{"id":291,"date":"2005-02-09T00:00:00","date_gmt":"2005-02-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=291"},"modified":"2005-02-09T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-09T00:00:00","slug":"desenvolvimento-argentina-adota-modelo-solidrio-de-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/desenvolvimento-argentina-adota-modelo-solidrio-de-economia\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento: Argentina adota modelo solid&aacute;rio de economia"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 09\/02\/2005 &ndash; A economia solid&aacute;ria que constroem milhares de trabalhadores da Argentina, em cooperativas fabris e rurais, empresas recuperadoras e de autogest&atilde;o e pequenos empreendimentos, ser&aacute; objeto de uma ampla convoca&ccedil;&atilde;o que neste ano ser&aacute; incentivada por organiza&ccedil;&otilde;es sindicais, pol&iacute;ticas e sociais. Na Argentina h&aacute; muitos exemplos de organiza&ccedil;&otilde;es que realizam atividades econ&ocirc;micas com objetivos diferentes dos de capital, com estruturas horizontais e uma gest&atilde;o democr&aacute;tica e participativa. Exemplos &quot;existem h&aacute; mais de cem anos no pa&iacute;s. &Agrave;s j&aacute; tradicionais cooperativas e outras formas de associa&ccedil;&atilde;o soma-se o surgimento de microempresas que atuam de maneira solid&aacute;ria, as compras associadas e muitas outras alternativas de economia popular&quot;, afirma um documento do Espa&ccedil;o de Economia Social da Central de Trabalhadores Argentinos (CTA).<br \/> <!--more--> <br \/> Depois da crise de 2001, que quase levou ao colapso a economia e causou graves danos sociais, iniciativas desse tipo cresceram como fungos. A CTA junto com outras organiza&ccedil;&otilde;es sociais, pol&iacute;ticas, acad&ecirc;micas e estudantis convocar&aacute; diferentes setores para debater e acertar projetos que consolidem as experi&ecirc;ncias de economia social com alternativa aos modelos econ&ocirc;micos excludentes. Entre essas experi&ecirc;ncias est&atilde;o pequenos produtores inseridos em economias regionais, trabalhadores que diante da perda de seus empregos se organizam para a recupera&ccedil;&atilde;o da empresa, comunidades que se unem para solucionar necessidades b&aacute;sicas, como sa&uacute;de, moradia ou alimenta&ccedil;&atilde;o, e iniciativas que isoladas seriam invi&aacute;veis, mas que conseguem espa&ccedil;os de interc&acirc;mbio e colabora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> A economia social &quot;muda as regras de jogo atuais, que s&oacute; buscam maximizar os lucros de uns poucos a partir do ac&uacute;mulo de capital, e estabelece melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e de suas fam&iacute;lias a partir de formas de satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades baseadas na coopera&ccedil;&atilde;o, solidariedade e autogest&atilde;o2, explicou &agrave; IPS Soraya Giraldez, do Instituto de Estudos e Forma&ccedil;&atilde;o (IEF) da CTA. &quot;Estas experi&ecirc;ncias marcam a possibilidade de avan&ccedil;ar em novas formas de distribui&ccedil;&atilde;o da riqueza&quot;, afirmou. Trata-se de buscar formas mais jutas de organizar a produ&ccedil;&atilde;o, o trabalho, o consumo e a distribui&ccedil;&atilde;o. Assim, se transforma a tradicional rela&ccedil;&atilde;o de oposi&ccedil;&atilde;o entre capital e trabalho, pr&oacute;pria do capitalismo, em uma constru&ccedil;&atilde;o alternativa.