{"id":2876,"date":"2007-05-11T20:05:52","date_gmt":"2007-05-11T20:05:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2876"},"modified":"2007-05-11T20:05:52","modified_gmt":"2007-05-11T20:05:52","slug":"angola-a-construcao-de-uma-potencia-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/05\/africa\/angola-a-construcao-de-uma-potencia-africana\/","title":{"rendered":"Angola: A constru\u00e7\u00e3o de uma pot\u00eancia africana"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 11\/05\/2007 &ndash; Com passos graduais, firmes e decisivos, Angola se coloca, cada vez mais, como a pot\u00eancia econ\u00f4mica, pol\u00edtica e militar africana que pode em poucos anos fazer sombra para a \u00c1frica do Sul na regi\u00e3o. <!--more--> A F\u00eanix angolana j\u00e1 levantou v\u00f4o desde as cinzas deixadas pelas guerras, de independ\u00eancia contra Portugal (1961-1974) e civil (1975 &#8211; 2002), que devastaram este pa\u00eds hoje com 16 milh\u00f5es de habitantes e que deixaram mais de um milh\u00e3o de mortos e cerca de quatro milh\u00f5es de refugiados. No ano passado registrou crescimento econ\u00f4mico de 15% e calcula-se que esse indicador ir\u00e1 duplicar este ano.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos passos na busca de sua condi\u00e7\u00e3o de pa\u00eds forte da \u00c1frica ser\u00e3o dados rumo \u00e0 op\u00e7\u00e3o nuclear, para o qual contaria com apoio da China, segundo se depreende das declara\u00e7\u00f5es a uma r\u00e1dio norte-americana feita pelo ministro angolano de Ci\u00eancia e Tecnologia, Jo\u00e3o Baptista Ngandajina, reproduzidas pela imprensa de Portugal. Apesar de ser um dos principais exportadores de petr\u00f3leo do mundo, Angola \u201ctem limita\u00e7\u00f5es pra a produ\u00e7\u00e3o de energia, ent\u00e3o, por que n\u00e3o come\u00e7ar a pensar em projetos que no futuro possam produzir energia a partir de fontes nucleares?\u201d, perguntou Ngandajina, que descartou que tal estrat\u00e9gia implique desenvolvimento de armas at\u00f4micas.<\/p>\n<p>O parlamento elabora uma Lei de Energia Nuclear, que, uma vez aprovada, permitir\u00e1 o desenvolvimento desta op\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. O governo de Jos\u00e9 Eduardo dos Santos reiterou que inicialmente se dar\u00e1 prioridade aos projetos de pesquisa e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de quadros, e \u00e0 nova lei, segundo o ministro, \u201cdefinir\u00e1 tudo que diz respeito \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o, transporte, uso e armazenamento que fizermos de equipamentos radioativos no pa\u00eds\u201d. Ngandajina revelou que j\u00e1 foram identificadas jazidas de minerais radioativos, como ur\u00e2nio, mas n\u00e3o indicou as regi\u00f5es do pa\u00eds onde se encontram.<\/p>\n<p>Em declara\u00e7\u00f5es reproduzidas no \u00faltimo dia 8 na vers\u00e3o eletr\u00f4nica do seman\u00e1rio portugu\u00eas Expresso, o especialista em energia nuclear Antonio Costa e Silva afirmou que as abundantes jazidas de ur\u00e2nio existentes em Angola atraem o interesse da China, que tentara oferecer como moeda de troca \u201ca forma\u00e7\u00e3o de quadros e a abertura de uma ou duas centrais nuclears\u201d. Costa e Silva, professor do Instituto Superior T\u00e9cnico de Lisboa, se diz c\u00e9tico quanto \u00e0s possibilidades de Angola para implementar a op\u00e7\u00e3o nuclear, devido \u00e0 necessidade de contar com tecnologias avan\u00e7adas.<\/p>\n<p>Esse avan\u00e7o \u00e9 dif\u00edcil para um pa\u00eds como Angola, com uma economia prim\u00e1ria baseada na exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas, sendo que \u201cganharia mais exportando ur\u00e2nio do que de desenvolvendo uma pol\u00edtica nuclear dentro de suas fronteiras\u201d, afirmou . \u201cAngola no clube nuclear?\u201d, pergunta o especialista pol\u00edtico residente em Portugal Eugenio Costa Almeida, doutorado pelo Instituto de Ci\u00eancias Sociais e Pol\u00edticas da Universidade T\u00e9cnica de Lisboa, uma das vozes anal\u00edticas mais autorizadas da imprensa portuguesa e internacional sobre temas africanos.<\/p>\n<p>\u201cApesar de Angola neste momento ser uma pot\u00eancia local, tudo se conjuga para ser, em breve, uma forte pot\u00eancia regional, disse Almeida em entrevista \u00e0 IPS. \u201cNo momento, contam mais os fatores pol\u00edticos e militares do que os econ\u00f4micos, mas, com uma tend\u00eancia concertada de ser uma combina\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas fatores, os quais far\u00e3o de Angola uma pot\u00eancia regional\u201d, previu. Este especialista citou como exemplo \u201ca importante influ\u00eancia pol\u00edtica de Jos\u00e9 Eduardo dos Santos, aliada a uma forte maquina militar, que conseguiu colocar, manter e consolidar o poder aos l\u00edderes dos Congos\u201d.