{"id":2930,"date":"2007-05-28T17:27:14","date_gmt":"2007-05-28T17:27:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2930"},"modified":"2007-05-28T17:27:14","modified_gmt":"2007-05-28T17:27:14","slug":"agricultura-homens-de-milho-agora-transgenicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/05\/america-latina\/agricultura-homens-de-milho-agora-transgenicos\/","title":{"rendered":"Agricultura: Homens de milho&#8230; agora transg\u00eanicos"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 28\/05\/2007 &ndash; Em sua novela \u201cHomens de milho\u201d, Miguel Angel Ast\u00farias descreve o confronto entre os que consideram a planta um alimento sagrado e aqueles que nela buscam apenas o lucro. Hoje, no Brasil, a autoriza\u00e7\u00e3o para comercializar a variedade transg\u00eanica desata uma batalha n\u00e3o menos intensa do que a imaginada pelo autor guatemalteco. <!--more--> Os defensores do milho modificado geneticamente enfatizam suas vantagens econ\u00f4micas tanto quanto seu potencial para incrementar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Os cr\u00edticos os acusam de prejudicar o meio ambiente, \u201cenvenenar\u201d a popula\u00e7\u00e3o e somente perseguir um lucro pessoal ou, mais exatamente, corporativo.<\/p>\n<p>A pol\u00eamica come\u00e7ou em meados deste m\u00eas, quando a Comiss\u00e3o T\u00e9cnica de Bioseguran\u00e7a (CTNBio) aprovou por 17 votos contra quatro a libera\u00e7\u00e3o para cultivo e comercializa\u00e7\u00e3o do milho Liberty Link, uma variedade transg\u00eanica produzida pelo laborat\u00f3rio alem\u00e3o Bayer e que \u00e9 resistente ao herbicida glufozinato de am\u00f4nia, patenteado como Liberty pela mesma empresa. A maioria da CTNBio, um \u00f3rg\u00e3o multidisciplinar integrado por funcion\u00e1rios do governo e representantes da ind\u00fastria e da sociedade civil que assessora o governo nas pol\u00edticas de bioseguran\u00e7a, considerou que o Liberty Link n\u00e3o provocar\u00e1 danos ao meio ambiente, reduzir\u00e1 os custos dos agricultores e expandir\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Votaram contra os representantes dos minist\u00e9rios de Meio Ambiente, Desenvolvimento Agr\u00e1rio e Pesca e os representantes da sociedade civil, por considerarem que a introdu\u00e7\u00e3o da nova variedade representa riscos de contamina\u00e7\u00e3o e coloca em perigo a biodiversidade. A presidente da n\u00e3o-governamental Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Bioseguran\u00e7a (ANBio), Leila Oda, considera que n\u00e3o h\u00e1 nada a temer nos transg\u00eanicos. Pelo contr\u00e1rio, explicou \u00e0 IPS, foram criados para reduzir as conseq\u00fc\u00eancias negativas sobre o meio ambiente causadas pelo uso maci\u00e7o de pesticidas dentro da chamada revolu\u00e7\u00e3o verde, que h\u00e1 40 anos foi impulsionada para aumentar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>Oda, ex-diretora da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecu\u00e1rias (Embrapa), diz que os agrot\u00f3xicos, ao matarem ervas daninhas e pragas, permitiram multiplicar por 50 a oferta de alimentos, mas, em contrapartida, provocaram a contamina\u00e7\u00e3o do solo e, em outros casos, intoxica\u00e7\u00f5es nos seres humanos. Esses efeitos s\u00e3o contra-atacados agora com a introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies modificadas geneticamente, acrescenta. \u201cNo cultivo do milho tradicional aparecem in\u00fameras pragas, sobretudo no caso do Brasil devido \u00e0 elevada umidade. <\/p>\n<p>Para ela, o desenvolvimento de um milho resistente aos herbicidas permite aplicar menor quantidade desses produtos, \u201cporque s\u00f3 precisa colocar o herbicida na planta do milho, e n\u00e3o em volta dela. Desta forma, h\u00e1 menor ac\u00famulo de agrot\u00f3xicos e a contamina\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 menor\u201d. Na p\u00e1gina ANBio na Internet, Oda inclui estudos que ap\u00f3iam sua posi\u00e7\u00e3o. Posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 de Oda tem Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha da organiza\u00e7\u00e3o Greenpeace contra a engenharia gen\u00e9tica. A decis\u00e3o da CTNBio n\u00e3o \u00e9 imparcial, disse em entrevista \u00e0 IPS, \u201ce, al\u00e9m disso, n\u00e3o teve o rigor t\u00e9cnico esperado\u201d.