{"id":2932,"date":"2007-05-29T15:56:08","date_gmt":"2007-05-29T15:56:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2932"},"modified":"2007-05-29T15:56:08","modified_gmt":"2007-05-29T15:56:08","slug":"sri-lanka-mais-problemas-em-lugar-de-solucoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/05\/politica\/sri-lanka-mais-problemas-em-lugar-de-solucoes\/","title":{"rendered":"Sri Lanka: Mais problemas em lugar de solu\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Colombo, 29\/05\/2007 &ndash; O retorno \u00e0s suas casas de cem mil refugiados por causa de combates entre o ex\u00e9rcito do Sri Lanka e os rebeldes Tigres para a Liberta\u00e7\u00e3o da P\u00e1tria Tamil, no distrito de Batticaloa, causa mais problemas do que soluciona, alertam especialistas e ativistas. <!--more--> O plano do governo permitiu a volta de aproximadamente 20 mil pessoas na \u00faltima semana e, segundo as autoridades, tudo caminha de acordo com o previsto. \u201cFoi dito que este \u00e9 um plano de reassentamento for\u00e7ado. Isso n\u00e3o existe. Todos est\u00e3o retornando de maneira volunt\u00e1ria\u201d, disse as IPS o porta-voz das for\u00e7as armadas do pa\u00eds, brigadeiro Prasad Samarasinghe.<\/p>\n<p>Batticaloa, centro nevr\u00e1lgico do leste do Sri Lanka cuja popula\u00e7\u00e3o pertence a todos os grupos \u00e9tnicos do pa\u00eds, em dezembro ficou envolvido em combates entre rebeldes e o ex\u00e9rcito. A cidade de Batticaloa e sua periferia foram inundadas por civis que abandonaram suas casas quando os combates come\u00e7aram, primeiro no norte e depois a oeste da cidade. No come\u00e7o de mar\u00e7o j\u00e1 havia mais de 150 mil pessoas em busca de ref\u00fagio por todo lado, inclusive debaixo de \u00e1rvores e \u00e0 margem das estradas.<\/p>\n<p>O alojamento dos refugiados em escolas, centros comunit\u00e1rios e casas de fam\u00edlia afetou a vida di\u00e1ria do distrito. Quando os combates alcan\u00e7aram sua intensidade m\u00e1xima, 325 escolas ficaram fechadas, o que interrompeu as aulas de 135 mil estudantes, segundo S. Amalanathan, administrador civil de Batticaloa. Oitenta ainda permanecem fechados. O distrito retorna com dificuldades \u00e0 normalidade. O governo central implementa um plano para o retorno dos refugiados \u00e0s suas aldeias. Na semana passada, tr\u00eas ministros foram supervisionar o regresso para \u00e1reas arrebatadas dos Tigres.<\/p>\n<p>Os militares t\u00eam um papel-chave no plano, pois possuem um registro dos que voltam e lhes entregam passes de seguran\u00e7a. Est\u00e1 previsto o retorno de 34 mil pessoas at\u00e9 o final deste m\u00eas e de mais 60 mil na fase seguinte, que come\u00e7ar\u00e1 em 1\u00ba de junho. A maioria dos refugiados prefere regressar \u00e0s suas casas em lugar de permanecer em centros de assist\u00eancia ou na casa de outras fam\u00edlias. \u201cMuitos querem voltar, mas est\u00e3o preocupados com as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a. De todo modo, dizem que voltariam se tivessem garantias das autoridades\u2019, afirma o Centro para as Op\u00e7\u00f5es Pol\u00edticas, um grupo de especialistas com sede em Colombo.<\/p>\n<p>Alguns refugiados est\u00e3o fora de suas casas desde agosto de 2006, quando fugiram de suas aldeias ao sul da ba\u00eda de Tricomalee, reduto do territ\u00f3rio onde \u00e9 maioria a etnia tamil, no norte e leste do Sri Lanka. Estes refugiados tiveram de percorrer mais de cem quil\u00f4metros, em geral levando apenas uma mala de roupas nas costas, para chegar a \u00e1reas mais seguras em Batticaloa. O plano de retorno agora em marcha n\u00e3o se ajusta totalmente \u00e0s normas internacionalmente aceitas, segundo seus cr\u00edticos.<\/p>\n<p>Ag\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, como o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) ou o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur), pediram ao governo uma estrat\u00e9gia passo a passo e a avalia\u00e7\u00e3o dos riscos. A respons\u00e1vel local do Unicef, Natascha Paddison, expressou preocupa\u00e7\u00e3o pela falta de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e1gua limpa e saneamento, al\u00e9m do risco de bandos beligerantes recrutarem menores de idade. Estas advert\u00eancias, entretanto, s\u00e3o moderadas em compara\u00e7\u00e3o com a rea\u00e7\u00e3o apresentada em mar\u00e7o pelo reassentamento de mais de 15 mil pessoas em Vaharai, no norte de Batticaloa. Na \u00e9poca, informes do Acnur denunciaram reassentamentos for\u00e7ados.<\/p>\n<p>O Comit\u00ea Permanente Interag\u00eancias (Iasc), f\u00f3rum de consulta e tomada de decis\u00f5es integrado por organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias, distribuiu folhetos nos campos de refugiados informando sobre seus direitos, o que irritou o governo. Na atual rodada de retorno de refugiados \u201cN\u00e3o podemos ir \u00e0s \u00e1reas para onde eles retornam\u201d, disse Rukshan Fernando, da n\u00e3o-governamental Associa\u00e7\u00e3o Lei e Sociedade, ap\u00f3s uma visita a Batticaloa. \u201cAs for\u00e7as de seguran\u00e7a dizem que n\u00e3o s\u00e3o seguras, o que \u00e9 um pouco surpreendente j\u00e1 que todos estes civis est\u00e3o se dirigindo para l\u00e1\u201d, acrescentou Fernando.