{"id":2921,"date":"2007-05-24T21:10:10","date_gmt":"2007-05-24T21:10:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2921"},"modified":"2007-05-24T21:10:10","modified_gmt":"2007-05-24T21:10:10","slug":"desarmamento-fim-do-financiamento-para-bombas-de-fragmentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/05\/mundo\/desarmamento-fim-do-financiamento-para-bombas-de-fragmentacao\/","title":{"rendered":"Desarmamento: Fim do financiamento para bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Lima, 24\/05\/2007 &ndash; O futuro tratado internacional para eliminar as bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o dever\u00e1 proibir \u00e0s entidades financeiras investir na fabrica\u00e7\u00e3o destes armamentos, disse \u00e0 IPS Thomas Nash, coordenador da n\u00e3o-governamental Coaliz\u00e3o contra as Muni\u00e7\u00f5es de Fragmenta\u00e7\u00e3o (CMC, sigla em ingl\u00eas). <!--more--> Segundo Nash, no rascunho do tratado que se discute em Lima h\u00e1 uma refer\u00eancia especifica \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de todo financiamento aos fabricantes dessas bombas.<\/p>\n<p>\u201cNa B\u00e9lgica, al\u00e9m da proibi\u00e7\u00e3o de produzir essas bombas, tamb\u00e9m entrou em vigor, em mar\u00e7o, uma lei que impede seus bancos e financeiras a investirem em empresas fabricantes. Todos os pa\u00edses devem imitar a B\u00e9lgica\u201d, disse Nash em um f\u00f3rum da sociedade civil paralelo a uma confer\u00eancia intergovernamental realizada ter\u00e7a-feira em Lima. \u201cCortando o fluxo de dinheiro para as fabricas de muni\u00e7\u00f5es de fragmenta\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida isso desestimular\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o. Os bancos de financiamento internacional devem ou vir o clamor do mundo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Ativistas e governos discutiram na capital peruana os mecanismos para acabar com esse tipo de armamento, depois do acordo obtido em fevereiro, em Oslo, por 46 pa\u00edses para terminar em 2008 com um tratado global que pro\u00edba as muni\u00e7\u00f5es de fragmenta\u00e7\u00e3o espalhadas em zonas onde vivem mais de 400 milh\u00f5es de pessoas, segundo dados da organiza\u00e7\u00e3o handicap International. Dessas novas na\u00e7\u00f5es, uma dezena de fabricantes dessas bombas, entre eles Alemanha, Argentina, Canad\u00e1, Chile, Espanha, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e It\u00e1lia. Outro pa\u00eds fabricante, o Brasil, n\u00e3o participou da reuni\u00e3o em Lima.<\/p>\n<p>Este tipo de explosivo \u00e9 feito com dezenas ou centenas de muni\u00e7\u00f5es contidas em obuses, bombas ou foguetes, com uma imprecis\u00e3o inaceit\u00e1vel, afirmam seus cr\u00edticos. Lan\u00e7adas desde avi\u00f5es, terra ou \u00e1gua, explodem e explodem estilha\u00e7os sobre superf\u00edcies muito amplas. Entre 5% e 30% n\u00e3o chegam a explodir na hora e ficam dispersas no solo ou enterradas podendo ser detonadas ao menor contato. Os seis maiores fabricantes destas armas (Lockheed Martin, EADS, thals, GenCorp, Textron Raytheon) obtiveram cerca de US$ 12,6 bilh\u00f5es de seis grupos financeiros entre 2003 e 2006, de acordo com a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental belga Netwerk Vlaanderen.<\/p>\n<p>De acordo com o informe \u201cInvestimentos explosivos: As institui\u00e7\u00f5es que financiam as bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o\u201d, elaborado por essa ONG, 68 financeiras e bancos internacionais destinam fundos a esta \u201cind\u00fastria da morte\u201d. A norte-americana Textron, cujas bombas CBU-150 foram utilizadas pelo ex\u00e9rcito norte-americano no Iraque, recebeu em 2005 cr\u00e9ditos de US$ 1,25 bilh\u00e3o reunidos por Citigroup e JPMorgan Chase. Estas duas financeiras aportaram US$ 120 milhos cada uma, sendo seguidas, com US$ 90 milh\u00f5es por cabe\u00e7a, por Bank of America, o brit\u00e2nico Barclays, o alem\u00e3o Deutsche Bank e o su\u00ed\u00e7o UBS, entre outros.