<\/p>\n<p>Vuolo n\u00e3o acredita que a variedade transg\u00eanica permita menor uso de pesticidas e prev\u00ea um resultado totalmente oposto. A quantidade de res\u00edduos t\u00f3xicos ser\u00e1 maior \u2013 explica \u2013 justamente porque podem ser aplicados sobre a planta sem danific\u00e1-la. \u201cCom maior quantidade de res\u00edduos haver\u00e1 um impacto maior na sa\u00fade humana. As pessoas comer\u00e3o mais veneno e haver\u00e1 mais res\u00edduos no solo e nos len\u00e7\u00f3is de \u00e1gua\u201d, afirmou. A ativista assegura que a experi\u00eancia com a soja transg\u00eanica no Brasil demonstra que essas variedades levam a uma maior utiliza\u00e7\u00e3o de herbicidas. A prova e que agora ser\u00e1 solicitada autoriza\u00e7\u00e3o para aumentar a quantidade de agrot\u00f3xicos a ser usada, um aspecto regulado pela legisla\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e ambiental.<\/p>\n<p>Entretanto, Oda rebate as cr\u00edticas, dizendo que os herbicidas s\u00e3o um dos insumos mais caros entre os usados pelos agricultores. \u201cNingu\u00e9m tem interesse em usar mais agrot\u00f3xicos a um custo maior. Ningu\u00e9m introduziria tecnologia no agroneg\u00f3cio se fosse mais caro faz\u00ea-lo\u201d, afirmou. Os argumentos do Greenpeace \u201cn\u00e3o est\u00e3o no mesmo tom do crescimento da ado\u00e7\u00e3o deste tipo de cultivos em todo o mundo\u201d, acrescentou Oda. Os ambientalistas tamb\u00e9m afirmam que h\u00e1 riscos de contamina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. \u201cEst\u00e1 nova variedade tem um p\u00f3len muito leve, que pode ser facilmente transportado pelo vento, contaminando as planta\u00e7\u00f5es vizinhas. J\u00e1 vimos isso acontecer com a soja\u201d, disse Vuolo, acrescentando que no M\u00e9xico perdeu-se planta\u00e7\u00f5es de milho org\u00e2nico por causa da contamina\u00e7\u00e3o com a variante transg\u00eanica.<\/p>\n<p>Mas, isto tampouco preocupa Oda. A transmiss\u00e3o de uma caracter\u00edstica gen\u00e9tica de um cultivo a outro se produz na natureza. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma exclusividade dos transg\u00eanicos\u201d, assegurou. Al\u00e9m disso, como esse risco sempre existe, organismos cient\u00edficos como a Embrapa t\u00eam bancos de germoplasma para substituir eventuais perdas de esp\u00e9cies aut\u00f3ctones. O debate se estende ao procedimento empregado para autorizar a planta\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o do milho transg\u00eanico. Vuolo disse que a Constitui\u00e7\u00e3o foi violada, porque n\u00e3o foram feitos estudos de impacto ambiental e que a decis\u00e3o foi tomada \u201csob press\u00e3o das multinacionais\u201d. No Brasil j\u00e1 s\u00e3o empregadas variedades de soja e algod\u00e3o modificadas para serem resistentes aos herbicidas, introduzidas pela Monsanto.<\/p>\n<p>A titular da ANBio acredita que o tr\u00e2mite foi \u201ctransparente e com participa\u00e7\u00e3o da sociedade. A Constitui\u00e7\u00e3o determina estudos de impacto ambiental quando existe risco potencial, que n\u00e3o existe neste caso\u201d, disse Oda. A rede internacional de organiza\u00e7\u00f5es rurais Via Camponesa tamb\u00e9m se soma \u00e0 pol\u00eamica. Seus dirigentes no Brasil alertam que a introdu\u00e7\u00e3o do milho da Bayer d\u00e1 luz verde para a autoriza\u00e7\u00e3o de outras 10 variedades transg\u00eanicas (sete delas tamb\u00e9m de milho), o que \u201cpode levar a um monop\u00f3lio da produ\u00e7\u00e3o de sementes no Pa\u00eds, em m\u00e3os das multinacionais agr\u00edcolas\u201d. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 28\/05\/2007 &ndash; Em sua novela \u201cHomens de milho\u201d, Miguel Angel Ast\u00farias descreve o confronto entre os que consideram a planta um alimento sagrado e aqueles que nela buscam apenas o lucro. 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