<\/p>\n<p>Entretanto, os militares garantem que permitiram o acesso de representantes da ONU e de outras organiza\u00e7\u00f5es \u00e0s zonas onde os refugiados retornaram. Mas \u201cn\u00e3o podemos permitir o ingresso nas \u00e1reas onde acontecer\u00e1 a pr\u00f3xima fase, porque ainda n\u00e3o est\u00e3o limpas\u201d de atividade insurgente, disse o brigadeiro Samarasinghe. A manuten\u00e7\u00e3o dos campos de refugiados se converteu em outro problema. O Programa Mundial de Alimentos da ONU fez em mar\u00e7o dois chamados de emerg\u00eancia e advert\u00eancias sobre o esgotamento de v\u00edveres. O PMA recebeu em mar\u00e7o fundos adicionais, mas agora busca novos doadores para manter o abastecimento de provis\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cO canal de fornecimentos parece seguro at\u00e9 o pr\u00f3ximo m\u00eas\u201d, disse \u00e0 IPS Jeff Taft, diretor do escrit\u00f3rio do PMA no Sri Lanka. A organiza\u00e7\u00e3o fornece mais de 70% das necessidades alimentares dos 130 mil refugiados no distrito. A Iasc informou que 13 mil pessoas, a maioria alojada em casas de fam\u00edlia, ainda n\u00e3o recebem provis\u00f5es de maneira regular. \u201cPrecisar\u00edamos de um compromisso de mais longo prazo para manter o fluxo de abastecimento. Com sorte, os fundos chegar\u00e3o\u201d, diz Taft. O PMA necessita de US$ 1 milh\u00e3o por semana para alimentar todos os refugiados da ilha e j\u00e1 reduziu alguns de seus programas.<\/p>\n<p>\u201cEstou muito preocupado com a deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria devido ao ressurgimento do conflito, principalmente o impacto nos civis. Muitos fugiram v\u00e1rias vezes por causa dos enfrentamentos\u201d, disse Tony Banbury, diretor desta ag\u00eancia da ONU para a \u00c1sia. O PMA e a Cruz Vermelha receberam, de todo modo, ajuda adicional para ajudar os refugiados. Jap\u00e3o, Estados Unidos e o Fundo Central de Emerg\u00eancias da ONU realizaram contribui\u00e7\u00f5es. Na semana passada, o governo australiano prometeu US$ 5,25 mih\u00f5es para os programas da Cruz Vermelha, do PMA, e Unicef, sendo que US$ 3 milh\u00f5es est\u00e3o destinados a ajuda alimentar de emerg\u00eancia do PMA.<\/p>\n<p>\u201cSeq\u00fcestros, assassinatos e recrutamentos for\u00e7ados acontecem diariamente\u201d, afirmou o governo da Austr\u00e1lia em um comunicado. \u201cTodos os bandos em luta violam as leis humanit\u00e1rias internacionais regularmente. O governo australiano est\u00e1 preocupado pela tend\u00eancia a maior viol\u00eancia e a um ambiente de crescente impunidade\u201d, acrescentou. Os socorristas n\u00e3o v\u00eaem um r\u00e1pido fim para o sofrimento. \u201cEnfrentemos a realidade. Este \u00e9 um velho conflito, que dura mais de 20 anos. O armist\u00edcio de 2002 existe apenas no papel e h\u00e1 muitos confrontos para sermos otimistas a respeito do futuro imediato\u201d, disse Toon Vandanhooven, principal diretor da Cruz Vermelha no Sri Lanka.<\/p>\n<p>Segundo a Anistia Internacional, mais de 215 mil se refugiaram no norte e leste do pa\u00eds pelo rein\u00edcio dos combates, e que pelo menos 10 mil fugiram para a \u00cdndia. Estima-se que cerca de 500 mil se refugiaram em fases anteriores ao conflito e por causa do tsunami de dezembro de 2004. Batticaloa figura entre as \u00e1reas mais afetadas pelo maremoto. Muitos destes refugiados s\u00e3o vulner\u00e1veis \u00e0 hostilidade dos Tigres, outros grupos armados e membros das for\u00e7as de seguran\u00e7a, alertou a Anistia em seu \u00faltimo informe. Volunt\u00e1rios de organiza\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas e humanit\u00e1rias, acrescenta, foram hostilizados ou seq\u00fcestrados e seu trabalho enfrenta novas exig\u00eancias burocr\u00e1ticas, acrescenta a organiza\u00e7\u00e3o. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colombo, 29\/05\/2007 &ndash; O retorno \u00e0s suas casas de cem mil refugiados por causa de combates entre o ex\u00e9rcito do Sri Lanka e os rebeldes Tigres para a Liberta\u00e7\u00e3o da P\u00e1tria Tamil, no distrito de Batticaloa, causa mais problemas do que soluciona, alertam especialistas e ativistas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/05\/politica\/sri-lanka-mais-problemas-em-lugar-de-solucoes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[17],"class_list":["post-2932","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2932","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2932"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2932\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}