{"id":2944,"date":"2007-06-01T16:37:03","date_gmt":"2007-06-01T16:37:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2944"},"modified":"2007-06-01T16:37:03","modified_gmt":"2007-06-01T16:37:03","slug":"grupo-dos-oito-o-tabu-dos-subsidios-agricolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/africa\/grupo-dos-oito-o-tabu-dos-subsidios-agricolas\/","title":{"rendered":"Grupo dos Oito: O tabu dos subs\u00eddios agr\u00edcolas"},"content":{"rendered":"<p>Berlim, 01\/06\/2007 &ndash; A ajuda para a \u00c1frica lidera a agenda da c\u00fapula do Grupo dos Oito pa\u00edses mais poderosos do mundo, que acontecer\u00e1 de 6 a 8 de junho na cidade alem\u00e3 de Heiligendamm, no mar B\u00e1ltico. Por\u00e9m, se evitar\u00e1 introduzir os subs\u00eddios agr\u00edcolas no debate. <!--more--> A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, assegurou em reiteradas oportunidades que os pa\u00edses do G-8 (Alemanha, Canad\u00e1, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha, It\u00e1lia, Jap\u00e3o e R\u00fassia) cumprir\u00e3o seu compromisso de duplicar a ajuda ao desenvolvimento da \u00c1frica at\u00e9 2010.<\/p>\n<p>Merkel e outros funcion\u00e1rios alem\u00e3es insistem em que o investimento do G-8 na \u00c1frica deve aumentar para melhorar as oportunidades econ\u00f4micas que o continente oferece ao setor privado. O mesmo dizem numerosos ativistas, desde a estrela do rock Bob Geldof a diretores de importantes organiza\u00e7\u00f5es de fomento ao desenvolvimento. Mas poucos mencionam a que, talvez, seja a quest\u00e3o-chave para o desenvolvimento da \u00c1frica: a necessidade de uma redu\u00e7\u00e3o dos subs\u00eddios e tarifas alfandeg\u00e1rias com que a maioria dos pa\u00edses do G-8 cercam seus mercados para proteger seus agricultores.<\/p>\n<p>Numerosos estudos alertem que essas barreiras contribu\u00edram em grande parte nas \u00faltimas d\u00e9cadas para prejudicar o desenvolvimento africano e de outras regi\u00f5es pobres do planeta. N\u00e3o se trata de um assunto desconhecido para pol\u00edticos e analistas radicados nos pa\u00edses do G-8. J\u00e1 em 2005, o Informe de Desenvolvimento Humano do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) tinha como t\u00edtulo \u201cCoopera\u00e7\u00e3o Internacional na encruzilhada: Assist\u00eancia, com\u00e9rcio e seguran\u00e7a em um mundo desigual\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO problema b\u00e1sico que devem ser atendidos pelas negocia\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio podem ser resumidas em quatro palavras: subs\u00eddios dos pa\u00edses ricos\u201d, dizia o informe. \u201cNa \u00faltima rodada de negocia\u00e7\u00f5es comerciais multilaterais (lan\u00e7adas em Doha, no Qatar, em 2001), os pa\u00edses ricos prometeram cortar os subs\u00eddios agr\u00edcolas\u201d, mas segundo destacava o documento, esses subs\u00eddios cresceram constantemente. As na\u00e7\u00f5es mais ricas gastaram em 2005 US$ 1 bilh\u00e3o em assist\u00eancia \u00e0 agricultura nos pa\u00edses pobres, enquanto destinavam a mesma quantia, mas a cada dia, para v\u00e1rias formas de subs\u00eddios \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola interna.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 dif\u00edcil imaginar uma ordem de prioridades menos adequada\u201d, dizia o informe do Pnud. A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudou muito desde ent\u00e3o. A esta \u201cordem de prioridades\u201d representada pelas barreiras comerciais da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, dos Estados Unidos, do Canad\u00e1 e Jap\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola de pa\u00edses pobres da \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica Latina somam-se alguns elementos da ajuda ao desenvolvimento e de emerg\u00eancia a essas mesmas regi\u00f5es. Nesse sentido, cabe destacar a ajuda financeira norte-americana ao Programa Mundial de Alimentos (PMA).