<\/p>\n<p>Almeida recordou que na Rep\u00fablica do Congo Denis Sassou-Nguesso \u201cfoi derrotado nas urnas em 1997 e s\u00f3 voltou ao poder em 1999 atrav\u00e9s de sua for\u00e7a militar particular, os Cobras, que derrotaram os Zulus, o ex\u00e9rcito quase particular do presidente eleito Pascal Lissouba, com a ajuda das For\u00e7as Armadas de Angola, segundo cr\u00f4nicas da \u00e9poca\u201d. O especialista lembrou tamb\u00e9m que na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, \u201co apoio pol\u00edtico, militar e econ\u00f4mico de Angola permitiu que o presidente Joseph Kabila assumisse o poder em Kinshasa\u201d em 2001, ratificado no cargo em elei\u00e7\u00f5es apenas em 2006.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, o poder de Angola \u201c\u00e9 mais evidente no campo econ\u00f4mico, embora no pol\u00edtico n\u00e3o esteja t\u00e3o adormecido como se pretende fazer crer\u201d, disse Almeida. O especialista citou o presidente dessa pequena ex-col\u00f4nia insular portuguesa, Fradique de Menezes, quando ao assumir o cargo em 2001 acusou \u201cclara e incisivamente\u201d Angola de inger\u00eancia na campanha eleitoral e recordou que foi Luanda que em 2003 conseguiu evitar um golpe de Estado liderado pelo major do ex\u00e9rcito Fernando Pereira.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o, \u201cAngola encontra um forte rival na \u00c1frica do Sul, que sempre que sente protagonismo angolano coloca sua figura pol\u00edtica mais importante, Nelson Mandela, como negociador nos diferentes conflitos, at\u00e9 quando estes s\u00e3o fora de sua zona de a\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o efetiva, que \u00e9 o cone austral\u201d do continente, afirmou o especialista. Consultado pela IPS se a pujante presen\u00e7a da China em Angola poder\u00e1 condicionar os interesses de outros pa\u00edses que ali operam em for\u00e7a, especialmente Portugal e Brasil, Almeida destacou que \u201cn\u00e3o necessariamente, nem me parece que isso ocorrer\u00e1\u201d, porque Pequim \u201ctem uma vis\u00e3o ampla de suas rela\u00e7\u00f5es\u201d e nunca tentam afastar eventuais competidores.<\/p>\n<p>\u201cOs chineses atualmente s\u00e3o um po\u00e7o sem fundo na busca e na absor\u00e7\u00e3o de mais e mais conhecimentos que reforcem sua predomin\u00e2ncia no atual sistema internacional\u201d e Angola, \u201cque deseja consolidar sua capacidade e sua independ\u00eancia regionais, n\u00e3o descarta ajudas, venham de onde vier, enquanto estas n\u00e3o se chocarem com seus interesses\u201d, afirmou. O especialista em rela\u00e7\u00f5es internacionais destacou que, como se sabe, a amizade s\u00f3 existe entre duas pessoas, \u201cos pa\u00edses n\u00e3o t\u00eam amigos mas interesses para defender\u201d, motivo pelo qual Angola deseja manter \u201cboas rela\u00e7\u00f5es com Portugal e Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, fustigou os complexos que afloraram nos \u00faltimos anos do imp\u00e9rio luso-africano, \u201cespecialmente na esquerda portuguesa, que ainda persiste em pensar que colabora\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e\/ou militares podem configurar m\u00e9todos neocoloniais\u201d. Quanto ao Brasil, esse pa\u00eds sul-americano \u00e9 avaliado em Angola \u201ccomo um importante associado econ\u00f4mico que, al\u00e9m disso, apresenta a vantagem de falar a mesma l\u00edngua e ter quase a mesma cultura e que s\u00e3o separados apenas pelo Atl\u00e2ntico\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es entre Angola e seus dois principais associados de l\u00edngua portuguesa, Brasil e Portugal, \u201cs\u00e3o muito importantes para a China, que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o tenta minar essa rela\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m incentiv\u00e1-las\u201d. Ao concluir, Almeida afirmou que para ser uma pot\u00eancia regional efetiva Angola ainda tem um longo percurso pela frente no caminho da paz e da democracia, \u201cderrubando os \u00faltimos obst\u00e1culos que impedem sua concretiza\u00e7\u00e3o: a corrup\u00e7\u00e3o e a vassalagem da comunica\u00e7\u00e3o social, ou seja, ganhar uma liberdade efetiva\u201d. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 11\/05\/2007 &ndash; Com passos graduais, firmes e decisivos, Angola se coloca, cada vez mais, como a pot\u00eancia econ\u00f4mica, pol\u00edtica e militar africana que pode em poucos anos fazer sombra para a \u00c1frica do Sul na regi\u00e3o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/05\/africa\/angola-a-construcao-de-uma-potencia-africana\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,5,11],"tags":[],"class_list":["post-2876","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2876"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2876\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}