{"id":289,"date":"2005-02-09T00:00:00","date_gmt":"2005-02-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=289"},"modified":"2005-02-09T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-09T00:00:00","slug":"sade-vacina-contra-a-aids-ser-livre-de-patentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/sade-vacina-contra-a-aids-ser-livre-de-patentes\/","title":{"rendered":"Sa&uacute;de: Vacina contra a aids ser&aacute; livre de patentes"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, 09\/02\/2005 &ndash; A vacina contra aids somente estar&aacute; dispon&iacute;vel a m&eacute;dio prazo, talvez dentro de 10 anos, mas quando sua descoberta for uma realidade todos o afetados por este flagelo no mundo poder&atilde;o receb&ecirc;-la sem impedimento em raz&atilde;o do regime de patentes farmac&ecirc;uticas, afirmaram funcion&aacute;rios da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de. A diretora da Iniciativa de Pesquisa de Vacinas da OMS, Marie-Paule Kieny, disse que as pesquisas ainda est&atilde;o em uma etapa de testes sobre o que pode, ou n&atilde;o, proteger contra o v&iacute;rus da defici&ecirc;ncia imunol&oacute;gica adquirida (HIV), ante-sala da aids, que no final de 2004 infectava aproximadamente 39,4 milh&otilde;es de pessoas. Portanto, esta pesquisa se estender&aacute;, pelo menos, no m&eacute;dio prazo, deduziu.<br \/> <!--more--> <br \/> S&oacute; podemos dizer que &eacute; muito improv&aacute;vel que uma vacina contra o HIV esteja dispon&iacute;vel em menos de cinco anos. Em per&iacute;odo mais remoto, como cerca de 10 anos, &eacute; mais plaus&iacute;vel que se chegue a dispor de algo, acrescento Kieny. Dois testes de efic&aacute;cia de vacinas completados os Estados Unidos e na Tail&acirc;ndia entre 2003 e 2004 deram resultados desanimadores e demonstraram que a popula&ccedil;&atilde;o imunizada n&atilde;o estava protegida contra o HIV. Desde ent&atilde;o, outros testes de maior amplitude s&atilde;o feitos na Tail&acirc;ndia, onde se espera inocular a vacina em cerca de 16 mil volunt&aacute;rios. Esperamos dispor dos resultados deste novo teste cl&iacute;nico em 2007 ou 2008, aproximadamente acrescentou Kieny.<\/p>\n<p> A pesquisadora disse que uma eventual vacina contra a aids poder&aacute; tamb&eacute;m evitar a aplica&ccedil;&atilde;o dos direitos de patentes farmac&ecirc;uticas pelo regime de propriedade intelectual da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC). O HIV &eacute; uma quest&atilde;o de urg&ecirc;ncia. &Eacute; verdade que a maioria das vacinas que est&atilde;o em fases de testes est&aacute; associada &agrave; prote&ccedil;&atilde;o de patentes ou, pelo menos, aos pedidos de registro de propriedade, explicou Kieny. Entretanto, temos poucas d&uacute;vidas de que uma vez que os produtos tenham comprovado sua efic&aacute;cia a comunidade mundial se unir&aacute; para assegurar que os direitos de patentes n&atilde;o impe&ccedil;am que as popula&ccedil;&otilde;es afetadas tenham acesso &agrave;s vacinas, ressaltou.<\/p>\n<p> A funcion&aacute;ria da OMS recordou o caso dos anti-retrovirais, os medicamentos utilizados com melhores resultados at&eacute; agora para enfrentar os efeitos da aids nos doentes. Depois de uma campanha internacional que mobilizou pa&iacute;ses em desenvolvimento, com Brasil, &Aacute;frica do Sul e &Iacute;ndia na lideran&ccedil;a, e as maiores organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais humanit&aacute;rias, a confer&ecirc;ncia ministerial da OMC, realizada em 2001, em Doha, introduziu exce&ccedil;&otilde;es ao regime de licen&ccedil;as estabelecido pelo tratado dessa organiza&ccedil;&atilde;o sobre Aspectos da propriedade intelectual relacionados com o Com&eacute;rcio (Adpic), tamb&eacute;m conhecido por sua sigla em ingl&ecirc;s TRIPS.