{"id":2905,"date":"2007-05-22T09:01:43","date_gmt":"2007-05-22T09:01:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2905"},"modified":"2007-05-22T09:01:43","modified_gmt":"2007-05-22T09:01:43","slug":"angola-angola-no-clube-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/05\/africa\/angola-angola-no-clube-nuclear\/","title":{"rendered":"ANGOLA:: Angola no clube nuclear?"},"content":{"rendered":"<p>LISBOA, 22\/05\/2007 &ndash; \u2013 Como o f\u00eanix, a Angola \u2013 o segundo maior produtor subsaariano de petr\u00f3leo depois da Nig\u00e9ria, levantou se das cinzas de d\u00e9cadas de confl\u00edto armado. Os analistas est\u00e3o a falar do potencial dela de ser uma pot\u00eancia econ\u00f3mica, pol\u00edtica e militar na \u00c1frica. <!--more--> A guerra de independ\u00eancia de Portugal de 1961-1974 e a civil de 1975-2002 devastaram este pa\u00eds de 16 milh\u00f5es pessoas, deixando uma milh\u00e3o de pessoas mortes e quatro milh\u00f5es despla\u00e7adas. Mas agora, a Angola est\u00e1 no auge econ\u00f3mico gra\u00e7as ao petr\u00f3leo. A economia angolana cresceu 15 porcento em 2006, e atinjir\u00e1 30porcento pelo fim deste ano. Atualmente, a Angola \u00e9 o maior exportador do petr\u00f3leo bruto a China e o s\u00e9timo maior exportador aos Estados Unidos. Produz se cerca de 1.4 milh\u00f5es de barriis de petr\u00f3leo por dia e espera se aumentar esta quantidade a dois milh\u00f5es por dia pelo fim do ano. Os pr\u00f3ximos passos no estabelecimento de Angola como um l\u00edder regional ser\u00e3o no desenvolvimento duma ind\u00fastria nuclear. Segundo alguns coment\u00e1rios feitos recentemente pelo Jo\u00e3o Baptista Ngandajina, o Ministro Angolano de Ci\u00eancia e Tecnologia a impensa, parece que a Angola ter\u00e1 o apoio da China neste desenvolvimento. Embora seja um dos maiores exportadores de petr\u00f3leo no mundo, a Angola &#8220;est\u00e1 limitado no que diz respeito a produ\u00e7\u00e3o de energia, ent\u00e3o deve se come\u00e7ar a pensar nos projetos futuros que produzir\u00e3o a energia de fontes nucleares,&#8221; disse o Ngandajina. Mas ele clarificou que a estrat\u00e9gia n\u00e3o incluir\u00e1 o desenvolvimento de armas nucleares. <\/p>\n<p>A aprova\u00e7ao parlamentar de um projeto lei sobre a energia nuclear que est\u00e1 a ser elaborado permitir\u00e1 o pa\u00eds a iniciar a produ\u00e7\u00e3o da energia nuclear. <\/p>\n<p>O governo do Presidente Jos\u00e9 Eduardo dos Santos explicou que dar\u00e1 prioridade aos projetos de investiga\u00e7\u00e3o e de forma\u00e7\u00e3o do pessoal. Segundo o Ngandajina, o projeto lei &#8220;definir\u00e1 todos os aspeitos da aquisi\u00e7\u00e3o, transporta\u00e7\u00e3o, o uso e a armazenagem do equipamento nuclear &#8221; em Angola. <\/p>\n<p>Embora disse que se descobriu alguns dep\u00f3sitos de ur\u00e2nio no pa\u00eds, o ministro n\u00e3o quis identificar as regi\u00f5es de que se trata. Um experto nas quest\u00f5es de energia o Ant\u00f3nio Costa e Silva, que \u00e9 professor no Instituto Superior T\u00e9cnico de Lisboa, disse que os recursos abundantes de ur\u00e2nio em Angola captivaram o interesse dos chineses. Falando no di\u00e1rio do internet o Expresso, ele disse que em troca do ur\u00e2nio os chineses &#8221; formar\u00e3o o pessoal e construir\u00e3o uma ou duas das plantas nucleares &#8221; em Angola. <\/p>\n<p>Mas o Costa e Silva \u00e9 c\u00e9ptico sobre a capacidade de Angola de desenvolver uma ind\u00fastria da energia nuclear, dado a necessidade para as tecnologias avan\u00e7adas desta ind\u00fastria. <\/p>\n<p>Ele disse que seria dif\u00edcil para a Angola, cuja eonomia est\u00e1 baseada na exporta\u00e7\u00e3o de mercadorias, avan\u00e7ar para a produ\u00e7\u00e3o da energia nuclear. Ele acrescentou que &#8220;O pa\u00eds ganharia mais da exporta\u00e7\u00e3o do ur\u00e2nio de que do desenvolvimento de uma pol\u00edtica nuclear domestica.&#8221; <\/p>\n<p>&#8220;Angola fazendo parte do clube nuclear?&#8221; perguntou um cientista pol\u00edtico angolano o Eug\u00e9nio Costa Almeida numa entrevista com a IPS. <\/p>\n<p>Costa Almeida, que vive no Portugal e tem um doutoramento da Universidade T\u00e9cnica de Lisbaoa, \u00e9 uma das vozes falando sobre a \u00c1frica na m\u00e9dia international. Segundo ele, a Angola est\u00e1 bem posicionada para ser uma grande pot\u00eancia regional no futuro. <\/p>\n<p>&#8220;Para j\u00e1 os fatores militares e pol\u00edticos s\u00e3o mais importantes do que os econ\u00f3micos,&#8221; disse ele. Mas uma combina\u00e7\u00e3o destes tr\u00eas fatores tornaria a Angola numa grande pot\u00eancia regional,&#8221; predisse ele. <\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m falou da &#8220;influ\u00eancia pol\u00edtica forte de Jos\u00e9 Eduardo dos Santos, junto a maquin\u00e1ria militar que conseguiu estabelecer, consolidar e manter em poder os lideres dos dois Congos.