<\/p>\n<p>Washington \u00e9 o principal doador desta ag\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, com US$ 1,2 bilh\u00e3o por ano. Mas a ajuda est\u00e1 condicionada: com esse dinheiro deve ser comprado alimento produzido nos eu, por isso constitui um subsidio oculto aos agricultores norte-americanos e uma barreira insuper\u00e1vel para os produtores do Sul pobre, inclusive em per\u00edodos de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cA boa pr\u00e1tica em casos de emerg\u00eancia \u00e9 fornecer apoio em dinheiro ao PMA, para que possa comprar cereais a um pre\u00e7o adequado\u201d, disse Alice Wynn Wilson, da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental ActionAid. \u201cEnviar grandes volumes de alimento para uma regi\u00e3o onde h\u00e1 \u00e1reas com super\u00e1vit pode conduzir a uma situa\u00e7\u00e3o de escassez em algumas zonas de um determinado pa\u00eds e comida produzida localmente apodrecendo em outras\u201d, disse Wilson.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses europeus tamb\u00e9m exportam para a \u00c1frica, e a pre\u00e7os de dumping, seus grandes super\u00e1vits agr\u00edcolas, apoiados pelo Estado. Os mercados africanos s\u00e3o inundados por produtos comercializados mais barato do que os locais, o que condena os agricultores dessas na\u00e7\u00f5es. Os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia exportaram 1.150 toneladas de leiete em p\u00f3 para Burkina Faso em 2005. \u201cIsso condenou \u00e0 ru\u00edna os produtores l\u00e1cteos locais e levou o pa\u00eds por uma via r\u00e1pida \u00e0 viol\u00eancia pol\u00edtica\u201d, disse \u00e0 IPS Wilhelm Thees, colaborador da organiza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica alem\u00e3 Misereor. \u201cSe os produtores de desse pa\u00eds pudessem vender seu leite, viveriam de seu pr\u00f3prio trabalho e o pa\u00eds desfrutaria de paz e estabilidade pol\u00edtica\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Por toda a \u00c1frica ouve-se queixas semelhantes. No Senegal, uma democracia bastante s\u00f3lida em um continente repleto de ditadores corruptos e guerras brutais, os produtores de tomate e outros alimentos sofreram por mais de uma d\u00e9cada as conseq\u00fc\u00eancias de rela\u00e7\u00f5es comerciais injustas com o mundo rico. O mercado senegal\u00eas est\u00e1 saturado de produtos baratos e subsidiados do Norte rico: tomate da It\u00e1lia, cebola da Holanda, arroz do Jap\u00e3o, algod\u00e3o dos Estados Unidos e frango de toda a Europa.<\/p>\n<p>Por outro lado, os senegaleses pagam o custo dos programas de ajuste internacional ditado por institui\u00e7\u00f5es financeiras multilaterais, como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional e o Banco Mundial. At\u00e9 1984, os pa\u00edses mais pobres do mundo, a maioria deles na \u00c1frica subsaariana, desfrutou de um super\u00e1vit comercial agr\u00edcola com o resto do mundo. Mas desde ent\u00e3o, o fluxo mudou de dire\u00e7\u00e3o: o d\u00e9ficit \u00e9 crescente e constante e chegou a US$ 6 bilh\u00f5es em 2005.<\/p>\n<p>Nesse ano, segundo o Informe sobre Desenvolvimento Humano, a \u00c1frica subsaariana, com 689 milh\u00f5es de habitantes, representa uma propor\u00e7\u00e3o menor das exporta\u00e7\u00f5es mundiais do que a B\u00e9lgica, com 10 milh\u00f5es. Se est\u00e1 regi\u00e3o desfrutasse hoje da mesma por\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es mundiais que em 1980, seu ganho equivaleria a oito vezes a ajuda que recebeu em2003. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Berlim, 01\/06\/2007 &ndash; A ajuda para a \u00c1frica lidera a agenda da c\u00fapula do Grupo dos Oito pa\u00edses mais poderosos do mundo, que acontecer\u00e1 de 6 a 8 de junho na cidade alem\u00e3 de Heiligendamm, no mar B\u00e1ltico. 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