{"id":294,"date":"2005-02-10T00:00:00","date_gmt":"2005-02-10T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=294"},"modified":"2005-02-10T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-10T00:00:00","slug":"educao-tempo-de-reviso-para-as-metas-do-milnio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/educao-tempo-de-reviso-para-as-metas-do-milnio\/","title":{"rendered":"Educa&ccedil;&atilde;o: Tempo de revis&atilde;o para as Metas do Mil&ecirc;nio"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, 10\/02\/2005 &ndash; Os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e do Caribe dever&atilde;o destinar quase US$ 150 bilh&otilde;es adicionais nos pr&oacute;ximos 11 anos se pretendem cumprir as metas do mil&ecirc;nio em educa&ccedil;&atilde;o, segundo duas ag&ecirc;ncias da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas que se prop&otilde;em melhorar o uso de recursos e buscar novas fontes de financiamento. &quot;Mesmo que os pa&iacute;ses mais pobres da regi&atilde;o aumentem progressivamente seu gasto p&uacute;blico em educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o chegariam a atingir os objetivos estabelecidos nos acordos internacionais&quot;, disse &agrave; IPS o especialista regional da Divis&atilde;o de Desenvolvimento Social da Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe (Cepal), Arturo Leon. O estudo &quot;Investir melhor para investir mais. Financiamento e gest&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina e no Caribe&quot;, que recomenda maior efici&ecirc;ncia e outras vias em contribui&ccedil;&otilde;es para a &aacute;rea, foi elaborado pela Cepal e pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura (Unesco).<br \/> <!--more--> <br \/> As quatro metas contempladas no relat&oacute;rio de cem p&aacute;ginas, divulgado no in&iacute;cio do m&ecirc;s em Santiago, no Chile, s&atilde;o conseguir at&eacute; 2015 a universaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-prim&aacute;ria (entre 3 e 5 anos de idade), assegurar o ciclo prim&aacute;rio para meninos e meninas, aumentar para 75% a cobertura da educa&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria e erradicar o analfabetismo adulto. Estas premissas constam dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, aprovados em setembro de 2000 pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, entre os quais tamb&eacute;m figuram, e no mesmo prazo, redu&ccedil;&atilde;o &agrave; metade da porcentagem de pobres e famintos existente em 1990, e de pessoas sem acesso &agrave; &aacute;gua pot&aacute;vel nem meios para obt&ecirc;-la.<\/p>\n<p> Outras metas comprometidas pelos 189 Estados-membros da ONU correspondem &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da igualdade de g&ecirc;nero, redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade infantil, melhorar a sa&uacute;de materna, garantir a sustentabilidade ambiental e lutar contra v&aacute;rias doen&ccedil;as de grave incid&ecirc;ncia social. O estudo das duas ag&ecirc;ncias da ONU estima que, para alcan&ccedil;ar os objetivos em educa&ccedil;&atilde;o com os quais se comprometeram os pa&iacute;ses latino-americanos em diferentes inst&acirc;ncias, como a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e, antes, na Declara&ccedil;&atilde;o Mundial sobre Educa&ccedil;&atilde;o para Todos (1990, Jomtiem, Tail&acirc;ndia), deve-se investir US$ 13,560 bilh&otilde;es a mais a cada ano at&eacute; a data estabelecida como meta.<\/p>\n<p> Esse cifra multiplicada pelos 11 anos que restam at&eacute; 2015 representa cerca de 7,5% do produto interno bruto em 2000 de 22 pa&iacute;ses da regi&atilde;o que contam com estat&iacute;sticas, que serviram de base para este estudo, e 20% do produzido apenas pelo Brasil nesse mesmo ano. Tomando como refer&ecirc;ncia que o gasto p&uacute;blico total em educa&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o em 2000 foi de US$ 81,9 bilh&otilde;es, significa que o esfor&ccedil;o financeiro adicional deve ser de 16,6% ao ano. Le&oacute;n destacou que os pa&iacute;ses que est&atilde;o em pior situa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os da Am&eacute;rica Central e do Caribe, especialmente Haiti, Nicar&aacute;gua, Honduras e Guatemala, enquanto Costa Rica e Cuba contam com indicadores muito favor&aacute;veis.