&#8221; <\/p>\n<p>O analista indicou que na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, o Denis Sassou-Nguesso &#8220;foi derrotado\u201d nas elei\u00e7\u00f5es de 1997 e s\u00f3 voltou ao poder em 1999. Isto foi poss\u00edvel com a ajuda da sua mil\u00edcia privada, os Cobras, que derrotaram os Zulus (a mil\u00edcia de Cocoye) \u2013o ex\u00e9rcito privado do presidente eleito o Pascal Lissouba\u2014e das for\u00e7as armadas de Angola. Ele tamb\u00e9m declarou que na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, &#8220;o apoio pol\u00edtico, militar e econ\u00f3mico de Angola ajudou o (Presidente Joseph) Kabila a tomar o poder em Kinshasa&#8221; em 2001, o que n\u00e3o foi ratificado pelas elei\u00e7\u00f5es at\u00e9 2006. <\/p>\n<p>Em Sao Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, uma pequena ex col\u00f3nia portuguesa na costa ocidental da \u00c1frica, o poder de Angola &#8220;\u00e9 mais vis\u00edvel na economia, embora a sua influ\u00eancia pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dormente como parece,&#8221; disse o Costa Almeida. <\/p>\n<p>Ele citou o presidente de S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe o Fradique de Menezes, que disse na sua inaugura\u00e7\u00e3o em 2001 que &#8220;ele claramente e incisivamente&#8221; acusava a Angola de interferir na campanha eleitoral. Ele lembrou se que foi o governo angolano que falhou um golpe de estado liderado pelo Comandante Fernando Pereira em 2003. <\/p>\n<p>No que diz respeito ao posicionamento regional, \u201cO rival mais forte da Angola \u00e9 a \u00c1frica do Sul que nomeia um dos l\u00edderes pol\u00edticos dele, o Nelson Mandela, como negociador nos confl\u00edtos, cada vez que parece que a Angola est\u00e1 para desempenhar um papel prominente. As vezes os confl\u00edtos ficam fora da zona de influ\u00eancia e interven\u00e7\u00e3o eficaz (a \u00c1frica Austral) deste negociador,\u201d disse o experto das rela\u00e7\u00f5s internacionais. Quando a IPS lhe perguntou se a presen\u00e7a cada vez maior da China em Angola poderia influenciar os interesses dos outros pa\u00edses influenciais a\u00ed, como o Portugal e o Brazil, Costa Almeida disse &#8220;n\u00e3o necessariamente, nem acho que isto aconteceria,&#8221; porque Beijing &#8221; tem uma perspectiva extensa sobre as suas rela\u00e7\u00f5es &#8221; e nunca tenta a distanciar os concorrentes potenciais. <\/p>\n<p>&#8220;No que diz respeito a busca de e o absorvimento de conhecimento e saber como refor\u00e7ar a sua posi\u00e7\u00e3o no sistema internacional atual, a China \u00e9 como um fosso sem fim,&#8221; e a Angola, &#8220;que quer muito consolidar a sua capacidade de lideran\u00e7a regional e idepend\u00eancia de movimenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o recusa a ajuda e a assist\u00eancia n\u00e3o obstante a sua fonte, uma vez que n\u00e3o haja um confl\u00edto de interesses,&#8221; disse ele. <\/p>\n<p>O analista, enfatizando que a amizade existe apenas entre os indiv\u00edduos, disse que &#8220;os pa\u00edses n\u00e3o t\u00eam amizades a defender, apenas os interesses. &#8221; Por isso, a Angola quer manter \u201cas boas rela\u00e7\u00f5es com o Portugal e o Brazil.&#8221; <\/p>\n<p>Ele criticou o \u201ccomplexo&#8221; que surgiu nos \u00faltimos anos do imp\u00e9rio de Portugal na \u00c1frica, &#8220;particularmente entre os portugueses que ficaram na \u00c1frica e os que partiu, que mantem que a coopera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f3mica e\/ou militar \u00e9 igual ao neo-colonialismo.&#8221; <\/p>\n<p>Em Angola, o gigante da Am\u00e9rica Latina o Brazil, \u00e9 visto como \u201c um parceiro econ\u00f3mico importante que tamb\u00e9m tem a avantagem de usar a mesma l\u00edngua e cultura, que \u00e9 apenas separado de Angola pelo Atl\u00e2ntico,&#8221; disse ele. <\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es entre Angola e Portugal e Brazil \u201cs\u00e3o muito importantes a China, que n\u00e3o desencoraja estas liga\u00e7\u00f5es mas as encoraja,&#8221; concluiu ele. <\/p>\n<p>Mas o Costa Almeida tamb\u00e9m disse que para ser uma pot\u00eancia regional eficaz, a Angola ainda tem muito a fazer antes de atinjir a verdadeira democracia e paz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LISBOA, 22\/05\/2007 &ndash; \u2013 Como o f\u00eanix, a Angola \u2013 o segundo maior produtor subsaariano de petr\u00f3leo depois da Nig\u00e9ria, levantou se das cinzas de d\u00e9cadas de confl\u00edto armado. 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