&ecirc;ncia de Seguran&ccedil;a e da Pol&iacute;cia Montada. Segundo o jornal canadense Toronto Globe, suspeita-se que o Poder Executivo &quot;tenta atrasar a investiga&ccedil;&atilde;o e parece decidido a manter o controle das decis&otilde;es sobre quais informa&ccedil;&atilde;o relacionada com Arar ser&aacute; divulgada&quot;. O Departamento de Estado norte-americano negou-se a cooperar com a investiga&ccedil;&atilde;o canadense sobre o caso. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 04\/02\/2005 &ndash; O Departamento de Justi&ccedil;a norte-americano apelou para o &quot;privil&eacute;gio dos segredos de Estado&quot; para fazer com que n&atilde;o vingue um processo aberto por Maher Arar, s&iacute;rio de nascimento e cidad&atilde;o canadense, detido nos Estados Unidos em 2002 e enviado, contra sua vontade, para a S&iacute;ria, onde diz ter sido torturado at&eacute; sua liberta&ccedil;&atilde;o, em 2003. Esses privil&eacute;gios foram invocados &quot;para proteger interesses da intelig&ecirc;ncia, a pol&iacute;tica externa e a seguran&ccedil;a dos Estados Unidos&quot;, segundo o tr&acirc;mite realizado pelo promotor-geral em exerc&iacute;cio, James B. Corny, junto ao Distrito Oriental do Poder Judicial de Nova York. &quot;Litigar (&#8230;) sobre a demanda requereria revelar informa&ccedil;&atilde;o classificada&quot;, incluindo as bases para deter Arar, negar-se a deport&aacute;-lo para o Canad&aacute;, como solicitara, e envi&aacute;-lo &agrave; S&iacute;ria, sem que em momento algum fosse acusado de algum delito, alegou Corny.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/direitos-humanos-caso-de-tortura-segredo-de-estado-nos-eua\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":454,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-287","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/454"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=287"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/287\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}