<\/p>\n<p> Nos &uacute;ltimos anos, surgiram as f&aacute;bricas abandonadas ou fechadas por seus propriet&aacute;rios e recuperadas por seus empregados, as empresas de autogest&atilde;o, as cooperativas rurais e os grupos de troca de bens e servi&ccedil;os. Estas formas deixam saldos organizacionais, atendem necessidades de maneira inovadora e podem chegar a questionar aspectos-chave do sistema imperante, ao colocar, por exemplo, os meios de produ&ccedil;&atilde;o nas m&atilde;os dos trabalhadores. Na proposta impulsionada pela CTA trabalham as universidades de Buenos Aires, La Plata e General Sarmiento, o Instituto Mobilizador de Fundos Cooperativos, a Federa&ccedil;&atilde;o Agr&aacute;ria Argentina, o Centro Nova Terra, o comit&ecirc; local do F&oacute;rum Social Mundial e muitas organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais.<\/p>\n<p> Com deferentes contribui&ccedil;&otilde;es, estas entidades tentam criar ferramentas de ajuda t&eacute;cnica, capacita&ccedil;&atilde;o e apoio para a coloca&ccedil;&atilde;o em pr&aacute;tica de projetos vi&aacute;veis, bem como assessorar na forma&ccedil;&atilde;o de redes comerciais e de coopera&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, colaboram na gest&atilde;o de planos oficiais de assist&ecirc;ncia ao desemprego com o prop&oacute;sito de canaliz&aacute;-los em experi&ecirc;ncias produtivas, ao mesmo tempo em que acompanham os trabalhadores para que obtenham apoio de &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos e privados. Mas, as a&ccedil;&otilde;es apontam, sobretudo, para a articula&ccedil;&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o de inst&acirc;ncias organizacionais para evitar o isolamento de experi&ecirc;ncias econ&ocirc;micas e inclu&iacute;-las em um mesmo projeto pol&iacute;tico e social. No momento, mais de 20 atividades produtivas e de servi&ccedil;os da capital do pa&iacute;s e da prov&iacute;ncia de Buenos Aires fornecem informa&ccedil;&atilde;o sobre suas experi&ecirc;ncias, a fim de criar uma base de dados para articular o trabalho e facilitar a comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Para a CTA, &eacute; fundamental criar um espa&ccedil;o a partir do IEF para fornecer forma&ccedil;&atilde;o e assessoramento t&eacute;cnico aos projetos e para facilitar os encontros e o interc&acirc;mbio entre diferentes iniciativas. Um assunto-chave &eacute; identificar obst&aacute;culos &agrave; economia social, quase sempre legais (por se basearem em novas formas de associa&ccedil;&atilde;o), mas, tamb&eacute;m impositivos e de cr&eacute;ditos. A convoca&ccedil;&atilde;o visar&aacute; o acesso a cr&eacute;ditos brandos, recupera&ccedil;&atilde;o de empresas fechadas e espa&ccedil;os p&uacute;blicos ociosos, circuitos de venda sem intermedi&aacute;rios e solicita&ccedil;&atilde;o ao Estado para que considere estas produ&ccedil;&otilde;es como provedoras de planos alimentar e social. Mas, para CTA, o compromisso estatal deve ir al&eacute;m do assistencialismo e se basear em investimentos para abrir caminhos, incentivar ind&uacute;strias espec&iacute;ficas e contribuir para reativar economias regionais, uma das chaves da proposta que ser&aacute; impulsionada este ano.<\/p>\n<p> &quot;A economia social n&atilde;o &eacute; uma economia da pobreza&quot;, mas uma iniciativa que exige a participa&ccedil;&atilde;o do Estado, &quot;que deve adotar medidas para reduzir o ac&uacute;mulo de capital&quot; nos setores dominantes, disse Giraldez. A pesquisadora recordou que &quot;at&eacute; a chegada de Jos&eacute; Martinez de Hoz ao Minist&eacute;rio da Economia (com o golpe militar de 1976) existiam na Argentina mais de 200 bancos solid&aacute;rios e que hoje n&atilde;o resta praticamente nenhum&quot;. De acordo com a CTA, &quot;as conseq&uuml;&ecirc;ncias do modelo de exclus&atilde;o consolidado nos &uacute;ltimos anos s&atilde;o bem conhecidas&quot;. Mas, &quot;al&eacute;m daquelas que podem ser refletidas nos terr&iacute;veis indicadores s&oacute;cio-econ&ocirc;micos, existe uma preocupante desarticula&ccedil;&atilde;o social que impede realizar um desenvolvimento end&oacute;geno das comunidades&quot;, afirma a central de trabalhadores.