<\/p>\n<p> Tamb&eacute;m enfrentam graves problemas educacionais as zonas rurais e ind&iacute;genas de pa&iacute;ses andinos como Bol&iacute;via, equador e peru, o sul do M&eacute;xico e o nordeste do Brasil. Em condi&ccedil;&otilde;es mais favor&aacute;veis est&atilde;o pa&iacute;ses do Cone Sul da Am&eacute;rica, como Argentina, Uruguai e Chile, os quais, entretanto, mant&ecirc;m pendentes melhoras quanto &agrave; qualidade e equidade. Assim demonstram as diferentes aferi&ccedil;&otilde;es relacionadas ao ensino de meninas e meninos da regi&atilde;o, como, por exemplo, o Programa Internacional de Avalia&ccedil;&atilde;o de Estudantes (Pisa) de 2000, do qual participaram cinco na&ccedil;&otilde;es latino-americanas, entre elas o Chile, e sendo que nenhum deles atingiu uma posi&ccedil;&atilde;o superior ao 33&ordm;. A pesquisa do Cepal e da Unesco tamb&eacute;m incluiu a Col&ocirc;mbia, El Salvador, Jamaica, Panam&aacute;, Paraguai, Rep&uacute;blica Dominicana, Trinidad e Tobago e Venezuela.<\/p>\n<p> A consultora do Escrit&oacute;rio Regional de Educa&ccedil;&atilde;o para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe da Unesco, Ana Maria Corbol&aacute;n, disse &agrave; IPS que o estudo prop&otilde;e dois mecanismos para enfrentar a grave situa&ccedil;&atilde;o em que se encontram os pa&iacute;ses desta &aacute;rea da Am&eacute;rica. &quot;Por um lado, &eacute; necess&aacute;rio melhorar o uso dos recursos, j&aacute; que se constatou not&aacute;veis defici&ecirc;ncias nos sistemas educacionais de cada pa&iacute;s e, por outro, encontrar formas complementares de financiamento que permitam suprir o d&eacute;ficit&quot;, acrescentou. Na pesquisa foram exploradas diferentes alternativas para isso, &quot;tais como contribui&ccedil;&otilde;es particulares e da sociedade civil, coopera&ccedil;&atilde;o internacional e a troca de servi&ccedil;o da d&iacute;vida por investimentos em capital humano&quot;.<\/p>\n<p> Apesar de o relat&oacute;rio reconhecer os enormes esfor&ccedil;os financeiros feitos nesta parte do mundo para melhorar a qualidade do ensino, tamb&eacute;m assegura que &quot;as reformas n&atilde;o deram os frutos esperados&quot; Os diferentes pa&iacute;ses &quot;colocaram em pr&aacute;tica uma f&oacute;rmula err&ocirc;nea, j&aacute; que suas reformas foram feitas em duas etapas: primeiro se preocupando com a cobertura e deixando a qualidade para depois&quot;, explicou Leon. &quot;Pr fim, enfrentamos um momento de inflex&atilde;o decisiva no qual &eacute; necess&aacute;rio avaliar o caminho percorrido pelas reformas, reconhecer seus &ecirc;xitos e fracassos, e, a partir da&iacute;, retificar os modelos para otimizar o impacto dos recursos adicionais em termos de sucesso, qualidade, igualdade e pertin&ecirc;ncia&quot;, diz o relat&oacute;rio. De acordo com o pesquisador da Cepal, as quatro metas s&atilde;o importantes e urgentes e devem se enfrentadas de maneira integrada por cada pa&iacute;s. <\/p>\n<p> Entretanto, considera que se deve dar aten&ccedil;&atilde;o especial &agrave; educa&ccedil;&atilde;o de primeira qualidade. Coincidindo com Leon, Corbal&aacute;n tamb&eacute;m disse que &quot;a cobertura universal de educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, cuja m&eacute;dia regional atualmente est&aacute; em torno dos 50% das crian&ccedil;as nessa faixa et&aacute;ria, &eacute; o ponto que exige maior investimento por parte dos governos, mas, &eacute; determinante para atingir efeitos positivos a longo prazo&quot;. O trabalho das ag&ecirc;ncias da ONU estima que os recursos necess&aacute;rios para alcan&ccedil;ar uma cobertura universal neste n&iacute;vel chegaria a, aproximadamente, US$ 64,6 bilh&otilde;es, isto &eacute;, pouco mais de 42% do total necess&aacute;rio para se atingir as quatro metas. Uma pr&eacute;-escola de qualidade reduz o n&uacute;mero de anos necess&aacute;rios para completar os ensinos b&aacute;sico e m&eacute;dio, melhora a nutri&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e possibilita que a m&atilde;e trabalhe, com a conseq&uuml;ente diminui&ccedil;&atilde;o da pobreza, segundo se depreende do relat&oacute;rio.