{"id":2961,"date":"2007-06-05T16:09:32","date_gmt":"2007-06-05T16:09:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2961"},"modified":"2007-06-05T16:09:32","modified_gmt":"2007-06-05T16:09:32","slug":"ambiente-menos-gelo-na-antartida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/america-latina\/ambiente-menos-gelo-na-antartida\/","title":{"rendered":"Ambiente: Menos gelo na Ant\u00e1rtida"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, 05\/06\/2007 &ndash; Embora os sintomas do aquecimento n\u00e3o sejam fen\u00f4menos generalizados na Ant\u00e1rtida, como \u00e9 no \u00c1rtico, j\u00e1 h\u00e1 importantes redu\u00e7\u00f5es dos gelos austrais. A regi\u00e3o ter\u00e1 temperaturas mais quentes no final deste s\u00e9culo, afirma um estudo do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente. <!--more--> O documento Perspectiva Global sobre a Neve e o Gelo, divulgado dia 4 de junho pelo Pnuma, foi preparado por especialistas de diferentes \u00e1reas e pa\u00edses por conta do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado neste 5 de junho, cujo lema \u00e9 \u201cO degelo, um tema candente?\u201d<\/p>\n<p>O informe analisa a situa\u00e7\u00e3o do gelo e da neve no P\u00f3lo Norte (\u00c1rtico), P\u00f3lo Sul (Ant\u00e1rtida) e regi\u00f5es de montanha de todo o mundo, entre outras \u00e1reas da criosfera, importantes componentes do sistema clim\u00e1tico da Terra. O documento de 238 p\u00e1ginas indica que a influ\u00eancia externa mais importantes sobre as neves e os gelos ser\u00e1 o ac\u00famulo de gases causadores do efeito estufa, emitidos por atividades humanas, considerados pelos cientistas como causa muito prov\u00e1vel do aquecimento do planeta.<\/p>\n<p>\u201cOs maiores aumentos na temperatura anual do planeta dos \u00faltimos tempos foram registrados na regi\u00e3o \u00e1rtica da Am\u00e9rica do Norte, na Sib\u00e9ria centro-setentrional e na pen\u00ednsula Ant\u00e1rtida\u201d, afirma o documento. Na Ant\u00e1rtida, os sintomas do aquecimento global n\u00e3o t\u00eam sido generalizados nos \u00faltimos anos, ao contr\u00e1rio do \u00c1rtico, onde as temperaturas aumentaram quase o dobro da m\u00e9dia mundial, afirma o texto. Mas as proje\u00e7\u00f5es para o final deste s\u00e9culo indicam que ser\u00e3o registradas temperaturas mais quentes na superf\u00edcie ant\u00e1rtica.<\/p>\n<p>Os gelos terrestres da \u201cGroenl\u00e2ndia e Ant\u00e1rtida constituem quase 99% do gelo de \u00e1gua doce do mundo\u201d, alerta o documento. Se ambas derretessem completamente, o n\u00edvel do mar aumentaria 64 metros. A Ant\u00e1rtida tem 12,3 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, um volume de gelo de 24,7 milh\u00f5es de quil\u00f4metros c\u00fabicos, e estima-se que se estes desaparecessem totalmente o n\u00edvel do mar subiria cerca de 57 metros. O especialista em geleiras Andr\u00e9s Rivera, do Chile, acredita que \u00e9 necess\u00e1rio distinguir as caracter\u00edsticas do \u00c1rtico e da Ant\u00e1rtida para entender as mudan\u00e7as sofridas por est\u00e1 \u00faltima devido \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cO \u00c1rtico est\u00e1 formado basicamente por gelo marinho, enquanto a Ant\u00e1rtida \u00e9 um continente gigantesco, que possui diferentes regi\u00f5es nas quais o impacto do aquecimento global \u00e9 diferente\u201d, explicou o cientista \u00e0 IPS. Nela s\u00e3o identificadas tr\u00eas regi\u00f5es: oriental, ocidental e a pen\u00ednsula Ant\u00e1rtica. Na primeira, que \u00e9 a maior, \u201cn\u00e3o est\u00e3o ocorrendo grandes mudan\u00e7as\u201d, disse o especialista do Centro de Estudos Cient\u00edficos, cuja sede fica na cidade de Valdivia, 840 quil\u00f4metros ao sul de Santiago. Mas \u201cem algumas zonas da regi\u00e3o ocidental h\u00e1 mudan\u00e7as importantes\u201d, como no mar de Admunsen, especialmente na geleira Pine Island, disse Rivera. \u201cEstima-se que no futuro poderemos observar o colapso de alguns glaciais j\u00e1 que a \u00e1rea \u00e9 potencialmente inst\u00e1vel\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Se o gelo do setor ocidental desaparecesse completamente, \u201co n\u00edvel do mar aumentaria cinco ou seis metros\u201d, diz o informe do Pnuma. Na pen\u00ednsula tamb\u00e9m s\u00e3o notados importantes