<\/p>\n<p> No in&iacute;cio deste ano, 60% dos assalariados n&atilde;o ganhavam o necess&aacute;rio para atender as necessidades m&iacute;nimas de bens e servi&ccedil;os de quatro pessoas. E, dentro desse grupo, 250 mil passaram a ser indigentes, j&aacute; que nem mesmo podiam adquirir os alimentos b&aacute;sicos. Segundo o Instituto Nacional de Estat&iacute;sticas e Censo, 44% dos 37 milh&otilde;es de argentinos s&atilde;o pobres, dos quais 17% vivem na indig&ecirc;ncia. Os 10% mais ricos da popula&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m uma renda 26,3% maior do que os 10% mais pobres. Os 20% mais ricos recebem 53,1% da renda, os setores m&eacute;dios (40%) recebem 34,7%, e os mais baixos (40% restantes) apenas 12,2%. Segundo Giraldez, &quot;&eacute; necess&aacute;rio o surgimento de um ator pol&iacute;tico capaz de gerar propostas, com poder para pressionar e conseguir seus objetivos. Em outras palavras, um coletivo que possa produzir transforma&ccedil;&otilde;es&quot;.<\/p>\n<p> Em muitos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, como Brasil e Venezuela, est&atilde;o sendo gestionados e institucionalizados projetos de economia social aos quais a Argentina deve se vincular. A respeito do acesso a linhas de microcr&eacute;dito do exterior, Giraldez considera que &quot;se chegarem fundos, servir&atilde;o na medida em que aqui for poss&iacute;vel criar as condi&ccedil;&otilde;es para que os projetos sobrevivam&quot;. Do mesmo modo, nem todos os empreendimentos de economia social poder&atilde;o ser projetados no mercado externo, j&aacute; que dificilmente podem &quot;competir com empresas de grande porte&quot;. Por isso, afirmou, uma das chaves do sucesso ser&aacute; &quot;dinamizar o mercado interno&quot;, ainda deprimido pelo desemprego e subemprego que afetam mais de 5,5 milh&otilde;es de argentinos, quase um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa de 16,8 milh&otilde;es de pessoas. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 09\/02\/2005 &ndash; A economia solid&aacute;ria que constroem milhares de trabalhadores da Argentina, em cooperativas fabris e rurais, empresas recuperadoras e de autogest&atilde;o e pequenos empreendimentos, ser&aacute; objeto de uma ampla convoca&ccedil;&atilde;o que neste ano ser&aacute; incentivada por organiza&ccedil;&otilde;es sindicais, pol&iacute;ticas e sociais. Na Argentina h&aacute; muitos exemplos de organiza&ccedil;&otilde;es que realizam atividades econ&ocirc;micas com objetivos diferentes dos de capital, com estruturas horizontais e uma gest&atilde;o democr&aacute;tica e participativa. Exemplos &quot;existem h&aacute; mais de cem anos no pa&iacute;s. &Agrave;s j&aacute; tradicionais cooperativas e outras formas de associa&ccedil;&atilde;o soma-se o surgimento de microempresas que atuam de maneira solid&aacute;ria, as compras associadas e muitas outras alternativas de economia popular&quot;, afirma um documento do Espa&ccedil;o de Economia Social da Central de Trabalhadores Argentinos (CTA).<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/desenvolvimento-argentina-adota-modelo-solidrio-de-economia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1862,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-291","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1862"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=291"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/291\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}