{"id":2940,"date":"2007-05-31T16:45:45","date_gmt":"2007-05-31T16:45:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2940"},"modified":"2007-05-31T16:45:45","modified_gmt":"2007-05-31T16:45:45","slug":"darfur-ativistas-duvidam-do-plano-b-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/05\/africa\/darfur-ativistas-duvidam-do-plano-b-dos-eua\/","title":{"rendered":"Darfur: Ativistas duvidam do Plano B dos EUA"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 31\/05\/2007 &ndash; O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ordenou a implementa\u00e7\u00e3o de seu aguardado Plano B contra o Sud\u00e3o, por\u00e9m, ativistas dizem que as novas san\u00e7\u00f5es n\u00e3o obrigar\u00e3o Cartum a permitir o envio de uma for\u00e7a de paz para a regi\u00e3o de Darfur. <!--more--> O governo sudan\u00eas resiste \u00e0 entrada de uma for\u00e7a de 23 mil soldados e policiais da Uni\u00e3o Africana e da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para controlar a situa\u00e7\u00e3o em Darfur, que vive uma crise humanit\u00e1ria. As san\u00e7\u00f5es incluem o congelamento das contas banc\u00e1rias de dois funcion\u00e1rios do governo do Sud\u00e3o e de uma companhia acusada de envolvimento em atrocidades na regi\u00e3o. Al\u00e9m disso, foram acrescentadas 31 empresas a uma lista de 130 \u00e0s quais se nega o acesso ao sistema financeiro norte-americano.<\/p>\n<p>Estas medidas foram qualificadas de \u201cmuito contundentes\u201d pelo enviado especial de Washington ao Sud\u00e3o, Andrew Natsios.\u201dPosso dizer-lhes que isto \u00e9 muito contundente, porque vemos o efeito que tem a intelig\u00eancia em qualquer lugar\u201d, disse Natsios a jornalistas. Al\u00e9m disso, anunciou que Washington buscar\u00e1 uma resolu\u00e7\u00e3o no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU para ampliar as san\u00e7\u00f5es e impor um embargo \u00e0 venda de armas a Cartum, al\u00e9m de zonas de exclus\u00e3o a\u00e9rea sobre Darfur. Mas ativistas afirmam que tais medidas n\u00e3o dobrar\u00e3o o governo do presidente Omar Al Bashir.<\/p>\n<p>\u201cO Plano B \u00e9 t\u00e3o unilateral em sua natureza e extremamente d\u00e9bil para ter um impacto sobre as autoridades sudanesas ou nos intransigentes l\u00edderes rebeldes\u201d, disse em um comunicado Enough!, uma iniciativa conjunta do Grupo Internacional de Crise e do Centro para o Progresso Norte-americano, divulgado ap\u00f3s o an\u00fancio de Bush, na ter\u00e7a-feira. \u201cEste an\u00fancio \u00e9 vazio e inconseq\u00fcente, apenas desenhado para o consumo pol\u00edtico norte-americano e n\u00e3o como um esfor\u00e7o real para enfrentar a crise de seguran\u00e7a vivida em Darfur\u201d, disse \u00e0 IPS o ativista Eric Reeves, um dos l\u00edderes nas campanhas para resolver a crise humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cDiante das completas san\u00e7\u00f5es comerciais e econ\u00f4micas impostas em 1997 pelo presidente Bill Clinton (1993-2001), estas pequenas medidas n\u00e3o passam de inconveni\u00eancias cont\u00e1veis para Cartum\u201d, afirmou Reeves. \u201cSimplesmente obrigar\u00e3o Cartum a converter contratos em d\u00f3lares em euro ou iene\u201d, acrescentou. A implementa\u00e7\u00e3o do Plano B parece refletir a crescente frustra\u00e7\u00e3o de Washington com Cartum, governo do qual percebe uma estrat\u00e9gia deliberada para dilatar o envio de uma for\u00e7a inter nacional de paz. A frustra\u00e7\u00e3o da Casa Branca aumentou desde agosto, quando o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU autorizou o envio dessa for\u00e7a pela primeira vez.