<\/p>\n<p> O caso dos anti-retrovirais exigiu um tempo, mas, finalmente, foi resolvido. Portanto, &quot;n&atilde;o vejo raz&otilde;es para que n&atilde;o ocorra o mesmo com as vacinas&quot;, comentou Kieny. Por outro lado, ao contr&aacute;rio dos tratamentos de pacientes com aids, a &aacute;rea das vacinas est&aacute; muito subvencionada com fundos estatais. Dessa maneira, o setor p&uacute;blico cuidar&aacute; pra que as vacinas estejam &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es afetadas, acrescentou. A busca de vacinas contra o HIV remonta a 1987, quando foram feitos nos Estados Unidos os primeiros testes cl&iacute;nicos humanos. Desde ent&atilde;o, mais de 70 testes das primeiras fases da pesquisa foram efetuados com diferentes mostras e conceitos de vacinas em diversos pa&iacute;ses.<\/p>\n<p> O caso mais recente &eacute; o anunciado segunda-feira em Nova D&eacute;lhi, sobre o primeiro teste cl&iacute;nico humano de uma vacina contra o HIV por parte de cientistas da &Iacute;ndia. Os pesquisadores inocularam nessa data a vacina em um grupo de 30 volunt&aacute;rios, mulheres e homens, entre 18 e 45 anos de idade. A vacina se baseia no tipo de v&iacute;rus que prevalece na &Iacute;ndia, explicou, em Genebra, o pesquisador Saladin Osmanov, coordenador da Iniciativa de Vacinas contra o HIV da OMS e do Programa Conjunto das Na&ccedil;&otilde;es Unidas contra a Aids (Onusida). A experi&ecirc;ncia divulgada pela &Iacute;ndia &eacute; um sinal positivo e muito importante, pois n&atilde;o sabemos que enfoque de vacina ser&aacute; mais eficaz e as m&uacute;ltiplas amostras de vacinas t&ecirc;m de ser testadas em popula&ccedil;&otilde;es onde logo ser&atilde;o eventualmente usadas, explicou Osmanov.<\/p>\n<p> Por essa raz&atilde;o, os testes devem ser feitos em diferentes partes do mundo e a &Iacute;ndia est&aacute; contribuindo com esse esfor&ccedil;o com testes em seu territ&oacute;rio, acrescentou o especialista. Isso &eacute; especialmente importante porque a &Iacute;ndia &eacute; um pa&iacute;s de grande popula&ccedil;&atilde;o (1,1 bilh&atilde;o de habitantes), com elevado n&uacute;mero de pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de risco perante a aids, que se beneficiar&atilde;o no futuro com uma vacina de sucesso contra o HIV, insistiu. Osmanov disse que o programa de desenvolvimento de uma vacina contra o HIV &eacute; extremamente caro. Desde a pesquisa b&aacute;sica, a pesquisa pr&eacute;-cl&iacute;nica, at&eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o de testes cl&iacute;nicos pode demandar investimentos de centenas de milh&otilde;es de d&oacute;lares, acrescentou.<\/p>\n<p> Grande parte dos aspectos da pesquisa que se realiza em todo o mundo para se chegar a uma vacina contra o HIV foi analisada na semana passada por especialistas de pa&iacute;ses industrializados e em desenvolvimento durante reuni&atilde;o realizada na cidade su&iacute;&ccedil;a de Montreux. Como no caso da &Iacute;ndia, &eacute; necess&aacute;rio aumentar em todo o mundo a capacidade para realizar testes cl&iacute;nicos multic&ecirc;ntricos diante das cepas de HIV prevalentes em diferentes pa&iacute;ses ou regi&otilde;es e em popula&ccedil;&otilde;es com diferentes modos de transmiss&atilde;o, afirmam os especialistas. Os participantes da reuni&atilde;o recomendaram que a OMS e a Onusida promovam a inclus&atilde;o de mulheres e adolescentes nos testes cl&iacute;nicos sobre as vacinas contra o HIV. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, 09\/02\/2005 &ndash; A vacina contra aids somente estar&aacute; dispon&iacute;vel a m&eacute;dio prazo, talvez dentro de 10 anos, mas quando sua descoberta for uma realidade todos o afetados por este flagelo no mundo poder&atilde;o receb&ecirc;-la sem impedimento em raz&atilde;o do regime de patentes farmac&ecirc;uticas, afirmaram funcion&aacute;rios da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de. A diretora da Iniciativa de Pesquisa de Vacinas da OMS, Marie-Paule Kieny, disse que as pesquisas ainda est&atilde;o em uma etapa de testes sobre o que pode, ou n&atilde;o, proteger contra o v&iacute;rus da defici&ecirc;ncia imunol&oacute;gica adquirida (HIV), ante-sala da aids, que no final de 2004 infectava aproximadamente 39,4 milh&otilde;es de pessoas. 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