{"id":2934,"date":"2007-05-29T16:12:17","date_gmt":"2007-05-29T16:12:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2934"},"modified":"2007-05-29T16:12:17","modified_gmt":"2007-05-29T16:12:17","slug":"trabalho-japao-menor-desigualdade-entre-homens-e-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/05\/direitos-humanos\/trabalho-japao-menor-desigualdade-entre-homens-e-mulheres\/","title":{"rendered":"Trabalho-Jap\u00e3o: Menor desigualdade entre homens e mulheres"},"content":{"rendered":"<p>T\u00f3quio, 29\/05\/2007 &ndash; H\u00e1 quase 30 anos, a m\u00e3e de Manami Sato foi contratada por uma grande empresa, junto com outras mulheres. O trabalho era servir o ch\u00e1 e copiar arquivos para os homens que ocupavam os postos de ger\u00eancia. Essa era a norma naquele tempo. Mas agora, a situa\u00e7\u00e3o mudou. <!--more--> Sato, de 26 anos, que se formou na famosa e privada Universidade de Aoyama e aprofundou seus estudos de neg\u00f3cios internacionais durante dois anos nos Estados Unidos, n\u00e3o est\u00e1 disposta a seguir os passos de sua m\u00e3e. \u201cAcabo de ser promovida a gerente-assistente. Procuro continuar trabalhando duramente em minha companhia at\u00e9 estar pronta para passar para algo maior\u201d, disse Sato, que \u00e9 funcion\u00e1ria de uma empresa internacional de finan\u00e7as.<\/p>\n<p>Segundo especialistas em rela\u00e7\u00f5es do trabalho, Sato representa a nova gera\u00e7\u00e3o de mulheres japonesas educadas, que trabalham, s\u00e3o ambiciosas, est\u00e3o voltadas \u00e0s suas carreiras e possuem aspira\u00e7\u00f5es mais elevadas do que suas m\u00e3es em um mercado profissional dominado por homens. \u201cAs mudan\u00e7as que notamos hoje nos modelos de emprego feminino representam acontecimentos importantes no Jap\u00e3o, e aconteceram em um breve per\u00edodo. N\u00e3o \u00e9 um exagero dizer que as japonesas s\u00e3o trabalhadoras e ambiciosas\u201d, disse Makoto Hosoda, dirtora da Hello Work, um escrit\u00f3rio de recursos humanos em T\u00f3quio que conta com apoio do governo.<\/p>\n<p>Sustentada pela forte economia japonesa, a propor\u00e7\u00e3o de emprego para graduadas universit\u00e1rios chegou a valores historicamente altos: 96,6% para os homens e 96% para as mulheres, representando um total d 357 mil novos empregados, segundo o Minist\u00e9rio de Sa\u00fade, Bem-Estar e Trabalho. \u201cAs desigualdades de g\u00eanero no mundo profissional japon\u00eas diminu\u00edram significativamente para os graduados universit\u00e1rios, e isso permanecer\u00e1 assim. Hoje tamb\u00e9m vemos homens e mulheres prontos para terem carreiras extensas e que preferem trabalhar em empresas que possam lhes dar estas oportunidades\u201d, afirmou Takashi Nagata, especialista do Instituto de Pesquisas Daiwa.<\/p>\n<p>Segundo Nagata, autor de um informe sobre mulheres graduadas, h\u00e1 mais destas que saem do setor administrativo, como era a tradi\u00e7\u00e3o, para assumir trabalhos mais desafiantes nos bancos, tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e medicina. Al\u00e9m disso, trabalham durante hor\u00e1rios extensos, junto com seus colegas homens, e passam seu tempo livre melhorando suas habilidades profissionais para ter melhores oportunidades de progredir na empresa. Novas dados apontam para a melhoria da situa\u00e7\u00e3o para as trabalhadoras japonesas. Por exemplo, n\u00famero do Minist\u00e9rio do Trabalho mostram que as mulheres, que at\u00e9 h\u00e1 ter anos eram apenas 3% a 4% das posi\u00e7\u00f5es de alta gerencia, agora representam entre 4% e 10%.<\/p>\n<p>Na frente salarial tamb\u00e9m h\u00e1 melhores sinais. Informes do minist\u00e9rio indicam que a desigualdade de g\u00eanero nessa mat\u00e9ria est\u00e1 sendo superada, ao passar de 62,8% para 66% em 2006. Isto representa uma esp\u00e9cie de revolu\u00e7\u00e3o em um Jap\u00e3o onde fortes diferen\u00e7as de sal\u00e1rios e cargos alguma vez foram muito aceitas. \u201cAtualmente, com o envelhecimento do mercado de trabalho, as companhias n\u00e3o fazem tanta diferen\u00e7a de g\u00eanero. Inclusive, as mulheres s\u00e3o mais procuradas pelas gerencias do que antes\u201d, disse Makiko Ogata, da Recruit Company, uma importante ag\u00eancia de emprego.<\/p>\n<p>Ogata apontou v\u00e1rios fatores novos, com a \u201cpopula\u00e7\u00e3o encanecida\u201d que, se espera, levar\u00e1 a uma forte queda da for\u00e7a de trabalho nacional. Conhecido no Jap\u00e3o como \u201cBig Bang\u201d, espera-se que para 2025 o fen\u00f4meno conte com 600 milh\u00f5es a menos de empregados do que em 1998. Ogata tamb\u00e9m disse que um novo informe da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica e Social da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a \u00c1sia e o Pac\u00edfico, apresentado este m\u00eas, mostra como a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero nessa regi\u00e3o pode gerar perdas de US$ 80 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cAs tend\u00eancias nacionais e internacionais que influem no diversificado mercado trabalhista japon\u00eas contribu\u00edram com uma maior desigualdade de g\u00eanero aqui\u201d, disse Ogata \u00e0 IPS. Mas os especialistas tamb\u00e9m assinalam que h\u00e1 contextos trabalhistas mais duros para as mulheres que acompanham a mudan\u00e7a. O informe de Nagata mostra que as mulheres japonesas continuam sendo as que mais carregam as responsabilidades familiares, o que restringe suas chances de assumir postos que exijam viajar. \u201cAs companhias do Jap\u00e3o ainda n\u00e3o se adaptaram adequadamente a mulheres voltadas para suas carreiras, estabelecendo agendas flex\u00edveis para elas ou aprovando regulamentos que pressionem os homens a tirarem licen\u00e7a paternidade\u201d, explicou \u00e0 IPS. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00f3quio, 29\/05\/2007 &ndash; H\u00e1 quase 30 anos, a m\u00e3e de Manami Sato foi contratada por uma grande empresa, junto com outras mulheres. O trabalho era servir o ch\u00e1 e copiar arquivos para os homens que ocupavam os postos de ger\u00eancia. Essa era a norma naquele tempo. 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