<\/p>\n<p> No entanto, para garantir o sucesso universal do ensino prim&aacute;rio, cuja m&eacute;dia regional &eacute; hoje de 93%, s&atilde;o necess&aacute;rios cerca de US$ 21,5 bilh&otilde;es, o que representa 14,4% do total das quatro metas. Em 2000, a taxa de matr&iacute;cula secund&aacute;ria (popula&ccedil;&atilde;o de 13 a 18 anos) era de 62%, em m&eacute;dia, na regi&atilde;o, por isso, ampliar a cobertura para 75% requer em torno de US$ 59,3 bilh&otilde;es em investimento, equivalentes a 39,8% da quantia geral necess&aacute;ria para conseguir os objetivos do mil&ecirc;nio nessa &aacute;rea. Tanto no ensino prim&aacute;rio quanto no secund&aacute;rios os problemas mais urgentes s&atilde;o os altos n&iacute;veis de repet&ecirc;ncia e a alta desist&ecirc;ncia por parte dos alunos, o que acarreta importantes perdas sociais e privadas. Quanto ao &uacute;ltimo ponto, os antecedentes indicam que h&aacute; cerca de 39 milh&otilde;es de analfabetos adultos na regi&atilde;o e a erradica&ccedil;&atilde;o deste problema at&eacute; 2015 demandaria um gasto de US$ 6,9 bilh&otilde;es. Em 10 dos 22 pa&iacute;ses estudados a taxa de analfabetismo &eacute; igual ou superior a 10%&uml;, e em cinco deles supera os 20%. <\/p>\n<p> O papel dos educadores no processo para se atingir as metas assinaladas tamb&eacute;m &eacute; amplamente tratado no estudo, e deve ser analisado de v&aacute;rias perspectivas, explicou a consultora Corbal&aacute;n. &quot;A capacidade dos docentes em promover as mudan&ccedil;as nas salas de aula t&ecirc;m a ver com sua forma&ccedil;&atilde;o, com a avalia&ccedil;&atilde;o que fazem de seu trabalho, com a remunera&ccedil;&atilde;o que recebem, com as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho que permitam que se desenvolvam e com as horas anuais que se derrochan em raz&atilde;o de greves&quot;, afirmou a especialista. O estudo defende, em definitivo, que todos os atores sociais t&ecirc;m de apoiar o processo educacional: governo, professores, fam&iacute;lias e at&eacute; meninos, meninas e adolescentes.<\/p>\n<p> &quot;At&eacute; agora, os pa&iacute;ses tendem a depositar toda a carga da educa&ccedil;&atilde;o no setor p&uacute;blico, mas, &eacute; fundamental mudar essa concep&ccedil;&atilde;o, incorporando ativamente o setor privado nas reformas educacionais e instaurar o conceito de &quot;responsabilidade social da educa&ccedil;&atilde;o&quot;, argumentou Corbal&aacute;n. Por fim, a Unesco est&aacute; promovendo um F&oacute;rum Regional de Financiamento da Educa&ccedil;&atilde;o, a ser realizado a cada dois anos, e do qual espera-se a participa&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplos atores, especialmente aqueles que tradicionalmente n&atilde;o s&atilde;o considerados. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, 10\/02\/2005 &ndash; Os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e do Caribe dever&atilde;o destinar quase US$ 150 bilh&otilde;es adicionais nos pr&oacute;ximos 11 anos se pretendem cumprir as metas do mil&ecirc;nio em educa&ccedil;&atilde;o, segundo duas ag&ecirc;ncias da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas que se prop&otilde;em melhorar o uso de recursos e buscar novas fontes de financiamento. &quot;Mesmo que os pa&iacute;ses mais pobres da regi&atilde;o aumentem progressivamente seu gasto p&uacute;blico em educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o chegariam a atingir os objetivos estabelecidos nos acordos internacionais&quot;, disse &agrave; IPS o especialista regional da Divis&atilde;o de Desenvolvimento Social da Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe (Cepal), Arturo Leon. O estudo &quot;Investir melhor para investir mais. Financiamento e gest&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina e no Caribe&quot;, que recomenda maior efici&ecirc;ncia e outras vias em contribui&ccedil;&otilde;es para a &aacute;rea, foi elaborado pela Cepal e pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura (Unesco).<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/educao-tempo-de-reviso-para-as-metas-do-milnio\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-294","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=294"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}