retrocessos, principalmente \u201cpelo colapso de plataformas de gelos flutuantes\u201d, acrescentou Rivera, que liderou expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas \u00e0 regi\u00e3o. O cientista explica que \u201ca Ant\u00e1rtida em seu conjunto contribui para o aumento do n\u00edvel do mar, mas n\u00e3o h\u00e1 certeza quanto \u00e0 magnitude de sua contribui\u00e7\u00e3o\u201d devido \u00e0s diferen\u00e7as de suas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Groenl\u00e2ndia e Ant\u00e1rtida \u201ct\u00eam o potencial para fazer a maior contribui\u00e7\u00e3o para a subida do n\u00edvel do mar, mas tamb\u00e9m s\u00e3o a maior fonte de incerteza\u201d quanto aos efeitos que desencadeariam no clima global, ressalta o estudo do Pnuma. A retirada dos gelos ant\u00e1rticos favorecer\u00e1 a expans\u00e3o da ind\u00fastria tur\u00edstica, o que repercutir\u00e1 no meio ambiente no valor dessa regi\u00e3o como lugar de pesquisa, diz o Pnuma. Por isso em necess\u00e1rio um contexto internacional que regule o turismo, acrescenta o texto.<\/p>\n<p>Por outro lado, \u201cas regi\u00f5es de montanha s\u00e3o particularmente sens\u00edveis \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d. Nos \u00faltimos cem anos, e em particular a partir da d\u00e9cada de 80, ocorreu em todo o mundo uma enorme contra\u00e7\u00e3o dos glaciais montanhosos. Na Am\u00e9rica do Sul, a maior parte dos gelos terrestres e a neve se encontram na cordilheira dos Andes que a recorre em toda sua extens\u00e3o. Os glaciais sul-americanos cobrem uma \u00e1rea pr\u00f3xima dos 25.700 quil\u00f4metros quadrados, sobretudo os campos de gelo da Patag\u00f4nia, que representam 66% da superf\u00edcie total e ficam nas regi\u00f5es chilenas de Ays\u00e9n e Magallanes, mais de dois mil quil\u00f4metros ao sul de Santiago.<\/p>\n<p>Na cordilheira andina, as mudan\u00e7as tamb\u00e9m se manifestam de maneira diferente segundo as regi\u00f5es: os Andes tropicais (Venezuela, Col\u00f4mbia, Equador, Peru e Bol\u00edvia), os semi-\u00e1ridos (zona central do Chile e Argentina) e a Patag\u00f4nia, extremo sul de dos dois pa\u00edses. A primeira destas zonas sofre uma importante redu\u00e7\u00e3o de glaciais. \u201cNa Col\u00f4mbia, desapareceram 50% da superf\u00edcie total de gelos nos \u00faltimos 50 anos\u201d, disse Rivera. Nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas ocorreu o mesmo com 30% da superf\u00edcie total de gelos do Equador e com 15% da do Peru e na zona central do Chile e noroeste da Argentina tamb\u00e9m \u201chouve fortes retrocessos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Na Argentina foram registrados avan\u00e7os e redu\u00e7\u00f5es an\u00f4malas de glaciais, segundo Rivera. Na Patag\u00f4nia se perdeu grandes massas geladas em meio s\u00e9culo, entre 3% e 4%, contribuindo para o aumento do n\u00edvel do mar, assegurou. Para dimensionar as transforma\u00e7\u00f5es, Rivera explica que \u201c50% da perda de glaciais na Col\u00f4mbia equivale a cerca de 55 quil\u00f4metros quadrados de gelo, enquanto 3% ou 4% da Patag\u00f4nia correspondem a, aproximadamente, 700 quil\u00f4metros quadrados de territ\u00f3rio. Na Am\u00e9rica do Sul a tend\u00eancia generalizada de retrocesso \u00e9 real, mas h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Devido ao aquecimento global, no Chile s\u00e3o detectados aumentos de temperatura em r\u00e9gi\u00f5s altas, a mais de 1.500 metros acima do n\u00edvel do mar. Isto reduz a quantidade de neve dispon\u00edvel na cordilheira, o que tem impacto na quantidade de \u00e1gua dos rios. Os glaciais contribuem com cerca de 68% do caudal dos rios em anos secos, alerta o documento do Pnuma. A situa\u00e7\u00e3o \u201crequer estudar, modelar o cen\u00e1rio futuro, tomar medidas de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o e estudar a compet\u00eancia pela destina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas\u201d, disse o cientista. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, 05\/06\/2007 &ndash; Embora os sintomas do aquecimento n\u00e3o sejam fen\u00f4menos generalizados na Ant\u00e1rtida, como \u00e9 no \u00c1rtico, j\u00e1 h\u00e1 importantes redu\u00e7\u00f5es dos gelos austrais. 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