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2003, for\u00e7as norte-americanas atacaram com bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o a localidade iraquiana de Hilla, matando 38 civis e ferindo outros 156, diz o informe. Apesar de a guerra do Vietn\u00e3 ter acabado h\u00e1 mais d 30 anos, os efeitos dessas bombas ainda causam graves danos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o civil desse pa\u00eds. De acordo com a CMC, 34 pa\u00edses continuam produzindo esse explosivo, outros 25 os usaram em v\u00e1rios conflitos e 75 armazenam quantidades que representam uma amea\u00e7a para a humanidade.<\/p>\n<p>\u201cNoventa e oito por cento das v\u00edtimas n\u00e3o s\u00e3o combatentes, mas civis. No momento s\u00e3o registrados 13.306 mortes, em sua grande maioria pobres e menores de 18 anos\u201d, explicou a representante da Handicap International, Anne Eilleneuve. \u201cOs que se dedicam a fabricar essas bombas sabem que elas s\u00e3o entregues a uma ind\u00fastria da morte\u201d.<\/p>\n<p>A norte-americana Jody Williams, pr\u00eamio Nobel da Paz de 1997 por promover a campanha internacional que culminou no ano passado com um tratado para eliminar as minas terrestres, esteve em lima para levar a mensagem de ades\u00e3o de outras cinco premiadas, a guatemalteca Rigoberta Mench\u00fa, a iraniana Shirin Ebadi, as irlandesas Betty Williams, e Mairead Corrigan e a queniana Wangari Maathai. A declara\u00e7\u00e3o conjunta diz que \u201co controle de armas e o desarmamento n\u00e3o s\u00e3o assuntos esot\u00e9ricos para dom\u00ednio de uns poucos \u2018especialistas\u2019 que costumam negociar a portas fechadas, j\u00e1 que n\u00e3o se trata apenas de temas militares, pois compreende uma perspectiva humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cAs bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o apresentam um problema mais grave do que as minas terrestres porque seu efeito \u00e9 mais letal\u201d, disse Jody Williams. \u201cPor isso, entendo que os organismos que financiam as atividades das fabricas s\u00e3o t\u00e3o respons\u00e1veis quanto estas pelas conseq\u00fc\u00eancias mortais dos explosivos\u201d, acrescentou. \u201cN\u00e3o s\u00f3 \u00e9 perigosa a produ\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m o \u00e9 seu armazenamento. Calculamos que apenas os Estados Unidos contam com milh\u00f5es dessas bombas, prontas para serem usadas a qualquer momento\u201d, acrescentou. Desde 1999, as zonas mais bombardeadas com esse explosivo s\u00e3o Afeganist\u00e3o, Iraque, a prov\u00edncia aut\u00f4noma de Kosovo e o L\u00edbano, e em todos os casos as principais v\u00edtimas s\u00e3o civis, disse Villeneuve.<\/p>\n<p>\u201cA Conven\u00e7\u00e3o de Ottawa (Sobre a Proibi\u00e7\u00e3o do Emprego, Armazenamento, Produ\u00e7\u00e3o e Transfer\u00eancia de Minas Terrestres) supunha cortar de fato o investimento nas fabricas. Mas parece que isso n\u00e3o acontece, porque h\u00e1 bancos que investem nos fabricantes, embora perten\u00e7am a pa\u00edses que proibiram as minas\u201d, lembrou Villeneuve. \u201cPor isso, o tratado sobre as bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o deve mencionar explicitamente a proibi\u00e7\u00e3o de investir nos produtores dessa arma\u201d, acrescentou. \u201cConseguimos ter um mundo praticamente em minas terrestres, agora, buscamos limpar o mundo das bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o. E esse n\u00e3o \u00e9 um sonho imposs\u00edvel\u201d, disse Nash. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lima, 24\/05\/2007 &ndash; O futuro tratado internacional para eliminar as bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o dever\u00e1 proibir \u00e0s entidades financeiras investir na fabrica\u00e7\u00e3o destes armamentos, disse \u00e0 IPS Thomas Nash, coordenador da n\u00e3o-governamental Coaliz\u00e3o contra as Muni\u00e7\u00f5es de Fragmenta\u00e7\u00e3o (CMC, sigla em ingl\u00eas). <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/05\/mundo\/desarmamento-fim-do-financiamento-para-bombas-de-fragmentacao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4,11],"tags":[],"class_list":["post-2921","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2921","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2921"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2921\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2921"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}