<\/p>\n<p>Na oportunidade, parecia claro que o Acordo de Paz de Darfur de 2006, assinado por Cartum e v\u00e1rias fac\u00e7\u00f5es rebeldes, e apoiados pelos Estados Unidos e pela ONU, entrara em colapso e que a for\u00e7a da Uni\u00e3o Africana enviada \u00e0 regi\u00e3o, com sete mil soldados, n\u00e3o era capaz de conter a viol\u00eancia. Em um depoimento no Congresso norte-americano h\u00e1 mais de seis meses, Natsios alertou que, se Al BAshir n\u00e3o aceitasse o envio de uma for\u00e7a de paz expandida at\u00e9 1\u00ba de janeiro, Bush imporia san\u00e7\u00f5es do Plano B, mas essa data passou sem maiores conseq\u00fc\u00eancias. Por outro lado, Washington depositou suas esperan\u00e7as nos crescentes esfor\u00e7os diplom\u00e1ticos, em particular do secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e da China, principal comprador do petr\u00f3leo sudan\u00eas e membro permanente com poder de veto no Conselho de Seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Bush, que em diversas ocasi\u00f5es qualificou de \u201cgenoc\u00eddio\u201d a campanha contra-insurgente em Darfur contra tr\u00eas importantes tribos negras africanas, disse no dia 18 de abril que Ban lhe pedira um adiamento por \u201cum curto per\u00edodo de tempo\u201d da implementa\u00e7\u00e3o do Plano B. Isso para dar uma oportunidade \u00e0 diplomacia, sobretudo \u00e0 luz da promessa de Al Bashir de permitir que tr\u00eas mil soldados de paz da ONU, apoiados por seis helic\u00f3pteros de ataque, se unissem aos da Uni\u00e3o Africana. \u201cAdiei a implementa\u00e7\u00e3o destas medidas porque a ONU acreditava que o presidente Bashir poderia cumprir suas obriga\u00e7\u00f5es para deter as mortes\u201d, afirmou Bush na ter\u00e7a-feira.<\/p>\n<p>\u201cLamentavelmente, ele n\u00e3o cumpriu essas obriga\u00e7\u00f5es. As a\u00e7\u00f5es do presidente Bashir nas \u00faltimas semanas seguem um longo padr\u00e3o de prometer coopera\u00e7\u00e3o em lugar de buscar novos m\u00e9todos de obstru\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou. \u201cUm dia depois que falei, os militares bombardearam uma reuni\u00e3o de comandantes rebeldes onde se discutia um poss\u00edvel acordo de paz com o governo. Nas semanas seguintes, Bashir usava seu ex\u00e9rcito e as mil\u00edcias apoiadas pelo governo para atacar rebeldes e civis no sul de Darfur\u201d, afirmou Bush. \u201cNada disto \u00e9 aceit\u00e1vel para os Estados Unidos, pensamos que nada disto \u00e9 aceit\u00e1vel para a comunidade mundial\u201d, afirmou o subsecret\u00e1rio de Estado, John Negroponte, em uma entrevista coletiva ap\u00f3s ao an\u00fancio de Bush.<\/p>\n<p>Negroponte disse que Washington pressionar\u00e1 seus aliados europeus para que imponham semelhantes san\u00e7\u00f5es financeiras para \u201casfixiar investimentos internacionais que s\u00e3o muito importantes para o Sud\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 bons argumentos para que seja dado mais tempo aos sudaneses. O governo de Cartum mostra sempre o mesmo\u201d, acrescentou. A organiza\u00e7\u00e3o Human Rights Watch disse que as san\u00e7\u00f5es da ONU e da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia deveriam incluir n\u00e3o apenas proibi\u00e7\u00f5es de viagem e congelamento de contas, mas tamb\u00e9m san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas a companhias que fazem neg\u00f3cios com o governo sudan\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cAs san\u00e7\u00f5es contra indiv\u00edduos n\u00e3o deveriam estar limitadas a funcion\u00e1rios governamentais de n\u00edvel m\u00e9dio, mas deveria incluir os altos l\u00edderes de Cartum\u201d, disse o diretor do escrit\u00f3rio a HRW para a \u00c1frica, Peter Takirambudde. Por sua vez, Ban Ki-moon evitou opinar sobre a efetividade das san\u00e7\u00f5es. \u201cEst\u00e1 \u00e9 uma decis\u00e3o do governo dos Estados Unidos, e espero que a comunidade internacional possa trabalhar em conjunto para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para este assunto o mais r\u00e1pido poss\u00edvel\u201d, afirmou o secret\u00e1rio-geral da ONU. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 31\/05\/2007 &ndash; O presidente dos Estados Unidos, George W. 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